Arquivo do autor:LuDiasBH

EU NÃO TENHO SONHOS!

Autoria de Laura Alencar

Eu tenho 20 anos, não estudo, não trabalho e não tenho sonhos, nem objetivos. Os planos mudam tão rápido de lugar. Minha luta,  vulgarmente, escorre pelos meus dedos. Vejo-me tão líquida e obscura no chão, uma poça de desespero e insatisfação. Parece que estou em desvantagem, presumo que seja por causa da minha condição socioeconômica, que impossibilitou a oportunidade de eu estudar em uma escola bem equipada para poder aflorar meus talentos, assim como não havia tanta cobrança por parte de minha avó, quem me criou, devido à ausência dela para com os meus estudos.

Estudar ou não, não era uma obrigação, era algo que dependia de mim e, como eu era muito criança, eu não fazia as atividades nem me esforçava, nem o corpo docente público podia dar suporte a tantos alunos devido à falta de ferramentas fornecidas pela prefeitura.

Minha sina é tão imprecisa. Tenho tanto medo de ficar acomodada, levando uma vida insignificante. Quero me movimentar, entretanto me desvio e perco o foco na caminhada. Já tive tantos planos. Em questão de segundos, dias, semanas já fui tanta coisa, mas não consigo prosseguir com meus deveres, pois, logo me sinto letárgica.

Vivo a fazer pesquisas sobre meus possíveis transtornos psicológicos e em busca de um diagnóstico para, por sua vez, ter um tratamento mais preciso e ser uma adulta decidida, constante e responsável. Não sei de nenhum histórico de transtorno mental em minha família, a não ser depressão. Não fui diagnosticada com nada. Uma vez meu antigo psiquiatra disse que eu tinha vestígios de SP. E foi só isso. Já meu atual psiquiatra, que não o vejo há 3 meses, pois ele tinha sofrido um acidente e, quando voltou às atividades, a fila de espera para a consulta estava enorme, uma vez que faço tratamento pelo SUS, e a demanda de pacientes no Caps AD (álcool e drogas)  é realmente significante – e cá entre nós, preocupante.

Ao invés de esperar pelo atendimento psiquiátrico, opto por um pedido manuscrito por minha psicóloga, baseado nos remédios prescritos pelo meu psiquiatra no nosso último encontro, pra ser “autenticada” pelo médico do posto de saúde local, para assim eu pegar meus remédios no CAF (Centro de Abastecimento Farmacêutico). Mesmo que eu tome  amitriptilina,  fernegam e carbamazepina – para dormir e controlar meu humor inconstante – eles parecem não funcionar, porque tenho crises em que não consigo controlar meus pensamentos e meus impulsos autodestrutivos como fortes ideações suicidas, mutilações e pensamentos distorcidos sobre tudo, todos e sobre mim.

Atualmente ando me sentindo muito bem e confiante. Todavia, subitamente, sinto como se a atmosfera das coisas mudassem ao meu redor, é quase palpável, porque sinto medo e nervosismo caindo sobre meu cálido e eufórico corpo e mente. É como se eu tivesse num sonho, ou como se eu não tivesse controle total sobre meus sentimentos, ou como se eu tivesse altamente chapada de maconha – não fumo mais.  Eu fazia psicoterapia, mas deixei de ir a, aproximadamente, 2 meses, pois parecia que as consultas e minha vida estavam empacadas, embora minha psicóloga tenha me ajudado bastante desde então. Penso em procurar outra psicóloga e/ou psiquiatra, mas é difícil e demorado conseguir uma consulta que não seja paga.

Eu já tinha visto alguns artigos deste blog, porém não sabia que havia colaboradores. Sendo assim, venho pedir ajuda: Existe alguém que já se sentiu assim como eu, mas que hoje vive uma vida satisfatória, com boa carreira, bons amigos, faz viagens, etc. Se tem alguém assim, por favor, me ajude a enxergar oportunidades, além da morte que me assombra com o seu sopro de desesperança nesse mausoléu existencial.

Nota: pintura chamada “Angústia”, de Cristina Alquicira Palácios

Dürer – MADONA E O MENINO

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada Madona e o Menino é uma obra do pintor alemão Albrecht Dürer, que também foi gravador, ilustrador, matemático e teórico de arte e, provavelmente, o mais famoso artista do Renascimento nórdico, tendo influenciado artistas do século XVI tanto em  seu país como nos Países Baixos. Foi um dos principais propagadores das ideias do Renascimento italiano para os artistas do Norte em razão de suas viagens à Itália.

