Arquivos da categoria: Analisando Fábulas

Recontando as mais diferentes fábulas de Esopo, Fedro, La Fontaine, Monteiro Lobabo, dentre outros, situando-as em nosso cotidiano, mas mantendo seus fundamentos morais. Abaixo da fábula, um texto reflexivo sobre o tema.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XV)

Recontadas por LuDiasBH

gatrind

  1. O Homem e os Deuses

Um homem pobre encontrava-se muito doente. Sem dinheiro para tratar-se, só lhe restava pedir ajuda aos deuses do Olimpo. E foi por isso que lhes prometeu uma oferta de cem bois, se recuperada fosse a sua saúde. A mulher, ao ouvi-lo falar sobre tal oblação, questionou-o sobre como a pagaria, se nada tinham. Ele lhe respondeu que os deuses haveriam de esquecer tal promessa, em meio a tantas outras feitas a eles.

 Moral da História
Não são poucos os que fazem promessas, mesmo sabendo que jamais as cumprirão.

  1. O Homem e as Formigas

 Certo sujeito presenciou, de cima dos rochedos, o naufrágio de um navio. E logo se pôs a condenar os deuses que, por causa de um só descrente, matara muitos inocentes. Enquanto expunha sua revolta, foi picado por uma formiga. Enraivecido, pisou em todas as que ali se encontravam. O deus Hermes então apareceu e censurou-lhe o proceder, pois agira com as formigas, exatamente como os deuses, embora os criticasse.

 Moral da História
Antes de criticar as ações de outrem se faz necessário analisar o próprio comportamento.

  1. O Homem e suas Invocações

 Como houvesse uma procela, todos os passageiros aguardavam o pior, correndo de um lado para o outro, cuidando das velas e tirando água do navio. Mas um homem, ajoelhado a um canto da embarcação, bradava à deusa Atena para que o salvasse. Um dos companheiros de viagem, invocado com tanta passividade, alertou-o para que invocasse a deusa, mas que também movesse as pernas, ajudando-os a enfrentar a tormenta.

 Moral da História
Não adianta cruzar os braços, esperando que a graça cai do céu, pois é necessário fazer por merecê-la.

  1. A Mulher e as Dracmas

Certa mulher pediu aos deuses a graça de ser mãe. Se isso lhe acontecesse, daria a eles cem bois. Após receber a dádiva, ela mandou modelar em barro uma centena de bois, e depositou-os no altar dos deuses. Para vigarem da embusteira, esses lhe disseram, em sonho, que numa determinada praia ela encontraria 100 dracmas. Mal amanheceu, ela foi atrás do dinheiro. Lá chegando, foi aprisionada por piratas e vendida por tal valor.

Moral da História
A ganância, quando é muito grande, acaba por comer o próprio dono.

  1. O Gato, o Homem e a Deusa Diana

 Havia um homem que se alegrava com o ato de maltratar os animais. A eles impunha os mais horrendos sofrimentos, enquanto ria e ria. De uma feita, pegou um pobre gato e amarrou à sua cauda uma estopa embebida em querosene e nela pôs fogo. A deusa Diana, que já vinha de olho no sujeito, direcionou o bichinho desesperado para as lavouras do tal, já prontas para a apanha. Assim que o primeiro pé de milho foi incendiado, ela guiou o animal para um riacho, salvando-o, enquanto toda a colheita virava cinza.

 Moral da História
Nada se faz sem que as consequências, sejam elas boas ou más, voltem para o praticante da ação, pois assim é a lei do Universo.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XIII)

Recontadas por LuDiasBH

raprind

  1. A Avezinha e o Mar

 Certa avezinha já estava cansada de ver os homens destruírem seu ninho só por maldade, usando seus ovos como tiro ao alvo. E foi por isso que buscou os rochedos que ladeavam o mar, que impediam que seres humanos ali tivessem acesso. Mas num dia de tempestade, enquanto se abrigava um pouco distante dali, esperando a borrasca amainar-se, uma gigantesca onda engoliu seu ninho, tragando seus filhotes. E a avezinha lamentou por ter fugido das armadilhas humanas e ter sido ferida por aquele que a protegia – o mar.

