A CARVOARIA

Siga-nos nas Redes Socias:
FACEBOOK
Instagram

Postado por LuDiasBH

carvoaria

O caminhão levava quarenta humanos,
no seu útero fétido e inchado de agonia.
Um silêncio, com ua catinga de desgraça,
era sentido pelos caminhos da triste via.

A carga permanecia muda e carrancuda,
pois o medo e a repulsão não têm nome.
Uns, cambaleantes da noite mal dormida,
falavam sozinhos numa loucura insone.

Corpos trombavam uns contra os outros
no ventre do caminhão avariado e vulgar,
carregando o medo de não voltarem vivos
das fornalhas chamejantes daquele lugar.

Alguns acarretavam olhos enlouquecidos;
outros, olhos de espanto ou de amargura.
Todos alimentados coa poeira da estrada,
embalados pelo viver torpe e sem sentido.

O caminhão parou para despejar seu fardo.
O lugar era um inferno de brasas apagadas.
Uma massa acinzentada de seres humanos,
embaralhava-se ao carvão a ser empilhado.

 A fumaça espalhava uma fuligem pegajosa,
a encobrir aqueles corpos nus enegrecidos.
Bebês magriços, em seus berços de hulha,
aguardavam calados suas mães escravas.

Os mais velhos ostentavam ossos visíveis e
os garotos, faces rubras e bocas salivantes.
Apesar de silenciosos, os olhos imploravam
que Deus ouvisse suas preces suplicantes.

Minha crença partiu diante daquele inferno.
A ferida chocante na alma nunca cicatrizou.
Não mais fiz orações aos céus ensurdecidos.
A minha fé no pó da carvoaria se enterrou.

2 comentários sobre “A CARVOARIA

    1. LuDiasBH Autor do post

      Aninha

      Acabo de ler uma reportagem na National Geographic, dizendo que as carvoarias proliferam na Amazônia.
      E além da escravidão, ainda destroem nossa floresta.

      Beijos,

      Lu

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *