A ARTE DISPENSA REGRAS
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Autoria de LuDiasBH

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Para se apreciar uma obra de arte é preciso abrir a mente aos variados padrões de beleza, expressos numa infinidade de estilos. Eleger apenas um estilo é ficar encalhado no tempo, ainda que, para o deleite pessoal, se possa preferir esse àquele. As obras de arte possuem inumeráveis caminhos que estão aí para serem prazerosamente trilhados.

Quando se é principiante no estudo da arte, tem-se a impressão de que a sua beleza está na perfeição dos detalhes. Com o tempo, percebe-se que não é bem assim, como mostra o Professor Sir Ernst Gombrich em seu livro A História da Arte, um dos mais famosos sobre o assunto.

Muitos dos leitores devem conhecer as pinturas: Lebre (1502) de Albrecht Dürer e Elefante (1637) de Rembrandt van Rijn. Enquanto a primeira é tão real, a ponto de o observador sentir vontade de tocar o pelo do animalzinho, a segunda, feita com alguns traços de giz, também passa a impressão de que, se tocarmos no corpo do animal iremos sentir sua pele rugosa e áspera. Embora um quadro mostre menos detalhes do que o outro, ambos são perfeitos.

Muitas pessoas não gostam da arte moderna, sob o pretexto de que os artistas desenham mal e que há muitas distorções na natureza. A indagação a ser feita é: Será que esse ou aquele artista desenha mal, ou o faz de livre e espontânea vontade, atendendo a um objetivo pessoal?

O genial Picasso fez dois desenhos muito interessantes: a Galinha com Pintinhos (1941), desenhada dentro dos padrões que julgamos ser os de uma galinha “normal”, rodeada por seus belos pintainhos e o Galo Novo (1938). Mas que galo esquisito, meio tresloucado! Teria o artista errado no traço? Claro que não! O objetivo do pintor foi desenhar um galo desdenhoso, zangadiço e bestalhão. Ou alguém é capaz de achar que o artista não tivesse capacidade para desenhar o macho da galinha dentro dos “padrões normais”?

Os exemplos citados no texto têm por objetivo mostrar ao leitor que é preciso muito cuidado no julgamento de uma obra de arte, pois à visão é preciso ajuntar a agudeza de espírito. O artista não é obrigado a retratar a natureza tal e qual a concebemos. Ao contrário, ele está sempre em busca de experiências novas. E, se assim não fosse, ainda estaríamos na fase dos desenhos rupestres.

A título de ilustração, conta-se que o pintor Sir Joshua Reynolds, em uma de suas aulas, ensinou aos alunos que o azul era reservado apenas para fundos bem distantes, colinas, diluindo-se gradualmente no horizonte. Jamais poderia ser usado no primeiro plano de uma pintura. E, para contradizê-lo, seu rival Thomas Gainsborough pintou o famoso Menino Azul. O que nos prova que a arte não deve ter regras fixas.

Nota: O Menino Azul – Thomas Gainsborough/ 1770

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E. H. Gombrich

2 comentários sobre “A ARTE DISPENSA REGRAS

  1. Karen Vieira

    Ótimo texto Lu!

    A arte não é feita só para enfeitar, mas principalmente para incomodar, fazer pensar e inverter paradigmas. Quando as pessoas se despem de seus preconceitos, passam a ter um novo olhar sobre tudo.

    Bjo,

    Karen.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Karen

      É isso mesmo!
      O bom é que a arte é tão democrática que existe para todos os gostos.

      Grande beijo,

      Lu

      Responder

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