Moral da história
Os que consideramos amigos, muitas vezes podem ser mais impiedosos do que os inimigos, pois contra estes nunca nos colocamos em guarda.

  1. As Raposas e a Correnteza

Um grupo de raposas, depois de uma longa caminhada, chegou à margem de um rio para tomar água. Mas a correnteza bravia amedrontava os canídeos, que não ousavam entrar na água. Uma das tais, imbuída de certa arrogância, criticou as companheiras pelo medo, e entrou imponente na água, sendo levada para longe pela correnteza. As outras, pensando que ela o fazia por querer, pediram-lhe que voltasse para mostrar como entrariam na água sem perigo. E de longe ela gritou, dizendo que voltaria para ensinar-lhes a passagem.

Moral da história
Alguns há que, por vaidade, colocam-se em perigo, mas ainda assim, para não darem o braço a torcer, põem em risco a própria vida.

  1. A Raposa e o Excesso de Comida

Uma raposa acabara de fartar-se com sua refeição, quando viu uma cesta de alimentos numa árvore, ali colocada por pastores. Escondida no oco da árvore, passou a comer tudo com avidez, antes que os donos chegassem. Mas na hora de sair do local, o volume excessivo da barriga impedia sua saída. Uma de suas companheiras, que pelo local passava, ouvindo seus queixumes, tentou ajudá-la, mas em vão. Acabou por aconselhá-la a aguardar ali, até que seu corpo voltasse a ser como antes de entrar no oco, quando facilmente deixaria o local.

Moral da história
Quando não há saída visível, só resta à vítima aguardar o tempo, o senhor da razão.

  1. A Raposa e o Precipício

Ia a raposa cantando pelo caminho, quando escorregou na beira de um abismo. Ainda teve tempo de agarrar-se à sarça que crescia na ribanceira, mas que deixou suas patas ensanguentadas. Depois de encontrar-se a salvo, pôs-se a vítima a rogar praga na sarça, pelo fato de tê-la ferido, quando lhe pedira ajuda. A planta, porém, respondeu-lhe que ela buscara socorro no lugar errado, pois a ela cabia o costume de agarrar quem dela se aproximava.

Moral da história
É vão o ato de buscar ajuda entre aqueles que já têm o costume de perpetrar o mal.

  1. A Raposa e o Urso

Uma raposa, ao ver um grande urso marrom dormitando debaixo de uma frondosa árvore, parou para admirar o seu prodigioso tamanho. Olhava para o corpo dele e para o seu, comparando-os.  E quanto mais os examinava, mais desejava ser grande e forte. Assim, deitou-se ao lado do portentoso animal e pôs-se a distender seus músculos que, diante de tanto estiramento, romperam-se. O urso acordou de seu profundo sono e papou a raposa, que não mais podia correr.

 Moral da história
Os invejosos acabam atingindo a si próprios, sem jamais alcançar o objetivo de sua inveja.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XII)

Recontadas por LuDiasBH

cabrind

  1. O Pastor e as Cabras Selvagens

Numa tarde tempestuosa, um pastor observou que às suas cabras haviam juntado cabras selvagens. Não podendo separá-las por causa do difícil tempo, levou todas para seu abrigo, onde as alimentou por dois dias, em razão do tempo chuvoso. Às suas dava pouco alimento, enquanto fartava as visitantes, com a finalidade de apascentarem-nas e agregarem-nas a seu rebanho. Mas quando levou de novo as cabras a pastarem, as selvagens deram no pé, deixando o pastor revoltado, chamando-as de ingratas, pois foram tratadas melhor do que as suas. Um delas, de longe, respondeu-lhe que foi exatamente isso que as amedrontou, pois ele havia tratado melhor às hóspedes do que as que com ele viviam, e não tardaria em fazer o mesmo com elas, assim que outras aparecessem.

Moral da história
Cuidado com quem trata bem os amigos novos em detrimento dos antigos, pois os  amigos novos de hoje serão os velhos de amanhã, e receberão o mesmo tratamento.

