CARTA ABERTA AO GENERAL VILLAS-BÔAS

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Autoria de LuDiasBH                     

    

Desacreditados nos chamados “Três Poderes” (Executivo, Legislativo e Judiciário) de nossa República, nós, brasileiros, voltamos nossa esperança agonizante para o senhor, General Villas-Bôas, comandante do Exército Brasileiro. Contudo, gostaria de confessar-lhe, meu simpático general, ainda que meio constrangida, que a imensa maioria de nosso povo mostra-se desencantada com a postura do comando do Exército nacional, pois, assim como os três macacos místicos japoneses, parece “nada ver”, “nada ouvir” e “nada falar” em tempos de tanta desesperança e penúria, quando a pátria brasileira sucumbe, dia após dia, num mar de lama desmedido, sob a bandeira fatídica da corrupção desenfreada e sem limites.

O contexto em que se encontra nosso país, General Villas-Bôas, envergonha-nos diante de outras nações. Quem de nós, que por terras estrangeiras ande nos dias de hoje, busca esconder sua identificação pátria, pois a corrupção, erva-daninha que por aqui lastreia sem pudor ou temor, tolda a autoestima de toda a gente honesta brasileira, por mais humilde que seja, pois também é parte desta pátria aviltada e dilacerada. E dentro do Brasil tornamo-nos órfãos, destituídos de orgulho, grandeza e esperança no futuro. Pobre país, nocauteado pela ambição descabida de arrogantes mandachuvas, desprovidos de qualquer laivo de patriotismo.

Não mais temos orgulho de ser brasileiros, General Villas-Bôas, ou, tampouco, abraçamos um objetivo em comum – o engrandecimento de nossa pátria mãe. Ao contrário, temos agido como cães e gatos, sem qualquer irmandade ou vestígio de identidade com nosso país. Não conseguimos vislumbrar uma réstia de luz em meio a tanta putrefação. Nas trevas em que nos encontramos, passamos a acreditar que todos os gatos são pardos, e que não há mais quem zele por nossa pátria, ainda que umas poucas vozes tentem pregar em meio ao deserto da indiferença, do descaso e do desamor pelo nosso país.

General Villas-Bôas, mais do que nunca o pensamento de Rui Barbosa ganha vida no Brasil de nossos tempos: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”. Para dar mais realismo às palavras do jurista, substituamos “homem” por “brasileiros”, e teremos um retrato cru e deprimente de nossa constrangedora realidade. Junto com os desmandos, maus-caratismos e pilhagens vem, sobretudo, o assassinato dos mais humildes, reféns da falta de hospitais e medicamentos, empregos, segurança e educação de qualidade, vitimados por uma infraestrutura inexistente ou deteriorada, que impede o desenvolvimento da nação.

É inacreditável, General Villas-Bôas, que a “Justiça” ainda penalize os menos favorecidos neste país, superlotando as cadeias, muitas vezes por ínfimos furtos, quando a estrutura (jurídica e política) que o governa encontra-se quase toda apodrecida, exalando mau cheiro. Dizer que nossas instituições estão funcionando a contento é menosprezar a inteligência do povo brasileiro, é lavar as mãos como o fez Pilatos, é não zelar pela nação. Nestes tempos de desencanto é impossível não trazer à baila o pensamento do teólogo e filósofo alemão Albert Schweitzer: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.”. Logo, o mau exemplo é o outro lado da moeda que precisa ser lixado.

O saque que se faz de nosso país, General Villas-Bôas, seria considerado imoral e inaceitável, se fôssemos uma nação decente, detentora de governantes e judiciário honrados, comprometidos com o povo, em nome de quem exercem suas funções. O balcão de negócios escusos em que foi transformado o Brasil e o desrespeito à nossa Constituição corroem todos os nossos valores morais. Os delitos pecuniários não se limitam apenas às cifras impronunciáveis e estratosféricas, nestes tempos em que as unidades dos milhões e dos bilhões tornaram-se corriqueiras na mídia, como se se falasse de bagatelas, quando a imensa maioria do povo brasileiro só tem acesso aos quatro dígitos, vivendo em visível penúria. Tais cifras subtraídas do bem comum tornam os larápios imorais e aviltantes.

