A ROÇA E A CIDADE

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Autoria de LuDiasBH

roca

Vixe Maria! A família cresceu,
os filho foram ficando taludos,
tudo necessitando de estudo,
pra acomodar na vida chegante.
A roça não mais oferecia opção
de modo a gente poder ficar.
Tivemos que rumar pra cidade
levando em tiras o coração.

Mas pobre ao mudar pra urbe
tem uma dificuldade danosa
para se aconchegar de novo.
É que na sua choça antiga,
sem mesmo lavar os olhos,
sabia onde ficava cada joça.
Até os peitos de sua cabocla
ia certinho no breu apalpar.

Ao chegar a noite no mocambo,
mesmo sem uso da lamparina,
tomava água do pote de barro,
ajeitava no lugar as coisinhas,
os olhos já bem acostumados,
não perdiam hora em procurar.
Depois ia direto para o grabato
com a fogosa dama se deitar.

Mas na cidade tudo é diferente
dos modos como se vivia lá,
onde os caminhos eram iguais,
sem nenhum constrangimento,
que até o animal escolhia a via,
sem o dono na rédea pegar.
Podia até dormir um bom sono
antes de no destino aportar.

Agora a vida é bem diferente,
precisa a modernice aceitar.
Sair com as chinelas nos pés,
cortar ruas prenhes de carro,
falar de um modo esquisito,
pondo travão no palavreado,
pra poder ser compreendido
e assim se fazer respeitar.

2 comentários sobre “A ROÇA E A CIDADE

  1. Rosalí Amaral

    Lu,

    Ai que dó! Soltar esse caboclo de hábitos tão simples,
    nesta selva asfáltica. E que belezura de poesia, amiga.
    Amei a gravura e a estória, pois também sou chegada
    numa roça.

    Beijos,
    Rosalí.

    Responder
    1. LuDiasBH

      Rose

      Não é fácil a pessoa deixar tudo para trás e cair numa selva de pedras.
      Tenho muita pena das pessoas obrigadas a enfrentar a cidade grande, por força das circunstâncias.
      É bem doído mesmo!
      Que dó! Que dó!

      Beijos,

      Lu

      Responder

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