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Francesco Albani – A TOILLETE DE VÊNUS

Autoria de LuDiasBH

toalvenus

A composição denominada A Toilette de Vênus é uma obra do artista Francesco Albani. Faz parte de uma série de quatro pinturas circulares (tondos). Vênus (Afrodite na mitologia grega) é a deusa da beleza e do amor, tendo sido muito cultuada pelos povos antigos.

Na tela, a deusa da beleza e do amor é representada em seu carro, num local paradisíaco, acompanhada pelas ninfas e por inúmeros seres alados. Estes últimos exprimem os prazeres da vida. Eles se encontram na árvore, na água e no chão.

Vênus, seminua, traz na mão esquerda um espelho, ajudada por um dos Cupidos presentes,  onde se olha. Três ninfas cuidam de sua beleza. Uma paisagem idílica completa a belíssima composição.

Ficha técnica
Ano: c. 1620
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 154 cm (diâmetro)
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch

YOGATERAPIA X PSICANÁLISE

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos fala sobre o tratamento yogaterápico.  

A psicanálise tem por objeto de estudo a mente enferma. O Yoga estuda e considera o homem integral, isto é, o homem potencialidade do Divino, germe e promessa da Alma Universal, expressão do Absoluto em via de aperfeiçoamento e atualização. Para o psicanalista ortodoxo, o inconsciente é um depósito de experiências dolorosas, um porão de escória reprimida pela convivência com a sociedade que a não aceita.

O Yoga considera o inconsciente apenas uma zona da mente aonde o consciente não chega, não sendo fatalmente de má qualidade, formado exclusivamente de negatividades recalcadas. O inconsciente tem em si também luzes, tendências, impressões, energias boas, potencialidade infinita e qualidades divinas. Sendo uma psicologia do inconsciente, o Yoga explica a vida consciente, em parte, como consequência do inconsciente. Todas nossas experiências, fatal e fielmente, são gravadas numa espécie de “fita de gravação”, através de ininterrupta introjeção (meter lá para dentro). O que introjetamos ou gravamos nos plásticos abismos do inconsciente são: vâsanas (tendências, inclinações, impulsos, motivações) e samskaras (impressões, representações, imagens, juízos…).

Lá do fundo, este conteúdo comanda nosso comportamento dito voluntário e consciente; comanda o que somos, queremos, sentimos, dizemos, fazemos e pensamos. Conforme as introjeções que fizemos no curso da vida, tal será nosso destino. Quem introjeta espinho, consequentemente será espetado. Estas noções de vâsanas e samskaras dão uma explicação psicanalítica à conhecida lei do karma. Assim esclarecidos, deveríamos, por interesse profilático, selecionar as impressões e tendências que introjetamos, com o mesmo critério com que um dietista escolheria sua refeição num cardápio, visando a que, nos dias de porvir, possam elas (as escolhidas) operar em proveito da saúde e não contra ela; em direção à liberdade e não à servidão; em prol da felicidade e não em seu prejuízo.

A indiscriminada, inconsciente e indisciplinada introjeção de vâsanas e samskaras polui, adoece, corrompe, perturba, vicia, infelicita a mente. O yoguin, sabendo disto, procura acautelar-se. Evita fisicamente as que pode e mentalmente aquelas que fisicamente são lhe impostas pelo ambiente. Seu cuidado não é apenas na área da higiene mental, mas também na fase da cura. Neste particular,  consiste a cura? Em depurar, liberar, aclarar, aprimorar o mental. A psicoterapia comum visa a restituir à mente enferma e sofredora as condições caracterizadas como normais. O Yoga ajuda a atingir tais resultados, mas vai mais além. Seu objetivo final é dar à mente: pureza (suddha), transcendência (budhi) e redenção total (mukti).

No texto anterior estávamos vendo Yoga como uma forma de psicanálise, no entanto chegou o ponto em que vamos concluir que é exatamente a antítese da psicanálise, isto é, uma psicossíntese. Psicanálise, ao pé da letra, quer dizer análise divisão, separação do todo em partes, da alma (psique). Yoga, em sua conceituação essencial e ao mesmo tempo etimológica, é exatamente a antítese disto. Yoga vem da raiz sânscrita yuj, que quer dizer juntar, unir, reunir, unificar… Yoga une. Análise separa. Como doutrina e técnica psicológica, seria literalmente uma psicossíntese. Unificar a alma despedaçada é Yoga. Dar unidade e coerência à mente onde reina conflito é Yoga. É Yoga harmonizar os antagonismos psíquicos. É Yoga dar coerência à vida mental. Se a mente está doente é porque vive como “uma casa dividida contra si mesma”.