É lamentável, General Villas-Bôas, que muitos dos que deveriam primar pelo amor à nação brasileira e pelo bom exemplo são os mesmos que a roubam no intuito de obter riqueza e, consequentemente, poder. É como se tais “faraós” não tivessem noção da brevidade da vida. Dilapidam o Brasil, imaginando viver mil anos. São avaros e tolos. Destroem as relações sociais e econômicas do país, porque não carregam consigo um laivo de patriotismo e humanidade. E, se assim agem, é porque têm certeza da impunidade, pois a nossa sectária “Justiça”, em sua paixão, perturba o julgamento e oblitera a razão, colocando alguns poucos privilegiados acima da lei. Sua cegueira clama aos céus e judia do povo brasileiro.

Não desejamos que use da força para subjugar o Brasil, General Villas-Bôas, pois amamos a democracia. Queremos, sim, que não apenas “veja” e “ouça”, mas também “fale”, em alto e bom tom, que as Forças Armadas estão atentas aos desmandos dos dirigentes da nação brasileira, que elas não concordam com a dilapidação do país e com a entrega de suas riquezas a outros, que não afiançam as quadrilhas “supostamente legalizadas”, que condenam a não subserviência dos poderosos às leis, que reprovam a não culpabilização dos corruptos, que censuram a promiscuidade da Justiça e o esmagamento da classe trabalhadora a mando do capital. E que exigem, sobretudo, o respeito à Constituição do país.

Caro General Villas-Bôas, é sabido que os “grandes” e “poderosos”, que assaltam o país em todos os âmbitos, temem os clarins das Forças Armadas. Mas também é fato que ora acham que essas FORÇAS encontram-se apáticas, indolentes, entorpecidas e insensíveis ao clamor popular, portanto, nada havendo a temer.  Ainda assim, resta a nós, o povo, como último ato de esperança, ouvir o timbre claro desses clarins, para que possamos retomar o orgulho de sermos brasileiros. Fora disso, resta-nos seguir o exemplo das toupeiras.

Um abraço carinhoso,

Lu Dias (virusdaarte.net)

26 comentários sobre “CARTA ABERTA AO GENERAL VILLAS-BÔAS

  1. Ugeninelson Autor do post

    Lu
    Seu grito é compreensível do prisma subjetivista inconformado com tanta roubalheira. Mas inútil é recorrer à voz de quem já esteve lá. E fez muito, muito pior. Agora pelo menos se apura parte da injustiça. E se pune graúdos impensados na ditadura. No tempo deles, vidas foram ceifadas vil e sordidamente. E muitos corpos nem tiveram direito a um funeral. Eles decidiam quem vivia e quem morria. E eles tiraram do povo o seu mais excelente desiderato. Porque eles pensavam por todos. E eles só precisavam de nós para dizer o que eles achavam que nós deveríamos dizer e fazer. Seu legado é um prejuízo muito maior do que as perdas nebulosas contemporâneas. E nem os mais eloquentes arroubos de retórica de nenhum deles estabelecerá hoje NADA que nos faça esquecer as torturas de um tempo de exceção, que gostaríamos para sempre sepulto.

    A democracia é uma miscelânea, onde a primeira virtude de todas é apurar para depois proceder o rito sumário da condenação. E nela o açodamento de alguns por justiça demanda paciência. Mas devagar e sempre o Brasil está evoluindo. Se não fosse pela famigerada corrupção já estaríamos bem à frente. Esses retardatários nos obrigam a seguir a passos de cágado. Porém não será sempre assim. Dias melhores virão. Com certeza. A esperança de dias melhores nos fará triunfar de todas dificuldades. E só quem não sonha não conquista nada.

    Beijos

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Ugeninelson

      Assim como você, sou uma democrata e jamais gostaria de ver meu país sob a tutela das Forças Armadas. O que peço é que, como elas são as guardiãs de nossa pátria, que se posicionem contra os desmandos, chamando os responsáveis à razão, pois de outra forma não haveria motivo para gastar-se tanto dinheiro público com a existência das mesmas. Nos países de primeiro mundo, quando os comandantes de suas Forças Armadas acham que o país está indo à deriva, eles se posicionam, ainda que nos bastidores.

      É sabido o que foi feito de nosso país e, consequentemente de seu povo, quando houve o domínio dessas, mas nem isso justifica a postura dessas, em nossos dias, comportamento de quem não ouve, não vê e não fala. Todos nós, povo, Três Poderes e Forças Armadas somos parte da nação brasileira. Portanto, nem tanto ao mar e nem tanto à terra. O que se espera é o equilíbrio de quem ama e pode fazer alguma coisa por este Brasil tão espoliado.

      Os generais de ontem, se sábios, não são os mesmo de hoje, até porque os resultados de ontem e o mundo de hoje não mais abalizam golpes militares. Mas, repito, isso não os exime do comprometimento com a grandeza de nosso país.

      Entendo perfeitamente suas preocupações e, baseando-me nos seus receios, deu-me o ensejo de fazer uma nova postagem, pois se não há democracia com a força bruta dos militares, também não o há com a prostituição dos Três Poderes e com a corrupção desenfreada, que mata os desvaliddos do mesmo jeito.

      Um grande abraço,

      Lu

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  2. Edward Chaddad

    Prezada LuDias

    Toda a sua carta é realmente uma verdade incontestável. Tenho os mesmos sentimentos. Há milhares de brasileiros esperando que as Forças Armadas brasileiras tomem posição diante da iminente destruição de nossa soberania e atuem no sentido de sua defesa. Pelo andar da carruagem, o Brasil é um país prestes a se tornar burguês, onde o trabalhador é apenas um detalhe, uma máquina que irá processar a produção, sem direito à saúde, à educação, a uma boa alimentação, ao descanso, às férias, ao mínimo possível para manter sua condição de ser humano.

    Claramente, a Constituição Federal, como se pode observar, no seu artigo l42, atribui às Forças Armadas uma grande missão: a defesa de nossa pátria, ou melhor explicando, garantir e, acima de tudo, proteger os princípios fundamentais da nossa soberania. E é importante ressaltar que é fundamental que o Brasil detenha sua soberania intocada, pois sem ela inexiste o Estado.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      A minha resposta será feita no seu texto “As Forças Armadas e a Soberania do Brasil”.

      Abraços,

      Lu

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  3. Olga Valeska

    Lu
    Estou plenamente de acordo! Tenho medo desse silêncio, que parece estar nublando a nossa indignação. Sinto-me sob um bombardeio de ações criminosas desses desgovernantes sem escrúpulos e sem limites.
    Parabéns pela carta!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Olga

      Nós,brasileiros patriotas, precisamos colocar nossa indignação à vista, botando nossa boca no trombone, antes que mergulhemos no caos absoluto. É necessário que lotemos o Facebook do Gen. Villas-Bôas com a nossa revolta, para que ele nos ouça. Estou pedindo a todos que ali escrevam ou postem esta carta. Essas ações criminosas não podem continuar. O Exército Brasileiro não pode fazer de conta que tudo está normal. Não pode fazer ouvidos de mercador diante do naufrágio do Brasil.

      Um abraço,

      Lu

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  4. Fábio Heládio

    Querida Lu Dias

    Acho muito pertinente a sua carta ao General Villas-Bôas, e acrescentaria o projeto de Lei que tramita na Assémbleia dos bandidos para a aprovação de vendas de terras brasileiras às grande corporações estrangeiras, as manobras negociadas pelo desgoverno Temer do Exército americano na Região Amazônica, e a entrega do pré-sal às empresas americanas com o desmonte da indústria naval de conteúdo nacional. Isso é um atentado contra a soberania nacional.

    As Forças Armadas têm a obrigação de se pronunciar contra a venda do nosso país!

    Fábio Heládio

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Fábio Heládio

      O que você coloca têm sido a grande preocupação dos patriotas brasileiros. Não é possível que as Forças Armadas, em especial o Exército do Brasil, continue fazendo de conta que nada vê ou ouve, e, por isso, não fale, assumindo a postura dos místicos macaquinhos japoneses. Não é de hoje que se sabe que a corja que “dirige” o Brasil têm o propósito único de vender nosso país aos EEUU e trazer mais lucros ao capital, humilhando e diminuindo os trabalhadores e ignorando seu papel na construção do país. Com os bolsos cheios, logo abandonarão o Brasil para morar na Europa ou nos EUA, enquanto nós nos tornamos vassalos do Tio Sam.

