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POVO BRASILEIRO, TRÊS PODERES E FORÇAS ARMADAS

Autoria de LuDiasBH

Assim como a imensa maioria da gente brasileira, eu sou uma democrata nata, e jamais gostaria de ver meu país sob a tutela das Forças Armadas. Não é esta a razão da existência dessas. Mas não posso negar que são elas as guardiãs de nossa pátria, devendo se posicionar sempre que houver perigo à sua soberania. Engana-se quem pensa que o risco à independência da pátria brasileira vem apenas de fora. Na maioria das vezes ele se encontra no âmago de governos impatrióticos, comprometidos apenas com o capital, buscado para si e para o grupo que lhes garante o exercício do “poder”. Por isso, faz-se necessário que as Forças Armadas também coíbam os desmandos na governança de nosso país, comprometendo-se com a sua estabilidade política, financeira e social, importantes para o pleno exercício de nossa democracia.

Nada mais justo que as Forças Armadas posicionem-se com sabedoria e equilíbrio sempre que os dirigentes civis (Três Podres), responsáveis pelos destinos da nação brasileira, jogarem-na no lodaçal da vergonha, alheios à prática dos bons costumes, e praticantes confessos do desregramento, grandes e maléficos vilões da ética no tratamento dado ao bem público. Se tais Forças não agirem em prol do Brasil, não haverá motivo para gastar-se tanto dinheiro público com a existência das mesmas, esperando apenas que ajam diante de uma invasão estrangeira ou quiçá alienígena. Mesmo nos países de primeiro mundo, donos de democracia plena, quando os comandantes de suas Forças Armadas notam que a nação está indo à deriva, eles se posicionam, ainda que nos bastidores. E é isso que esperamos que os nossos façam.

É fato que não podemos nos esquecer das duas décadas em que imperou a ditadura militar. Subtraíram a nossa liberdade através da força bruta, fizeram rolar o sangue de nossa gente em todos os quadrantes do país. Nem mesmo no pior dos pesadelos gostaríamos de passar por tão catastrófica opressão. Contudo, esse passado inglório não justifica a postura daqueles que querem ver as nossas Forças Armadas, instituições nacionais, como fantoches, ainda que essas tenham o dever de responder pelo funcionamento, a contento,  de nossos poderes constitucionais. Tal visão contrária só interessa a uns poucos, mancomunados com as forças dominantes, que desrespeitam a Constituição brasileira, tiram os direitos do povo trabalhador, e também vendem, descaradamente, as riquezas do Brasil a países estrangeiros. A continuar assim, logo não passaremos de um arremedo de nação, subserviente às potências estrangeiras. É bom atinarmos para o fato de que as potências estrangeiras globalizam o que pertence aos países pobres, mas não o que é delas. 

Todos nós: povo, Três Poderes e Forças Armadas somos partes integrantes deste país, portanto, sem exceção, temos o dever cívico de defendê-lo.  O que se espera neste momento tão conturbado de nossa história é a postura patriótica de quem ama esta nação ora aviltada e espoliada, buscando torná-la digna de ser chamada de “nossa pátria brasileira”. Os comandantes militares de hoje, se sábios, não serão os mesmo de ontem, até porque o mundo civilizado não mais dá aval a golpes militares, tampouco nós, brasileiros. Contudo, o passado não os exime do comprometimento com a grandeza do Brasil e, sobretudo, com a defesa de sua soberania. Se os mandantes atuais dos destinos da nação brasileira continuarem a vender seus bens soberanos, ela não tardará a voltar à posição de colônia, como tristemente já o foi, curvando-se a outras nações. E o Poder Judiciário, onde se encaixa no atual contexto de nossa crise política e moral?

Tem sido visível a promiscuidade existente entre os Três Poderes. O conluio entre eles é imoral e leva à execração da nação brasileira aos olhos de seu povo e do mundo. A confiança do povo brasileiro não mais se deposita em nenhum deles. O aviltamento a que se entregou o Poder Judiciário maculou e enxovalhou sua isenção. E se não há democracia com o uso da força bruta por parte das Forças Armadas, também não o há com a prostituição dos Três Poderes. Se as primeiras fizeram derramar sangue da gente brasileira no passado, os segundos também o fazem, agora, principalmente no que tange aos desvalidos, destituídos dos direitos essenciais à vida. Se os militares decidiam sobre quem devia viver e quem devia morrer, os governantes civis atuais também decidem sobre quem deve viver na bonança e quem deve sobreviver em meio à penúria e à indignidade. Viver ou morrer não faz diferença para quem está afundando na miserabilidade.

