A FINITUDE DA VIDA

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Autoria de LuDiasBH

DIC1234

Não me calem o grito, eu lhes peço,
que brota no meu esmigalhado peito,
deixem as palavras tomarem forma,
se ora lastimo o meu viver finito.

Encontro uma humanidade em mim,
quando assumo a certeza de morrer,
esse esfacelar imutável do que sou,
e daquilo que jamais voltarei a ser.

A morte dos que amei nada mais é,
que ensaios ou aperitivos da minha,
antepasto insosso de tudo que amo,
mas, que com o tempo se definha.

Por mais que as perdas nos doam
nunca entendemos o que é morrer.
Por que nascer, amar, criar raízes e
notar quem amamos desaparecer?

Cada dia a mais é um dia a menos.
A finitude marcha a nosso encontro,
sem temer barreiras e previdências.
Nesta luta somos frágeis elementos.

Do nada eu vim e a ele me agregarei,
num momento ou noutro, eu bem sei.
Nada me converte em ser excludente,
ou me blinda contra esta dura lei.

Olho com pena os seres arrogantes,
brigando pela matéria e o vão poder.
Pensam ser  os senhores do mundo,
e, que eternamente haverão de viver.

Nota: Melancolia, Edvard Munch

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