A ARTE NÃO RETRATA APENAS O BELO

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Autoria de LuDiasBH

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Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas. (E. H. Gombrich)

A arte é tudo aquilo que o homem chama de arte. (Dino de Formaggio)

Na Antiguidade, a palavra arte estava ligada à habilidade e à perícia que certas pessoas tinham para produzir um objeto ou exercer determinadas atividades: pedreiros, ferreiros, ourives, sapateiros, pintores, poetas, etc. Mas, a partir do final do século XV, durante o Renascimento italiano, a arte, voltada para a produção de coisas necessárias, passou a ser chamada de ofício, e a palavra arte, durante muitos séculos, passou a indicar as chamadas belas-artes, cuja finalidade era meramente estética. Sendo que a pintura, a escultura e a arquitetura eram as que mais se destacavam no campo das artes visuais e figurativas.

Como tudo na vida encontra-se em constante mudança, o conceito de belo passou a ser questionado, ainda que tardiamente. Concluiu-se que gostos e padrões estéticos variam de acordo com as diferentes culturas e há variações até dentro de uma mesma cultura. Sem falar que os conceitos não estão imunes ao tempo.

Com o nascimento dessa nova percepção, bem mais aguçada e inteligente, o conceito de arte no campo visual figurativo define-se como “qualquer atividade, que por meio das imagens, procure comunicar sensações, emoções e sentimentos”.

Segundo o Professor Sir Ernest Gombrich, autor de A História da Arte, um dos livros mais famosos sobre o assunto, o encanto de um objeto artístico não se encontra na beleza de seu tema, mas na maneira como foi criado pelo autor. Ele ilustra o seu ponto de vista comparando dois retratos famosos: o do filhinho rechonchudo do pintor Peter Paul Rubens e o da mãe idosa do pintor Albrecht Dürer. Para ele, tanto o retrato do garotinho angelical quanto o da senhora idosa, desgastada pelo tempo e pelas preocupações da vida, foram pintados com muita ternura e sensibilidade, resultando em duas belas obras de arte.

A visão de crianças esmolambadas, descalças e sujas pelas ruas não é algo que nos encante, contudo, não podemos negar que o quadro Meninos Comendo Melão e Uvas (início do texto), do pintor Murilo Bartolomé Estéban, é belíssimo na maneira como ele pintou as duas crianças. Assim como não podemos ignorar a beleza da letra e composição musical de Chico Buarque em Meu Guri, apesar do tema tratado.

Diz um sábio ditado que a beleza está nos olhos de quem a vê. Para ver o belo precisamos estar abertos ao novo, ao diferente, ao incomum, assim como o filósofo e a criança, que jamais são preconceituosos ou apressados no julgamento. Se eles não entendem algo, buscam a compreensão quer através da observação quer através das perguntas.

É necessário descartarmos velhos hábitos e preconceitos para desfrutarmos do maravilhoso mundo das obras de arte, não nos esquecendo de que viver é estar em permanente aprendizado. E o contato com a arte ajuda-nos a estimular a nossa sensibilidade, pois o gosto é predisposto ao desenvolvimento. A arte não é coisa de outro mundo, que se coloca além de nossas capacidades. Ela é feita por homens e mulheres e também é direcionada a eles. Ao aguçarmos a observação, ampliando os nossos horizontes, acabará por haver uma comunhão entre a obra do artista e nós que a observamos.

O mundo da arte é vastíssimo. Ao nos inserirmos nele estaremos sempre conhecendo e descobrindo coisas novas. Quanto mais aumentamos a nossa sensibilidade, mais adentramos neste fabuloso universo que nunca tem fim.

Concluindo, a arte não retrata apenas o belo, ela é capaz de tornar formoso mesmo aquilo que é considerado feio. O que conta é a sensibilidade do artista e a receptividade do observador. O que não podem faltar são emoções, sensações e sentimentos.

(*) Meninos Comendo Melão e Uvas
Artista – Murilo Bartolomé Estéban
Data: c. 1645-1646
Técnica – óleo sobre tela
Dimensões – 145,9 x 103,6 cm
Estilo – Barroco Localização – Alte Pinakothek – Munique

Fonte de pesquisa:
A História da Arte/ E.H. Gombrich

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