PRESENTES DE NATAL E CADEIRAS VAZIAS

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 Autoria de Edward Chaddad

Na noite em que Jesus nasceu – data comemorada mundialmente – as famílias cristãs reúnem-se para comemorá-la, pois todos creem que seu nascimento representa a chegada na terra do Filho de Deus,  trazendo consigo o amor, a paz, a caridade, a compaixão, a solidariedade,  o perdão,  a fé,  a esperança, a humildade, a misericórdia e  a coragem para combater, com estes valores cristãos, o ódio, o egoísmo, a vingança, as guerras, o orgulho, a vaidade, os privilégios. Tudo isto bastando amar a Deus sobre todas as coisas e orar.

Jesus dizia, ao seu tempo e para a eternidade: eu sou o caminho, a verdade e a vida. E com Ele nascendo, a humanidade tem agora, ao seu lado, a força para vencer as suas angústias morais e físicas, suas tristezas e sofrimentos. Diria que o seu ensinamento mais difícil de ser seguido é o que manda perdoar o inimigo. Ele nos mostrou como o fazer, quando nos seus estertores – na agonia final de sua vida – ao meio das dores terríveis da crucificação, olhou para os céus e disse: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”.

No Natal comemora-se, acima de tudo, a chegada dos ensinamentos de Jesus, o caminho deste mundo físico para o espiritual, a chegada da Luz que nos traz a felicidade e, sobretudo, o amor e a união com Deus. Por isto, esta linda tradição nos lares cristãos de reunir a família e até amigos, ceando juntos, para comemorar tão importante data. Mas não é somente a ceia que reúne as pessoas ao redor da mesa: são também as orações e os presentes…

Ah! Os maravilhosos e tradicionais presentes de Natal, todos caprichosamente adornados, sempre colocados ao lado da árvore de Natal,  também enfeitada com muito carinho! Será difícil desembrulhá-los, pois todos são muito delicados, raros, cristais valiosos, joias incrivelmente belas. Em cada um deles há uma reflexão instantânea sobre o caminhar juntos, sobre todos os anos vividos – um após o outro – em meio a grandes desafios e adversidades, enfrentando, ao longo do tempo, o gosto de amargos dias tristes, bafejados com momentos de intensa alegria, mas também de prazer e felicidade.

Através de cada um deles é delicioso perceber que há  prova de que o amor pode dar certo e ser perene, ao compreendermos que nossas vidas tornaram-se únicas. Em cada um deles há puro deleite e encantamento, representando o abraço carinhoso dedicado à  união familiar de tantos anos. Em cada um deles, podemos conferir que vencemos e que ainda somos felizes, embora episódios de sofrimento e de muita tristeza tenham nos visitado, mas os vencemos, pois há em nós uma coisa importante e muito forte chamada “amor” a nos unir – sentimento cristão há muito semeado pelos nossos pais e avós.

Os meus presentes, ricos e exuberantes, revelo-os agora. Os mais lindos presentes de Deus são os membros maravilhosos de minha família! Como a família cresceu e outras se formaram, nem todos estarão à mesma mesa. Mas, com certeza, em espírito estarão conosco. São presentes que Deus conservou. Ainda mesmo que ausentes na nossa ceia, suas vidas estão enfeitando e adornando nossa vida.

Com tristeza e sofrimento, porém, percebemos que alguns desses presentes não mais se encontram em nosso mundo. Não estarão conosco, reunidos no Natal que iremos festejar. É difícil aceitar a perda, a ausência tão sentida, a saudade que deprime e aflige. Ao olharmos para a mesa da ceia natalina não mais encontraremos, nela sentada, vendendo felicidade, muitas pessoas queridas. Na minha mesa não estará minha mãe, tão amada, tão terna e carinhosa! E haverá ainda outras cadeiras vazias, onde estariam meu pai, meus avós, tios e cunhados – todos ausentes – a fazer parte da festa. E nem mesmo o velho casarão de nossos saudosos pais hoje existe…

Sei que estes presentes jamais tornarei a recebê-los neste e nos outros Natais. Eles, porém, estarão indelevelmente reclusos em meu coração, fazendo parte de meu espírito, pois são eternamente meus. Ninguém os tirará de mim. Jamais! Há no meu íntimo a certeza inabalável de que ainda estarão comigo em cada Natal – ainda que em espírito -festejando e torcendo para que nós, seus familiares que aqui permanecemos, continuemos a nos reunir para cantar  ao redor da árvore natalina,  de mãos dadas,  a linda canção “Noite Feliz”.

Nota: A Natividade, Giotto de Bondone

5 comentários sobre “PRESENTES DE NATAL E CADEIRAS VAZIAS

  1. Celina Telma Hohmann

    Edward

    O Natal contém todas as magias. Do amor à dor, da expectativa à realidade que dói. No Natal vêm as melhores intenções, os maiores desejos de ser ou estar-se bem e a saudade bate ponto. Os vazios e a certeza de que nesses instantes de amor autêntico, as faltas ficam imensas, disfarçadas no conformismo da nossa impotência em dar vida ao que já não tem, mas que na lembrança, embalada por esse amor que nunca se perde sentimos as presenças que já não estão ali, aparentes, mas no sentimento que sempre unirá os que se fizeram parte da nossa história.

