Arquivos da categoria: Apenas Arte

Textos sobre variados tipos de arte

Lucas Cranach, o Novo – NINFA RECLINADA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Ninfa Reclinada é uma obra do pintor Lucas Cranach, o Novo, que pintou inúmeros quadros, tendo como tema a mitologia clássica, inclusive, há três versões dessa mesma figura. Nesta pintura, ele parece ter buscado inspiração na “Vênus Reclinada”, de Giorgione Barbarelli.

Deitada sobre a relva, totalmente nua, a ninfa traz a cabeça recostada em suas vestes. Sobre o tronco de uma árvore estão dependurados o seu arco e sua aljava cheia de flechas. Duas aves pastam a seus pés. Na inscrição acima , à esquerda, uma frase transforma o quadro numa alegoria moral: “Não perturbem o sono da ninfa da sagrada primavera.”.

As ninfas, na mitologia grega, faziam parte dos séquitos dos deuses. Eram divindades menores, femininas, que jamais envelheciam, muitas vezes relacionados a um local ou objeto. Habitavam os bosques, florestas, montanhas, algumas espécies de árvores, grutas, rios, etc. Portanto, existiam as ninfas da terra, da água e do ar. Eram muito desejadas pelos sátiros (divindades dos bosques e campos, que tinham pés de cabra e diminutos chifres).

A palavra “ninfomania”, usada pela medicina no passado, era indicativa do excesso de desejo sexual em mulheres, tido à época como uma perversão.

Ficha técnica
Ano: c. 1537
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 48 x 73 cm
Localização: Musées des Beaux-Arts, Besançon, França

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch

Simon Vouet – SATURNO CONQUISTADO POR AMOR…

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Saturno Conquistado por Amor, Vênus e Esperança é uma obra alegórica do virtuoso pintor francês Simon Vouet.

Na tela acima, o artista usa de extrema delicadeza e equilíbrio, ao representar Saturno, o deus romano do mundo dos mortos e do Tempo, conhecido como Crono, pelos gregos, já bem velho. Ele se faz reconhecido pelo atributo que traz na mão direita, a foice, na qual se escora. Encontra-se caído no chão, tendo acima de si quatro jovens aladas. Suas feições, direcionadas para as figuras aladas, e gestos corporais denotam medo e súplica.

A Esperança, usando um manto vermelho, puxa com as duas mãos a asa direita de Saturno, escorando o corpo do deus em seus pés. Acima dela, A Verdade, com seu manto azul e o seio esquerdo à vista, puxa-lhe os cabelos esbranquiçados com a mão direita, enquanto segura com a esquerda a ponta da veste branca, interna. Por sua vez, acima dela, está a Fama, vestindo um manto rosado, trazendo na mão esquerda uma trombeta, que está a tocar. Seu braço direito enlaça uma figura alada, que traz na mão outra trombeta. A figura que é abraçada pela Fama é Occasio (ocasião afortunada). Usando um manto amarelo e com os cabelos despencando para frente, ela traz na mão direita os atributos do poder e da riqueza, também conhecidos como atributos da Fortuna. Um pequeno Cupido, de costas para o observador, segura com firmeza a asa direita de Saturno.

A cena acontece próxima a duas colunas gregas, possivelmente na entrada de um templo. Ao fundo vê-se parte do mar, estando uma âncora, com uma corda entrelaçada, próxima aos pés de Saturno. O céu traz nuvens pesadas e grandes árvores servem de fundo para as figuras.

Ficha técnica
Ano: 1645
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 187 x 142 cm
Localização: Musée du Berry, Bourges, França

Fonte de pesquisa
Barroco/ Editora Taschen

Pietro da Cartona – AS QUATRO IDADES DA VIDA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada As Quatro Idades da Vida é uma obra do pintor italiano Pietro da Cartona, baseada na mitologia grega.

Segundo a mitologia grega, a Terra passou por quatro idades:
• A Idade do Ouro
• A Idade da Prata
• A Idade do Bronze
• A Idade do Ferro

Os deuses criaram a Terra, os animais e a humanidade. Aqui embaixo tudo transcorria na mais perfeita paz e harmonia. Embora não houvesse leis determinadas, reinava a inocência, a verdade e a justiça. O homem era tido como animal superior, zelando pela flora, fauna, águas e tudo que fazia parte do novo mundo. Em troca, a Terra, que vivia numa eterna primavera, acumulava-o de bens, suprindo todas as suas necessidades, sem que tivesse que trabalhar. Ela era tão dadivosa que nem era preciso plantar sementes para a produção de alimentos. Os rios, em vez de água, eram cheios de leite e de vinho. As árvores vertiam mel abundantemente. Vivia-se a esplendorosa Idade de Ouro.

Transformações aconteceram com a humanidade que, imbuída de desejos personalistas, passou a desviar-se da retidão. O poderoso deus Júpiter optou por fazer mudanças na organização terrena, mas a humanidade não melhorou. Não aprendeu que era preciso retomar a vida de inocência, verdade e justiça. Ao contrário, piorava cada vez mais.

Os deuses então a abandonaram a Terra, ficando apenas Astreia, a deusa da justiça, da inocência e da pureza, talvez por acreditar, ingenuamente que ainda poderia salvar a humanidade. Ela ficou na Terra até o final da Idade do Bronze, quando viu que a espécie humana não tinha mais jeito, fadada aos muitos desatinos que viriam. Deixando-a assim que começou a Idade de Ferro. E foi habitar o firmamento na forma da constelação Virgem.

Ficha técnica
Ano: 1637
Técnica: afresco
Dimensões: 165 x 128 cm
Localização: Salla dela Stufa, Palazzo Pitti, Firenze, Itália

Fontes de pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Gavin Hamilton – O RAPTO DE HELENA

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada O Rapto de Helena é uma obra do pintor inglês Gavin Hamilton, baseada no mito que discorre sobre a Guerra de Troia.

Páris, o pastor, foi convidado a ser juiz de um concurso de beleza entre as deusas Minerva (Atena), Juno (Hera) e Vênus (Afrodite), uma vez que Zeus (Júpiter) abriu mão de tal empreitada. Cada uma delas oferecia-lhe um presente melhor do que o outro, caso fosse a escolhida. O moço via-se em maus lençóis. Ele deveria dar o pomo de ouro à vencedora, que não foi outra senão a bela Vênus (Afrodite).

Vênus cumpriu a sua promessa, dando a Páris, como esposa, a  mais linda mulher, Helena de Tróia, que era casada com o rei Menlau. Com a ajuda da deusa, Páris fugiu com ela, dando origem à guerra entre gregos e troianos.

Na pintura, Páris está fugindo com Helena, enquanto seus companheiros protegem-nos. Embora seja dito que Helena foi raptada, alguns estudiosos dizem que ela se apaixonou por Páris, consentindo, portanto, em fugir com ele. E é isso que mostra o pintor da obra acima, ao apresentar Helena segurando na armadura de Páris e acenando para as pessoas que ficam em Troia. Ele, por sua vez, não evidencia nenhuma forma de violência, ao contrário, protege-a com seu escudo.

Ano: c. 1784
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 306 x 367 cm
Localização: Museu de Roma, Roma, Itália

Ficha técnica
Fontes de pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Guido Reni – A AURORA

Autoria de LuDiasBH

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O pintor italiano Guido Reni (1575 – 1642) foi aluno do artista holandês Denis Calvaert que vivia próximo a Bolonha, vindo depois a trabalhar com seu mestre. Também frequentou a Academia dos Carracci, em Bolonha, onde viveu o resto de sua vida, embora tenha feito viagens a Roma, Ravena e Nápoles. Após a morte de Annibale Carracci, ele veio a tornar-se mestre da pintura barroca em Bolonha, sendo que sua obra é composta por afrescos, narrativas mitológicas, retábulos e retratos. A composição denominada A Aurora é uma de suas obras. Trata de um afresco esplêndido, tido como uma ode à luz.

Apolo (Febo), divindade solar, considerado pela mitologia grega como o deus da juventude e da luz, além de possuir muitos outros atributos e funções, e ser extremamente belo, encontra-se no Carro do Sol, puxado por três cavalos. Ladeiam-no as Horas (deusas do ano, das estações climáticas e da ordem natural da natureza e, atualmente, da ordem humana e social), de mãos dadas, caminhando sobre as nuvens.

À frente da comitiva voa Aurora, a deusa da madrugada. Sua função é a de anunciar o novo dia, e eliminar os sinais da noite escura. Ela se dirige à Terra, vista no canto inferior direito da pintura. A deusa traz nas mãos muitas flores. Um cupido com um archote aceso vem logo atrás dela, voando acima dos cavalos.

Ficha técnica
Ano: c. 1613-1614
Técnica: afresco no texto
Dimensões: 280 x 700 cm
Localização: Casino Rospigliosi-Pallavicini, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Ambrogio Figino – ZEUS, HERA E IO

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada Zeus, Hera e Io é uma obra do pintor italiano Ambrogio Figino, baseada no mito que conta o envolvimento de Zeus com a ninfa Io.

Ao perceber que Zeus (Júpiter) estava a traí-la, escondido atrás de uma nuvem escura, Hera (Juno) afastou-a, mas o que viu foi seu marido perto de uma novilha, que de fato era a ninfa Io, de linhagem mortal, que fora transformada pelo deus em um animal, para não causar ciúmes à sua mulher. É fato que Hera não descansou, enquanto não tirou tudo a limpo.

A pintura de Ambrogio mostra o encontro de Hera, sentada sobre uma nuvem, com seus esposo Zeus, na terra, questionando-o sobre a presença daquela novilha próxima a ele. O deus está coberto por um manto avermelhado, com as pernas cruzadas, tendo um pequeno cupido atrás de si. À sua direita encontra-se uma ave negra. A posição de sua mão esquerda indica que ele está a dar explicações à esposa. Indiferente à discussão, a novilha olha para o observador, como quem diz: – Eu não tenho nada com isso!

Uma paisagem descortina-se ao fundo, com um arco-íris e dois pavões na parte superior esquerda da tela.

Ficha técnica
Ano: 1599
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: (?)
Localização: Pinacoteca Malsapina, Paiva, Itália

Fontes de pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM