A LABUTA NO SERTÃO NORDESTINO

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Autoria de LuDiasBH

sertao

A fumaça sobe dançando do tosco fogão à lenha.
Crianças esfregam os olhos que de fumaça ardem.
Pai e filhinho baloiçam numa rede de algodão cru.
Bichos domésticos refestelam-se no gozo da tarde.

A mãe miúda, mas de corpo rijo, prepara a massa.
Seus olhos cavados parecem dois poços profundos.
No pescoço, um cordão encardido ata um amuleto.
No coração de mulher carrega a força do mundo.

Um pano tosco de flores esmaecidas pelo tempo
cobre o cabelo emaranhado da avó junto ao fogão.
Todos têm cansaço no olhar, de menos o pequeno,
que dorme preguiceiro neste ermo de solidão.

A labuta é grande para a velha trempe abrasar,
exige muito fôlego e paciência por parte da mãe,
que trabalha a massa pra cozer o pão de cada dia
e alimentar sua prole no sertão bruto de caroá.

A noite desce lenta sobre este mundão esquecido.
O dourado e o azul dão lugar a uma negra cortina.
Estrelas pipocam acima, desofuscando as trevas.
Nos barracos de taipa, o velho candeeiro ilumina.

Uma brisa ligeira entra pelos buracos dos tapumes.
O respirar das gentes e animais vai se acomodando.
Escuta-se, bem ao longe, o rebusnar de um jumento.
O sertanejo esperançoso vai levando a vida devagar.

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