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Ticiano – A DEPOSIÇÃO DE CRISTO

Autoria de LuDiasBH

O pintor Ticiano Vecellio (1490 – 1576), também conhecido como Tizian Vecellio De Gregorio, encontra-se entre os grandes nomes da pintura italiana. Ainda pequeno retirava suco de flores para desenhar toalhas e lençóis. O pai, Capitão Conte Vecellio, reconhecendo o pendor artístico do menino, retira-o da pequena Pieve Cadore, onde nascera, e envia-o para Veneza, acompanhado do irmão mais velho. Naquela cidade, ainda com oito anos de idade, é apresentado por um tio aos mais importantes pintores venezianos da época.  Passa pelas mãos de Gentile Bellini e depois nas de Giorgione, que o acolhe com entusiasmo.

A pintura intitulada A Deposição de Cristo ou ainda O Sepultamento de Cristo é uma obra do artista,  que deixa clara a influência recebida de Michelangelo, principalmente no que diz respeito à monumentalidade das figuras humanas em torno de Jesus e à dramaticidade da obra de notável rigor clássico, que foi pintada para a família Gonzaga, de Mântua. O impacto dramático da cena foi acentuado com o crepúsculo, que joga uma luz fraca sobre os personagens, deixando o corpo inerte de Cristo ainda mais pálido, com o rosto e tronco escurecidos pela sombra, enquanto a outra metade mostra-se iluminada. A alternância de sombra e luz torna tudo ainda mais comovente. O contraste mais forte de luz e das sombras está centrado no corpo de Jesus Cristo, o que o torna o ponto focal da composição.

José de Arimateia teve permissão de Pilatos para retirar o corpo do Mestre da cruz, a fim de sepultá-lo. Ele o envolve numa mortalha branca e segura-o pelos pés.  Está sendo ajudado por São João, que segura a mão direita de Jesus e suas costas, e por Nicodemos, de costas para o observador, segurando o tronco. A Virgem Maria e Maria Madalena encontram-se atrás, em segundo plano. A Mãe Dolorosa está sendo amparada por Maria Madalena, em seu pungente sofrimento. Embora haja muita emoção presente na cena, essa é contida. Nuvens de tempestade formam-se acima, enquanto, mais ao fundo, o céu mostra-se mais claro.

Ficha técnica
Ano: c. 1520
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 148 x 212 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/entombment-christ

PAISAGENS ESQUILINAS

Autoria de LuDiasBH

              

A Antiguidade foi estipulada como um período de tempo que compreende cerca de quatro milênios antes de Cristo (a.C.) até o século V. Foram poucas as imagens, criadas nesse período, que chegaram até nossos dias. Através de afrescos, encontrados nas cidades italianas de Pompeia, Herculano e em Roma, é possível ter uma noção da arte daquela época. Os afrescos mostram diversos gêneros de pintura.

As Paisagens Esquilinas, formidável conjunto de paisagens da Antiguidade, encontradas em Roma, na Itália, em 1848, são compostas por sete e meia composições que narram as viagens de Ulisses, personagem grego da Odisseia, um dos mais importantes poemas épicos da Grécia Antiga, que foi creditado a Homero. As Paisagens Esquilinas foram encontradas durante uma escavação na velha via Graziosa, em Roma, no monte Esquilino, uma das sete colinas da capital italiana. Estavam em excelente estado de conservação, sendo removidas depois das paredes e “delicadamente” restauradas por um pintor desconhecido. Segundo Marcos Vitrúvio, arquiteto romano, que viveu no século I a.C., o tema dessas paisagens (paisagens com figuras), era um dos preferidos pelas gerações precedentes, sendo muito usado nas decorações domésticas.

Acima são apresentadas duas cenas: Ulisses na Terra dos Mortos e Ulisses na Terra dos Lestrigões, ambas pertencentes à série Paisagens da Odisseia, achadas no monte Esquilino.

 Ficha técnica
Data: c. I a.C.
Altura: 150 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Vídeo – OS EMBAIXADORES – Holbein

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada Os Embaixadores é uma obra do pintor e renascentista alemão Hans Holbein, o Moço, que se especializou em retratos. Foi tido como um dos melhores retratistas de sua época. Aprendeu sua arte com o pai, Hans Holbein, o Velho, sendo posteriormente aceito na Guilda dos Pintores, em Basileia. Embora tenha também pintado murais,  retábulos e iluminuras, tinha predileção pelo retratismo, sendo exímio nos pormenores de sua obra, como nos mostra a pintura acima.

Como um exímio retratista que era, o artista misturou realismo e idealização (ou enaltecimento) neste seu trabalho, que se encontra entre as 50 pinturas mais famosas do mundo. E tem sido descrita como “um dos mais incríveis e impressionantes retratos da arte renascentista.”. Em sua obra, Holbein apresenta dois cortesãos franceses, embaixadores do rei Francisco I na corte inglesa de Henrique VIII…

Obs.: Conheça mais sobre a pintura Os Embaixadores, acessando o texto completo no link: http://virusdaarte.net/hans-holbein-o-moco-os-embaixadores/

e depois assista ao vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=lYEwg7beYC4

Gauguin – O CAVALO BRANCO

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada O Cavalo Branco é uma obra de Henri Paul Gauguin (1848-1903). Foi pintada durante sua segunda permanência no Taiti, tendo se transformado num verdadeiro ícone. O artista era dono de um gosto decorativo, tendo desenvolvido uma nova ideia do uso da cor. Na sua tela, ele apresenta três cavalos, um deles a beber água, enquanto os outros dois estão sendo montados, em pelo, por dois personagens nus. O artista usa tons vermelho, alaranjado, azul e verde com extrema liberdade, vindo essa sua maneira de empregar as cores a transformar-se, mais tarde, na bandeira do fauvismo. As gravuras japonesas estiveram, por um tempo, muito na moda em Paris. E foi nelas que ele baseou a perspectiva desta obra.

O cavalo branco está pintado de verde-acinzentado, porque a luz que incide sobre ele foi filtrada através das folhas verdes da grande árvore. É ele que dá título à composição. Encontra-se em primeiro plano, no meio de uma corrente de água azul-escuro, que se principia grossa quase na parte superior da tela, afina-se no meio e espalha-se ao atingir o último terço da composição. O animal traz as pernas dianteiras abertas, entre as quais enfia a cabeça para tomar água. Pode se tratar de um animal sagrado para os haitianos. Acima dele, à esquerda, um cavalo vermelho e seu cavaleiro encontram-se de costas para o observador. À direita encontra-se o cavalo marrom com seu cavaleiro, ambos de perfil, rumando em direção à água.

Uma enorme árvore, tida como certo tipo de hibisco, nasce à direita e segue na diagonal, com seus ramos retorcidos, atingindo a parte superior de toda a tela. Na beira da água são vistas, em primeiro plano, outras formas de vegetação, como lírios e flores imaginadas pelo artista. Não se tem acesso ao céu e ao horizonte. Embora Gauguin gostasse de estar sempre em contato com a natureza, a cena vista é imaginária. É interessante saber que o homem, que fez a encomenda da tela ao pintor, recusou-a, alegando que o cavalo era muito verde.

Ficha técnica
Ano: 1898
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 141 x 91 cm
Localização: Museu de Orsay, França, Paris

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.musee-orsay.fr/en/collections/works-in-focus/painting/ _id/the-white-horse-
http://www.gauguin.org/the-white-horse.jsp

Ticiano – MULHER NO ESPELHO

Autoria de LuDiasBH

O pintor Ticiano Vecellio (1490 – 1576), também conhecido como Tizian Vecellio De Gregorio, Tiziano, Titian ou ainda como Titien, encontra-se entre os grandes nomes da pintura italiana. Ainda pequeno, retirava suco de flores para desenhar toalhas e lençóis. O pai, Capitão Conte Vecellio, reconhecendo o pendor artístico do menino, retira-o da pequena Pieve Cadore, onde nascera, e envia-o para Veneza, acompanhado do irmão mais velho. Naquela cidade, ainda com oito anos de idade, é apresentado por um tio aos mais importantes pintores venezianos da época.  Passa pelas mãos de Gentile Bellini e depois pelas de Giorgione, que o acolhe com entusiasmo.

A composição clássica intitulada Mulher no Espelho é uma obra da juventude do artista. Alguns críticos de arte identificam a jovem e sensual modelo como sendo uma amante do pintor, enquanto outros a veem como sendo Laura Dianti, amante de Alfonso d’Este, duque de Ferrara, que foi marido de Lucrécia Bórgia e de Anna Sforza. Há também quem diga que seja Isabella Boschetti, amante de Federico Gonzaga. O certo é que a jovem era a modelo favorita de Ticiano, pois se encontra em muitas de suas pinturas.

A cena retrata dois personagens que tomam quase todo o espaço da tela: um homem, na sombra, e uma mulher em primeiro plano. O jovem barbudo à esquerda, usando roupas vermelhas, segura dois espelhos, um na frente e outro atrás, para que a mulher olhe-se.  A jovem encontra-se atrás de um parapeito, de frente para o observador, traz a cabeça inclinada para a esquerda e o rosto oval voltado para o espelho menor. Segura seus longos e ondulados cabelos loiros, repartidos ao meio e jogados para sua direita, descendo até abaixo da cintura. Na mão esquerda, ela segura um vidro de perfume. Usa uma blusa branca pregueada e com grandes mangas, bastante decotada, pondo a descoberto seu colo branco e ombros. Sobre essa usa um vestido verde de alças. O seu admirador inclina-se para ela, tentando ajustar os espelhos da melhor forma possível, e direcionando seu olhar para seu rosto delicado. O retrato é, portanto, uma exaltação de sua beleza.

Ficha técnica
Ano: c. 1514
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 93 x 76 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/woman-mirror
http://www.wga.hu/html_m/t/tiziano/10/1/02mirror.html

A II GUERRA E UM BURRO CHAMADO “RUANO”

Autoria do Prof. Rodolpho Caniato

Corria o ano de 1942. Eu morava no sítio dos Caniato, no bairro dos Fernandes, em Corrupira. Vez por outra alguém trazia da cidade notícias sobre a II Guerra Mundial. E uma abalou a todos. Era a notícia sobre o afundamento de navios brasileiros nas costas do Brasil. Submarinos alemães haviam torpedeado e afundado vários navios entre os quais o “Baependi”. Foram centenas de mortos, além da perda total das embarcações. O presidente Getúlio Vargas, que até então nutria certa simpatia pelo “Eixo”, foi levado, também pela pressão dos EEUU, a definir-se e a reagir àquele ato de guerra da Alemanha de Hitler. Havia também um clamor popular nacional de reação à ostensiva hostilidade e afronta à soberania do Brasil, que logo declararia guerra ao “Eixo”. Em muitos lugares do país ocorreram manifestações e campanhas patrióticas de apoio à sua entrada na Guerra, ao lado dos “aliados”. Chegou-se a fazer campanha de coleta de metais para a fabricação de armamentos. Eram as “montanhas da Vitória”. Também no nosso bairro chegou a notícia de um grande evento patriótico que seria um misto de manifestação político-patriótica e festa.

O ponto alto da festa seria um grande rodeio, cuja maior atração seria um burro (mulo) que se tornara famoso pela sua indomabilidade em rodeios anteriores. Nenhum peão tinha conseguido ficar por mais de poucos segundos no lombo daquela “fera” chamada “Ruano”, por sua cor (ruão, “baio” com crina muito mais clara). Era uma verdadeira lenda. O “clima” de patriotismo e o burro “Ruano” estavam eletrizando as expectativas em relação ao rodeio patriótico. Um famoso peão de Jundiaí, o Zico Peão, tido como o “maior” da região, aceitara o desafio de montar o “Ruano”. Para quem morava, como nós, em Corrupira, seria preciso tomar o trem de Louveira até Rocinha. Primeiro teríamos que fazer a caminhada de quatro quilômetros a pé, pelo “estradão” até a estação de Louveira. De lá pegaríamos o trenzinho “cata caipira”, o “misto”, para Rocinha. Nessa caminhada e viagem, com meus treze anos, acompanhei meu tio Joãozinho que também tinha “ares” e pretensões de “peão”. Da estação de Rocinha ainda seria necessária uma grande caminhada morro acima até o local onde teria lugar o grande acontecimento.

Quando lá chegamos já havia uma multidão ao redor do grande cercado de tábuas, a “arena” onde aconteceria o rodeio. Ao lado havia outro cercado menor, onde estavam confinados os animais, cavalos, mulos e bestas que seriam montados. Depois dos discursos patrióticos apresentaram-se as equipes de “laçadores”, “orelhadores” (peões encarregados de imobilizar aqueles animais xucros até que lhes fosse aplicado o “solfete”, (uma cinta com alça, único “arreio” no animal e “seguração” do peão). Depois do animal laçado, torciam-lhe as orelhas até que, creio que de tanta dor, bufando e resfolegando, ficasse imóvel. Outro peão aplicava um “cachimbo” (um pau roliço munido numa das extremidades, de um laço de couro cru trançado) no focinho do burro, que ia sendo torcido até que, quase afogado, se imobilizasse. Só depois de o peão estar montado, a equipe da “seguração” soltava, orelhas e o beiço do animal. Aos pulos, coices e corcoveando sem parar, aqueles animais xucros quase sempre conseguiam se livrar de suas montarias. Quando um peão aguentava um pouco mais a “pulação”, era ovacionado pela multidão. Todos os animais trazidos já haviam sido montados. Era a hora do grande final em que se defrontariam o Ruano, “invicto” nos rodeios, e Zico Peão, o desafiador e herói do espetáculo. Como aquele seria o final e apoteose da festa, antes do duelo falou a “autoridade”  e a banda tocou mais um dobrado. Foram necessários vários laçadores, em diferentes direções para que os “orelhadores” conseguissem botar as mãos nas orelhas e no focinho do “Ruano”.

O burro era mesmo “endiabrado”. Só depois de muito esforço conseguiram segurar aquele bicho brabo, aplicar e garrotear o “cachimbo”. Aplicado o torniquete no focinho, aquela “fera” muar rosnava e estrebuchava aos arrancos. Finalmente a equipe da “seguração” conseguiu aplicar o solfete no “Ruano”. A multidão silenciou. Só se ouvia o rosnar do burro imobilizado quase até a asfixia. Sob palmas, entra Zico Peão para montá-lo. Ele segura o ”solfete”, joga o chapéu para o alto e grita… “larga”! Os pulos daquele animal tinham mesmo um ímpeto e uma fúria como nenhum dos anteriores. A multidão começou a aplaudir e a gritar o nome do herói. De repente, o burro, parando de pular, sai como uma flecha em direção ao tablado que limitava o espaço do rodeio. Sem corcovear, mas galopando a toda brida, o burro se atira de cabeça contra as tábuas do cercado, atravessando-o e deixando o Zico Peão desfalecido pela peitada contra a tábua superior do cercado. Desmaiado, muito ferido, mas vivo, Zico Peão foi levado pela ambulância de plantão, sem poder ouvir a ovação que recebeu pela sua bravura em resistir no lombo do “Ruano”. O animal, com certeza muito assustado e ferido, sumiu no poeirão da tarde.

A multidão, sem o “Ruano” e sem o herói “Zico Peão”, finda a festa, se dispersou. Era o epílogo inesperado do grande evento: um verdadeiro anticlímax pelo “empate” dos dois valentes, pela ausência dos dois principais protagonistas daquela memorável tarde na cidade de Rocinha. Nesse mesmo ano, o Brasil entraria na Segunda Guerra Mundial.

 Nota: Extraído do livro “Corrupira”, do autor, ainda inédito.