      Todos nós, nacionalistas brasileiros, clamamos aos céus para que o General Villas-Bôas tome uma postura diante do desmando e do caos que se intalou. Não queremos uma ditadura. Longe disso! Mas, sim, uma postura concreta em defesa do Brasil.

      É bom que todos saibam que o Gen. Villas-Bôas possui uma página do Facebook. Seria ótimo se muitos ali postassem esta carta, e também a postasse na página da Marinha e da Aeronáutica, com páginas no Facebook. Quanto mais pessoas fizerem uma cobrança em prol de nossa nação, mais nosso grito tornar-se-á forte.

      Abraços,

      Lu

      Muito obrigada por seu apoi!

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  5. Adevaldo Souza

    Lu,
    Fabulosa a sua carta, onde diz tudo o que ora vivemos. Estamos passando por uma fase dificílima no Brasil. Há falta de patriotismo por parte dos políticos, judiciário, empresários e Forças Armadas. Onde estão os generais que parecem alheios aos destinos da nação brasileira ora tão espoliada por uma corja de malfeitores? Acorda ESG (Escola Superior de Guerra). Bastaria apenas que mostrassem que estão presentes, de olho nos destinos do Brasil. Sempre afirmo que a culpa maior é do Poder Judiciário, que se promiscui com políticos e empresários. Se tivesse cortado o mal pela raiz, a corrupção não chegaria a tais níveis. Pobre Brasil!
    Abraço,

    Devas

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Devas

      Concordo plenamente com seus dizeres. NÃO queremos o poder das armas das Forças Armadas, mas que se pronunciem contra os desmandos dos Três Poderes, pois, afinal, também são julgadas pelo que acontece à nação brasileira, pois prometeram zelar por ela.

      Basta um pronunciamento dessas instituições nacionais, que têm como obrigação constitucional zelar pela defesa de nosso país, pela garantia da funcionalidade dos poderes constitucionais e, em consequência, pela lei e pela ordem, em suma, pelo cumprimento da COSNTITUIÇÃO brasileira, para que os Três Poderes consertem o passo. Fora disso será o caos.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  6. Eliana Caminada

    Perfeita a sua colocação, querida Lu.

    Como vai? Aqui, como funcionária aposentada do Estado do Rio, casada com um homem nas mesmas condições, vou tocando a vida. Você sabe como amo esta cidade, mas, no momento, não a reconheço. Como você, espero por uma atitude das Forças Armadas em todos os níveis. Não podemos mais suportar o que estamos vivendo.

    Grande abraço.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Eliana Caminada

      Minha querida amiga, não tem sido fácil a vida dos trabalhadores do estado do Rio de Janeiro. Eu acompanho o programa diário de Anthony Garotinho no Facebook (Fala Garotinho), e é realmente lamentável a situação da Cidade Maravilhosa, saqueada por uma corja de bandidos. Também é lamentável a postura do povo carioca, que parece anestesiado diante de tanta roubalheira. Não resta dúvida de que os aposentados são as maiores vítimas. É uma judiação! Enquanto isso, a mulher do Cabral usa “apenas” uma tornozeleira, pois deve cuidar dos filhos adolescentes. Mas as mães pobres estão na cadeia, ainda que amamentem bebês.

      Abraços,

      Lu

      Responder
      1. Eliana Caminada

        Lu, escrevo-lhe para dizer que publiquei sua carta no meu Facebook e já mereceu nove compartilhamentos.

        Creio, amiga, que nós, funcionários estatutários, nunca soubemos lutar. Não podíamos ser sindicalizados, não podíamos fazer greve, nem falar publicamente contra o governo e, por outro lado, tínhamos uma estabilidade que nos deixou conformados. Perdemos data-base, aumentos passaram a ser dados dividindo o todo em partes, colocou-se uma categoria contra a outra. Agora estão usando a mesma tática e não sabemos como nos defender. Ninguém responde por nós, nenhum instância de Poder.