  1. A Perdiz e os Dois Galos Brigões

Certo homem tinha em seu galinheiro dois vistosos galos. Como ganhasse uma perdiz, colocou-a junto às outras aves. Mas os galos implicaram de imediato com a humilde avezinha, que levava bicada por qualquer coisa. A perdiz justificava o preconceito dos valentões por ser ela de outra espécie, até que os viu digladiarem-se, a ponto de ficarem banhados em sangue. E ela chegou à conclusão de que, se eles não se respeitavam, jamais iriam poupar uma ave estranha.

Moral da história
Se os iguais não se respeitam, é balela imaginar que eles possam ter consideração pelos diferentes.

  1. Os Pescadores e a Rede Cheia

Uma alegria incontida tomou conta de um grupo de pescadores ao retirar uma rede pesada das águas do mar. Imaginavam eles que a rede estava farta de peixes. Mas a alegria durou pouco, pois ao chegarem à praia, viram que apenas alguns peixinhos debatiam entre seixos, pedaços de madeira e areia. Apenas o mais velho dos homens anuiu que sempre haverá momentos bons e outros ruins para todos os homens.

Moral da história
Na inconstância da existência humana é preciso estar preparado para as alegrias e tristezas, que estão sempre a trocar de lugar ao longo da vida.

  1. O Pescador e os Peixes

Certo pescador era um exímio flautista. Toda a natureza parava para ouvi-lo. E foi por isso que pensou em pegar seus peixes, usando apenas sua música. Tocou a manhã inteira nas margens de um rio, esperando que os peixes pulasse para dentro de seu balaio. O que não aconteceu. Tomou então da tarrafa, jogou-a na água, e puxou-a cheia de peixes, que se debatiam na areia, em busca de ar. Raivoso, o homem acusou os pequenos seres de não dançarem, enquanto ele tocava sua flauta, mas somente depois que ele parou, ignorando sua encantadora música.

Moral da história
O vaidoso é um ignorante das coisas do mundo, pois só enxerga o próprio umbigo, achando que tudo deve funcionar a seu bel-prazer.

  1. Os Peixes Grandes e os Pequenos

Numa assembléia no fundo do mar, os peixes grandes vangloriavam-se do poder que detinham sobre os pequenos, que só tinha a função de servir-lhes de alimento, portanto, não teriam direito a voto para qualquer tipo de deliberação. Enquanto discursavam, uma imensa rede de pesca cobriu-os com fúria. Os pequenos, mais leves e mais rápidos, conseguiram fugir através de suas malhas. O que não aconteceu aos grande.

Moral da história
Os humildes, habituados às durezas da vida, escapam com mais facilidade dos entreveros do que os grandes, acostumados às benesses.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (XI)

Recontadas por LuDiasBH

burrin

  1. A Porca e o Credor

Certo homem foi cobrar o que lhe devia um lavrador. Mas esse não tinha o dinheiro para saldar a dívida. Diante das ameaças, o pobre coitado optou por vender sua única porca a um vizinho. Quando o comprador pediu informações sobre a fecundidade do animal, o vendedor disse-lhe que ela era tão fecunda que produzia machos no inverno e fêmeas no verão. E o credor, a fim de receber logo o dinheiro que lhe era devido, acrescentou que em certa época do ano ela gerava belos cabritos.

Moral da história
Muitos, em seu próprio favor, são capazes das mentiras mais absurdas.

  1. O Galo e o Gato

Viviam há muito tempo, no mesmo quintal, um galo e um gato. O último, certo dia, quis devorar o galo, mas era preciso apresentar um bom motivo. Primeiro acusou-o de fazer barulho ao amanhecer, não deixando os homens dormirem. A ave respondeu-lhe que, se assim agia, era para acordar os trabalhadores para o serviço. Então o felino acusou-o de incesto, ao acasalar-se com sua mãe e irmãs. O galo rebateu dizendo-lhe que assim agia para gerar mais ovos para seu dono. E nesse bate e rebate passou-se um bom tempo. Cansado, o gato revelou-se: “Enquanto você me dá boas respostas, minha barriga ronca.”. E devorou a inocente ave.

Moral da história
Na falta de pretextos, o indivíduo de índole ruim age abertamente, sem qualquer escrúpulo.

