A CAIXA DE PANDORA
Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Autoria de LuDiasBH

 pil123

Eu agi como Epimeteu, ao não ouvir
os conselhos de seu irmão Prometeu,
pra que tivesse cautela, ao receber os
presentes vindos do astuto Zeus.

Mal pus os olhos na tua florescência,
embriagaste-me, minha bela Pandora,
com teus olhos sujeitaste-me o âmago,
até então criança em sua inocência.

Não te bastou a certeza de meu amor,
a emoldurar a tua mitológica natureza.
A tua curiosidade foi bem maior que eu,
acabando por nos imergir na fraqueza.

Quebraste os selos da caixa proibida,
escancarando-a na tua vã curiosidade.
Libertaste todas as dores e infortúnios
e todo o mal que aflige a humanidade.

Em vão tentaste fechar aquela tralha,
silo das diversas desgraças terrenas,
e, na sua cupidez infeliz e temerária,
cobriste de sofrimento a deusa Gaia.

Conseguiste reter a frágil esperança,
cuja réstia de luz ainda me encoraja a
encontrar, no meu vagar, a Pandora,
que inda vive na minha lembrança.

(*) Imagem copiada de valdeci-paiva.blogspot.com

2 comentários sobre “A CAIXA DE PANDORA

  1. Lucas

    Lu
    Adoraria saber a história que te levou a escrever este bonito poema. Você realmente escreve muito bem.

    Deixa eu te fazer uma pergunta fora de contexto, você acredita em destino? Deus? Sabe, eu comecei a escrever depois que meus ataques de pânico começaram, eu tenho uma sensação, como se fosse um sexto sentido, que me leva a escrever, isso começou algum tempo depois dos ataques de pânico. Não consigo descrever a sensação, não é raiva, tristeza, ou alegria, é uma sensação estranha, diferente, eu chamo de “estado criativo”, pois quando me ocorre, eu, artisticamente, consigo fazer qualquer coisa, de desenhar a fazer esculturas, e principalmente. Meu único medo ao iniciar o tratamento da ansiedade foi que esse sentimento morresse junto com a mesma, porém, no sétimo dia de medicação, eu (que por incrível que pareça, adoro coisas antigas) ganhei uma máquina de escrever, não tinha dinheiro pra comprar, e na hora que cheguei à loja uma mulher estava doando a máquina. Desde que isso aconteceu, esse medo foi embora e a sensação voltou dois dias depois, porém, me trouxe algo que nunca imaginei escrever, um livro, eu sei toda a história, todos os personagens, enredo, título, cada fala, o destino realmente é algo que me intriga muito…

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Lucas

      Escrevi este poema depois de assistir a um filme (um velho clássico) com este mesmo nome. A inspiração nasce muitas vezes de algo aparentemente insignificante. Noutras, de coisas que me tocam fundo, machucando-me.

      Todos nós trazemos dons. Alguns jamais descobrirão os dons que possuem, enquanto outros têm-nos à flor da pele. E quanto mais exercitamos esta nossa capacidade, mais ela se aflora. É como uma pequena árvore que se bem regada e recebendo adubo cresce maravilhosamente. No ser humano, o alimento do dom é o exercício do mesmo. Quanto mais nos exercitamos, melhores nos tornamos. Também não podemos nos esquecer da busca pela técnica. Digamos que na pintura a técnica seja a moldura, o tipo de pincéis usados e a qualidade da tinta; na escrita é o trato com as palavras; na música é um instrumento bem afinado; na escultura é a qualidade do mármore usado… O dom por si mesmo não tem valor algum se não exercitado. Sempre escrevi, mas sinto que a cada dia escrevo um pouco melhor, em razão do meu exercício diário e do meu estudo sobre a técnica da escrita (a gramática da língua, etc).

      Não acredito em destino. Penso que cada um traça o seu quando possui os meios para isso. Caso contrário a sociedade lhe imputará um, quer queira ou não. Veja a situação dos milhares de moradores de rua. Foi o destino? Não! Foi a desigualdade social. Quanto ao tratamento dos transtornos mentais, eles não interferem na capacidade (dom) de ninguém. Ao contrário, sua finalidade é permitir que a pessoa se sinta bem, apta a realizar seus objetivos. Fora disso não teria razão de ser. O “estado criativo” existe, sim, devendo sempre ser aproveitado. Ainda que não intencione publicá-lo, escreva seu livro e guarde-o até mesmo para acompanhar seu processo criativo.

      Lucas, não se intrigue com o destino. Viva apenas um dia de cada vez e da melhor forma possível. Se assim agir, já estará fazendo o seu destino. O que importa é o hoje. Todo o resto não passa de especulação. Quanto à máquina, você estava no lugar certo e na hora certa. A nossa mente tem a capacidade de nos possibilitar-nos isso.

      Abraços,

      Lu

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *