Arquivos da categoria: Arte Cristã

Pinturas relativas ao cristianismo, abrangendo os mais diferentes pintores, estilos e épocas.

SÃO SEBASTIÃO, O SANTO GUERREIRO

Autoria de Luiz Cruz

              

São Sebastião foi amplamente representado por diversos artistas brasileiros. Uma das obras mais significativas é Recompensa de São Sebastião, de Eliseu Visconti, datada de 1898 e que integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, esse trabalho foi premiado nos Estados Unidos, em 1904. O santo é apresentado em corpo lânguido e alvo, tem os braços cruzados ao peito, com as flechas penetradas em seu corpo sendo corado por um grande anjo alado, trata-se de uma bela composição. Alberto da Veiga Guignard pintou diversos quadros representando-o, muitos deles de forte impacto e grande dramaticidade. Cândido Portinari pintou um painel dedicado ao mártir, mas com uma pintura mais leve e forte presença do tom amarelo. Emeric Marcier retratou o santo de forma a nos revelar sua dor, com força e expressividade, mas acima de tudo com criatividade ao expor o corpo torturado. Glauco Rodrigues elaborou diversas representações, associando-o com a cidade do Rio de Janeiro e seus elementos icônicos; realizou várias alegorias inserindo a sua imagem ao universo da pop art. Muitos outros artistas retrataram-no, seja na sua iconografia tradicional ou recriando de acordo com a linguagem de cada um.

A iconografia de São Sebastião é simples, geralmente veste perizônio, descalço, cabelos longos, com braços e pernas atados a um tronco ou coluna. Traz no corpo as flechas, em madeira ou metal. A Matriz de Santo Antônio de Tiradentes possui duas imagens dessa devoção, uma em tecidos e cola, policromada – está no altar-mor; a outra é uma peça em madeira, em que o santo é apresentado com as características de um índio, especialmente o cabelo liso e estilizado – está exposta no Museu da Liturgia. A Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei possui uma belíssima imagem do santo, com expressão de êxtase e olhar fixo para o céu. Veste perizônio movimentado, vermelho com detalhes dourados. Está atado em tronco prateado e tem em seu corpo as setas cravadas. O cabelo é arremessado para trás. Sobre a cabeça tem um resplendor de prata. A plasticidade escultórica e a boa policromia contrastam e tornam essa imagem uma obra-prima. Em Santa Cruz de Minas, o padroeiro São Sebastião é representado por uma imagem em gesso, da primeira metade do século XX, provavelmente introduzida pelo padre José Bernardino de Siqueira. Tem o cabelo curto e encaracolado, olhos de vidro e a boca entreaberta. Veste perizônio vermelho com arremate em ouro. Está atado ao tronco e fincadas em seu corpo estão quatro flechas prateadas. Essa imagem é tombada individualmente pelo Conselho Municipal de Política Cultural e Patrimônio e a Festa de São Sebastião é registrada como Patrimônio Imaterial de Santa Cruz de Minas.

São Sebastião (256 d.C. – 286 d.C.) nasceu na França e viveu em Milão. Chegou a Roma através de caravanas de migração. Listou-se como soldado do exército romano por volta de 283 d.C objetivando apoiar os cristãos enfraquecidos pelas torturas. Conquistou a confiança dos imperadores Diocleciano e Maximiano. Apesar de cristão, foi designado capitão da guarda dos imperadores. Foi complacente com os prisioneiros cristãos e por isso considerado traidor, tendo sido ordenada sua execução por meio de flechas. Seu corpo foi atirado ao rio, mas ainda não estava morto, sendo resgatado por Irene, que cuidou dos ferimentos. Após a recuperação, apresentou-se novamente junto a Diocleciano, que ordenara seu espancamento até a morte. Depois seu corpo foi jogado no esgoto público romano. Luciana resgatou-o, limpou e sepultou nas catacumbas. O nome Sebastião deriva-se do grego sebastós, que significa divino, venerável. Devido a sua execução de maneira violenta, tornou-se tema comum na arte medieval. O culto a São Sebastião teve início no século IV e atingiu o auge na Baixa Idade Média (século XIII ao XV).

