A BELA E A FERA – ATRAÇÃO FATAL

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Autoria de LuDiasBH

a b e a f

Era uma vez um ator de Hollywood que vivia numa bela mansão. Embora fosse considerado o dono de um dos melhores salários do mundo cinematográfico, parecia nunca se sentir feliz. Além disso, corriam boatos em todos os tabloides do mundo de que era uma pessoa extremamente mesquinha.

Numa noite extremamente gelada, quando a neve alcançava as janelas das casas, o astro, ao descer de sua limusine na porta da Motion Picture Association ofAmerica, deparou-se com uma mulher que julgara ser uma ex-atriz que fora muito famosa no passado, mas que ora passava as mais prementes necessidades. A mulher pediu-lhe um dólar para tomar um leitinho quente. Indiferente ao visível sofrimento da coitada, assim como ao infortúnio de tudo que tivesse vida, deu o traseiro como resposta.

Acontece, meu amigo, que não se tratava de uma estrela decadente, mas da impiedosa e maquiavélica personagem de Atração Fatal. Encolerizada, a abespinhada loira julgou que cozinhá-lo, como se fosse um coelhinho, seria muito pouco. Faria bem pior: transformá-lo-ia numa fera afuazada e ranzinza. E, assim foi feito com os poderes de Grayskull. Tudo o que havia na mansão, inclusive os serviçais, foi transformado em objetos. E pior, somente um beijo ardente poderia quebrar a mundrunga.

Confesso que ninguém no Motion Picture Association of America chegou a se preocupar com o sumiço do ator, até porque todos já andavam cansados de sua sovinice e cara de poucos amigos. Desculpem-me o engano. Apenas Pretty, uma serviçal de limpeza da companhia, choramingava pelos cantos dos estúdios e locações, com saudades do flagelo da avareza.

O pai de Pretty, ex-figurante dos filmes do canastrão Sylvester Stallone, inclusive tendo ficado surdo de tanto ouvir as rajadas de Rambo I, II, III, IV e V, andava pelas proximidades da mansão do astro-fera, quando começou a ser perseguido pelos demônios dos Caça-Fantasmas. Amedrontado, entrou na primeira porta que encontrou aberta, que não era outra senão a da dita fera. Injuriada por ter a sua propriedade invadida, a fera sanhuda decretou que o ex-figurante já poderia se considerar morto. Borrando nas calças, o pai da serviçal pediu clemência para se despedir de sua única filha. Num rasgo de compaixão ou ironia, a fera consentiu que assim fosse.

Ao tomar conhecimento da história que lhe contara o pai, Pretty pensou, a princípio, que se tratasse de um novo filme de Steven Spielberg. Mas ao ver que ele chorava copiosamente, pressentiu a verdade. Resolveu acompanhar o seu genitor de volta à mansão. Ali, pediu ao ator-fera para ser trocada por seu pai que generosamente cedeu o seu lugar à filha.

Esperto que era e há muitos meses sem ver uma barra de saia, o rabudo deixou Pretty soltinha na mansão, onde podia ler Sabrina, Júlia Bianca e demais clássicos da literatura mundial. E começou a descansar seus olhos na mocinha. Sentiu que ela nutria por ele certa consideração, apesar de sua amedrontadora aparência. Eis que, no frigir dos ovos, o sovina acabou se apaixonando pela garota. E, para não perder tempo, pediu-a em conúbio. Mas, coitado do infeliz, Pretty recusou a sua mão, digo, sua pata. Preferia tão somente a sua amizade.

 Numa tarde chuvosa, Pretty saiu da mansão para visitar o pai doente. E ali ficou até o seu falecimento. Uma vez cumpridas as formalidades devidas ao morto, a moça tratou de voltar ao solar e ficar junto de sua besta-fera. Mas lá estava o dito caído no chão, exaurindo-se em saudades da bela. Pretty comoveu-se às lágrimas, ao ver que se encontrava diante de uma Fera Ferida pela paixão. Sentiu que os laços que os uniam eram muito mais fortes de que a amizade e a compaixão. Desesperada, sentiu uma dor dilacerante envolver-lhe o coração torturado. Ela não queria que seu monstrengo partisse para Além da Imaginação. A situação era aflitiva e excruciante.

Cena final:

Pretty deu um beijo na fera, que acabou triturando toda a mandinga.

O amor venceu, mais uma vez!

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