Esta obra, possivelmente dedicada à devoção privada, faz parte dos trabalhos iniciais do artista e nela fica clara a homenagem do mestre alemão ao mestre italiano Giovanni Bellini, como nós podemos observar através das funções e das colocações das duas figuras que se relacionam com o fundo através de uma paisagem. Este trabalho foi, inclusive, atribuído anteriormente a Giovanni Bellini.

A Virgem Mãe, de frente para o observador, usa um vestido azul escuro e um manto também azul, mas num tom levemente mais claro, que lhe cobre  toda a testa, deixando apenas parte das sobrancelhas de fora. Ela ocupa o canto de uma sala com paredes de delicado mármore, próxima a uma janela aberta, através da qual se vê uma distante paisagem alpina, minuciosamente retratada. Muito concentrada e com o semblante fechado, parecendo triste, ela segura firmemente seu rechonchudo Menino, de pé sobre uma almofada verde. Ambos formam uma pirâmide. Atrás dos dois personagens desce uma cortina vermelha que contrasta com a cor das vestes de Maria.

A criança, nua, traz o rostinho tristonho voltado para a esquerda e o braço direito, abaixado, segurando uma maçã com o punho dobrado e a mão voltada para trás, como se escondesse a fruta, simbolicamente responsável pelo pecado da humanidade que, por isso, irá passar por grande sofrimento. A mão direita do Menino toca no decote do vestido da Mãe e recebe o peso da cabeça. O enchimento vermelho da almofada, assim como os enfeites nas pontas, pode simbolizar o sangue da Paixão de Cristo.

A paisagem arborizada traz um castelo no alto de um rochedo. Um soldado a cavalo é visto dentro da propriedade, na parte de baixo, a fazer a guarda do lugar. Um muro e um portão fechado separa a parte interna do domínio da externa. Do lado de fora vê-se uma pequena figura, parecida com um monge com seu cajado, em direção contrária à do lugar.

Na parte inferior da pintura, à esquerda, são vistas as armas da família Hallery e, à direita, as da família Koberger, ambas importantes em Nuremberg. Há quem diga que esta pintura foi encomendada por Wolf III Haller que veio a casar-se com Ursula Koberger. No verso deste painel existe uma segunda pintura, denominada “Ló e suas Filhas”, o que faz supor tratar-se de um díptico.

Ficha técnica
Ano: antes de 1505
Técnica: óleo no painel
Dimensões: 50 x 40 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.41598.html
http://www.wga.hu/html_m/d/durer/1/02/07haller.html

UMA MINORIA COMANDA NOSSO DESTINO

Autoria de LuDiasBH ideias

As ideias governam os homens, as ideias comandam o planeta quer para o bem quer para o mal. Não há como diminuir o poder das doutrinas na vida humana, por mais estapafúrdias que possam parecer às pessoas dotadas de autocrítica. A humanidade é dividida em facções ou ideologias e vive de acordo com as doutrinas que abraça.  O que nos leva a abraçar uma ideia em vez de outra? Sem dúvida existem inúmeras razões. Dentre essas, algumas estão no nosso passado, outras voltadas para os nossos interesses pessoais, enquanto outras permanecem veladas, consciente ou inconscientemente, no nosso cotidiano.

Mesmo que em curto prazo certas ideias pareçam inofensivas, em longo prazo podem ser nefastas a nós e trazer grandes transtornos para o nosso planeta, pois, na verdade, não são as massas que escolhem seus caminhos e os do planeta Terra, embora sejam levadas a acreditar que assim o seja.  Elas são manipuladas pelos “grandes”, de modo a aceitar esta ou aquela opinião, como se delas fosse gerada, mas que vem de uma minoria que comanda os destinos da Terra. Não é à toa que os fortes sempre arranjam justificativas para dominar os mais fracos, em quase todos os lugares do mundo. Pouquíssimas vezes, o povo tomou as rédeas da história.

Voltando ao passado, quantos indivíduos foram queimados vivos, ou mortos em paredões, ou alvejados pelas costas, apenas por terem defendido ideias que contrariavam a cúpula do poder de uma determinada época? A suposta divindade das ideias ainda continua a habitar a mente humana em nosso século, quer nos traga benefícios ou malefícios, ora atuando como aranha assassina, ora agindo como raio de luz a iluminar a humanidade. O mais triste é que as aranhas vêm proliferando cada vez mais, pois a falta de ética motivada pela  busca de poder e pela ganância humana encobre os raios de luz, gerando a escuridão, onde se alastram os aracnídeos. A sede de poder e a ganância humana são as bestas do Apocalipse de nossos dias, pois cegam o homem e o torna indiferente aos problemas de seus irmãos e aos do planeta, tão judiado e mortificado. Pobre Terra!