Sebastião tornou-se um dos santos mártires romanos mais populares da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa. Amplamente cultuado em Portugal, trazido ao Brasil, conquistou fiéis em todas as regiões, inclusive como padroeiro de muitos lugares, como a cidade do Rio de Janeiro. É uma das devoções mais populares em Minas Gerais e presente em muitas igrejas e capelas. Nas religiões de matriz afro-brasileira, São Sebastião é sincretizado como o orixá Oxossi, sendo o orixá das florestas e das relações entre os reinos animal e vegetal. Oxossi se fortalece na mata, onde o negro e o índio se encontravam ou se refugiavam. Quando existiu um “terreiro” em Tiradentes, era de Oxossi e os trabalhos eram feitos nas matas da Serra de São José, o pessoal passava a noite toda lá. Coincidentemente, São Sebastião é o padroeiro de Santa Cruz de Minas e o maior patrimônio da localidade é a Serra de São José.

O dia 20 de janeiro é dedicado a São Sebastião, época em que as Folias de São Sebastião visitam os devotos, e diversas localidades brasileiras prestam homenagens ao santo guerreiro, tão querido em todo Brasil.

Benozzo Gozzoli – O CORTEJO DOS REIS MAGOS

Autoria de LuDiasBH

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O pintor italiano Benozzo Gozzoli (1420-1497) foi contratado pelos Medici, em Florença, para decorar a capela Palazzo Medici-Riccardi. Para imortalizar aquela ambiciosa família de banqueiros e mecenas, tomou como tema a lenda da procissão dos Reis Magos. Na Itália renascentista, os desfiles pomposos e festivos gozavam de grande popularidade, proporcionando grande divertimento para o povo. Portanto, a cada seis de janeiro, organizava-se a procissão dos Reis Magos, com as pessoas desfilando pelas ruas.

O artista pintou afrescos em três das paredes da capela, reproduzindo em cada uma delas um dos reis, acompanhados de seus séquitos, e encaminhando-se para a pintura do altar Virgem Adorando o Menino (Natividade), obra de Filippo Lippi, pintada em 1459. Mas, com os estragos decorrentes do tempo, houve inúmeras reformas nos afrescos, excetuando um deles, o que representa o Rei Gaspar (visto acima), e onde é retratada a família Medici, como parte da comitiva, pois, conforme tradição da época, os doadores de retábulos costumavam aparecer nas obras de arte, ainda que fosse numa posição discreta, distante dos santos reverenciados, mas próximos ao primeiro plano, de modo a serem reconhecidos.

É possível ver Cósimo de Medici, o cavaleiro mais velho à esquerda, montado num cavalo castanho, ladeado por dois brancos, cavalgados por dois de seus filhos, Giovanni e Piero. Ao contrário dos filhos, Cósimo era muito discreto, como mostra seu manto preto. O filho mais jovem de Cósimo, Lorenzo, que chegou ao poder aos 21 anos, e mais tarde foi apelidado de “o Magnífico”, está mais à frente, montado num cavalo branco, cuja armação traz os símbolos da família: penas e bolas douradas. Ele está cercado por alguns escudeiros armados.

Na comitiva encontram-se, entre os comerciantes florentinos, sem barbas, várias figuras barbudas, com roupas exóticas, usando toucas, numa referência a um cortejo no Oriente. Ao fundo da pintura vê-se um palácio no alto da colina. Animais exóticos podem ser vistos por toda a pintura. Chama também a atenção os tecidos raros retratados pelo pintor.

A enorme pintura é ricamente decorada, e apresenta várias cenas. O pintor retratou-se no cortejo. Sobre o seu gorro, em letras douradas está escrito “Opus Benotti” (Obra de Benezzo).

Ficha técnica
Ano: c. 1460
Técnica: afresco
Dimensões: largura aprox. De 750 cm
Localização: Palazzo Medici-Riccardi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

HOJE É DIA DE FESTA DE REIS

Autoria de LuDiasBH tai1

A Festa de Reis celebra a visita dos Reis Magos, conhecidos como Melchior, Baltazar e Gaspar, ao menino Jesus, logo após o seu nascimento, vindo do Oriente até Belém, guiados por uma estrela, segundo reza o cristianismo. Grupos pequenos de ranchos e folias fazem parte da comemoração. De acordo com a região, participam também o boi janeiro, o burrinho, os palhaços, a mulinha, pastorinhas ou zagais (pastores).

Segundo Frei Chico, em seu Dicionário da Religiosidade Popular, a origem da Festa de Reis pode estar correlacionada com o “13º e último solstício do inverno europeu: 6 de janeiro, que terminou recebendo um significado religioso”. A folia dos santos reis é tão antiga, que relatos dela vêm da Idade Média. A folia de reis apresentadas no Brasil tem a sua origem em Portugal. Foram trazidas pelos jesuítas com o intuito de catequizar os índios e, posteriormente, os escravos. São ainda encontradas em vários países europeus. A diversidade étnica, geográfica e cultural de nosso povo contribuiu para que variadas formas de folia surgissem, tradição que é recebida e passada para frente, através dos tempos.

Um grupo de pessoas, movidas pela fé ou pelo divertimento, visita casas e até mesmo fazendas mais próximas, cantando e brincado, simbolizando a visitação dos reis magos ao Deus Menino. À frente do grupo vai a bandeira, ou estandarte, com a figura dos reis magos, que é a peça sagrada que o grupo carrega. A duração das visitas varia de acordo com a tradição do lugar. Pode começar na noite de Natal, antes da missa do galo e prosseguir até o dia 6 de janeiro. Ou se iniciar no dia primeiro de janeiro indo até o dia 6 do mesmo mês. Há regiões em que ela se estende até o dia 2 de fevereiro, simbolizando a volta dos reis magos para o Oriente.

O grupo de folia canta em frente ao presépio, onde se encontra o menino Jesus. Alguns grupos possuem o mestre, embaixador ou tirador (de versos). Ele possui uma grande responsabilidade pelo andamento da folia e deve responder a qualquer pergunta feita pelo público sobre o nascimento de Jesus.

Ao se postar diante de uma casa, o grupo de folia canta o canto da chegada, pede licença para entrar, saúda o menino Jesus no presépio e também os moradores, pede esmola, agradece e se despede. O interessante é que as casas que são visitadas, normalmente se encontram com a porta fechada, para que todo o ritual seja cumprido. Em algumas regiões do país, os moradores da casa beijam a bandeira, e o dono da morada entra nos cômodos com ela, abençoando todos os aposentos.

A esmola recebida tem, normalmente, um fim filantrópico. Em muitas casas, os foliões são generosamente alimentados, podendo continuar, sem fome ou cansaço, a visitação. O estado de Minas Gerais é um dos mais ricos na tradição de Folia de Reis também conhecida como Terno de Reis.

Os cantos que acompanham as visitas são bastante variados. Abaixo, alguns exemplos:

(Chegada)
Aqui estão os santos reis/ que vieram lhe visitar/ vêm pedir a sua esmola/ pra seu dia festejar.

(Pedido)
Se tiver de dar a esmola/ não demore, venha dar/ que as noites estão pequenas/ temos muito que andar.

(Agradecimento)
Deus lhe pague a bela esmola/ Dada de bom coração/ na Terra terá o pague/ e no céu a salvação.

ou

A pessoa que põe um ovo/ na sacola do pidão/ peço a Deus que a proteja/ e nunca lhe falte o pão.

(Se a esmola não sai)
Esta barba de farelo/ não tem nada pra nos dar/ Deus permita que ela vire/ gavião caracará.

Nota:
A imagem do texto representa as associações de moradores dos bairros Patrimônio e Morada da Colina, na região Sul de Uberlândia, e a festa de Folia de Reis. (uipi.com.br)

DIA DOS SANTOS REIS

Autoria de Luiz Cruz

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“Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira” (Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Art. 216)

No período de 25 de dezembro a seis de janeiro, grupos de Folias de Reis e Pastorinhas saem para visitar as casas, homenageando o Menino Deus dos presépios. Esta é uma tradição de origem latina, que recebemos de Portugal. Até hoje, em nossa contemporaneidade, ela é expressiva em diversas regiões brasileiras. Em Minas Gerais, tanto as Folias de Reis quanto as Pastorinhas percorrem as ruas centenárias de Ouro Preto, Mariana, São João del Rei, Sabará, Itabira e outras cidades mais recentes, como Entre Rios de Minas e Jeceaba, mantendo esse traço de nossa cultura, ou melhor, de nosso patrimônio imaterial, que resiste às modernidades tecnológicas.

