Caravaggio – O JOVEM BACO e o PEQUENO BACO DOENTE

Autoria de LuDiasBH

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Baco, o deus do vinho, é aqui representado por Caravaggio, em duas telas, quando ele relutava em trabalhar com temas religiosos. Antes de pintar o Jovem Baco, o artista já havia pintado Pequeno Baco Doente, em que se autorretratou, deixando aparente a debilidade do período em que se encontrou internado no hospital. O pintor foi muito audaz para a sua época, ao afrontar as rígidas convenções a que estava atrelada a arte, mostrando um Baco de rosto pálido e corpo extremamente débil.

O modelo usado em Pequeno Baco Doente foi o próprio Caravaggio que, inteligentemente, antecipou o olhar fotográfico. Nesta e em outras telas, ele pintava olhando no espelho a sua imagem refletida, captando os instantes dramáticos mais perturbantes.

Ao contrário da composição Pequeno Baco Doente, o deus mitológico aqui mostrado em o Jovem Baco, encontra-se no auge de seu vigor físico, exalando saúde por todos os poros. Possui rosto redondo, lábios carnudos, bochechas rosadas e um olhar cheio de sensualidade, mas sem o glamour que seria esperado de um deus do Olimpo.

Caravaggio mais uma vez desrespeita as convenções da época, pois o Jovem Baco não se coaduna com a tradição iconográfica de deus e, tampouco, encontra-se dentro das exigências da idealizada arte renascentista. O que se vê na composição não é um deus mitológico, mas um rapaz do povo no auge de sua vitalidade, ou seja, um Baco extremamente moderno que se encontra, inclusive, com as unhas sujas e as faces extremamente coradas.

Debaixo do tecido  é possível ver um pedaço do colchão em que se encontra Baco, o que traz simplicidade ao cenário e indica que esta é uma cena quotidiana. E, para evitar que o profano resvale demasiadamente para a caricatura, Caravaggio pinta o jovem com um certo ar de sensualidade, ou seja, agrega poesia à composição.

É possível notar que algumas frutas já se encontram em fase de apodrecimento, o que vai de encontro à suntuosidade do deus do vinho da Antiguidade. Por sua vez, o vinho ganha destaque ao ser colocado em primeiro plano.

Sobre o modelo que posou para o Jovem Baco, existem duas hipóteses:

  1. Seria um castrati (eunuco) que morava no palácio do cardeal Del Monte.
  2. Seria o próprio pintor que teria se autorretratado.
  3. Os defensores da segunda hipótese justificam-se, levando em conta a pose frontal do modelo, indicativa do uso do espelho para pintar a si próprio.

Chamam a atenção em o Jovem Baco:

  • a postura do deus Baco;
  • o gesto de Baco, oferecendo a taça ao observador;
  • a variedade de ornamentos que o cercam: pâmpanos, tecidos, vestimentas,  frutas e garrafa com vinho.

Observem o dedo mindinho da mão esquerda de Baco que segura a taça. E há gente que ainda diz que isso é démodé (brincadeira).

A composição  Jovem Baco foi encontrada em Florença, em 1913, nos depósitos da Galleria degli Uffizi. É tida como uma das maiores obras-primas de Caravaggio. Embora não se tenha dados sobre sua feitura, sabe-se que é uma obra da fase juvenil do pintor. É provável que tenha sido encomendada pelo seu mais importante Mecenas, cardeal Francisco del Monte, para presentear o grão-duque Ferdinando I de Medici.

Curiosidade:

  • Sémele, quando estava grávida, exigiu que Júpiter aparecesse na sua presença, para que ela pudesse ver o verdadeiro aspecto do pai do seu filho. O deus ainda tentou dissuadi-la, mas em vão. Quando finalmente ele apareceu em todo o seu esplendor, Sémele, como era uma pobre mortal, não pôde suportar tal visão e caiu fulminada. Júpiter retirou o feto do filho das cinzas, ainda no sexto mês, e o botou dentro da barriga da sua própria perna, onde terminou a gestação. Ao se tornar adulto, Baco apaixonou-se pela cultura da vinha e descobriu a arte de extrair o suco da fruta.
  • Baco era o nome que os romanos davam ao deus grego Dionísio. É o deus do vinho, da ebriedade, dos excessos, especialmente sexuais, e da natureza. Príapo é um de seus companheiros favoritos (também é considerado seu filho, em algumas versões de seu mito). As festas em sua homenagem eram chamadas de bacanais – a percepção contemporânea de que tais eventos eram “bacanais” no sentido moderno do termo, ou seja, orgias, ainda é motivo de controvérsia. Mas, se o deus Príapo era seu amigo, imaginem o resto.

Ficha técnica
Obra:  O Jovem Baco
Ano: cerca de 1596/1597
Dimensões: 98 x 85 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Obra: O Pequeno Baco Doente
Ano: cerca de 1593/1594
Dimensões: 67 x 53 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma

Fontes de pesquisa:
Grandes mestres da pintura/ Coleção Folha
Grandes mestres/ Abril Coleções
1000 obras-primas da pintura europeia/ Köneman

2 comentários sobre “Caravaggio – O JOVEM BACO e o PEQUENO BACO DOENTE

    1. LuDiasBH Autor do post

      William

      Este Baco doente é mesmo muito feito.
      Aposto que sua avó é muito mais bonita.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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