BEAGÁ E A TEMPESTADE

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Autoria de LuDiasBH

relampago

A natureza está sôfrega, em alfa, embriagada,
bem de frente pra majestosa Serra do Curral,
mergulhada na concentração de seu cenário,
com sua alma  visivelmente embriagada.

O céu negrusco, com as nuvens carregadas,
dá o tom do samba-enredo na larga avenida,
enquanto ao léu, bafeja um vento galhofeiro,
mensageiro festivo da deificação da vida.

Ao fundo, arrojados trios elétricos/trovões
vão dando sinal de sua lenta aproximação.
O desfile da natureza encontra-se a postos,
e a Mãe Gaia vai repetindo seu refrão.

Já se pode vislumbrar a posição da escola,
pelo resplendor dos destaques de cada ala.
Os céus, lumiados por filetes de néon, riem,
enquanto nas árvores alegorias cabriolam.

Como um mar embriagado, mas sem procela,
Belo Horizonte aguarda na mais febril espera.
Extasiada, chora, por tão alucinante fantasia,
por esta festa que sabe ser somente dela.

A noite foliona vai descerrando o seu telão:
lápis lazúli, ônix, cinza, prata, ébano e ouro.
Luzes cintilantes salpicando as montanhas,
vão criando nos seus contornos alucinação.

Os carros alegóricos, suntuosos, sem escalas,
descem arrebatados, agilíssimos pelo espaço,
iluminados pela claridade de muitos archotes.
Os estampidos já prenunciam o abre-alas.

Majestosa, a bateria vai repicando com alarde,
neste momento único, assustadoramente lindo.
Gotas de chuva vão caindo ágeis e prazenteiras,
como confetes e serpentinas pela cidade.

Luxuriantes e flexíveis, que a verdade seja dita,
as árvores contorcem alegres os dorsos verdes.
Frenéticas, em ritmo de samba, bailam, dançam
sob a água – o confete líquido das passistas.

Perdida neste encantamento de “ôôôôs” e “uais”,
receia a cidade não poder absorver toda a cena,
pois é preciso não perder um só dos movimentos,
até mesmo o de uma  folhinha que cai.

A mãe natureza vai ocupando toda a passarela:
luz, som, relâmpagos, trovões, água… sem parar.
Tudo é mais… bem mais… e muito mais. Demais!
Como é linda uma tempestade em Beagá!

10 comentários sobre “BEAGÁ E A TEMPESTADE

  1. Patrícia

    Lindo Lu!

    AAAdoooro quando a mãe natureza ocupa toda a passarela.
    Tenho uma verdadeira fascinação por tempestades com raios, trovões ôôôs e “uais”.

    Bjos.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Pat

      Eu também gosto de tempestades.
      O meu gatinho Deco, que já partiu para os céus dos animais, ia para a varanda, e ali, sobre a mesinha, ficava olhando os relâmpagos cortarem o céu, enquanto os outros se escondiam.

      Beijos,

      Lu

      Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      TT

      Realmente foi um espetáculo belíssimo.
      E eu observando tudo da minha varanda.
      Os céus estavam maravilhosamente furiosos.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  2. Maria Tereza

    Beleza de poesia!
    Mas…hoje estava fora, quando caiu aquele toró no
    final da tarde.Chuva e frio.Cheguei ensopada.Pensei:
    chuva boa é com a gente quentinha dentro de casa.
    Beijos
    Maria Tereza

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Matê

      É verdade! De preferência debaixo dos cobertores.
      Minha amiga ensinou-me que, quando chegarmos molhados, temos que tomar um banho quente e uma aspirina.
      Não fiz isso e tive uma gripe fortíssima.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  3. Carlos A. Pimentel

    Lu,

    Belo poema! O Brasil é um país onde há a maior ocorrência de raios. A imagem desta tempestade de rios é impressionante.

    Parabéns.

    Beto

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Beto

      Minas Gerais está entre os Estados onde mais caem raios.
      É uma imagem belíssima!

      Abraços,

      Lu

      Responder

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