Um grande perigo ronda o mundo contemporâneo, em razão da alta tecnologia que lhe imprime um caráter de extrema urgência e rapidez. Tudo é tão veloz que corremos o rico de absorver ideias irrefletidamente, levando nosso pensamento crítico ao embotamento ou nos deixando guiar pelos “donos da verdade”. Estamos sendo vitimados pelo vírus da estupidez, fruto desta velocidade doentia e da cegueira ególatra. Mal estamos a notar o que jaz um pouquinho além de nosso umbigo. Nosso ego e estupidez inflam cada vez mais. Nem mesmo sabemos por que corremos tanto ou aonde queremos chegar. Não mais temos tempo nem para nós próprios e muito menos para o outro e menos ainda para a nossa casa sagrada – o planeta Terra.

Haja ideias! E tão poucas boas ações.

Nota: imagem copiada de www.gercontreinamentos.com.br 

Velázquez – A BORDADEIRA

Autoria de LuDiasBH

Velázquez  […] é o artista supremo, ele não me surpreendeu, ele me encantou. (Manet)

A composição denominada A Bordadeira, também conhecida como A Costureira, é uma obra do pintor espanhol Diego Velázquez, um dos mais famosos mestres da pintura europeia do século XVII, tendo criado, sobretudo, retratos. Existe a possibilidade de que a modelo seja sua filha Francesca Velázquez del Mazo. No inventário do artista, uma de suas obras está descrita como “cabeça de uma mulher que está bordando”, o que leva a crer que seja esta e, também, que só a cabeça da modelo estivesse terminada.

Esta pintura encontra-se inacabada, se intencionalmente assim foi deixada, tinha por objetivo dar-lhe mais expressividade, como aconteceu com vários retratos do pintor.  O rosto é a única parte que parece totalmente terminada, iluminado por uma luz suave. Os braços e as mãos mostram-se esboçados, o que permite ter uma ideia do processo usado pelo artista para pintar. A tela, por exemplo, está preparada com uma base cinza. É possível notar que sua textura foi usada para criar a sombra do xale. Velázquez fez uso de uma luz delicada para criar o rosto e os seios da personagem, além de lembrar o vai e vem das mãos.

Uma jovem mulher, usando um vestido escuro com decote quadrado que lhe deixa os belos seios enfunados, encontra-se sentada, inclinada sobre seu bordado (ou costura). Seu rosto  gracioso tem bochechas rosadas. Ela traz um xale branco jogado nos ombros. Sua cabeça está modelada em luz e sombras. À sua frente vê-se um travesseiro (ou almofada) sobre o qual se debruça e descansa as mãos. Seus cabelos escuros estão presos atrás, num coque com um enfeite vermelho que contrasta com o restante das cores. Ela se mostra concentrada em seu trabalho ou em seus pensamentos.

Ficha técnica
Ano: c.1640
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 74 x 60 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.88.html
http://www.diego-velazquez.org/the-needlewoman.jsp

SOMOS APENAS PASSAGEIROS DO TEMPO

Autoria de LuDiasBH

astr

Um único ser humano pode causar mais mal do que todos os outros animais do planeta. (Tomás de Aquino)

As principais ameaças à nossa sobrevivência já não vêm da natureza externa, mas sim de nossa natureza humana interna. São nossas hostilidades, nosso descaso, o egoísmo, o orgulho e a ignorância deliberada que põem o mundo em perigo. Se não conseguirmos domar e transmutar o potencial da alma humana para o mal, estaremos perdidos. (Scott Peck)

Quem somos nós como espécie, uma vez que, em pleno século XXI, ainda não aprendemos como domar nossas forças maléficas e corrigir nossas fraquezas?  A nossa capacidade de destruição e ódio por nós mesmos e pelos outros ainda se encontra num altíssimo patamar. Sem falar na indiferença e arrogância com que tratamos as outras formas de vida. A mudança a que teremos de nos submeter é uma tarefa árdua, mas necessária.

Negligenciamos a vida de nossa espécie, assim como a de outros seres com os quais dividimos o planeta. Existe em nós uma cumplicidade quase que generalizada com o mal, cuja consequência principal é o recrudescimento da violência em todo o mundo. E pior, parece que perdemos a indignação que nos era costumeira, ao aceitar tudo com normalidade. A omissão passou a ter sinônimo de educação, de não intrometimento na vida de outrem. Somos meros passageiros dos metrôs da vida, deixando tudo para trás, com a falsa sensação de que os fatos mudarão por si mesmos, sem a nossa interferência.