    Neste ano somei duas faltas grandes e ambas em períodos muito próximo. Foi forte a presença da não presença. Tantos já não fazem parte da mesma mesa, deixando cada um o seu peso nessa falta. Mas foi Natal e Natal sente-se tudo mais fortemente. Estiveram presentes. Carinhosamente nos deram o presente da lembrança de uma existência marcante, tocados, quase que com as mãos, o calor existiu… Não abriram presentes ricamente embalados, mas deram como presentes a certeza de que exercitamos o amor, quando estiveram conosco e agora, quando já são a sensação que marca presença, etérea, como o som que não se ouve mas sabe-se que existe, a matéria visível que não se vê, mas sabe-se, esteve à mesa.

    Natal! Nascimento, festividade, trocas e certezas. Existiram e por muito tempo serão as presenças que estarão conosco. A cadeira vazia e o coração transbordante. Que não seja de dor, mas de carinho. Sempre será!

    Responder
    1. Edward Chaddad

      Prezada Celina

      “A cadeira vazia e o coração transbordante. Que não seja de dor, mas de carinho. Sempre será!”

      Realmente, guardamos as nossas perdas em nosso coração. E elas continuam vivendo dentro de nós, como se não tivessem ido. Não tenho dor por isto, mas muito carinho em lembrar deles. A última cadeira que se foi era da minha saudosa mãe. Pensando nela, fiz esta poesia.

      Hoje amanheci pensando nela.
      A saudade mais doída da existência
      Bateu cortante em meu coração,
      Muito tormentosa, de incessante tristeza,
      Porém pródiga de seu maravilhoso amor!

      Hoje amanheci pensando nela,
      Naquela flor tão linda, encantadora,
      Néctar de minha vida, pólen do meu nascer,
      Que me embalou nos primeiros dias de vida,
      E que viveu sua vida para me amar.

      Hoje amanheci pensando nela,
      E nela pensar me trouxe mais força,
      Mais valentia para enfrentar a vida,
      O existir paradoxal de alegrias e tristezas,
      E ter humor para continuar lutando.

      Hoje amanheci pensando nela,
      Entendo agora que nada é imutável,
      E aquele amor da minha flor querida,
      O néctar que me trouxe ao mundo,
      Renasce a nova flor que estava murchando!

      Responder
      1. Celina Telma Hohmann

        Edward

        Esse coração poeta é motivador! Quem consegue, no mais puro pensar, transformar em poesia uma saudosa dor é poeta, e poeta é além do quê se espera. Sempre pensará nela, o néctar que o trouxe ao mundo. Que sejam sempre doces recordações, porque aí, a dor, ainda que exista, sobe ao alto e chega onde queremos que vá. Que um dia, ao lembrarem-se de nós, tenham o doce sentimento, não da perda, mas da certeza de que havia amor!

        Um Ano Novo com o transbordamento de amor em seu coração!

        Responder
  2. LuDiasBH Autor do post

    Ed

    O seu texto é maravilhoso e profundamente terno, capaz de minorar a tristeza e o vazio de todos nós que também temos muitas cadeiras vazias em torno de nossa mesa natalina. Você nos faz compreender que o ciclo da vida é igual para todos, só nos restando lembrar com ternura dos muitos presentes que recebemos em nossa vida, mas que agora não estão fisicamente mais ao nosso lado.

    Peço-lhe licença para usar suas palavras que ora também se tornam minhas:

    “Sei que estes presentes jamais tornarei a recebê-los neste e nos outros Natais. Eles, porém, estarão indelevelmente reclusos em meu coração, fazendo parte de meu espírito, pois são eternamente meus. Ninguém os tirará de mim. Jamais! Há no meu íntimo a certeza inabalável de que ainda estarão comigo em cada Natal – ainda que em espírito -festejando e torcendo para que nós, seus familiares que aqui permanecemos, continuemos a nos reunir para cantar ao redor da árvore natalina, de mãos dadas, a linda canção ‘Noite Feliz’.”

    Abraços,

    Lu

    Responder
    1. Edward Chaddad

      Cara amiga Lu

      Sempre que me lembro das pessoas mais queridas que nos deixaram, lembro-me de uma maravilhosa poesia de Drummond que muito me impressionou e que diz respeito profundamente aos meus sentimentos:

      “Ausência

      Por muito tempo achei que a ausência é falta.
      E lastimava, ignorante, a falta.
      Hoje não a lastimo.
      Não há falta na ausência.
      A ausência é um estar em mim.
      E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
      que rio e danço e invento exclamações alegres,
      porque a ausência, essa ausência assimilada,
      ninguém a rouba mais de mim.”

      Assim, o amor que encontrei, lindo e verdadeiro, nas pessoas ausentes, nas cadeiras vazias, tenha a certeza, ninguém, ninguém o rouba de mim. O ciclo da vida é uma imposição da mortalidade do ser humano, porém, espiritualmente, dentro de nossos corações. Muitos podem não entender, mas quando o amor existe, ele vence o tempo, os sofrimentos e tristeza e até as perdas, ausências sentidas lá no fundo da alma, pois é forte e verdadeiro, um sentimento real que une as pessoas que se amam até mesmo depois da morte.

      Um forte abraço e um Feliz Natal.

      Responder

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