        Pessoalmente, já tentei muita coisa; estou com reunião agendada para agosto com a Defensoria Pública, mas não tenho esperança.

        Beijos em você.

        Responder
        1. LuDiasBH Autor do post

          Eliana

          Você põe a descoberto uma grande verdade. O funcionário estatutário, durante muito tempo, agiu como cordeirinho, de acordo com a vontade dos governantes. E, como bem disse você, a sensação de estar estável deixava-o conformado com as migalhas que recebia e com a passividade aos governantes. E assim foi durante muito tempo, até perceber que se encontrava refém de um Estado promíscuo e irresponsável. Tenho acompanhado o que acontece no Rio de Janeiro. Embora a situação seja dramática, acho que as manifestações têm sido fracas. Penso que deveria haver uma postura mais arrojada por parte do funcionalismo do Estado frente ao descalabro que impera no RJ. A união de todos é fundamental neste momento, para que a situação de penúria seja, pelo menos, estancada.

          Na semana que antecedeu o Carnaval, foi convocada uma assembleia em frente à Alerj. Apareceram pouco mais de mil pessoas. Duas horas depois teve início o bloco da Preta Gil, onde havia mais de 100 mil pessoas. Isso me deixou inconformada com o relapso do povo carioca, quando já se falava na quebradeira que o PMDB fizera no Estado. Tal comportamento de não cobrança por parte do povo acontece em todo o país. Parabéns pela atitude tomada de procurar a Defensoria Pública. Não se esqueça de me contar qual foi o resultado.

          Eliane, obrigada por propagar a minha carta. Não podemos nos calar diante de tanta insanidade. As coisas não podem continuar como estão, com o Brasil tranformado num balcão de negócios entre os Tês Poderes.

          Abraços,

          Lu

  7. Celina Telma Hohmann

    Lu (zinha),

    alguém deveria escrever, esbravejar fazer ver e contar como nos sentimos. Você o fez! Nada consegue me colocar totalmente no chão, mas a situação que vivenciamos, conseguiu, com toda essa desordem que corre à solta, deixar-me, literalmente, muito mal! Confesso que a nossa “democracia” dos dias de hoje já não nos dá garantia de que poderemos viver sob a égide de um sistema democrático, iniciado na Grécia Antiga, civilização que se superava.

    Nossa democracia já é um fiasco desde sua instalação como sistema. Não nos deram a possibilidade da escolha, e, claro, nos podando e obrigando ao voto. Ficou esse: “Você escolhe, obrigatoriamente através do voto, mas não decide…”. São interesses vários por trás de um sistema cruel, hoje mostrando as garras e o poder de destruição e trabalho em benefício da sacanagem pura, desavergonhada e que impede o crescimento do país. A vergonha em ver o nosso sendo usurpado, onde piratas e corsários mandam e desmandam, causando terror, mas não são punidos! Deixei de acreditar, há muito tempo, na função dos Três Poderes! Provaram que nenhum deles vale a nossa confiança! Na política não existem os tolos, existem os que se previnem tal qual agora, onde ninguém fez nada, sabe nada ou deve nada!

    Sinto, mas também não me passa confiança o General Villas-Bôas. O Exército, antes respeitado e temido pela autoridade que demonstrava, hoje, ao que se vê, atenua uma crise com frases jogadas ao vento. Apoia o que Temer fala. Sugere que a Constituição Federal Brasileira, não respeitada por tais governantes- há que ser a solução… E patati…patatá… Solução? Desde quando? O que rege a Lei em nosso país? O interesse de poucos! Onde se aplica a Lei? Onde é fácil! Para quem ela existe? Só para ferrar os pobres. Somos o país onde a Lei existe, mas tê-la como garantia, quando não se faz parte da elite, é mero desperdício de inteligência.

    Como você e todos os brasileiros que têm orgulho de sua origem, hoje sinto mágoa, revolta e a inquietante sensação de que estamos à mercê da resolução do deus dará! Jogaram pedras pesadas sobre o nosso Brasil e não merecíamos! Em nosso país, cuja maioria é composta por trabalhadores e assalariados honestos e esperançosos, esses não têm voz. Vagamos tentando descobrir saídas, sem encontrá-las. Se as teremos, não sei, mas é a única esperança que nos move! Uma forma, única, de sobreviver sem enlouquecer!

