AS ALMAS CONTRA SEUS CORPOS

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Autoria de LuDiasBH

alm

A espécie humana não apreciando a quietude do nada e percebendo que poderia mudar o revés do amargo destino de sua temporalidade, pediu aos deuses do Olimpo que ao corpo acrescentassem alma. Condoídos, os deuses criaram para cada ser humano uma fiadora para suas ações terrenas, a fim de consolá-lo em sua pequenez. De modo que a alma passou a ser responsabilizada por todos os feitos do corpo, tão logo esse batesse as botas. Ela receberia os louros ou o castigo eterno, dependendo do que cada um fizesse na Terra.

Eis que, percebendo que os prejuízos avolumavam-se mais e mais, as almas de todos os homens e mulheres resolveram fazer um Congresso, para avaliar a balança comercial das ações humanas. O SA (Sindicato das Almas) decretou que todas as assembleias seriam realizadas à noite, quando os humanos estivessem dormindo. E, em razão dos fusos horários, para que nenhuma alma ficasse de fora, a Terra foi dividida em quatro zonas, onde seriam feitos os encontros. Cada zona elegeria cinco representantes, que por sua vez levariam os problemas levantados para uma reunião final, na sede do SA. E assim foi feito.

Todas as reuniões com a categoria aconteceram a contento, sem que uma só alma, porpequenina que fosse, tivesse faltado. O que deixava claro que a classe era extremamente politizada, ou se encontrava “cheia” da gentalha terrena. A última assembleia, realizada com os representantes de cada zona, chegou ao seguinte veredito:

1. O corpo sempre tem o direito de fazer aquilo que deseja sem dar nenhuma satisfação à alma, mas a ela cabe pagar ou usufruir do que ele fez. E pior, os frutos andam cada vez mais pecos.

2. Alguns corpos martirizam-se e até se esquecem de viver, para ofertar à alma um porvir venturoso. Mas esses andam tão escassos, que são como uma gota de água no oceano.

3. Um grande número de corpos não se lixa para nada, passando a vida em brancas nuvens. Não faz o mal e tampouco o bem, levando as almas para um lugar que elas abominam: o limbo.

4. Muitos corpos fazem tudo que é condenável aos olhos de sua espécie, sem se importar com a vergonha do julgamento a que se submetem as almas e posterior condenação.

5. É crescente o número de corpos que passam toda a vida se locupletando com o mal e, ao perceber que o seu fim aproxima-se, converte-se a essa ou àquela religião, pensando estar aliviando a carga que a alma carregará. Esses são os piores, pois são astuciosos e enganadores. Acreditam poder ludibriar a própria alma com suas manobras desprezíveis.

6. A alma é uma avalista ingênua do corpo, que dele nada exige, afiança-o e ainda paga todas as suas dívidas. Ele faz a festa e ela paga as despesas. O que contraria os princípios da Justiça.

Todos os pareceres das quatro zonas foram colocados em votação e, por unanimidade, foram levados aos deuses do Olimpo que, através de uma MP (Medida Provisória) decretaram que:

Era preciso dar um basta no servilismo e na exploração de que estavam sendo vítimas as inocentes almas por seus respectivos corpos.

Foi assim, contam os antigos, que as almas migraram para um planeta desconhecido dos seres viventes, deixando a espécie humana na penúria, não sendo possível encontrar uma só alma penada, para dar sustentação aos pecados que o corpo carregava. Com a Revolta das Almas, a Terra passou a viver na Idade das Trevas. Os humanos cogitaram que miséria pouca era bobagem e, se já estavam extraviados, não havia motivo para deixarem de ser libertinos, devassos e imorais. De modo que a rusticidade, a incivilidade, a grosseria, o egocentrismo e a malignidade tomaram conta de todo o planeta. Em suma, formou-se o mais tenebroso caos.

Quando crianças começaram a boiar em águas fétidas e os bichos passaram a ser eliminados com a mais abominável crueldade, os deuses resolveram intervir. Primeiro, taparam o Sol durante quarenta dias e quarenta noites, deixando que uma grossa escuridão engolisse a Terra, de modo que a espécie humana, aterrorizada, caiu num estado de torpor profundo. Dormiu 30 dias e 30 noites, período em que se deu a volta das almas aos corpos.

Ao acordarem daquele entorpecimento, os corpos não mais se lembravam do que ocorrera depois de perderem suas almas, vindo a viver de acordo com os princípios morais e éticos decretados por elas. A Terra tornou-se exuberante em todas assuas formas de vida. Todos os reinos da Natureza tornaram-se sagrados. E houve Paz!

Os últimos fatos aconteceram há cerca de mais de três mil anos, mas já há indícios claros de que as almas estão insatisfeitas novamente com a humanidade que vem violando os princípios éticos e morais, pré-estabelecidos, quando do retorno delas. Os loucos varridos, que são os mais inocentes dos inocentes da Terra, gritam pelos quatro cantos do mundo que o Sindicato das Almas está convocando a classe para um novo Congresso. Mas a espécie humana ri de tamanho absurdo, dizendo que a alma sempre foi e continuará sendo refém do corpo. Aqueles que respeitam e amam a própria alma, rezem, pois a escuridão já se avizinha.

Tomem as rédeas do corpo e busquem agir com sabedoria. Botem um candeeiro em cada janela, para que não sejam confundidos com os que se promiscuem com a malignidade. O caos já está em andamento. Acautelem-se!

(*) Imagem copiada de
http://despertarcosmico2012.blogspot.com.br/2011/02/almas-gemeas-na-nova-era-uma-forma-nova.html

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