Este é considerado o período em que os Reis Magos Baltazar, Gaspar e Belquior saíram para visitar e levar presentes para o Menino Deus, seguindo a Estrela do Oriente. Em alguns países latinos, o dia seis de janeiro é Dia Santo, considerado mais importante que o dia 25 de dezembro, quando se oferece os presentes, exatamente como os Magos fizeram com o Menino Deus. Além das visitas aos presépios das igrejas e particulares, em algumas cidades realizam-se encontros de folias e pastorinhas, momento significativo para os grupos se confraternizarem e prestar homenagem coletiva ao Menino Deus, mantendo a tradição e a fé.

Cada localidade foi se adequando, conforme as condições, incentivo e reconhecimento da comunidade, sendo que, em alguns grupos, os detalhes recebem muita atenção, desde os instrumentos artesanais, as vestes, as máscaras, os ensaios e os meios de transporte, contrastando com outros em que só o esforço em mobilizar os componentes consome muitas energias, comprometendo tudo. Os grupos mais tradicionais têm as seguintes formações:

  • os três Reis Magos;
  • os palhaços, que dançam e animam o grupo;
  • os músicos que tocam os instrumentos: violão, viola, cavaquinho, tambor, triângulo, pandeiro e acordeom;
  • coro – geralmente masculino;
  • folião – o chefe da folia, que organiza e conduz o grupo,
  • bandeireiro – que conduz a bandeira da folia e recebe as oferendas, geralmente em dinheiro. A bandeira é feita em pano de cetim, com a imagem da adoração dos Santos Reis ao Menino Deus na manjedoura. É enfeitada com fitas e flores.

Cada grupo desenvolve seus cantos que são improvisados de acordo com as circunstâncias. Há um canto quando se chega à casa, com a porta fechada; um quando a dona da casa recebe a bandeira e a conduz por seu interior, abençoando a morada e a família. Em seguida, junto ao presépio. Depois, o dono oferece um café aos foliões e logo é feito o agradecimento. Se houve doação, o grupo agradece novamente. É um ritual cheio de significação e emoção!

Em São João del Rei existe uma Folia de Reis feminina, que é raro, a foliã é Dona Lilia, que conduz o grupo há alguns anos, revigorando a tradição. Como os cantos são improvisados, é da maior relevância o registro das cantigas, o que tem sido feito pelo folclorista Ulisses Passareli, em São João del Rei. Trabalho que poderia ser realizado em outras localidades para o registro desta manifestação cultural tão rica e cheia de espontaneidade.

As Pastorinhas têm formações diferentes, há grupos com meninos e meninas e há grupos somente de meninas. Em alguns, temos a participação dos três Reis Magos, pastores e as ciganas, que levam os cantos ao Menino Deus. Alguns grupos cantam e dançam, com coreografia desenvolvida à frente dos presépios. As vestes são bem cuidadas e os personagens levam oferendas para o Menino Deus. Grupos de Pastorinhas estão presentes em várias cidades mineiras e também pelo Brasil afora. A cada localidade, os cantos vão se adaptando, mas mantendo o costume.

Hoje, seis de janeiro, Dia dos Santos Reis, as Folias e as Pastorinhas estarão percorrendo as ruas e visitando os presépios, exatamente como fizeram Baltazar, Melquior e Gaspar. Em Tiradentes, as Pastorinhas não têm saído por falta de iniciativa e apoio. O folião Gilson Costa consegue sair com a Folia de Reis com grande esforço, por falta de reconhecimento e incentivo. No Dia de Reis sua folia visitará o presépio do Largo das Forras, a partir das 20h00. Não deixem de participar e incentivar esse grupo tão importante para nossa cultura.

Aqui, aproveito para homenagear o folião Orlando Curió, falecido recentemente, que participou de tantas folias, levando canto e alegria a muitas famílias e presépios. Acima, ilustrando o texto, o encontro em Mariana foi emocionante, com a participação de grupos de todos os distritos e ainda mais convidados da região, unindo várias gerações. (Fotos 1,2 e 3)

Mestre de Flémalle – A NATIVIDADE

Autoria de LuDiasBH

NATIVIDADE (Mestre Flemalle)

A Natividade, obra do Mestre de Flémalle. Há um grande consenso na opinião acadêmica de que ele deve ser identificado como sendo o pintor Robert Campin (c.1375 – 1444) que foi o principal pintor de sua época, em Tournai, mas cujas imagens documentadas não sobreviveram. Nesta obra, além dos animais vistos em outras pinturas, também apresenta o episódio das parteiras, ou seja, quando Maria entrou em trabalho de parto, seu marido José partiu em busca de duas parteiras. Porém, quando essas chegaram, Maria já havia dado à luz a seu Menino.

Na composição, Maria encontra-se ajoelhada, vestida de branco, símbolo de sua pureza,  e a seus pés está a pequenina criança, ainda nua, envolta por uma luz fulgurante. José,  vestido de vermelho, traz nas mãos uma vela, cuja simbologia é mostrar que Jesus Cristo é a luz do mundo, é aquele que veio para salvar a humanidade.

A parteira, que se encontra ajoelhada, acreditou piamente que uma virgem havia parido um filho, enquanto a outra, Salomé, a de pé, não acreditando no que lhe fora dito, pediu para testar a virgindade de Maria. Imediatamente recebe o castigo divino por sua incredulidade. Sua mão torna-se seca. Mas ela se arrepende e é logo curada, após receber a sugestão de um anjo para que toque na criança. Na composição, ela mostra a mão direita que fora curada.

Na pintura, Maria, José e as duas parteiras estão ricamente vestidos, embora se encontrem num estábulo roto, onde descansa, de costa para os personagens, uma vaca e um burro. Na arte tudo é possível, como pode observar o leitor.

Nos quatro filactérios (faixas de couro que contêm trechos das Escrituras) estão escritas em latim a fala dos personagens. Um anjo vestido de branco segura um filactério acima do grupo. Sobre o telhado, três anjos com roupas coloridas, um deles com um filactério, observam a cena abaixo. Três pastores também miram, curiosos, a criança resplandecente. Ao fundo, uma bela cidade descortina-se.

Dados técnicos
Data: c. 1425
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 85,9 x 72,2 cm
Localização: Museu des Beaux-Arts, Dijon, França

Fonte de pesquisa
Cristo na arte/ Januel Jover

Tintoretto – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de LuDiasBH

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E quando o viu, ela estava preocupada com sua palavra, e  fundido em sua mente que tipo de saudação seria esta. (Lucas 1:29).

A Anunciação, pintura do artista italiano Tintoretto, é por demais complexa, pois além de apresentar José, o esposo da Virgem, até então ausente em outras pinturas sobre o tema, traz um cenário bastante incomum.

A cena acontece na casa de Maria e José. O carpinteiro está trabalhando no quintal, quando sua esposa recebe, dentro de casa, a visita do anjo Gabriel, o mensageiro de Deus Pai, e de uma corte de anjos que o acompanha na visita à Virgem. Ela tem aos pés sua cesta de trabalho, possivelmente de costura, o que mostra que trabalha em seus afazeres domésticos. A Virgem Maria mostra-se tão surpresa com a visita do anjo anunciante, que seu corpo tomba para trás, com o livro caído no colo, enquanto as mãos abertas mostram sinal de indagação, como se perguntasse: Por que eu fui a escolhida?

O lugar, onde se passa a cena, encontra-se em ruínas, e nele existe certa confusão. A pobreza do ambiente é visível. No canto, à esquerda do anjo anunciador, uma cadeira de palha está encostada na parede, próxima a alguns cestos. Um velho cortinado cai sobre a cama. Não existem portas ou janelas e nada separa o espaço  externo do interno. O piso é formado por quadrados de duas cores e, na coluna, parte dos tijolos está visível. Do lado de fora, José, o esposo, trabalha em seu ofício de carpinteiro, rodeado de ferramentas. Recostados na parede de sua cabana, e espalhados pelo chão, estão muitos pedaços de madeira.

À frente do anjo mensageiro, dentro de um círculo de luz resplandecente, a pomba branca, representando o Espírito Santo, envia um raio de luz sobre a cabeça de Maria, formando uma auréola, que comprova sua divindade. Uma paisagem descortina-se ao fundo, debaixo de um céu iluminado.

Ficha técnica
Data: c. 1563
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 440 x 542 cm
Localização: Scuola di San Rocco, Veneza, Itália