    Gostei de sua coragem, clareza, objetividade e decisão!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Miss Celi

      Você diz em seu comentário: “Você escolhe, obrigatoriamente através do voto, mas não decide…”.

      É verdade, nós, povo brasileiro, após dado o voto, não temos valor algum, somos vergonhosamente descartáveis. Tanto é que mudam a Constituição sem passar por um referendo popular. E o Poder Judiciário faz de conta que nada está acontecendo, como se tudo continuasse em conformidade com as Leis do país. Então voltamos nossa esperança para as Forças Armadas, não para que governem o país, mas para que deem um puxão de orelhas nos Três Poderes. Mas elas também nada vêem de anormal. E assim o país vai entrando no redemoinho do caos absoluto.

      Você também diz: “Em nosso país, cuja maioria é composta por trabalhadores e assalariados honestos e esperançosos, esses não têm voz. Vagamos tentando descobrir saídas, sem encontrá-las. Se as teremos, não sei, mas é a única esperança que nos move! Uma forma, única, de sobreviver sem enlouquecer!”

      Nós, a classe trabalhadora, somos a base da pirâmide que sustenta o país, portanto, não é surpresa de que tudo de mal recaia sobre nós, em benefício do capital. Estão aí as mudanças que, num país democrático, passariam pelo crivo popular. Mas o povo é, como sempre, um mero detalhe, necessário apenas nas eleições.

      Grande abraço,

      Lu

      Responder
  8. Ester Autor do post

    Amiga querida.

    Acabo de ler sua carta muito emocionada. Concordo com você em tudo. Estamos precisando de respostas e de pessoas que possam tomar as rédeas do Brasil. Você tem o dom da palavra, fala com clareza o que todos nós gostariamos de gritar aos quatro cantos do país. Sua carta deveria ser lida nos maiores telejornais do Brasil.
    Muito obrigada por falar em nosso nome.

    Beijo e mais uma vez parabéns.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Ester

      Confesso que a minha indignação encontra-se no limite. Eu não posso, não devo e não quero agir como uma toupeira, enfiando minha cabeça na terra, para não ver, ouvir ou falar. Vou usar do meu direito de cidadã brasileira e lutar pelo meu país. Mesmo que nada consiga, irá me restar a certeza de que fiz o que podia no combate à vileza, e, assim, poderei dormir com a consciência tranquila. Obrigada por sua participação.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  9. Moacyr Praxedes

    Lu,
    concordo plenamente com seu pedido de uma postura democrática por parte do General Villas Boas. Não resta dúvidas de que as autoridades (judiciário, legislativo e executivo) que deveriam se preocupar com a soberania e grandeza do Brasil, lamentavelmente vêm literalmente jogando-o no caos, sem nenhum respeito à Constituição.

    Em nenhum momento você pede a volta das Forças Armadas, mas apenas uma postura mais efetiva no que diz respeito à desmoralização vigente da Pátria brasileira. Parbéns pela sua postura democrática!

    Abraços.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Moacyr

      Não é mais possível que o Exército Brasileiro faça ouvidos moucos em relação ao que ocorre no país. Não se pode mais esperar que o povo vá para as ruas para que se tome uma atitude. Não se pode fazer de conta que nossas instituições democráticas funcionam na mais perfeita legalidade. Elas apenas fazem de conta que existem. Vemos a Câmara dos Deputados sendo comprada com o dinheiro que deveria ser empregado na Saúde e na Educação, políticos atuados em flagrante voltando ao exercício no Senado, conluios entre juízes da mais alta corte brasileira… enquanto o país agoniza.

      Alguém precisa nos ouvir!

      Abraços,

      Lu

      Responder
  10. Messias

    Lu
    É este o único caminho! Vislumbro as Forças Armadas destituindo Temer, dissolvendo Câmara e Congresso compostos de maioria de bandidos, fazendo uma varredura no Judiciário, criando em prazo definido um Comitê de Notáveis, representativo de todos os segmentos sociais, para mudar a Constituição naquilo que ela favorece e protege a corja de corruptos. Seriam marcadas eleições gerais após ser criada uma Constituição limpa e justa para todos os brasileiros, sem a proteção de bandidos. Para aqueles que não concordam fica a pergunta? O que fazer para que essa corja não legisle em causa própria? Tudo farão para se proteger e locupletar, e pior, com a ajuda dos maus juízes. Sempre foi assim.