A Yogaterapia consiste em restaurar a paz interna. Se em seu estado comum a mente é fraca é porque a dispersão a domina, dispersão que a esparrama estagnada como pântano ou a exaure em fluir multidirecional. Yoga atua no sentido de dar-lhe a concentração necessária, consequentemente gerando poder, segurança, penetração, equanimidade, coerência, harmonia e bem-estar. Como psicossíntese, Yoga reduz a fluidez e a dispersão. Em resumo, o Yoga é uma psicoterapia porque socorre o neurótico e o livra dos sofrimentos desde que:

  • harmoniza conflitos;
  • limpa o inconsciente de vâsanas e samskaras nocivos, substituindo-os, através de introjeções positivas, condizentes com a libertação e a realização espiritual;
  •  unifica a vida mental, mediante harmonizar os vários níveis e as expressões da personalidade;
  • acrescenta satva à mente rajásica, e rajas, à tamásica, isto é, dá sabedoria e tranquilidade ao excitado e ânimo ao astênico;
  • orienta a mente para os rumos do Divino;
  • reduz o egoísmo, o apego, o medo e a concupiscência;
  • liberta de velhos e dominantes condicionamentos.

Para o Prof. Oskar R. Schlag, Yoga é muito mais do que a psicanálise como caminho redentor. Em conferência, em 1952, opinava: “Yoga é algo essencialmente prático para chegar-se a um fim (objetivo)”. Que fim é este? A libertação. Libertação de quê? A libertação de uma situação que Freud denominou “o encargo incômodo da nossa civilização”.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: imagem copiada de nanak gobind

ESTRESSE – INIMIGO Nº 1 DA HUMANIDADE

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto, retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos ensina como identificar e eliminar o “estresse”. Vale a pena conferir.

Se o estresse ou a tensão perturbam de forma tão intensa e desastrosa a regulação neuro-hormonal e se acarreta tantos males é porque, quando estamos ligados, permanecemos engatilhados para a ação, mesmo que exaustos nós nos desgastamos mais ainda, mesmo que não tenhamos razão objetivas e presentes para agir. O indivíduo tenso está perenemente predisposto a desencadear ação ou mesmo está agindo sem motivo. Se descrever os sintomas e as ameaças da crescente tensão no mundo é inconveniente, fazer a descrição dos sinais ou expressões do estado tensional é, entretanto, de toda conveniência. É indispensável tentar um modo de reconhecer quando estamos tensos. Aprendamos isto em primeiro lugar. Depois vamos aprender as técnicas de liberação das tensões. Em outras palavras, primeiro, o diagnóstico, depois, a terapêutica.  Uma diagnose precisa já é início de cura.

Aprenda primeiro a observar o estresse nos outros. Repare nos olhos. Você pode distinguir quando há um estado tensional nos olhos de seu interlocutor. Repare nas rugas da testa. Observe os estados dos músculos faciais e suas contrações, seus movimentos automáticos (tiques). Fique parado numa calçada qualquer de uma rua bastante movimentada e repare na fisionomia dos que passam. Veja esta triste procissão de pessoas avassaladas pela tensão. Note como andam apressadas. Na maioria, a pressa é sem necessidade, motivada, quase sempre pela tensão muscular e nervosa generalizada. Repare nos gestos dos transeuntes. São gestos maquinais, inconscientes, não determinados por exata finalidade. Veja como a delicadeza, a bondade, a suavidade desertaram das calçadas.

Depois de ter observado o estresse nos outros, nada melhor do que uma autognose, isto é, conscientização de si mesmo, neste aspecto fundamental da vida. Será que você também está com o hábito de andar apressado, de comer apressado? Será que já perdeu a capacidade de sentar-se e ficar com o corpo quieto, as mãos soltas e paradas, os olhos límpidos expressando paz, o rosto descontraído? Será que você tomou consciência de seus últimos movimentos físicos? Será que, sendo fumante, toma consciência de quando vai acender um novo canudinho de veneno? Procure sentir seu semblante. Tome consciência de si mesmo quando come, quando dialoga com alguém, quando anda, quando trabalha, quando repousa.

Veja se está agindo como máquina ou como um ser livre. Não se descuide de perscrutar-se sempre, para saber se está sendo dominado pela tensão e se está sendo envolvido no manto inquietante do estresse. Procure ver se está tenso para descobrir o que fazer para safar-se, isto é, descobrir a área do corpo ou de sua vida ou de sua ação onde é preciso comandar: relaxe!  Ao identificar a presença da tensão você está se defendendo e se libertando também. Sua capacidade de, em certas situações da vida, ver que está ficando tenso é profilático, isto é, pode aumentar sua imunidade contra uma imensidade de incômodos como enxaqueca, insônia, hipertensão, disritmia, mal-estar indefinido, úlcera gástrica, gastrite, prisão de ventre, rinite alérgica e todos os diferentes modos de tensão que martirizam os seres humanos.

