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Textos sobre variados tipos de arte

O NU FEMININO NA ARTE

Autoria de LuDiasBH

                           

O corpo feminino tem fascinado os artistas de todos os tempos. Tem sido motivo de inspiração em todas as manifestações artísticas, sendo representado das mais diferentes maneiras. Alguns artistas abriram mão das características interiores da modelo nua para centrar em sua feminilidade. Retrataram-na em seu dia a dia, entrando ou saindo do banho, por exemplo, apresentando uma sensualidade natural, dentro de uma situação realista, fazendo com que houvesse uma melhor aceitação em relação ao corpo feminino nu.

 O século XVIII mostrou na arte a imagem natural e erótica da mulher, fruto de uma sociedade em plena decadência. Houve, então, a busca por um novo modelo. O neoclassicismo tentou trazer a imagem de uma mulher privada de qualquer sensualidade, esforço totalmente ilusório, uma vez que tal característica é intrínseca a ela. Nos quadros criados sob a orientação de tal estilo, a sexualidade feminina vem à tona, ainda que enclausurada. Os extremos, portanto, acabaram tirando a naturalidade da arte.

No século XIX, em sua primeira metade, a arte ainda se encontrava amordaçada no que se refere ao nu. Era necessário que o artista justificasse a sua presença na cena, ou seja, que levasse ao observador a compreensão de que se tratava de um nu mitológico. E não poderia ser apresentado em primeiro plano. Caso contrário, teria que ser pintado como uma figura irreal, indefinida, sem nenhum respingo de atrativo sexual. Mas tal proibição só fez com que os trabalhos artísticos, representando o nu feminino, fossem mais desejados e valorizados comercialmente, uma vez que se encontravam proibidos pelos padrões morais da época.

A partir da metade do século XIX, alguns artistas, inconformados com a falta de liberdade na arte, rebelaram-se e passaram a representar o corpo feminino com naturalidade, em atividades corriqueiras, ainda que se mostrassem sensuais. Mandavam a mensagem de que ele era belo por si só, não necessitando de atributos ou significados ao ser representado. E mais, unicamente ao artista cabia o papel da representação, sem, contudo, interferir na sua beleza, ampliando-a ou minimizando-a. No século XX, os artistas não tinham mais que se preocupar com a retratação da modelo, sobrando-lhes tempo para pesquisar sobre as cores e as formas.

Nota: Grande Figura Nua Deitada (Modigliani)/ Sem nome (Di Cavalcanti)

Fontes de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

O NU MASCULINO NA ARTE

Autoria de LuDiasBH

                                  

Não apenas o nu feminino tem fascinado os artistas, mas também o nu masculino, estando o último presente na arte desde a Grécia Antiga até os dias de hoje. Mesmo em tempos remotos, o nu masculino encontrava-se presente em esculturas, representando, sobretudo, a força. Enquanto a nudez feminina, além da emoção estética também pode fazer aflorar a sensualidade, a nudez masculina chama a atenção por simbolizar a força e as proporções físicas, na maioria das vezes. Raramente o corpo masculino é visto na arte com cunho erótico.

Os artistas greco-romanos tinham por tradição a ideia de que a mulher era inferior ao homem, física e mentalmente, devendo esse, portanto, ser representado com a máxima perfeição possível. Ao retratá-lo, interessavam-se mais por sua anatomia, dando maior ênfase à expressão de seus músculos, veias e ossos, ou seja, à obra como um todo. Na Grécia Antiga, o corpo masculino já era representado em esculturas em pedra, como fruto de um trabalho em cima de cálculos matemáticos, em que se buscava harmonia e perfeição formais. Tais estátuas ficaram conhecidas como “Apolos”. Mas, apesar da perfeição, elas não traziam qualquer naco de sensualidade, pois não eram naturais.

