ARTISTA OU ARTEIRA

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Autoria de LuDiasBH

bon

Já dei muitos nós em pingo d’água,
prendi saias com broches, na igreja,
até escutei do buraco da fechadura,
os ais amorosos da prima  Neida.

O rio Norte era o paraíso na Terra,
com sua água docinha e cristalina.
No seu leito, era como uma sereia,
no meu breve reinado de menina.

Pulava  de cima da velha ponte,
em  tresloucadas cambalhotas,
aos gritos: “Para baixo todo santo
ajuda, ou caio viva, ou caio morta!”
.

Já até montei em carneiro bravo,
tomei porre de cachaça e vinho,
caí de cima de galhos bem altos,
subtraindo o fruto do vizinho.

É por essas e tantas outras artes
que aqui jamais atreverei contar,
havia uma preceptora malvada,
coo objetivo único de me domar.

Feita de um pedaço de madeira,
com três tiras de couro na ponta.
Se uma ourela já fazia estrago, ai,
três já passavam da conta.

Mas a história mudava de contexto,
de acordo com a mão que a agitava:
se da doce mãe – ginástica com fitas,
se do pai – vergão na bunda brotava.

Coa mamãe – eu ria, ria, ria, ria…
por dentro, para não macular a cena.
Coo papai – doía, doía, doía, doía…
Jurei: mão de macho nem por pena.

Nota: Imagem retirada de http://artmaria.wordpress.com

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