Aprenda a descobrir quais os músculos seus que estão enrijecidos, contraídos, desgastando-se à toa e em seu prejuízo. Assim, verá crescer sua imunidade contra o medo, a ansiedade, a angústia, o ódio e a insegurança. Se você se tornar capaz de ver que está para estourar, ou melhor ainda, verificar que está acumulando cargas emocionais explosivas, estará automaticamente se defendendo da hipermotividade que pode causar desastres, romper amizades, quebrar objetos por incontida fúria, lançar o carro contra o outro por estúpida exasperação, bater injustamente num filho, ou ofender a pessoa que mais ama por causa da agressividade mal liberada.

Ao diagnosticar suas tensões, seus estados de perigoso e nocivo engatilhamento, terá, então, uma vida nova. Melhor do que a auto-observação é a preciosa capacidade de relaxar-se.

*Esse livro é encontrado em PDF no Google.

Nota: Cena de Rua, obra de Di Cavalcanti

Toulouse-Lautrec – MONSIEUR FOURCARDE

Autoria de LuDiasBH

Henri-Mari-Raimond de Toulouse-Lautrec (1864 – 1901) foi o primeiro filho do conde Alphonse de Toulouse-Lautrec e da condessa Adèle Tapié de Celeyran, primos em primeiro grau, família abastada e ilustre, nascido na cidade de Albi, no sudoeste francês. Henri cresceu num ambiente requintado. Desde pequeno gostava de desenhar, trazendo os primeiros indícios do que se tornaria no futuro. Quando tinha nove anos de idade, sua família mudou-se para Paris, onde foi matriculado numa das mais importantes instituições europeias.

Esta composição intitulada Monsieur Fourcarde é uma das obras do artista pós-impressionista que fazem parte do acervo do MASP desde 1952. Toulouse-Lautrec era um excelente desenhista, capaz de retratar com traços rápidos as figuras que encontrava pelos teatros, bailes, circos, bares e bordéis. Nesta obra, ele retrata um grupo de quatro prostitutas sentadas em poltronas de veludo escarlate, de encosto alto, de um luxuoso bordel parisiense, enquanto aguardam seus clientes. Uma delas, à esquerda, joga cartas.

O quadro apresenta o banqueiro Henri Fourcade, um rico burguês e grande amigo do artista, como demonstra a dedicatória no alto, à direita: “A mon bom ami Fourcade, 89. H. T. Lautrece” (Ao meu bom amigo Fourcade, 89, H. T. Lautrec). Trata-se de uma cena noturna, comum à vida parisiense.

O retratado ocupa o centro da composição, em primeiro plano, demonstrando grande naturalidade e vivacidade, tendo atrás de si um grupo de máscaras apenas esboçadas ao fundo. Fourcade encontra-se no baile da Ópera, em Paris. Atrás do bem vestido banqueiro com as mãos nos bolsos está um grupo de cinco pessoas, sendo que as pinceladas rápidas e soltas do artista faz com que algumas delas apareçam como meras sombras. O homem com cartola é Gabriel Tapié de Céleyran, primo de Lautrec.

Ficha técnica
Ano: 1889
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 77 x 62 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.wga.hu/html_m/t/toulouse/2/1misc09.html

Frans Post – PAISAGEM COM TAMANDUÁ

Autoria de LuDiasBH

O pintor holandês Frans Post (1612-1680) veio para o Brasil na comitiva do conde Maurício de Nassau, quando esse aqui esteve com o objetivo de governar as terras conquistadas pela Holanda, no Nordeste do Brasil. Frans Post foi o primeiro paisagista do Brasil do século XVII, tendo aqui passado sete anos. A sua importância está no fato de que suas paisagens foram os primeiros registros pintados in loco, uma vez que as gravuras e os desenhos que se tinha de nosso país eram feitos a partir de depoimentos dos viajantes que aqui vinham.

A pintura intitulada Paisagem com Tamanduá, assim como todas as obras do pintor holandês feitas no Brasil, é de fundamental importância para nós brasileiros, por ter sido ele o primeiro artista europeu a retratar nossa terra e a vida nos trópicos, servindo, portanto, de raríssimos documentos. Mesmo após deixar o Brasil, Frans Post continuou pintando paisagens brasileiras, baseando-se em desenhos e esboços feitos aqui, sem se esquecer dos animais típicos de nosso país, como tatus, tamanduás, serpentes, como é o caso desta paisagem, etc.

