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Textos sobre variados tipos de arte

Frans Francken II – GALERIA DE UM ANTIQUÁRIO

Autoria de LuDiasBH

O pintor flamengo Frans Francken II (1581 – 1642), o Jovem, era filho de Frans Francken, o Velho. Ele e seu irmão Hieronymus Francken II estudaram com o pai e depois com o tio Hieronymus Francken I, em Paris. Ele foi o mais famoso membro da família Francken de artistas. Versátil, trabalhava com pequenas e graciosas pinturas dentro de temas históricos, mitológicos e alegóricos, muitas vezes colaborava com outros artistas em naturezas-mortas (Jan Brueghel, o Velho e o Jovem, Andries Daniels, etc). Tornou popular a pintura de gênero com macacos (singeries). Produziu uma série de pinturas sobre bruxarias. Foi membro da Guilda de São Lucas, de Antuérpia, tendo chegado a diretor da entidade. Produzia cópias de obras de grandes mestres da pintura. Seus filhos Frans III e Hieronymus também foram pintores.

A composição intitulada Galeria de um Antiquário é uma obra do pintor. Trata-se de um tipo muito apreciado de pintura de interiores, muito usada no século XVII, em que o artista buscava ser o mais fiel possível. Ambientes como o retratado eram muito comuns na Europa daquela época, quando ainda não existiam os museus. A obra normalmente obedecia a duas finalidades: 1- servia de registro visual das peças de uma coleção; 2- constituía uma obra de arte. A pintura de tais antiquários são muito importantes para os estudiosos, pois ajudam a entender melhor a história daquela época, mostrando seus gostos, sem falar que ajudam na identificação de muitas obras (pinturas e esculturas) tidas hoje como perdidas.

Na pintura de Frans Francken II – artista com senso agudo de observação e habilidade na reprodução de objetos, tendo produzido inúmeras pinturas de interiores – é possível identificar um grande número de quadros de pintura e de esculturas, assim como objetos de prata, móveis, livros, flores e moedas. O artista – amante de composições com macacos – não se esqueceu de seu bichinho favorito, colocando um no meio do ambiente, assim como um cãozinho para lhe fazer companhia.

No canto inferior da composição, à esquerda, o dono do antiquário examina um grande livro, ao lado de um segundo personagem que apoia o indicador direito à testa e aponta a página do livro com a mão direita. Um terceiro personagem é visto atrás.

 Ficha técnica
Ano: c. 1615 – 1620
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 82 x 115 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
Wikipédia

Irmãos Limbourg – AS RIQUÍSSIMAS HORAS DO…

Autoria de LuDiasBH

Na Idade Medieval os livros, objetos raríssimos, recebiam belíssimas ilustrações pintadas com cores fortes, feitas com detalhes delicadíssimos em razão do tamanho das ilustrações que se referiam aos mais diferentes temas, indo das passagens bíblicas às cenas do cotidiano. Dentre os ilustradores, três nomes alcançaram uma fama que vem se estendendo ao longo dos séculos: os irmãos holandeses Johan, Paul e Herman Limbourg. Dentre suas famosas obras encontra-se um “livro de horas” que à época era um tipo de livro de orações, muito apreciado pelos ricos. Além das preces relacionadas às horas litúrgicas, havia uma espécie de calendário referente à estação.

Acima vemos uma das composições do calendário intitulada As Riquíssimas Horas do Duque de Berry, executada em velino, sendo uma das doze ilustrações de página inteira representando os meses do ano. Trata-se de uma obra dos três irmãos Limbourg que trabalhavam para o duque de Berry. Esta ilustração em miniatura retrata um dos momentos da vida do Duque Jean Berry, em 1413. Naquela época a sociedade era dividida em nobreza, clero e campesinato.

O mês apresentado é o de janeiro que à época era a ocasião estabelecida para a troca de presentes, como o dezembro (Natal) em nossos dias. A pintura retrata uma festa de Ano Novo que se passa supostamente em 1º de janeiro de 1413, no palácio do Duque em Paris. Aqui está ele com 73 anos de idade, imponentemente assentado debaixo de um dossel, o que reflete sua elevada posição social. Representados no dossel estão os lírios reais e os animais do escudo do duque: o urso e o cisne. Um semicírculo acima da tapeçaria representa o signo de Capricórnio.

