A FIGUEIRA DA PAZ E O INFERNO

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Autoria de LuDiasBH

figueira

Lá pelas bandas de Barraco Velho, cidade próxima à Lagoa dos Patos, onde um fio de bigode ainda selava uma transação, residiam Jojó Vital e Fifi Chofer, cuja privança nascera desde os tempos de guris, quando ainda arranhavam as primeiras letras. O ligamento entre os dois era tamanho, que cada um batizou o filho do outro, ficando duplamente compadres. Só para se ter ideia do afeiçoamento que perseverava entre os dois, a casa de um era também a vivenda do outro.

O sol ainda pavoneava-se pelo céu, quando Jojó Vial e Fifi Chofer resolveram tomar uma fresca debaixo da Figueira da Paz, um dos maiores encantamentos da cidade, pois só de tronco a belezura media doze metros de circunferência. Ali, os dois entabularam uma prosa animada, relembrando passagens da vida. Conversa vai, conversa vem, o assunto passou a versar sobre a idade da figueira. Fifi, nos seus cálculos, afiançava que ela tinha cerca de 700 anos, enquanto Jojó sustentava que beirava os 400. Os dois se acaloraram na arrepelação, que descambou para uma aposta. Bisbilhotariam os arquivos da prefeitura da cidade até encontrar a resposta certa. O perdedor pagaria ao vitorioso cerca de dois mil reais, sem choro e nem vela. E não havia perdão, por se tratar de uma aposta. Quando chegaram a esse ponto, duas dezenas de curiosos já se encontravam em volta dos dois compadres. Portanto, testemunhas era o que não faltava à contenda.

Para caiporismo de Jojó, velhos documentos encontrados comprovaram que a figueira já estava entrando na casa dos setecentos anos, de modo que Fifi foi o ganhador da aposta. Mas os tempos foram se passando e nada do azarado amigo pagar sua dívida. Nem mesmo tocava no assunto. O compadre, revoltado com o descumprimento do trato, resolveu tomar tenência e tocar na aposta. E aí o pau quebrou, num quelelê dos diabos. A desavença desandou para tabefes e sopapos, exigindo a guarnição local para amear a quizila. Fata e Dirleia, mulheres dos reimosos, tudo fizeram para botar água-benta na rezinga, mas não lograram brilhareto.

Três meses depois do pugilato, encontrava-se Jojó bebendo num botequim, quando Fifi, armado de um berro, foi até lá exigir do outrora amigo o pagamento do débito. Abespinhado e já tendo tomado algumas, Jojó, que carregava um trabuco no casaco, respondeu-lhe:

– Eu só te pago se for no inferno. Se quiseres que vá lá cobrar de mim, cão escroto, filho de uma jumenta. – e atirou no ouvido direito, já tombando sem vida.

Fifi, arrufadiço com a falta de palavra do antigo compadre e com os palavrões que lhe foram endereçados, atinou que não poderia deixar as coisas assim. Puxou o berro e, antes de apertar o gatilho, retrucou:

– Não seja por isso, filhote de Belzebu, pois eu vou ao inferno buscar o que tu me deves.

O dono da venda, cuja nacionalidade não ouso dizer, para que não me incluam entre os xenofóbicos deste mundo, até então acompanhando a altercação com um inusitado aprazimento, ponderou que não poderia perder o final da peleja. Chamou um amigo e ordenou:

– Bidão, toma conta dos meus negócios por alguns minutos, enquanto eu vou ali e volto, pois essa pendenga eu não perco nem que seja no inferno.

No dia seguinte, três esquifes descansaram por alguns minutos debaixo da Figueira da Paz, em direção ao cemitério local, enquanto Fata e Dirleia seguiam atrás abraçadas à dona Santinha, mulher do dono do botequim.

8 comentários sobre “A FIGUEIRA DA PAZ E O INFERNO

  1. Mário Mendonça

    Lu

    Quando disse moldura, foi a sua não a nossa.

    Quanto a divida, quando pagarás…???…rsrrsr

    Abração

    Mário

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      Pode ter a certeza de que chegaremos a Salvador Dali.
      Comecei pelos pintores mais antigos.
      Os mais novos ainda virão.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Mário Mendonça

    Lu Dias

    Não sei se rio ou choro com o palavreado desse conto…

    Inaugurou no começo do mês e só tô “sabeno” hoje…..

    Faltou você no canto superior….

    PARABÉNS…..

    Abração

    Mário Mendonça

    Responder
    1. VIRUSDRT Autor do post

      Mário

      O blog ainda não está oficialmente inaugurado, pois ainda falta muitos arranjos.
      Esta data refere-se ao dia de sua inscrição no provedor.
      Você ainda vai receber o convite oficial… risos.
      Obrigada por sua visita.

      Beijos,

      Lu

      Responder
      1. Mário Mendonça

        Lu

        Quero ver sua “moldura” no canto superior direito, pois tenho certeza que brilhará conjuntamente a pintura que foi muito bem bolada na abertura da pagina…

        Falando em mestres da pintura, tu continua me devendo……rsrsr

        Mais uma vez PARABÉNS por nos brindar com mais este espaço que tenho certeza, será um dos mais visitados da blogosfera…..se prepare, virará uma febre, ainda mais quando compartilhar no Facebok….

        Tu tens recebido meus email´s…???….

        ABRAÇÃO

        Mário Mendonça

        Responder
        1. LuDiasBH

          Mário

          Optei por dividir o blog com meus colaboradores.
          Se fosse colocar a foto de todo mundo, viraria um álbum… risos.
          Ademais, preciso de anonimato, pois em certos artigos eu pego pesado, principalmente com certas culturas que escravizam a mulher.

          Este cantinho está sendo construído com muito amor.
          Quero que seja como uma biblioteca, com vários compartimentos, onde o leitor possa opatar por aquilo que mais gosta.
          Imagine que eu já recebi um comentário hoje lá da Europa…

          Quanto ao Facebook, espero que os amigos façam isso por mim, pois não participo de nenhuma rede social.
          Não tenho tempo.

          Estou muito feliz com a sua avaliação.
          A casa é sua, sinta-se à vontade, sempre.

          Beijos,

          Lu

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