AGORA É TARDE, INÊS É MORTA!

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Postado por LuDiasBH

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Os ditados (ou ditos) populares são uma das mais belas expressões de uma língua. Eles representam a identidade cultural de um povo, mas são também uma pedra no sapato de quem estuda um idioma estrangeiro. Muitas vezes, extrapolam as fronteiras de um país e se agregam a outras línguas, depois de sofrer pequenas alterações. Noutras, fogem totalmente à sua origem, como é o caso de:

Dito Popular: “Quem tem boca vai a Roma”.
Original: “Quem tem boca vaia Roma” (do verbo vaiar).

Dito Popular: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro”.
Original: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”.

Dito Popular: “Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão”.
Original: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”.

Dito Popular: “Cor de burro quando foge”.
Original: “Corro de burro quando foge!”

Dito Popular: “Cuspido e escarrado”. (alguém muito parecido com outra pessoa).
Original: “Esculpido em carraro” (tipo de mármore).

Dito Popular: “Quem não tem cão, caça com gato”.
Original: “Quem não tem cão, caça como gato” (ou seja, astutamente).

Os ditados populares também contam parte da história de um povo, como é o caso do conhecido “Agora é tarde, Inês é morta”. Muitas pessoas não fazem a menor ideia de como apareceu tal ditado popular. Inês de Castro, descendente de uma importante família castelhana, picou a mula para Portugal como dama de companhia da futura esposa de Dom Pedro (herdeiro do rei Afonso IV), a princesa Constança. Não sei se a moça era uma santinha do pau oco, ou não, pois falar é prata e calar é ouro, mas o fato é que o príncipe caiu de amores por ela.

O velho rei Afonso IV ficou com a pulga atrás da orelha, pois sabia que daquela colmeia não sairia mel, e seria melhor prevenir do que remediar, pois, caso o filho não levasse à frente sua relação com Constança, todos os acordos políticos iriam para o brejo. Mesmo assim, Pedro continuou esquentando os lençóis de Inês, enquanto os de Constança congelavam. Prova disso é que, embora apaixonada pelo marido, a vítima teve apenas um filho, Fernando, com o marido adúltero, enquanto o dito aumentava a sua prole com Inês, o que mostra o fervor de sua paixão.

Após a morte da princesa Constança, Dom Pedro, ora viúvo, foi instado a se casar de acordo com os interesses políticos do reino, porém, sabedor de que em cachorro fraco tudo são pulgas, rejeitou todas as ofertas. Somente Inês imperava em seu coração. Mas, como o seguro morreu de velho, enquanto ele estava caçando, seu pai, o dono do pedaço, em conluio com os seus conselheiros, achou que o melhor a fazer seria mandar a vaca para o brejo, ou seja, assassinar Inês, pois um homem prevenido vale por dois. De modo que a infeliz foi degolada. Mas Pedro continuou resistindo a se casar novamente, contato que fosse com Inês (já morta).

Eis que, como a vida dá muitas voltas, com a morte do pai, dom Pedro tornou-se o novo rei. E, como vingança é um prato que se come frio, dizem que ele ordenou que o corpo de sua amada fosse exumado, seu esqueleto recomposto e, depois de se casar com ela, coroou-a como rainha. Contam os mais linguarudos que ele ordenou que toda a corte lhe beijasse as mãos, digo, os ossos metacarpianos, sendo prontamente atendido, pois macaco velho não mete a mão em cumbuca, pois manda quem pode e obedece quem tem razão. Contam, ainda que Dom Pedro transformou-se num justiceiro, jogando no calabouço, quando não degolava, todos os envolvidos na morte de sua amada Inês. Além disso, ia às masmorras só para ver os infelizes serem castigados. E, como o arrependimento sempre vem tarde demais, os prisioneiros ficavam a lhe implorar clemência:

– Perdão, meu rei! Perdão, meu rei!

Ao que ele respondia:

– Agora é tarde, Inês é morta!

De fato, não havia mais nada a fazer, mais nada a se desculpar. Mas como do dito ao feito, existe muita distância, não quero me comprometer com conversa fiada, pois em boca fechada não entra mosca. Estou aqui, apenas vendendo o peixe pelo preço que comprei. Quem quiser que vá dar vazão às suas caraminholas, fazendo pesquisas.

Obs.:
Luís Vaz de Camões imortalizou a história de amor entre Dom Pedro e Inês de Castro.
(Os Lusíadas, canto III, estrofes 118-135/ 1572)

Nota: Imagem copiada de http://falandodevinhos.wordpress.com

3 comentários sobre “AGORA É TARDE, INÊS É MORTA!

  1. Mário Mendonça

    Lu Dias
    Odiava este ditado. Toda vez que meu chefe lá no Banco dizia isto, eu lhe respondia:
    – Não fale isto, não tá vendo nossa colega Inês, ali… eles riam…
    Jamais imaginaria uma “história” dessas que tu estás a nos brindar.
    Caracas, gostei desse Rei… ele me fez até lembrar do filme “O Justiceiro” com John Travolta; já assististe?
    Abração

    Mário Mendonça

    Responder
  2. Dirceu Jacob de Souza

    Pegando uma carona no assunto frases, gostaria de informar que aqui em Campo Mourão/PR, a operadora de telefonia TIM é tão ruim, mas tão ruim que já temos uma frase para isso. É a seguinte:

    “Para a telefonia, a TIM é o 147 da FIAT”

    Dirceu Jacob

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Dirceu

      Gostei do slogan.
      Muito criativo!
      Vocês poderiam fazer uma faixa e colocar na frente da administradora da Tim.
      Quem sabe assim haveria uma solução!?
      Essa gente só quer o nosso suado dinheirinho.

      Grande abraço,

      Lu

      Responder

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