    Messias

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Messias

      Suas palavras explodem de indignação, sentimento expresso pela imensa maioria dos brasileiros, neste momento de tamanha vilania. A corja de que fala sente-se amparada por leis esdrúxulas, que eles vergam à própria vontade, amparados por uma Justiça inoperante, fracote e subserviente. É preciso, sim, mudar a Constituição, não em benefício dos poderosos e do capital, como ora vemos, mas em prol de todo o povo brasileiro, de modo que todos sejam iguais perante a Lei Maior.

      Não queremos a volta da “ditadura”, pois seria um mal maior. Mas queremos, sim, um posicionamento, sobretudo do Exército Brasileiro, de modo a cobrar moralidade por parte daqueles que nos governam, mas que envergonham-nos diante de outras nações, tornando-nos cidadãos de quinta categoria. Não é mais possível conviver com tanta desmoralização, que, por consequência, também atinge as Forças Armadas Brasileiras.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  11. Rodolpho Caniato Autor do post

    Lu
    Também compreendo e partilho sua indignação pela situação de quase “naufrágio” das instiuiçõpes brasileiras. Compreendo também seu quase desespero para que algúem ou algo nos “salve”.

    Infelizmente não me parece que uma intervenção das forças armadas poderia ser a solução. Isso já aconteceu e deu nisso que está aí, mesmo com a adoção nas escolas da disciplina Moral e cívica. Eu estive no exército e fui até da tropa de elite “PE”, escolhido pessoalmente pelo General Zenóbio da Costa. Fui escolta do Presidente Dutra. O problema é maior e mais complexo.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Prof. Caniato

      No meu texto, deixo claro que nós, brasileiros, amamos a democracia, e que não queremos o uso da força, mas apenas que o Exército Brasileiro posicione-se contra os desmandos, incluindo o deserespeito à Constituição. Veja:

      “Não desejamos que use da força para subjugar o Brasil, General Villas Boas, pois amamos a democracia. Queremos, sim, que não apenas “veja” e “ouça”, mas também “fale”, em alto e bom tom, que as Forças Armadas estão atentas aos desmandos dos dirigentes da nação brasileira, que elas não concordam com a dilapidação do país e com a entrega de suas riquezas a outros, que não afiançam as quadrilhas “supostamente legalizadas”, que condenam a não subserviência dos poderosos às leis, que reprovam a não culpabilização dos corruptos, que censuram a promiscuidade da Justiça e o esmagamento da classe trabalhadora a mando do capital. E que exigem, sobretudo, o respeito à Constituição do país.”

      Abraços,

      Lu

      Responder
  12. Luiz Cruz

    Lu,
    Sua carta é como um uma luz no fundo do poço. É oportuna e é necessária. No Brasil, só nos resta ouvir mesmo as FORÇAS, pois:

    “Dilapidam o Brasil, imaginando viver mil anos. São avaros e tolos. Destroem as relações sociais e econômicas do país, porque não carregam consigo um laivo de patriotismo e humanidade.”

    Destruir o presente e o futuro de milhões de cidadãos brasileiros transcende o patriotismo, esses políticos, empresários, técnicos e especialmente o JUDICIÁRIO – perderam o senso de HUMANIDADE. – a JUSTIÇA parcial e partidária confisca a cada dia as nossas esperanças.

    Obrigado por esta carta.

    Abraços,

    Luiz Cruz

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Luiz

      Encontramo-nos no mais absoluto caos. Não vejo outra saída senão o fato de o Exército Brasileiro posicionar-se, não com suas forças físicas, mas como defensor da nação brasileira, tomando a posição que deve ocupar. Nossa pátria parece terra de “João Ninguém”. Uma presença mais ativa do Exército mudaria o caminhar de nossa destruição como povo e nação.

      Obrigada pelo apoio.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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