A que se deve a existência dos “Apolos”? Os gregos antigos julgavam que, para que uma obra de arte fosse perfeita bastava trabalhar em cima de cálculos matemáticos, ou seja, o conhecimento intelectual supriria a criatividade.  Para servirem de modelo para os “Apolos”, eram escolhidos os homens mais bem favorecidos anatomicamente, próximos do ideal de beleza da Grécia Antiga.  Essa maneira de ver a arte durou muito tempo, chegando os artistas, para traçar o desenho do corpo humano, a fazer uso de formas geométricas. O estudo de anatomia, por parte dos grandes artistas do Classicismo, tinha por finalidade levá-los à perfeição na composição de suas obras, embora a obra parecesse artificial, tamanha era a precisão dos traços.

É possível que Davi, obra do escultor italiano Donatello, seja a primeira representação de um nu masculino. E ainda assim servia a um propósito religioso. Além de ser uma obra pioneira para a sua época, tratava-se também de um trabalho maravilhoso. O artista esculpiu o jovem Davi, como se ele fosse um adolescente frágil, com traços delicados e belos. Não aparentava a força masculina, tão comum às figuras bíblicas, mas parecia estar ciente de sua própria beleza física. Muitos historiadores de arte atribuem à opção de Donatello, o fato de ele ter sido homossexual, estando, portanto, mais propício a ver a formosura do corpo púbere de Davi, ao invés de repassar sua força e coragem. Contudo, Michelangelo, um dos grandes nomes do Renascimento, também era homossexual, e seus desenhos, estátuas e pinturas de nus masculinos são verdadeiras obras-primas, em que chamam a atenção a constituição física do modelo. Foi responsável por outro Davi, que se mostra bem diferente do de Donatello.  Seus músculos retesados parecem aguardar a luta com o gigante Golias.

Nota: pintura de Jean-Louis André Théodore Géricault (à esquerda)/ Davi, escultura de Donatello (à direita).

Fonte de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

O NU FEMININO ATRAVÉS DOS TEMPOS

Autoria de LuDiasBH

            

Diz uma lenda que, para criar a mulher, Deus fez primeiro um esboço (o homem), observou seus defeitos, e eliminou-os ao dar vida à rainha da criação. Talvez seja por isso que, em todas as épocas da história da humanidade, os artistas tenham estado sempre fascinados pelo corpo da mulher, inspiração presente em todas as manifestações artísticas, e isso até mesmo nas primevas culturas, quando o corpo feminino representava apenas a fertilidade.

O psicólogo suíço Carl Gustav Jung, ao tentar explicar o motivo de tamanha atração pelo corpo feminino, concluiu que todo homem traz consigo a imagem de uma mulher perfeita, à sua maneira, é claro, que ele idealiza para completá-lo. Em assim sendo, cada varão tem uma idealização diferente do outro, pois as qualidades que para uns se mostram insignificantes, para outros podem ser preponderantes. Os artistas em suas obras deixam patente essa busca, criando tipos diferentes de mulher, levando em conta, sobretudo, a época em que vivem. Essa imagem feminina idealizada pode apresentar inúmeras facetas: ingênua ou maliciosa, bondosa ou má, poderosa ou submissa, etc. E assim também é representada na arte.

Olhando as manifestações artísticas sob o ângulo da escultura, ao longo dos tempos, o corpo feminino nu serviu de modelo para representar inúmeras deusas mitológicas, algumas vistas como protetoras da sociedade e outras como portadoras de influências negativas para ela. Foi por isso que, nos períodos puritanos da história da humanidade, a maioria das obras de arte, destruídas em nome da moralidade, retratavam corpos nus de mulheres. Até mesmo a Grécia Antiga, responsável por apresentar as primeiras esculturas mostrando o corpo feminino nu, ao representar seu panteão de divindades, em algum tempo de sua história caiu sob a estupidez dos moralistas, que viam o obsceno e a imoralidade no nu feminino. A nudez só era bem vista quando representava uma figura mitológica, que ainda assim não apresentasse qualquer semelhança com uma pessoa real, ou seja, que fosse um monstrengo.

Os gregos antigos eram por demais perfeccionistas e harmônicos em sua arte escultórica. Eles buscavam uma simetria tamanha em suas esculturas, que destituíam os corpos nus, feitos de mármore, de qualquer erotismo. Essa perfeição inimaginável de ser encontrada num ser humano acabava deixando as obras artificiais e impessoais, apesar da extrema beleza que elas emanavam. Muito tempo depois, tal perfeição na arte foi sendo substituída pelo naturalismo, passando a mulher a ser retratada em sua feminilidade e naquilo que possuía de humano.