O Duque de Berry está sentado, vestido com uma brilhante túnica azul e um gorro de pele e, logo atrás dele, encontra-se uma enorme lareira que tem a função de aquecer a sala. Ele está protegido das chamas e do calor por um biombo entrelaçado que também funciona como uma auréola que lhe dá maior visibilidade em meio ao grupo de cortesãos e servidores. Os visitantes que chegam – todos ricamente vestidos – dirigem-se à lareira, onde esquentam as mãos.

Todas as pessoas presentes na sala estão com roupas quentes, o que indica se tratar de um dia frio. O piso coberto com esteiras de palha – usadas habitualmente no inverno – é mais uma prova de que se trata de uma estação fria. Símbolos heráldicos do Duque de Berry decoram o revestimento de seda que compõe a lareira. Na parede do fundo encontra-se uma bela tapeçaria pendurada que, além de enfeitar o ambiente, também o protege contra o frio e a umidade do tempo. As figuras nela presentes são soldados armados com lanças, vestidos como os contemporâneos do duque, retratando uma cena de batalha.

Um oficial da corte convida os visitantes para se aproximarem. As palavras “Aproche, aproche” que aparecem acima dele significam “Aproxime-se, aproxime-se”. A mesa do banquete está ricamente preparada com vasos preciosos de ouro e comida cara. Um saleiro de ouro –  normalmente era a peça mais preciosa que compunha a mesa – tem o formato de um navio. O administrador, o mordomo, o padeiro e o trinchador (açougueiro) ocupam as posições mais importantes no banquete, pois a eles cabe a função de servir o duque à mesa, seguindo um complexo cerimonial.

Em primeiro plano, à esquerda do observador, um mordomo oferece uma bebida que também pode ser água para bacias de limpar os dedos, pois, naquela época, as pessoas comiam com os três primeiros dedos da mão direita. O trinchador, de frente para o duque e de costas para o observador, parte as aves e reserva para o amo as partes mais nobres. Pedaços de aves em fatias de pão serão dadas mais tarde aos cães e aos pobres. Depois de servidas as carnes, virão os incontáveis pratos de diferentes iguarias.

No ambiente destaca-se a presença de cães, pois o duque era um grande amante da caça. Um enorme cão é alimentado por um dos servos, enquanto dois outros, bem pequeninos, encontram-se sobre a mesa.

Ficha técnica
Ano: c. 1415
Técnica: aguada sobre pergaminho
Dimensões: 29 x 21 cm
Localização: Museu Condé, Chantilly (Ms. 65/1284, folio 5 v.)

Fontes de Pesquisa:
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
História da arte ocidental/ Editora Rideel
Wikipédia

Tiepolo – AGAR E ISMAEL NO DESERTO

 Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Battista Tiepolo (1696 – 1770) teve como mestres Lazzarini e os Antigos Mestres, como Ticiano, Tintoreto e Veronese, sendo muito influenciado pelo último. Trabalhou com a ornamentação de igrejas e palácios da aristocracia de Veneza, tendo recebido inúmeras encomendas. Artista renomado, cuja arte contribuiu para o engrandecimento da pintura italiana do século XVIII, fez trabalho para as cortes francesa, inglesa, espanhola e russa. Era inigualável como pintor de temas épicos. Sua pintura passou de tons sombrios para os claros e transparentes. Seus filhos Domenico, Lorenzo e Giovanni também foram pintores. Seu filho mais velho tornou-se seu principal assistente.

A composição intitulada Agar e Ismael no Deserto é uma criação religiosa do artista, referente a uma passagem do Antigo Testamento. Trata-se de uma das belas obras de Tiepolo. Nesta composição densa estão presentes três personagens bíblicos: Agar e um anjo que se apresentam com gestos meio teatrais e o pequeno Ismael encostado ao corpo da mãe. Agar mostra-se surpresa e preocupada, conforme a tensão vista em seu rosto e na mão direita que parece suplicar ao anjo para que salve seu filho inanimado.

O pintor coloca a criança estirada e desfalecida, com a boca aberta pela sede, em primeiro plano. Sua túnica branca levantada acima do umbigo leva a crer que seja para minimizar o calor. Sua cabeça, com os olhos semiabertos estão voltados para o observador. Agar abraça seu menino com a mão esquerda e levanta o rosto em direção ao anjo em atitude de súplica.

Mãe e filho são salvos pelo anjo – visivelmente comovido com o estado de Ismael – que os impede de morrer de sede. Com a mão direita, usando o dedo indicador, ele mostra a Agar onde fica o poço de água para o qual devem se dirigir a fim de matar a sede.

O pintor não usou o árido e vasto deserto, onde mãe e filho encontravam-se, para intensificar a dor deles, mas transportou todo o sofrimento e impotência de Agar no seu gesto de aflição, ao implorar ao anjo para que salve Ismael. Por ser uma composição compacta, toda a densidade do drama fica ainda mais visível.

Segundo uma passagem bíblica do Antigo Testamento, Agar, a escrava egípcia que dera um filho ao patriarca Abraão, foi expulsa de casa com seu filho, por ordem de Sara, sua esposa, que se dizia desprezada. Quem quiser entender melhor a passagem bíblica em que se baseou o artista para criar esta obra, acesse o link: https://www.bibliaonline.com.br/vc/gn/21.

Ficha técnica
Ano: c. 1732
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 140 x 120 cm          
Localização: Escola de São Roque, Veneza, Itália

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen

Fragonard – O BALOIÇO

 Autoria de LuDiasBH

Coloque-me em uma posição onde eu possa observar as pernas daquela menina encantadoras. (Barão de St. Julien)

O pintor francês Jean- Honoré-Fragonard (1732 – 1806) deu início aos seus estudos artísticos com o mestre Jean-Siméon Chardin, famoso por suas naturezas-mortas e pinturas de gênero. Depois estudou com François-Boucher que muito o impressionara e de quem herdou muitas influências. Sua ida para Roma em razão de uma bolsa de estudos ganha como prêmio possibilitou-o estudar na Academia de França em Roma, onde estudou pintura barroca e Pietro da Cartona, ali permanecendo cerca de cinco anos. Continuou suas viagens pelos grandes centros de arte, aumentando seus conhecimentos. Ao lado de Antoine Watteau e François Boucher, o artista é tido como um dos mais importantes pintores de gênero de antes da Revolução Francesa. Como típico representante do Rococó francês, Fragonard não aderiu à revolucionária arte neoclássica. Foi um mestre das cores.

A composição de estilo intitulada O Baloiço – também conhecida como Os Incidentes Felizes do Balanço – é uma obra do artista, sendo tida como uma das obras-primas do Rococó francês. Foi encomendada por certo barão, a fim de fazer uma homenagem à sua amante. Este tipo de pintura era muito usado à época para ornamentar as partes mais íntimas das casas em razão de seu apelo erótico.

Ocupando a parte central da pintura, cercada por roseiras e imensas árvores, está uma jovem mulher ricamente vestida, brincando num balanço. Um jovem encontra-se no chão, escondido em meio aos arbustos. Atrás dele está um monumento de pedra, encimado pela estátua de Cupido – o deus do amor – que traz um dedo sobre os lábios, como se pedisse segredo em relação à cena a que assiste. Atrás da jovem, um homem mais velho, escondido na sombra – o marido traído – é o responsável pelo vai e vem do balanço. A mulher sabe que está sendo observada, ao contrário daquele que a balança alegremente. O artista capta o momento em que o balanço encontra-se na sua posição mais alta, o que permite vislumbrar algo mais do que roupas íntimas.

A mulher levanta uma das pernas para o alto, seduzindo o olhar do amante que mira por entre suas pernas e ergue o braço esquerdo em sua direção, enquanto ela desce seus olhos para ele. Um de seus sapatos está a voar para cima O jovem insinua ter caído ali acidentalmente, como mostra o gesto de sua mão direita. Seu rosto corado mostra-se iluminado pela visão à sua frente. Mais abaixo, à direita, próximo ao homem com a corda, estão dois cupidos, um golfinho e um cachorro de pedra. Um dos cupidos traz o seu olhar fixo na moça.

Nesta composição de forma triangular, os dois homens compõem a base do triângulo e o chapéu da mulher o ápice. A iluminação vem de cima, com a luz do sol adentrando por entre as árvores que emolduram a cena central, principalmente a jovem no balanço. A presença do marido no escuro pode insinuar que ele nada sabe sobre o assunto.

A cena é muito mais de que um jogo de voyeurismo e exibicionismo, trazendo um forte apelo sexual. O quadro de Fragonard, cheio de simbolismo, além de captar um momento de grande alegria também faz insinuações claras sobre um relacionamento ilícito. A pintura O Baloiço é um ícone do estilo Rococó, estilo em que o lado sensual sobrepunha o intelectual, combinando atitude despreocupada, erotismo irônico, tinta pastel e cenário pastoril.

Nota
A atitude provocante da jovem deveu-se ao pedido do barão de St. Julien ao pintor, desejando que ela fosse retratada de modo a ver suas pernas, o que na época era visto como algo impróprio.

Ficha técnica
Ano: 1767
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 81 x 64,2 cm           
Localização: Coleção Wallace, Londres, Grã-Bretanha

 Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Balan%C3%A7o
https://www.artble.com/artists/jean-honore_fragonard/paintings/the_swing

Bazille – REUNIÃO DE FAMÍLIA

Autoria de LuDiasBH

Ele é um dos mais talentosos entre nós (Camile Pissaro)

O pintor francês Jean Fréderic Bazille (1841 – 1870) não contou com o incentivo de sua rica família inicialmente, pois essa queria que ele estudasse medicina.  Contudo, Bazille acabou ganhando a anuência de seus pais que passaram a apoiar sua carreira artística. Infelizmente o jovem pintor teve uma vida muito curta, sendo morto na guerra Franco-Prussiana antes mesmo de completar 30 anos de idade. Embora não houvesse tido tempo de ser representado nas exposições expressionistas, foi  o responsável pela ideia de criar exposições independentes, sem ter que passar pelo processo rigoroso de um comitê extremamente conservador que rejeitava todas as obras que não rezassem na sua cartilha. Foi grande amigo de Monet e Renoir.

A composição intitulada Reunião de Família é uma obra muito importante na curta carreira do artista, sendo o maior de seus trabalhos. Este quadro foi criado inteiramente ao ar livre. No seu estúdio, o pintor apenas reviu alguns detalhes e acrescentou sua figura à sua criação. Foi surpreendentemente aceito no Salão de 1868, enquanto o quadro “Mulheres no Jardim” de Monet era recusado para desaponto de Bazille. O assunto da obra é a reunião das famílias Bazille  e des Hours – ligadas por laços de matrimônio – na propriedade rural em Méric, perto de Montpellier, durante o verão de 1867. A casa ficava num ponto ligeiramente mais alto, com vista para a aldeia.

O artista aproveitou a reunião de sua família – composta por onze pessoas – debaixo de um pé da castanheira que ficava no terraço, para retratá-la num dia ensolarado. À esquerda, sentados num banco, estão seus pais Gaston Bazille e Camille Victorine Bazille. Sentados à mesa estão sua tia – a irmã de sua mãe – Élisa des Hours-Farel e sua filha Juliette Thérèse. Ao lado do tronco da árvore, de braços dados, estão sua prima Thérèse Teulon-Valio – a filha casada de Gabriel e Élisa des Hours-Farel – e seu marido Emile. À direita da pintura, ao lado da parede do terraço, encontram-se seu irmão Marc Bazille com sua esposa Suzanne Tissié e sua irmã Suzanne. O artista também inseriu seu retrato no grupo. Ele se encontra espremido à esquerda, atrás de seu tio Gabriel des Hours-Farel.

Este quadro de Bazille lembra muito o de seu amigo Claude Monet, intitulado “Mulheres no Jardim”. Os vestidos brancos com bolinhas pretas usados na composição são bem parecidos com os da referida obra. A vestimenta branca estava em moda no século XIX, sendo visto como próprio da burguesia – à qual pertencia a família do artista. Contudo, para os pintores impressionistas o que importava era o efeito da luz e da sombra e como a cor branca refletia as cores do ambiente. Thérèse, prima do pintor, sentada à mesa, usa um vestido com matiz turquesa, ponto fundamental da composição.

O consagrado escritor francês Émile Zola, em sua crítica, enalteceu três pontos fundamentais desta obra: 1- grande sensibilidade ao retratar a luz natural presente no terraço; 2- o modo como o artista captou a pose dos presentes, caracterizando perfeitamente a personalidade de cada um; 3 – o esmero na caracterização do vestuário dos presentes, tido como uma contribuição à modernidade.

O fato de não haver interação entre as onze pessoas presentes na obra – todas com postura muito rígida – tem feito com que o quadro venha sendo comparado a uma fotografia de grupo, embora cada figura pareça ter o seu retrato pintado individualmente. Dentre as figuras presentes, somente o pai do artista – parece fitar algo à sua frente – e sua cunhada Suzanne Tissié – também perdida com o olhar à sua frente – não olham para o observador. Tal fato deixa patente o interesse do pintor em incorporar a narrativa à passagem do tempo em sua obra.

Nota:
Quando foi exibida no Salão de Paris esta composição apresentava cachorrinhos em primeiro plano. Dois anos depois o artista substituiu os animais por uma natureza-morta em que são vistos um feixe de flores, um chapéu de palha feminino e um guarda-chuva fechado.

Ficha técnica
Ano: 1867
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 152 x 230 cm          
Localização: Museu d’Orsay, Paris, França

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://mydailyartdisplay.wordpress.com/2012/10/21/reunion-de-famille-family-reunion-by-frederic-bazille/
https://www.theartist.me/collection/oil-painting/family-reunion/

Cassatt – MULHER SENTADA COM…

Autoria de LuDiasBH

A pintora estadunidense Mary Cassat (1844 – 1926) mudou-se para a França em busca de melhores oportunidades em sua arte, uma vez que em seu país as convenções burguesas eram desfavoráveis a seu trabalho. Em Paris ela continuou a sua aprendizagem artística e também passou a expor suas obras no Salão, sendo também a única mulher estadunidense a participar das exposições impressionistas. Isso se deveu, sobretudo, a Edgar Devas – seu amigo e mentor – responsável por inseri-la no grupo dos impressionistas. Seus temas prediletos eram sobre teatros e a Ópera de Paris, interessando-se principalmente pelas mulheres – ansiosas para se exibirem – que iam a tais lugares, servindo o teatro apenas como pano de fundo. Cassat também mostrou mulheres em casa, na lida com seus filhos, como na tela que ora vemos, mas jamais num café. Ela nunca acompanhou seus amigos impressionistas em tais lugares – tidos como próprios de homens e nada respeitáveis para mulheres burguesas.

A composição intitulada Mulher Sentada com Criança no Colo é uma obra da artista. A pintora, nesta tela, volta toda a sua atenção para a criança, enquanto a mãe – de costas para o observador – encontra-se sentada numa volumosa cadeira de braços, cujo encosto oval cobre quase inteiramente suas costas, de frente para o lavatório. Apenas o cabelo escuro enrolado num coque e seu vestido branco determinam-na. A criança rechonchuda e corada encontra-se inteiramente nua, com o braço esquerdo e a cabecinha descansando no ombro esquerdo da mãe. Ela se encontra de frente para o observador e parece ainda meio sonolenta. As duas grandes figuras estão inseridas num pequeno espaço, o que parece ser um interior burguês.

Em frente à mãe e à criança está uma mesa. Nela é visto um jarro dentro de um recipiente de louça, utensílios usados no banho, o que alude à limpeza e também à inocência do bebê. Muitas das obras da pintora nasceram de seus círculos pessoais familiares, ou seja, ela retrata cenas de sua própria classe social.

Ficha técnica
Ano: 1890
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 81 x 65,5 cm           
Localização: Museu de Arte, Filadélfia, EUA

 Fontes de Pesquisa:
Impressionismo/ Editora Taschen
https://www.museobilbao.com/in/obras-maestras/mary-cassatt