  1. O Gato e as Galinhas

Espalhou-se por toda a região que as galinhas de certo galinheiro encontravam-se doentes, mas nada que fosse muito grave. O esperto gato do vizinho achou que era a hora de papar algumas delas. Mascarou-se de médico, usando uma calcinha branca da dona, e lá se foi consultar as penosas. Ao pedir que elas contassem como se sentiam, responderem as aves em uníssono: “Estamos em perfeita saúde, e melhor estaremos quando daqui tu te afastares.”.

Moral da história
Os astuciosos acabam sempre desmascarados, mais cedo ou mais tarde.

  1. A Cabra e o Pastor

Cuidava um pastor de suas cabras, numa tarde de muito calor.  O moço encontrava-se afadigado, ao recolher os animais do pasto. Uma das cabras, porém, vendo uns matinhos tenros, ficou para trás. O pastor, impaciente, jogou-lhe uma pedra, que acertou seu chifre, quebrando-o. Desesperado, o rapaz suplicava ao caprino que não o denunciasse ao dono. Ao que a cabra respondeu-lhe: “Amigo, como posso esconder tal feito, se todos enxergarão que o meu chifre foi quebrado.”.

Moral da história
É impossível esconder a maldade, quando ela salta aos olhos.

  1. O Jumento e a Cabra

Certa cabra, achando que o patrão tratava melhor seu burro do que ela, resolveu vingar-se dele. Pôs na cabeça do mulo que, se ele não diminuísse seu trabalho, iria ficar muito doente. E que o melhor seria cair num buraco, ainda que machucasse as pernas, pois, pelo menos, teria alguns dias de descanso. E assim foi feito. O veterinário, no entanto, achou que o animal ficara muito machucado, e recomendou que o amo desse-lhe uma infusão com o pulmão de uma cabra.

Moral da história
A maldade acaba sempre voltando para quem a comete.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (X)

Recontadas por LuDiasBH

gatrinO Bem e o Mal

O Mal estava sempre a perseguir o Bem. Cansado de tanto ser judiado, o segundo resolveu pedir ajuda aos deuses. E foi por isso alçado aos céus, enquanto seu opositor continuou aprontando entre os homens. Portanto, como o Mal permaneceu em meio à humanidade, sua presença é constante, enquanto o Bem, lá no céu, escolhe ocasião propícia para descer e habitar o coração dos homens generosos.

Moral da história
É preciso um grande esforço para alcançar o Bem, enquanto o Mal está por toda parte, oferecendo seus préstimos.

  1. O Vendedor de Escultura

Um artista estava no mercado vendendo uma escultura do deus Júpiter, que terminara de esculpir, mas ninguém parecia lhe dar atenção. Então começou a apregoar, em voz alta, que, quem  tivesse tal divindade em sua casa, seria dono de grande riqueza e poder. Um dos camponeses, que se juntaram ao seu redor, perguntou-lhe: “Senhor, se este deus é tão poderoso como diz, não seria melhor que o mantivesse consigo?”.

Moral da história
Quem precisa de benefícios não abre mão do santo, a menos que nele não deposite confiança.

  1. A águia Traidora e a Raposa

A raposa e águia celaram um trato de amizade, em que uma zelaria pelas crias da outra. Mas encontrando-se com fome, a águia devorou os filhotes da amiga. Indignada, mas impotente para brigar com a dona dos ares, a raposa entregou o caso para os deuses. Não demorou muito para que a águia roubasse as vísceras em fogo de um animal oferecido a Zeus, em sacrifício. O vento soprou o fogo que se espalhou por uma árvore, onde se encontravam os filhotes da ave sem palavra, matando-os queimados.

Moral da história
O traidor, ainda que escape da vingança do injustiçado, não fica imune à severa justiça dos céus.

  1. A Águia e Suas Penas

Certa águia observou o caçador pegar suas penas, caídas no chão, para fazer suas flechas. Era preciso manter distância dele. Mas de uma feita, estava ela de olho numa lebre, quando foi ferida de surpresa. Antes de morrer, conseguiu reconhecer suas penas, e disse ao exalar o último suspiro: “O que mais me deixa pesarosa é saber que minhas próprias penas contribuíram para a minha morte.”.

Moral da história
Não há dor maior do que ser traído pelos que nos são caros.