Nota: Betsabá com a Carta de Davi (Rembrandt)/ Madame O’Murphy (François Boucher)/

Fontes de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

A ARTE ERÓTICA ATRAVÉS DOS TEMPOS

Autoria de LuDiasBH

A arte, desde os tempos primevos, está presente na história da humanidade que, através dela, expressa suas preocupações e desejos, nas mais diferentes manifestações artísticas. E se a arte reflete as aspirações e as necessidades humanas, é mais do que natural que o sexo nela esteja inserido através de uma simbologia apropriada a cada época da história. E mais do que qualquer outro segmento, os artistas foram sempre os mais seduzidos pela sexualidade, que se faz presente em todo o caminhar da arte. Ao acompanhar a sua trajetória, notamos que essa sexualidade algumas vezes mostra-se mais explícita e noutras mais velada, de acordo com os censores de cada época. Vejamos adiante, um pouco da história da arte através dos tempos.

No período pré-histórico, as mulheres de seios grandes e cintura larga simbolizavam a mulher-mãe, cujos atributos estavam mais ligados à concepção. A homenagem à fertilidade suplantava a sexualidade porque, naquela época, pensava-se que a mulher era a única responsável por gerar novas vidas, sendo o homem excluído de tal processo. O surgimento dos símbolos fálicos, embutidos de significados religiosos, como os totêmicos, ganhou espaço na etapa seguinte. Através da pintura e dos textos dos povos etruscos, ainda que mutilados pelos censores cristãos, é possível notar que levavam uma vida sexual variada e satisfatória. Muitas das pinturas desse povo, presentes em nossos dias, mostram casais em diferentes posturas de relação sexual. A arte erótica no Peru pré-histórico, como mostram os desenhos em cerâmica que chegaram até nós, apresentam sinais de que a vida sexual era livre. Os temas abordados mostram que o sexo era visto com naturalidade. Entretanto, o zelo puritano dos conquistadores espanhóis acabou destruindo quase que a totalidade dessas obras.

A celebração do corpo humano fazia parte da arte da Grécia Antiga. Os artistas buscavam um ideal de beleza ao representar homens e mulheres nus. As figuras humanas retratadas eram quase sempre ambíguas, hermafroditas, trazendo características de ambos os sexos. Ainda que os romanos, que a si creditavam a continuidade da cultura grega, nunca tenham sobrepujado seus dominados, as ruínas de Pompeia mostram que a vida sexual desses era também despojada de tabus, na Antiguidade Clássica. A arte erótica na China, por sua vez, era muito detalhada e explicativa, educando e excitando ao mesmo tempo. Os chineses, no entanto, nunca representavam a autoestimulação masculina, em razão da filosofia do Yang-Yin, que apregoava que o sêmen masculino deveria ser retido, pois, se não se juntasse à essência feminina, durante o coito, o homem acabaria perdendo sua força. O ponto alto da arte erótica japonesa aconteceu na cidade de Edo, atual Tóquio. O Ukyio-e, estilo de arte, retratava a vida diária das pessoas, inserindo também os temas sexuais. Os artistas Utamaro e Hokusai tornaram-se famosos em todo o mundo com as chamada pinturas shunga.

Nota: Vênus, Cupido e o Sátiro, 1503, obra de Bronzino

Fontes de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

A ARTE ERÓTICA APÓS O RENASCIMENTO

Autoria de LuDiasBH        

                    

A arte, desde os tempos primevos, tem estado presente na história da humanidade que, através dela, expressa suas preocupações e desejos, nas mais diferentes manifestações artísticas. E se a arte reflete as aspirações e as necessidades humanas, é mais do que natural que o sexo nela esteja inserido através de uma simbologia apropriada a cada época da história. E mais do que qualquer outro segmento, os artistas foram sempre os mais seduzidos pela sexualidade, que se faz presente em todo o caminhar da arte. Ao acompanhar a sua trajetória, notamos que essa sexualidade algumas vezes mostra-se mais explícita e noutras mais velada, de acordo com os censores de cada tempo.

