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Textos sobre variados tipos de arte

OS ALGARISMOS NA DECORAÇÃO E NA ARTE

Autoria de Fabio Contissa


A arte está na capacidade de fazer com que todos consigam ter um olhar diferente sobre qualquer coisa em seu cotidiano. Algo banal pode se tornar artístico, dependendo do contexto em que se encontre inserido. Podemos tomar como exemplo as latas de sopa, mictórios, flores e até mesmo números usados artisticamente. Não é preciso ter uma obra de arte cara para decorar seu espaço.

Saiba que você também tem os seus números da sorte, mas será que já pensou neles como elementos artísticos, como decoração, além de – é claro – amuletos da sorte para escolher endereço, placas de carro ou apostas lotéricas? Pois saiba que muita gente trabalha com isso e as opções são incontáveis.

Há diversas maneiras de utilizar os algarismos artisticamente, seja com colagens, com mosaicos de placas ou números estilizados que imitem CEPs, por exemplo. A criatividade pode formar obras de arte que se transformam em maravilhosos elementos decorativos. Moda e decoração utilitária podem estar juntos! Sair do lugar comum é sempre uma ótima opção, você terá um elemento fashion e a cultura pop estará presente, seja em casa ou na rua.

O guitarrista da renomada banda irlandesa U2 adorava utilizar camisetas cuja estampa tinha alguns números. Ele fazia piadas sobre o assunto, dizendo que só sabia o significado delas quando diziam a ele. Por sua vez, o pintor espanhol Salvador Dali utilizou numerais em alguns de seus quadros, como em sua famosa obra intitulada “Persistência da Memória”, onde ele apresenta seus conhecidos relógios derretidos, um dos mais conhecidos símbolos do surrealismo. Todos os relógios estão marcando horas diferenciadas, como se o tempo não existisse, mas os números ali estão para lembrá-lo.

Outro estilo artístico que usa e abusa dos algarismos é a pop art. Vários representantes deste movimento incluíram representações coloridas e fora do antigo padrão dos numerais em suas obras, principalmente os norte-americanos Andy Wahol, o maior nome do movimento de pop art, assim como  Jasper Johns, um dos mais importantes pioneiro da pop art e que começou pintando objetos comuns como bandeiras, mapas e algarismos.

Como o leitor pode deduzir, não faltam opções para tornar sua casa e o espaço onde trabalha diferentes, criativos e lúdicos e, sobretudo, mais modernos. Basta saber onde colocar alguma solução inusitada, uma pitada de bom gosto. Decoração pode ser um passatempo muito divertido. Muitas pessoas têm ideias incríveis em relação ao uso dos números na decoração, bastando apenas colocar mãos à obra.

Jacopo Zucchi – AMOR E PSIQUE

Autoria de LuDiasBHampsi
A composição denominada Amor e Psique é uma obra do pintor italiano Jacopo Zucchi, responsável por pintar importantes afrescos mitológicos.

A cena representada diz respeito à curiosidade de Psique em relação ao seu amor alado, Cupido, que só a visitava durante a noite, sem permissão para que pudesse vê-lo. Este é o momento em que ela acende uma lâmpada de azeite para iluminá-lo.

Cupido encontra-se nu, sobre lençóis brancos, entre almofadas e flores, debaixo de um dossel vermelho magnificamente arranjado, o que torna a cena ainda mais sensual. A seu lado encontra-se uma seta, enquanto o arco e a aljava com setas encontram-se numa mesa vermelha, próxima à cama, onde estão um vaso com flores e um cãozinho. Psique usa um manto verde que circunda seu lado esquerdo e na mão direita traz a faca com que iria matar o imaginado monstro.

As posturas dos dois personagens não são convincentes, uma vez que Cupido dorme com a cabeça ereta e Psique encontra-se de pé sobre a cama. Há uma profusão de cores na pintura. A cama é adornada com belas figuras, simulando entalhes na madeira.

Segundo o mito, para vingar-se da beleza de Psique, Vênus pediu a seu filho Cupido para castigá-la, fazendo com que ela se apaixonasse por um ser mortal. Ao vê-la, contudo, ele se sentiu embriagado com sua beleza e acabou se ferindo com a própria seta, vindo a apaixonar-se por ela. Psique foi morar com ele num palácio, sem jamais vê-lo. Ao receber a visita das irmãs, essas lhe disseram que seu marido era uma terrível serpente que iria devorá-la depois, devendo, portanto, esconder uma lâmpada e uma faca afiada, a fim de decepar sua cabeça, enquanto dormisse. Assim agiu a ingênua esposa, antes de  surpreender-se com a presença de Cupido, que partiu,deixando-a desesperada.

Ficha técnica
Ano: 1589
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 173 x 130 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Lucas Cranach, o Novo – NINFA RECLINADA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Ninfa Reclinada é uma obra do pintor Lucas Cranach, o Novo, que pintou inúmeros quadros, tendo como tema a mitologia clássica, inclusive, há três versões dessa mesma figura. Nesta pintura, ele parece ter buscado inspiração na “Vênus Reclinada”, de Giorgione Barbarelli.

Deitada sobre a relva, totalmente nua, a ninfa traz a cabeça recostada em suas vestes. Sobre o tronco de uma árvore estão dependurados o seu arco e sua aljava cheia de flechas. Duas aves pastam a seus pés. Na inscrição acima , à esquerda, uma frase transforma o quadro numa alegoria moral: “Não perturbem o sono da ninfa da sagrada primavera.”.

As ninfas, na mitologia grega, faziam parte dos séquitos dos deuses. Eram divindades menores, femininas, que jamais envelheciam, muitas vezes relacionados a um local ou objeto. Habitavam os bosques, florestas, montanhas, algumas espécies de árvores, grutas, rios, etc. Portanto, existiam as ninfas da terra, da água e do ar. Eram muito desejadas pelos sátiros (divindades dos bosques e campos, que tinham pés de cabra e diminutos chifres).

A palavra “ninfomania”, usada pela medicina no passado, era indicativa do excesso de desejo sexual em mulheres, tido à época como uma perversão.

Ficha técnica
Ano: c. 1537
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 48 x 73 cm
Localização: Musées des Beaux-Arts, Besançon, França

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch

Simon Vouet – SATURNO CONQUISTADO POR AMOR…

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Saturno Conquistado por Amor, Vênus e Esperança é uma obra alegórica do virtuoso pintor francês Simon Vouet.

Na tela acima, o artista usa de extrema delicadeza e equilíbrio, ao representar Saturno, o deus romano do mundo dos mortos e do Tempo, conhecido como Crono, pelos gregos, já bem velho. Ele se faz reconhecido pelo atributo que traz na mão direita, a foice, na qual se escora. Encontra-se caído no chão, tendo acima de si quatro jovens aladas. Suas feições, direcionadas para as figuras aladas, e gestos corporais denotam medo e súplica.

A Esperança, usando um manto vermelho, puxa com as duas mãos a asa direita de Saturno, escorando o corpo do deus em seus pés. Acima dela, A Verdade, com seu manto azul e o seio esquerdo à vista, puxa-lhe os cabelos esbranquiçados com a mão direita, enquanto segura com a esquerda a ponta da veste branca, interna. Por sua vez, acima dela, está a Fama, vestindo um manto rosado, trazendo na mão esquerda uma trombeta, que está a tocar. Seu braço direito enlaça uma figura alada, que traz na mão outra trombeta. A figura que é abraçada pela Fama é Occasio (ocasião afortunada). Usando um manto amarelo e com os cabelos despencando para frente, ela traz na mão direita os atributos do poder e da riqueza, também conhecidos como atributos da Fortuna. Um pequeno Cupido, de costas para o observador, segura com firmeza a asa direita de Saturno.

A cena acontece próxima a duas colunas gregas, possivelmente na entrada de um templo. Ao fundo vê-se parte do mar, estando uma âncora, com uma corda entrelaçada, próxima aos pés de Saturno. O céu traz nuvens pesadas e grandes árvores servem de fundo para as figuras.