Ainda não estamos totalmente cônscios da presença do mal em nosso planeta, o que limita o nosso campo de ação. Nem mesmo temos noção da maldade que nos acompanha e seduz.  E não há como combater as mazelas do mundo, sem começarmos a limpeza dentro de nós mesmos. É preciso ter conhecimento do bem, mas não se pode fugir do conhecimento do mal, pois não se combate um inimigo desconhecido. Se quisermos continuar existindo, temos que o combater, mesmo a contragosto.

Assim como o bem, todo mal possui o contexto em que foi engendrado. Vivemos num século marcado por avanços científicos e tecnológicos, mas não nos enganemos, pois muitos deles estão a serviço da maldade, a ponto de sermos hoje uma espécie danosa para o planeta que nos dá vida, pois somente a espécie humana possui latente a capacidade para a destruição planejada. Não estão fora de nosso contexto as catástrofes ecológicas, que ameaçam a vida de todas as espécies no planeta Terra.

Não mais podemos subestimar a explosão populacional, a extinção de várias espécies, o aquecimento global, a violência latente nos jovens, o abismo social que separa os ricos dos pobres e a morte do sagrado. Não podemos mais fugir da verdade de que todos os elementos do universo nascem, vivem e morrem e que tudo está interligado, qualquer que seja a sua classificação (seres animados ou inanimados). Não somos donos de nada, mas simples passageiros do tempo. Tudo o que materialmente julgamos possuir  trata de mera ilusão, pois tudo nos é emprestado por um determinado tempo.

Abandonemos, pois, a prepotência e a arrogância de que somos os soberanos do mundo. Temos que respeitar o que recebemos ao nascer e tentar, ao máximo, deixar um mundo melhor para os que ficam e os que virão. Comecemos já a combater em nós mesmos qualquer forma de antropocentrismo, racismo, arrogância, egoísmo, violência, parcialidade, omissão, poder e tantos outros parasitos que se alimentam de nossa mente e alma.

Nota: Imagem recebida por e-mail e não encontrada sua fonte.

Scorel – DESCANSO DURANTE A FUGA PRO EGITO

Autoria de LuDiasBH

O pintor, engenheiro e arquiteto holandês Jan van Scorel (1495 – 1562) estudou com o mestre Cornelis Willemsz, na sua oficina. Fez muitas viagens, chegando até Rodes e Roma, onde se tornou sucessor de Rafael Sanzio, ao ser nomeado pelo Papa Adriano VI, ficando responsável pela coleção papal de arte antiga. Retornou à Holanda anos mais tarde, vindo a morar em Haarlem e Utrecht. Contudo, ele voltou a viajar, chegando até à França, onde recebeu uma educação humanista. Dentre as suas obras estão, principalmente, retábulos e retratos.  Sua pintura difere-se pela riqueza das cores e por uma forma composicional nítida.

A composição denominada Descanso durante a Fuga para o Egito é uma obra maneirista do pintor, executada, provavelmente, durante sua primeira visita à Itália, ou logo após sua volta a seu país de origem. É possível notar a influência da arte renascentista italiana sobre o pintor holandês. O Menino foi copiado de Michelangelo e a massa piramidal composta pela Virgem lembra a obra “Caridade” de Andrea del Sarto. A paisagem, no relacionamento com os personagens, também contém influências da arte italiana.

A cena, que acontece ao ar livre, apresenta a Sagrada Família descansando da longa viagem que faz ao Egito, para fugir de seus perseguidores. A Virgem Maria, em primeiro plano, está sentada sobre uma rocha, com seu Menino, nu, ao colo. Ambos formam uma pirâmide. Seus cabelos dourados estão trançados e presos. Ela usa uma blusa vermelha, amarrada abaixo do seio e nas mangas, e uma saia estampada. Traz no colo uma manta colorida, onde estava enrolado o filho. A sua figura volumosa toma quase a metade da tela.

Por se tratar da fuga da Sagrada Família para o Egito, conclui-se que seja José, em segundo plano, em busca de alimento, com uma veste atípica, que deixa partes de seu corpo à vista. Três outras pessoas são vistas à distância, assim como os restos de edificações clássicas em meio à vegetação, sob um céu brumoso.

Ficha técnica
Ano: c. 1519 a 1524
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 57,8 x 74,5 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann