BATER AS BOTAS

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Autoria de LuDiasBH baleia1

Segundo diziam os antigos, a expressão bater as botas era específica dos endinheirados, pois o calçado era um símbolo de status social, do qual os desventurados viam-se a anos-luz de distância. Ainda mais em se tratando de botas, artigo luxuoso, afeito a poucos, símbolo de ostentação e autoridade. Tanto é que todo coronel, graduado ou não, usava tal calçado, que muitas vezes subia até a coxa, de acordo com o grau de poder do dito cujo. E, como as mulheres não usavam botas, a expressão só era direcionada aos homens patacudos, é claro.

Portanto, os pobres, sem eira e nem beira, não batiam as botas, apenas esticavam suas canelas finas, desprovidas de músculo e tutano, terminadas em pés de sulcos tão profundos, capazes de esconder toda a miserabilidade que lhes ofertava a vida. No máximo, podiam bater as chinelas. O mais engraçado é que, num gesto de extrema nobreza, como se vivessem numa sociedade justa, pobres e ricos partiam para “uma vida melhor”, onde, possivelmente, todos usariam botas.

Atualmente, ainda que as injustiças continuem, a expressão bater as botas tornou-se igualitária. Tanto batem as botas, abotoam o paletó ou esticam as canelas, ricos e pobres. E não mais importa o sexo, pois botas e paletós passaram a fazer parte da indumentária feminina.

Nota: Um Par de Botas, 1886, obra de Van Gogh.

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