Ficha técnica
Ano: 1645
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 187 x 142 cm
Localização: Musée du Berry, Bourges, França

Fonte de pesquisa
Barroco/ Editora Taschen

Pietro da Cartona – AS QUATRO IDADES DA VIDA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada As Quatro Idades da Vida é uma obra do pintor italiano Pietro da Cartona, baseada na mitologia grega.

Segundo a mitologia grega, a Terra passou por quatro idades:
• A Idade do Ouro
• A Idade da Prata
• A Idade do Bronze
• A Idade do Ferro

Os deuses criaram a Terra, os animais e a humanidade. Aqui embaixo tudo transcorria na mais perfeita paz e harmonia. Embora não houvesse leis determinadas, reinava a inocência, a verdade e a justiça. O homem era tido como animal superior, zelando pela flora, fauna, águas e tudo que fazia parte do novo mundo. Em troca, a Terra, que vivia numa eterna primavera, acumulava-o de bens, suprindo todas as suas necessidades, sem que tivesse que trabalhar. Ela era tão dadivosa que nem era preciso plantar sementes para a produção de alimentos. Os rios, em vez de água, eram cheios de leite e de vinho. As árvores vertiam mel abundantemente. Vivia-se a esplendorosa Idade de Ouro.

Transformações aconteceram com a humanidade que, imbuída de desejos personalistas, passou a desviar-se da retidão. O poderoso deus Júpiter optou por fazer mudanças na organização terrena, mas a humanidade não melhorou. Não aprendeu que era preciso retomar a vida de inocência, verdade e justiça. Ao contrário, piorava cada vez mais.

Os deuses então a abandonaram a Terra, ficando apenas Astreia, a deusa da justiça, da inocência e da pureza, talvez por acreditar, ingenuamente que ainda poderia salvar a humanidade. Ela ficou na Terra até o final da Idade do Bronze, quando viu que a espécie humana não tinha mais jeito, fadada aos muitos desatinos que viriam. Deixando-a assim que começou a Idade de Ferro. E foi habitar o firmamento na forma da constelação Virgem.

Ficha técnica
Ano: 1637
Técnica: afresco
Dimensões: 165 x 128 cm
Localização: Salla dela Stufa, Palazzo Pitti, Firenze, Itália

Fontes de pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Gavin Hamilton – O RAPTO DE HELENA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada O Rapto de Helena é uma obra do pintor inglês Gavin Hamilton, baseada no mito que discorre sobre a Guerra de Troia.

Páris, o pastor, foi convidado a ser juiz de um concurso de beleza entre as deusas Minerva (Atena), Juno (Hera) e Vênus (Afrodite), uma vez que Zeus (Júpiter) abriu mão de tal empreitada. Cada uma delas oferecia-lhe um presente melhor do que o outro, caso fosse a escolhida. O moço via-se em maus lençóis. Ele deveria dar o pomo de ouro à vencedora, que não foi outra senão a bela Vênus (Afrodite).

Vênus cumpriu a sua promessa, dando a Páris, como esposa, a  mais linda mulher, Helena de Tróia, que era casada com o rei Menlau. Com a ajuda da deusa, Páris fugiu com ela, dando origem à guerra entre gregos e troianos.

Na pintura, Páris está fugindo com Helena, enquanto seus companheiros protegem-nos. Embora seja dito que Helena foi raptada, alguns estudiosos dizem que ela se apaixonou por Páris, consentindo, portanto, em fugir com ele. E é isso que mostra o pintor da obra acima, ao apresentar Helena segurando na armadura de Páris e acenando para as pessoas que ficam em Troia. Ele, por sua vez, não evidencia nenhuma forma de violência, ao contrário, protege-a com seu escudo.

Ano: c. 1784
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 306 x 367 cm
Localização: Museu de Roma, Roma, Itália

Ficha técnica
Fontes de pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM