AMOR EM DESENCANTO

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Autoria de LuDiasBH

renasce12345

Eu te julguei a melhor parte de mim,
ora provo o gosto ruim da decepção.
Trago o rosto toldado pelo dissabor,
num nevoeiro denso de devastação.

Uma melancolia desvalida e solitária
despencou lânguida em minha alma.
Não é fácil ajuntar os cacos da ilusão,
tão coesos e seguros como outrora.

Ideias tardias escapam como peixes,
feixes de lembranças alheadas e cruas;
ingênuo, sem saber qual destino tomar,
vaga meu eu no oceano da amargura.

Existe somente uma verdade caótica,
onde sentimentos tolos e desajeitados
transpõem as raias desta nua realidade:
jamais pensei sofrer tanto ao seu lado.

Fui maestrina de uma orquestra chula,
numa confusão de emoções dementes,
tentando ignorar a vida à minha volta,
pois a mentira turvava minha mente.

Eu preciso exprimir os meus gemidos,
que brotam insurretos de minha ferida;
fazer ouvir, aos quatro ventos, o som
de minha raiva veemente incontida.

Correntes doridas descem pelas fendas
abertas neste meu coração mortificado,
levando as tolas emoções de anos atrás,
lasca de tempo agarrada ao nada.

São tantas rachaduras neste casulo oco,
de onde as paixões dissipam-se velozes.
Ao lixo, amores falsos, memórias ruins,
mentiras mesquinhas e fugazes.

O vento da mágoa inda fustiga meu rosto,
castigo merecido por minha ingenuidade.
Lágrimas doídas molham meu travesseiro,
– bem-vindas –  pois são libertárias e leais.

Nota: obra de Edvard Munch

4 comentários sobre “AMOR EM DESENCANTO

  1. Edward

    LuDias

    O que falar diante de versos tão fortes e, ao mesmo tempo, que exprimem sentimentos de dor e de desalento, diante de um vendaval de ilusões que se foram e se destruíram ao longo do tempo.

    Compreender, por vezes, o vazio da vida e as emoções que nos atravessam a alma, lancinando todos os sentimentos mais lindos que tivemos e, ao final, vencer todas estas frustrações, com as lágrimas dos olhos, como se fossem presentes de Deus, para reviver o que parece nada mais restar, indicando o caminho da liberdade para viver uma outra vida.

    Estes são, para mim, os versos mais importantes e que nos podem trazer importantes reflexões:

    “O vento da mágoa inda fustiga meu rosto,
    castigo merecido por minha ingenuidade.
    Lágrimas doídas molham meu travesseiro,
    – bem-vindas – pois são libertárias e leais.”

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      O poeta precisa compreender o sofrimento (ou alegria) do outro e vivenciar sua dor, de modo a conseguir botar em versos o que lhe vai no coração. Por isso acho, que nós poetas, vivemos inúmeras vidas. Fora disso, não teríamos razão de existir, pois dividir é diminuir a porção.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. LuDiasBH Autor do post

    Pat

    Você sempre continuará sendo uma grande mulher. E, como o bambu, após a tempestade, erguerá de novo, enquanto o carvalho está sujeito a quedar-se com facilidade. Seu coração é tão belo e generoso, que a vida, em sua sabedoria, haverá de recompensá-la mais cedo ou mais tarde. E, como diz, nada como um dia depois do outro.

    Agradeço a sua amizade, e saiba que a recíproca é verdadeira. Conte sempre comigo!

    Abraços,

    Lu

    Responder
  3. Patricia

    Lu,
    fico lisonjeada com tamanho carinho. Eu, com toda certeza, não seria capaz de exprimir meus sentimentos através das palavras com tamanha beleza e veracidade. Nossa vida muda em um piscar de olhos e nem sempre estamos preparados. Sempre tive problema com o ser humano talvez seja por isto que amo tanto os animais e a natureza. Entretanto, assim como o bambu eu me envergo mas não me permito quebrar.

    O tempo é sábio e nada melhor que um dia após outro, principalmente, por que conto e sei que neste mundo cruel existem pessoas como você, íntegra, honesta, admirável e especial.
    Te quero muito bem, sempre.

    Obrigada e um grande abraço.

    Responder

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