ARTISTA BRASILEIRO TEM MUSEU NA FRANÇA

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Autoria de LuDiasBH

ANTONINO

Nos meus trabalhos, eu procuro transformar uma imagem que se forma no meu inconsciente, abrindo caminha para a fantasia, a ilusão e a imaginação. Não pinto o que vejo, mas, sim, as emoções que me cercam. (Antonino)

O artista pernambucano Antonino Luiz da Silva, filho de Expedito Luiz da Silva e de Rita Mendes da Silva, o terceiro de uma família de cinco irmãos, nasceu na cidade de Belo Jardim/PE, em 1954, tendo mudado para Salvador/BA aos 11 anos. Vem de uma família humilde, tendo o pai, já falecido, trabalhado em diversas áreas, desde cortador de cana a operador do Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia.

Antonino não teve uma vida fácil. Desde jovem trabalhava para ajudar sua família. Foi funcionário no segmento gráfico e também instrutor do SENAI, além de ter trabalhado no Jornal “A Tarde” como desenhista de história em quadrinhos. O seu encontro com a arte aconteceu aos 10 anos de idade, quando se deparou com o desenho de uma igreja numa pedra. Ficou tão maravilhado com a obra que ao chegar a casa pôs-se a fazer várias cópias do que vira, procurando se aproximar o máximo possível da obra. Desde então, não parou mais de desenhar, buscando inspiração, principalmente, no almanaque da Disney.

Quando Antonino fazia o terceiro ano do Ensino Médio, conhecido como Segundo Grau, à época, havia no currículo uma disciplina que era a sua preferida: desenho artístico.  Era nela que alcançava sempre a nota máxima, o que levou o mestre da matéria a apresentar seus desenhos a certo professor da Escola de Belas Artes da Bahia. Como sempre acontece na história dos gênios que vêm de famílias pobres, o professor procurado não deu importância ao trabalho do jovem artista. Em vez de incentivá-lo, recomendou-lhe que procurasse trabalho em outros ofícios para ganhar a vida, pois o sucesso no mundo da arte era coisa para poucos.

Desiludido de seu talento, Antonino começou a trabalhar numa gráfica, mesmo já tendo recebido um prêmio da biblioteca pública de seu Estado, pelo primeiro lugar em um concurso de desenho. Assim, aos 23 anos de idade, o jovem e promissor artista pôs em prática o conselho recebido do professor universitário, deixando adormecida a sua vocação, ficando afastado da arte por um período de 24 anos. Imagino quantas obras maravilhosas esse artista teria produzido, se tivesse recebido estímulo. Isso é um exemplo do que acontece com os artistas do país, quando vindos das classes pobres.

 Em 2001, já com 47 anos, Antonino conheceu Jorge Pitas, um ex-aluno do SENAI, que se tornara dono de uma galeria no Pelourinho (Salvador/BA). Foi visitar a galeria do novo amigo, onde viu algumas pinturas que não eram de seu agrado. Em tom brincalhão, disse a Pitas que era capaz de “pintar muito melhor do que aquilo que via ali”. Foi quando recebeu o desafio do dono do espaço, que lhe disse: “Compre tinta e pincel e pinte que colocarei seus trabalhos para vender aqui.”. E agora? Antonino era um talento no desenho, mas nunca experimentara a pintura. Mesmo assim foi em frente. Embora Pitas tivesse gostado de seus três primeiros quadros, esses não agradaram ao pintor, sentia que precisava dominar melhor a técnica da pintura. Foi quando resolveu fazer um curso de pintura no MAM-BA, durante um ano.

A primeira pintura de Antonino foi vendida, quando ele ainda se encontrava no meio do curso. Estava com três quadros debaixo do braço para fazer uma apresentação de seu trabalho ao professor, quando um senhor, que imediatamente notou não ser brasileiro, adentrou o Museu de Arte Moderna da Bahia e, ao ver seus quadros, passou a fazer uma série de anotações em seu computador. Tratava-se de Simon Hamilton, um inglês poliglota. E um ano depois, esse mesmo senhor voltou e comprou trinta quadros do artista. Com a venda dos quadros foi possível fazer uma cobertura em sua casa para botar seu atelier. Além disso, Simon Hamilton passou a ajudá-lo, enviando-lhe uma quantia de dinheiro todo mês, para comprar material de pintura.