O surgimento do cristianismo foi como um freio para a arte erótica, contendo-a por quase mil anos, sob a alegação de que essa era pecaminosa, e só agradava ao diabo. Nesse longo período de tempo, escondeu-se o corpo humano, elegendo-o como o vilão responsável por todos os pecados da humanidade, esquecendo-se de que ele era a morada do espírito. Só era permitido desnudar parte dele, e isso apenas quando os trabalhos artísticos apresentavam a ação das torturas diabólicas sobre o corpo, pois o demônio era visto como o mentor dos crimes sexuais. A figura demoníaca podia ser apresentada totalmente nua, e também as feiticeiras, tidas como servas de satã, mostradas em atos libidinosos, muitas vezes sob a forma de animais.

O advento do Renascimento fez com que o homem olhasse o mundo sob outro viés, o que trouxe mais liberdade, delicadeza e equilíbrio à arte. Essa foi a época do retorno da arte à cultura clássica, com seus deuses e mitos advindos da cultura greco-romana. Para ilustrar o período do Renascimento, vale a pena relembrar algumas obras famosas como “O Nascimento de Vênus”, belíssima pintura de Sandro Botticelli, mostrando a deusa Vênus nua e o “Triunfo do Amor”, pintura de Francesco del Cossa, apresentando um casal em atitudes licenciosa na grama. Por sua vez, os pintores François Boucher e Jean Honoré Fragonard retrataram a corte francesa com total liberdade, exibindo, inclusive, temas como sexo grupal e autoestimulação.

Uma nova onda de puritanismo abateu-se sobre as manifestações artísticas, após a Revolução Francesa e a vigência da era Vitoriana. A tecnologia, porém, permitiu que o homem europeu entrasse em contato com diferentes culturas, incluindo a hindu, marcada por grande sensualismo, ainda que cheio de significado religioso, em que o erotismo era visto como uma característica das divindades. Esse contato foi importante para a arte europeia do século XIV. Os artistas não mais se curvavam ao puritanismo, mas usavam o erotismo para escandalizar a burguesia. Mais tarde, Édouard Manet sacudiu Paris ao pintar “Olímpia” e “Almoço na Relva”.

A arte nem sempre foi tão liberal como em nossos dias. Em algumas épocas da história, ela esteve refém dos mais diferentes códigos criados por grupos específicos. Atualmente, os artistas não mais se submetem aos tabus e ao academicismo. Trabalham para que todos os temas sejam livres, inclusive os relativos ao sexo. Praticamente já não mais existem fronteiras para o chamado “permissível”. O erotismo ligado ao amor físico já não é mais barreira. Os apelos eróticos vêm deixando de causar reação de repulsa. A humanidade está mais madura e, em consequência, a arte tem sido vista com mais naturalidade.

Nota: O Nascimento de Vênus (Sandro Botticelli) / Triunfo do Amor (Francesco del Cossa)

Obs.: As obras citadas no texto encontram-se analisadas neste blog.

Fonte de pesquisa
Vida a Dois/ Editora Três

O PAISAGISMO DE BURLE MARX EM TIRADENTES

Autoria de Luiz Cruz

         

No final da década de 1970, por iniciativa de Maria do Carmo Nabuco, então presidente da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade, com o patrocínio da Embratur, Tiradentes ganhou um expressivo presente: projetos paisagísticos de Roberto Burle Marx (1904-1994). O artista plástico teve seus primeiros contatos com plantas no Jardim Botânico de Darlem, na Alemanha, entre 1928 e 1929. Ao retornar ao Brasil, seu primeiro projeto de jardim foi para uma casa projetada por Gregori Warchavchik e Lúcio Costa, em 1932 – ambos ícones do Modernismo Brasileiro.

Burle Marx foi um artista interdisciplinar e soube como poucos usar sua percepção para criar: pintura, desenho, litografia, cerâmica, azulejaria, tapeçaria, arquitetura e paisagismo. No espírito do antropofagismo buscou nas plantas nativas a beleza e a identidade. Realizou em nosso país e no exterior mais de dois mil projetos. Aqui seria impossível listar os mais célebres, mas vale destacar o Calçadão de Copacabana, os jardins de Brasília e os da Pampulha – hoje Patrimônio da Humanidade. Vários de seus trabalhos estão em sítios históricos tombados pelo IPHAN.

