BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES

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Autoria de LuDiasBH

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Branca de Neve nasceu do desejo (hum?!) de sua mãe, quando essa espetou o dedo numa agulha, deixando cair três pingos de sangue na neve. A rainha bordadeira aproveitou para traçar o esboço da futura filha: pele branca como neve, corada como sangue e cabelos negros como ébano. Boa saída para se livrar do crime de traição. Como naqueles tempos a genética jazia adormecida, todo o povo do reino tomou como verdadeiro e milagreiro o nascimento da criança com tais características, pois a soberana era bisneta de uma marani indiana e o rei descendente de Gengis Khan, lendário imperador mongol. Branco como a neve era o camareiro da rainha, oriundo da Escandinávia e descendente dos guerreiros vikings. Mas isso não é da minha conta. Deixemos a memória da rainha em paz.

O rebento real chegou ao mundo complicando. A mãe morreu vítima de seu nascimento. E, pelo visto, o rei não foi de guardar luto por muito tempo, pois mal completara um ano de viuvez, já se encontrava entre os lençóis com uma nova esposa. Segundo as más línguas, o que a dita tinha em beleza poderia ser quadruplicado pelo teor de maldade que carregava.

Certo figurão da corte, de olhos nos dotes da nova rainha, deu-lhe um espelho “made in China”, que de mágico não tinha nada, para que nele se mirasse. A pintalegrete perguntava-lhe quem era a mais bela mulher do mundo e o próprio ego respondia que era ela. Certo dia, a pimpona encontrou-se com a belíssima princesinha, que há muito não via. Para se livrar da enteada, resolveu matá-la. Mas o criado, responsável pela vil ação, optou por não dar fim à vida da inocente. Como prova do assassinato, levou o coração de um veadinho que não tinha nada, absolutamente nada, a ver com a história.

Branca de Neve, ao ser deixada na floresta, contou com a ajuda de todos os animais que ali viviam para protegê-la, a mando de S. Francisco, de quem era fiel devota. Já extenuada, optou por descansar numa casinhola. Logo percebeu que para cada coisa ali, havia sete iguaizinhas. Juntou as sete caminhas e caiu num sono profundo. Quando chegaram os reais donos da casa, surpreenderam-se com aquele corpo estranho.

Os sete anõezinhos eram numerólogos egípcios, seguidores do filósofo grego Pitágoras, que ali estavam para estudar os mistérios do número sete, pois em todos os setores da vida humana este algarismo se faz presente. Está nos dias da semana, nas cores do arco-íris, nas notas musicais, nas maravilhas do mundo antigo, nos planetas da astrologia exotérica, nos pecados capitais, nos dias da criação, na curva de Gauss e nos textos religiosos das mais diversas religiões.

Dunga, Feliz, Soneca, Zangado, Atchim, Mestre e Dengoso encantaram-se com a garota e ficaram esperando que as outras seis chegassem. Logo, eles travaram amizade e a donzelinha contou-lhes tudo sobre sua triste sina. De modo que acabou sendo convidada para morar com eles, com o compromisso de manter portas e janelas fechadas para sua segurança, apesar do calor úmido da floresta.

Não pensem os leitores que a sinistra madrasta já saiu da história. Nada disso! Ela continuava com seu ego cada vez mais inflado, achando-se única. Certo dia, teve um insight: a menina ainda poderia estar viva, pois, no palácio, enganar era uma arte. Como os sete sábios egípcios eram muito conhecidos no reino, era ali que a pupila estaria. Seria ela, a levar avante a empreitada. Iria pessoalmente dar cabo na moçoila.

A mefistofélica arranjou umas burundangas chinesas e foi oferecer para a princesa, que era bem vaidosinha. Atraída pelo quetiliquê da malvada, acabou se esquecendo do aviso dos sábios. Disse-lhe a sinistra que o cinto iria deixá-la com uma cintura de tanajura. E apertou tanto o apetrecho, que acabou deixando a meninota desmaiada. Ao chegarem à casinha, os sete numerólogos socorreram a malmandada, desatando-lhe o cinto. E, para azar da branquelinha, a terrível malvada voltou à cena do crime, quando percebeu que a dura na queda continuava viva. Temendo ser reconhecida, deixou na janela uma apetitosa maçã envenenada. E a desajuizada da menina cai de novo na esparrela. Também puderas, com aquele tiquinho de comida feita na casa dos amigos, era preciso complementar com outras coisitas mais. Morreu!

Os sete sábios não souberam o que fazer, apesar de consultarem toda a numerologia do universo. Botaram o corpo da amiguinha num caixão de cristal, no topo de uma montanha. Velavam-no ao lado dos animaizinhos. Eis que um príncipe apareceu e, apaixonado, pediu para levá-lo consigo (É incrível como os príncipes se apaixonam com um simples olhar.). Puseram-se a caminho com o precioso fardo. Um dos sabiozinhos tropeçou, abalando o caixão, de modo que o pedaço da maçã caiu longe. A moçoila refez-se imediatamente. O belo, totalmente apaixonado, pediu-lhe para se casar consigo.  Casório marcado e convites distribuídos.

A bruxonilda resolveu consultar seu espelho ególatra e descobriu que Branca de Neve ainda vivia. Louca de raiva optou por matar a nubente no altar. Mas, ao ver a enteada “imorrível” mais linda ainda, deu um cangolé e estrebuchou até morrer, enquanto a princesa e seu consorte foram felizes para sempre. Mas um fato ainda me tira o sono. O pai de Branca de Neve encontra-se totalmente ausente da história. Nada fez para salvá-la. Nem se deu conta de que ela sumira. Teria ele descoberto que a princesa não era sua filha?

2 comentários sobre “BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES

  1. Maria Ritta

    Adorei o espelho made in China da madrasta da Branca de Neve…
    Muito bom o blog, me foi recomendado pelo Messias, o qual tive o prazer de conhecê-lo no Museu Emílio Goeldi em uma viagem que fiz a Belém – PA.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Maria Ritta

      Tentei fazer um blog em que as pessoas tivessem opção de escolher os temas que mais lhe agradassem, com uma linguagem simples e com pitadas de ironia.
      Fico muito feliz ao saber que gostou.
      Será um prazer tê-la aqui.

      O Messias também tem textos em CANTO DA AMAZÔNIA, aqui.

      Obrigada pela visita.

      Beijos,

      Lu

      Responder

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