AS MALDITAS OLARIAS

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Autoria de LuDiasBH

lobo123

A vida aloja-se à beira de um imundo córrego.
Casas modestas levantadas com tijolos toscos.
Algumas hortinhas magriças bem lá no fundo.
Animais domésticos fuçando nos chiqueiros.
Nada dá sentido àquele vil submundo.

Compondo a cena, vários casebres de estuque,
separados por ripas, gravetos ou papelões, de
acordo com os vários estágios da decadência.
Tudo é soturno, estranhamente sujo e doentio
naquele lugar desprovido de clemência.

Homens trabalham nas olarias em duras fainas:
extraem a argila do coração do velho córrego, e
botam ao sol pra decompor os restos orgânicos;
depois da cura é amassada pelos pés humanos,
moldada e colocada pra secar ao sol, outra vez;
dois dias de secagem e os tijolos vão pros fornos,
onde são queimados por dois a três dias;
são postos pra esfriar por ação do tempo,
e depois são colocados em caminhões.
E partem… não se sabe pra onde.

Sofrentes figuras labutam nas olarias, com o
rosto tosco e encrespado por línguas de fogo,
que se erguem dos fornos e crepitam vorazes.
As mãos laceradas pela escravidão hedionda
é a marca cruel dos trabalhadores tenazes.

Próximo dali, os caminhões em fila indiana,
recebem os frutos do trabalho da parturição.
Crianças e idosos seguram tijolos pelos furos.
Homens e mulheres levam as pesadas cargas
nos enegrecidos e toscos carrinhos de mão.

Caminhões coa a carga já completa tomam a
estrada pra abastecer as casas de construção.
Os homens, cansados, passam a mão na testa.
As mulheres desamarram as sais rotas e sujas.
As crianças correm atrás dos caminhões.

Que jeito desgraçado de viver!
Que maneira miserável de ganhar o pão!

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