A composição acima apresentada mostra um grupo de pessoas negras, composto por mulheres, homens e crianças, com suas roupas brancas e balaios. No meio encontra-se um homem vestido como um feitor. As crianças e três escravos encontram-se com o torso nu. Dois belos coqueiros, um de cada lado, postam-se na entrada do grupo em direção às casas ao fundo. Uma vegetação típica do nordeste brasileiro espalha-se pela paisagem, assim como um rio (ou lago) de águas azuis. Um alto céu azul com nuvens brancas cobre toda a paisagem. Montanhas de um azul-acizentado delineiam o horizonte.

Ficha técnica
Ano: 1660 – 1680
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 56 x 79 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

AS CORES E SEUS EFEITOS

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos fala sobre as maravilhas das cores.

Vermelho

Efeitos orgânicos:
É estimulante por excelência. É dilatante, expansivo, acentuando o impulso ortossimpático. Atua principalmente sobre a circulação sanguínea e sobre o sistema nervoso, sempre no sentido de amplificar as funções. Sua presença gera vigor físico e resistência. É indicado aos debilitados, neurastênicos e anêmicos. É preciso ter cuidado para que seu excesso ou a carência não perturbe o organismo. Seu excesso pode ser equilibrado pela cor de efeito antagônico: o verde. É neuroanaléptico. Vale por um anfetamínico, portanto rajasifica o corpo.

Efeitos psicoespirituais:
Estimula o desejo. Em excesso, desperta a ira. Inspira imagens veementes e excitantes; inspira ideias de otimismo, entusiasmo, virilidade, autoconfiança. Gera pensamentos animosos e sentimentos fogosos. Administrado com parcimônia desperta paciência. Atua através do plexo coronário. Está relacionado com desejo, dinamismo, conquista e domínio. É um psicoanaléptico, antidepressivo, um rajasificante psíquico.

Laranja

Efeitos orgânicos:
Age sobre as funções cerebrais e endócrinas. Estimula os processos de nutrição. Dá vitalidade. Indicado nos estados de desnutrição. Menos rajasificante do que o vermelho.

 Efeitos psicoespirituais:
Dá exuberância às atividades mentais. Tende a equilibrar as faculdades de percepção. Atua através do plexo cardíaco. Desperta pensamentos positivos em relação à saúde, portanto, é indicado a hipocondríacos e histéricos. Tem sido tomado como o símbolo da sabedoria. Em excesso, favorece o orgulho, e sua escassez, naturalmente, a modéstia e a humildade. É psicoanaléptico.

Amarelo

Efeitos orgânicos:
Sua atuação mais enérgica é sobre o processo de evacuação, como laxante. Toda substância amarela do organismo lhe é muito sensível, com especialidade os intestinos, o fígado e o cerebelo.

Efeitos psicoespirituais:
Pode despertar paixões negativas, tais como rancor, ressentimento, inveja, ciúme, ostentação – uma gama considerável de sentimentos egoísticos. Em boas proporções, dá claridade à mente, desenvolve o espírito lógico e a intuição. É símbolo do conhecimento. Favorece a prudência. Em escassez, dá lugar à preguiça e à inconstância. Atua através do plexo solar. É cor alegre e levanta o ânimo deprimido. Antidepressiva.

 Verde

Efeitos orgânicos:
Associado ao cálcio é o elemento mais sedante de todo o espectro, portanto muito indicado aos agitados, insones e ansiosos. É de natureza refrescante e calmante, favorece a ação do corpo pituitário na ativação do crescimento. É dos mais neurolépticos. Tem efeito de um barbitúrico. Indicado, portanto, para os excitados.

 Efeitos psicoespirituais:
Otimismo, confiança, serenidade são estados que suscita. Inspira ideias de progresso, de abundância de meios materiais, de vitória. Simboliza a fecundidade, a prosperidade e o ganho. Favorece o automatismo relacionado com o trabalho. O excesso dá nascimento à caridade. A falta, à inveja. Atua através do plexo esplênico. Deve ser usado para sativizar a personalidade e o comportamento.

Azul

 Efeitos orgânicos:
É tônico, suavizante, sativizante, confortador, refrescante. Tem a maior afinidade com os ácidos do corpo e com os processos bioquímicos. É indicado no tratamento dos aflitos,  dos ansiosos e dos agitados.

