A SALA DE VISITAS DE MINHA AVÓ

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Autoria de LuDiasBH

jesus

Ah, a bonita sala de visita,
da minha querida infância,
situa-se tão longe de mim,
como os tenros dias meus,
e o idoso da criança que foi.
Está embrulhada em cetim,
dentro do mágico baú das
minhas tênues lembranças.

Mas ainda assim, eu carrego
todos os adornos e detalhes:
na sala um banquinho tosco
com suas finas pernas tortas,
onde todos nos sentávamos,
à noite, a ouvir belas histórias
de batalhas, festas e glórias,
vampiros e almas-mortas.

A antiquada mesa de madeira,
peça mais importante da sala,
com um pano de risca bordado,
era rodeada por quatro cadeiras.
Um sofá roto, lá no fundo da sala,
com suas duas almofadas de chita,
era o mimo especial para as visitas,
daquele nosso ingênuo povoado.

Enfeitando a entrada de nossa sala,
uma lata de tinta toda enferrujada,
bem gasta pelos vários anos de uso,
compunha toda a nossa rica mobília.
Nesse ambiente confuso, ela trazia:
espada–de–São Jorge, alecrim, losna,
hortelã e comigo-ninguém-pode pra
afastar o demo e todo tipo de arrelia.

E nas paredes caiadas de tabatinga,
quase beijando os caibros do telhado,
quadros da Sagrada Família, Sagrado
Coração de Jesus e Sagrado Coração
de Maria, bem vigilantes e modestos,
tinham o dever de ajudar nossa família
a levar a cruz, nas suas dificuldades e
a lhes dar muita paz, saúde e afeto.

Uma esquálida cristaleira de vidro
trazia dentro um bule e seis xícaras,
originadas de latas de óleo de  coco;
seis pequenos pratos de alumínio, já
machucados e feridos nas beiradas;
sete canecas esmaltadas, com suas
cores já esvaecidas pelo tempo, eram
um mimo pra bem servir as visitas.

Um vaso redondo de barro lascado,
bem centrado na mesa de madeira,
ornado com três flores de crepom,
da mais ingênua e bonita singeleza,
dava aquele ambiente por acabado.
Contudo, a saudade ainda persiste
em trazer aquela sala de visitas, ai,
de um tempo que não mais existe.

2 comentários sobre “A SALA DE VISITAS DE MINHA AVÓ

  1. Carlos A. Pimentel

    Lu,

    Lendo o seu belo poema, lembrei-me dos tempos felizes que passei na sala de visitas da casa dos meus avós. Sem os “plimsplims” da mída global e a correria dos dias atuais. Somente as longas conversas e o rádio ligado, sintonizando a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, então Capital Federal ou a novela Jerônimo, o Heroi do Sertão!

    Abraços,

    Beto

    Responder
    1. LuDiasBH

      Beto

      A hora das novelas era a nossa alegria total.
      Todos os olhos nos deixavam em paz para ficarem com os ouvidos no rádio.
      Ninguém imaginava que traquinagens estávamos fazendo.
      Eu me encantava com a sonoplastia, principalmente a que imitava cavaos andando.

      Grande abraço,

      Lu

      Responder

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