Um dos sonhos de Antonino era ver suas pinturas em forma tridimensional, por isso, em 2006, ele ingressou na Escola de Belas Artes da Bahia, para fazer o curso de Artes Plásticas. Mas não ficou só nisso. Hoje, o artista trabalha também com escultura e cerâmica. Uma coisa interessante na sua arte é que ele não vende suas obras. Não porque não encontre comprador, mas porque o seu mecenas Simon Hamilton sugeriu-lhe que elas deveriam ser fotografadas pelo francês Alban Maino, para montarem uma loja virtual, de modo a torná-lo conhecido em todo o mundo. Segundo o acordo, Antonino produz suas obras e, para suprir suas necessidades financeiras, recebe certo valor de Simon, até que a loja virtual esteja em funcionamento.

Antonino é um artista eclético, aberto a todos os estilos de pintura. Viaja pela mitologia grega, pelas religiões, pela história, gosta das alegorias, das lembranças da infância e do cotidiano. Ele pinta não o que vê, mas as emoções que advêm de sua fértil imaginação. E é com essa sensibilidade que o artista ganhou o Prêmio Aquisição na IV Bienal do Recôncavo, Cachoeira, Bahia 2004 e o Prêmio de Pintura Salão Bahia Marinhas nos anos consecutivos de 2012 e 2013. Já possui vários trabalhos em acervos espalhados pelo país. O artista brasileiro explica como nasceu a ideia do “Antonino Museu na França”:

Na verdade essa ideia surgiu quando visitei Simon Hamilton em Paris, em 2008. Após sair do Louvre falei para ele que me sentia uma pequena partícula diante da grandiosidade daquele museu. Brincando ou não, ele me disse para eu não me sentir assim, porque me ajudaria a ter o meu próprio museu, pois admirava muito o meu talento. Para cumprir sua promessa, em 2009, ele comprou uma grande área, 10mil metros quadrados, na cidade francesa de Faverolles-Sur-Cher para instalar ali o Museu Antonino.

E, para melhor entendimento do leitor, ele explica quem é Simon Hamilton:

Simon é um inglês que fala sete idiomas, trabalha com tradução e interpretação e vivia viajando pelo mundo, sempre interessado em arte. Parou de viajar depois que conheceu meus trabalhos, morando atualmente na França com sua família. Sem dúvida, ele tem grande importância na valorização de minha arte, ao reunir aproximadamente 120 obras catalogadas no acervo do museu em andamento. Na empresa “Antonino Museu” eu terei participação de 50% na sociedade.

Antonino desabafa ao falar sobre a situação da arte no Brasil:

Temos que ser realistas, ainda é muito difícil sobrevir da arte no Brasil. Aqui em Salvador não chegam a dez, os artistas que sobrevivem de sua arte. Conheço um artista premiado, que foi obrigado a trabalhar em uma livraria para sobreviver.  

O blog Vírus da Arte & Cia. torce para que mais um brasileiro tenha o seu talento reconhecido nacional e internacionalmente.

Ilustração: autorretrato do pintor

Contatos:
antoninonino@ig.com.br
antoninomuseu@gmail.com
simon@antoninomuseum.com

8 comentários sobre “ARTISTA BRASILEIRO TEM MUSEU NA FRANÇA

  1. Edilson Barreto

    Grande guerreiro da arte! Você trabalhou em outra função mas a arte ficou sempre viva em seu coração.

    A Estrada (música/Cidade Negra)
    “Você não sabe o quanto eu caminhei
    Pra chegar até aqui”

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Edilson

      Como bem disse, apesar de trilhar outros caminhos, a arte ficou sempre viva no coração de Antonino.
      Lindos versos de “A Estrada”.
      O que vale é a persistência.

      Obrigada por sua presença.
      Volte sempre!

      Abraços,

      Lu

      Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Messias

      Estamos todos torcendo por ele.
      Tenho a certeza de que terá o sucesso que merece.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Manoel Matos

    Lu

    Também achei muito interessante a história de Antonino. Torço para que ele faça bastante sucesso no seu museu.

    Abraços

    Nel

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Nel

      É tão bom ver um brasileiro fazendo sucesso através de sua arte.
      Tenho certeza de que Antonino irá longe.
      Se o Simon está a ajudá-lo é porque o moço tem muito talento.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  3. Mário Mendonça

    Lu Dias

    Os brasileiros possuem o dom da inovação… pena que nossos governantes não permitem ou deixam que o desenvolvimento se torne possível.

    Bela história!

    Mário Mendonça

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      A história de Antonino é mesmo uma bela história.
      O mais interessante foi o despertar de seu talento, apagado por tanto tempo.
      Só nos resta torcer para que ele faça o maior sucesso aqui e lá fora.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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