 Efeitos psicoespirituais:
Inspira ideias de fé e lealdade. Conforta. Reduz a irritação nervosa, os desvarios passionais e emoções violentas. Inspira emoções profundas e indizíveis de fé nos poderes ocultos. Suscita a devoção. Simboliza a piedade. Em excesso faz surgir a fecundidade, bem como a castidade. Sua carência leva à esterilidade e à luxúria. Tranquiliza e dá fé nas forças do bem. Facilita os automatismos mentais relacionados com o amor. Atua através do plexo sacro. Indicado para todos que desejam mais sabedoria, pureza, amor e santidade.

Anil

 Efeitos orgânicos:
Interfere com a sensibilidade geral, com os corpúsculos do sangue e com o fluxo nervoso. Atua nos processos vitais celulares. Sua influência é mais poderosa nas pessoas idosas. Desenvolve a resistência da pele contra as inclemências ambientais.

 Efeitos psicoespirituais:
É apaziguante e sativizante. Inspira simplicidade, modéstia, grandeza moral, respeito e dignidade. Estimula as funções do intelecto. Agindo através do plexo frontal é “a cor que tem maior influência no mecanismo cerebral, nas coisas do espírito”. Simboliza o respeito e a reverência. Seu excesso dá lugar à gula. Sua falta, à concupiscência.

Violeta

 Efeitos orgânicos:
Sua influência é maior sobre os líquidos da coluna vertebral. Está diretamente ligado ao simpático, regulando suas funções. É conveniente às vítimas de distonias neurovegetativas. Estimula a combustão e o desdobramento químico das substâncias. É marcadamente benéfico na digestão e assimilação. Uma de suas franjas – a ultravioleta – ativa o metabolismo do cálcio e produção de hormônios.

 Efeitos psicoespirituais:
Age mediante o plexo laríngeo. Sativizante. É inspirador de pensamentos místicos, sentimentos de ternura, de liberdade, de amabilidade e de tolerância. Favorece a expressão da vida interior e a produção artística. É sumamente magnético. Desenvolve emoção estética e sensibilidade para o belo. Inspira êxito e consagração. Desenvolve o entendimento e conduz à adoração e à ânsia pela comunhão com o transcendente. Desperta o apelo ao que está além do mundo fenomênico. Simboliza o entendimento. Seu excesso leva à generosidade e à esperança. Sua carência, à avareza e ao ciúme.

Preto e branco não são cores do espectro. Preto é ausência de cor. Branco é a síntese das sete cores. O branco atua como condutor de calor. É esta a principal razão pela qual, nos climas quentes, é indicado para a vestimenta. Inspira pensamentos de pureza e inocência. O preto é mau condutor de energia térmica. Exantema e outras enfermidades da pele podem ser curadas com a simples obscuridade. Mental e espiritualmente age no sentido de entristecer e reduzir a vitalidade. Simboliza o Universo.

Não podemos nós, já que estamos pretendendo por todos os meios evitar ou corrigir distúrbios nervosos, desprezar as experiências feitas pela ciência ocidental no que diz respeito à influência das cores. O que proponho a você, para melhorar seu estado psíquico – espiritual ou mesmo orgânico – é que saiba tirar proveitos sedativos do verde quando se sentir irritado, inquieto, agressivo ou do efeito estimulante do vermelho nos dias em que se sentir deprimido, astênico, desanimado…

Quero que saiba escolher cores suaves e calmantes, cores como o roxo, que induzem aos voos espirituais para seu ambiente de meditação. Quero que saiba escolher inteligentemente a decoração de seus ambientes, de forma que não venha agravar seus males ou criá-los. Tenho visto barbaridades em matéria de ambiente onde vivem nervosos! Cores há que fatigam e irritam até mesmo quem é normal. O ambiente, seja de trabalho, de recreio ou o lar, precisa ser planejado de acordo com a saúde dos nervos, de forma que nos sintamos bem, alegres, felizes, repousados e convidados a ficar.

É possível ficar nervoso quando estamos sentados diante do mar, escutando sua monótona e repousante música? É possível continuar instáveis, irritados, cheios de medo ou fatigados, quando, sentados na grama, deixamo-nos abertos à carícia da brisa, à contemplação da planície, da mata, do serro, do rio, enquanto bebemos a sonoridade do ambiente? O azul do mar, o verde da floresta, o vermelhão do dia que se levanta, o anil de um céu de primavera, o matiz do canteiro de flores roxas tudo isto deve ser incluído em nossa cromoterapia natural. O principal desta cromoterapia despretensiosa é que você aprenda a ter sensibilidade diante da beleza. Há beleza em tudo.

Leia também: CONHECENDO A CROMOTERAPIA

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: imagem copiada de Tio Bill