Para Tiradentes, Roberto criou os projetos para os largos das Forras, do Chafariz, do Sol, das Mercês, do Rosário e para os cemitérios da Matriz de Santo Antônio e das Mercês. Para cada projeto foram escolhidas plantas que estariam floridas na época em que o local tivesse mais uso. Por exemplo, no Largo do Sol a presença das quaresmeiras e as cássias para colorir o dia 21 de abril – feriado do Alferes Tiradentes. O início da implantação foi em 1980, mas infelizmente não foi possível executar o projeto do Largo das Forras, a praça principal. Em 1989, quando assumi a Secretaria de Turismo e Cultura, tive como um dos primeiros objetivos conseguir recursos e implantar o projeto de Burle Marx para o Largo das Forras. Foi um grande desafio! O prefeito era Nivaldo José de Andrade e juntos tivemos que enfrentar muitas adversidades. Inicialmente, foi propor adaptação do projeto ao autor, uma vez que acreditávamos que a cidade tornar-se-ia um polo turístico e precisaria de uma praça ampla.

Depois de longas conversas com Burle Marx e Haruyoshi Ono, no Escritório de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, chegamos a um senso comum de que seria um projeto para o largo. Assim que o projeto ficou pronto, foi exposto no próprio local, para que interessados conhecessem. Logo partimos para conseguir os recursos para torná-lo realidade. Apresentamo-lo em Minas, Rio e Brasília, sem sucesso. Através de Yves Alves, com o apoio da Fundação Roberto Marinho e de seu superintendente Joaquim Falcão, conseguimos o patrocínio. À frente, na execução, estava a arquiteta Sílvia Finguerut, desde então amiga e colaboradora de Tiradentes.

A implantação demandou muita atenção e dedicação. Não havia mão de obra em Tiradentes e precisávamos cumprir o cronograma. Fui até o Bichinho procurar mão de obra, uma vez que muitos homens de lá já haviam trabalhado na construção civil em São Paulo. Conseguimos e aos poucos alguns voltaram de São Paulo, para se dedicar ao projeto de Burle Marx. Na proposta inicial estava previsto o uso da pedra da Serra de São José, mas a área já estava protegida. Como se tratava de bem público, conseguimos licença junto à FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente para catar as pedras já preparadas e estocadas. A outra pedra usada seria o paralelepípedo, que à época teria que vir da região de Divinópolis, mas o preço ficaria elevado e não havia como cobri-lo. Optou-se, então, pelo uso da ardósia, pedra que foi possível comprar com os recursos disponíveis. A obra foi inaugurada no dia 19 de janeiro de 1990, com a presença de Roberto Burle Marx, Maria do Carmo Nabuco, Joaquim Falcão e muitos outros. Paralelamente, foi implantado o Projeto de Programação Visual de Tiradentes. Tudo executado a custo zero para a municipalidade.

Lamentavelmente não se fez a manutenção dos projetos de Burle Marx, inclusive do Largo das Forras. Como o autor previu também, o largo seria palco de grandes eventos. E realmente assim tem sido. Porém, a cada evento usa-se o largo e nada contribui para sua manutenção. Às vezes nem limpam o caldo fétido de um evento e logo vem outro por cima. O largo está passando por segunda reforma, em cumprimento de TAC-Termo de Ajuste de Conduta de um empreendimento hoteleiro. Na primeira reforma utilizou-se terra vermelha, ácida e estéril para preencher os canteiros. Plantaram as mudas sem nenhum esterco ou fertilizante e essas não foram regadas, resultando num desastre absoluto. No segundo TAC, torcemos para que a Prefeitura e o IPHAN acompanhem sua realização e a obra seja digna de um projeto idealizado por Roberto Burle Marx, um dos mais consagrados paisagistas do mundo!

Nota: fotografias do autor: Burle Marx e Joaquim Falcão, o largo atual, e obra do TAC