  1. A Andorinha e o Corrupião

Uma andorinha vivia muito feliz entre os homens, alimentando-se das migalhas que eles dixavam cair. Ao encontrar-se com um corrupião, convidou-o para juntar-se a ela na cidade, onde a vida era bem mais fácil. Mas ele agradeceu o convite e respondeu-lhe: “Não quero mais ser depenado, por isso escolhi viver longe da humanidade.”.

Moral da história
O mal sofrido deve sempre servir de ensinamento, para que não venha a repetir-se numa dosagem ainda mais cruel.

Fábulas – CURTAS E RASTEIRAS (VIII)

Recontadas por LuDiasBH

macarind

  1. As Árvores e o Machado

Um camponês foi ao mercado e comprou um machado. Sem saber que tipo de madeira empregar para fazer um cabo forte para sua ferramenta, foi pedir conselhos às árvores. Elas lhe indicaram a oliveira brava. Mas o homem, assim que viu completo o machado, pôs-se a derrubar tudo o que encontrava pela frente. Um carvalho agonizante falou para uma mangueira: “Somos o culpado pelo que nos acontece, pois fornecemos munição para o nosso pior inimigo.”.

Moral da história:
É preciso cuidado para não ser de utilidade para o inimigo, a fim de que ele não use a ajuda recebida, para arquitetar a desgraça de quem o socorreu.

  1. O Ventre, as Mãos e os Pés

As mãos e os pés rebelaram-se contra o ventre. Achavam que dele eram os criados, sempre a satisfazê-lo quando pedia alimento. Por isso, quando o ventre sentiu fome, nem um deles se mexeu, fazendo ouvidos de mercador. Cansado, o ventre deu-se por vencido, mas seu jejum acabou por enfraquecer todos os membros. Quando os pés e as mãos viram que se encontravam no mesmo barco, e quiseram reverter a situação, não mais tinham forças para agir. Acabaram morrendo todos.

Moral da história:
Numa sociedade, todos deveriam ser iguais, pois a vida de uns está atrelada à de outros.

  1. O Reino dos Macacos

Dois homens, um mentiroso e outro verdadeiro, perdidos na mata, acabaram por chegar ao reino dos símios. Imediatamente eles foram chamado à presença do chefe, que lhes perguntou: “Quem sou eu?”. O mentiroso pôs-se a falar que ele era um famoso imperador e, que tinha a seu lado os membros de sua augusta corte. Na sua vez, o homem verdadeiro disse que todos ali eram unicamente macacos. Enquanto o mentiroso foi recompensado, o homem verdadeiro acabou morto a dentadas.

Moral da história:
Para salvar a própria pele é preciso agir de acordo com os recursos disponíveis, até mesmo abrindo mão da verdade.

  1. A Cegonha, o Ganso e o Gavião

Estava o ganso a mergulhar-se numa lagoa, quando foi interrogado por uma cegonha, que queria saber o motivo pelo qual ele exercia aquela atividade. Respondeu-lhe o ganso que procurava alimentos no lodo e, daquele modo, também evitava ataques de gavião. Ela lhe disse então que não mais se preocupasse, pois doravante seria sua protetora. E assim foi o ganso para o campo, em busca de comida. Eis que aparece um gavião e o alça pelos ares. De lá de cima, ele gritou para a cegonha: “Que babaca fui, pois quem tem padrinho fraco acaba sempre na pior.”.

Moral da história:
Quem quer proteger alguém, deve ter reais condições para tanto, caso contrário mete o inocente numa situação desastrosa.

  1. O Burro e o Cavalo

O cavalo empanturrava-se num monte de cevada. Um burro faminto, que por ali passava, pediu-lhe um punhado de grãos. O cavalo disse que lhe daria de bom grado, até mesmo um cesto cheio, mas quando ambos chegassem à cocheira. Ao que o burro respondeu-lhe: “Se por um punhado à toa tu dizes não, como poderei esperar algo maior, mais à frente?”. E seguiu caminho afora com a barriga roncando de fome.

Moral da história:
Tolo é aquele que acredita em quem oferece muito, mas nega o pouco, pois não tem intenção de dar coisa alguma.