Ao que me parece, o tempo de exceção de ontem é parecido com o de hoje, bastando apenas olhar o rasgamento da Constituição no que diz respeito aos direitos do trabalhador, que nem mesmo foi consultado. É tudo a serviço do capital. Não estamos no que se chama “Estado Democrático”, mas, sim, de “Estado de Exceção”. O Brasil está retrocedendo, pois se tornou uma nação capenga, ainda que carregue o adesivo de “democracia”. Aqui, ao contrário do que queria Abraão Lincoln para o povo estadunidense, não temos um “governo do povo, pelo povo e para o povo”.  Temos, sim, governantes que governam para si mesmos e suas gangues. E dias melhores não virão sem o árduo trabalho dos patriotas brasileiros. Sonhar apenas não levará a nada. Precisamos nos empenhar na busca por um Estado Democrático de verdade e não de falácia. Deixo o texto abaixo como reflexão:

Art. 1, § 1 da Constituição Federal de 88

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

AS FORÇAS ARMADAS E A SOBERANIA DO BRASIL

Autoria de Edward Chaddad

Há milhares de brasileiros esperando que as Forças Armadas brasileiras tomem posição diante da iminente destruição de nossa soberania e atuem no sentido de sua defesa. Pelo andar da carruagem, o Brasil é um país prestes a tornar-se burguês, onde o trabalhador é apenas um detalhe, uma máquina que irá processar a produção, sem direito à saúde, à educação, a uma boa alimentação, ao descanso, às férias, em suma, ao mínimo possível para manter sua condição de ser humano.

A Constituição Federal, claramente, como se pode observar, no seu artigo l42, que reza: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”, atribui às Forças Armadas uma grande missão: a defesa de nossa pátria, ou melhor, garantir e, acima de tudo, proteger os princípios fundamentais da nossa soberania.

É importante ressaltar que é fundamental que o Brasil mantenha sua soberania intocada, pois sem ela inexiste o Estado. Lembro que a soberania é o suporte de nossa cidadania, da dignidade da pessoa humana, dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, do pluralismo político, ficando claro que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.

Seria totalmente constitucional, portanto, a manifestação das Forças Armadas, alertando todos os brasileiros para a situação de caos em que se encontra o país, não se afastando, assim, do dever de evitar que a sucumbência do Brasil ante as forças nocivas que o transformam numa colônia. Os políticos, que nos “dirigem” atualmente, estão vendendo todos os bens soberanos, ou seja, traindo o povo brasileiro, em resumo, a nossa pátria. Os neoliberais, hoje extremistas ultraliberais, já o fizeram após a revolução militar de 1964, alienando muitos bens que representavam nossa soberania.

Lembro a venda da nossa Vale do Rio Doce ao preço de três bilhões e trezentos milhões de reais, quando, só naquele ano, dera um lucro de aproximadamente dois bilhões de reais. Hoje essa empresa tem o valor de mais de 50 bilhões de dólares. Alienaram a Vale e, com isso, obtivemos, como lucro, um desastre ecológico jamais imaginado pelo povo de Minas Gerais e Espírito Santo, mostrando que a eficiência do setor privado inexiste, pois, acima de tudo, é o lucro que é seu alvo, deixando assim de promover a segurança do empreendimento.

Perdemos também, durante governo neoliberal – 1991 a 2002, uma infinidade de bens que representavam nossa soberania, como a CEMAR, CESP-TIETE; CETEEP – COELBA, CONGÁS; COSERN; CPFL, RGE,,ELEKTRO; ELETROPAULO; ESCELSA; GERASUL;LIGHT; BAMERINDUS, BANESP, BANCO MERIDIONAL; BANCO REAL; BEA;BEG (Banco de Goiás); CARAIBA PQU (Petroquímica União S.A). Querem mais: TELEBRAS: EMBRATEL, TELESP, TELEMIG, TELERG, TELEPAR, TELEGOIÁS, TELEMS, TELEMAT, TELESP, TELEBAHIA, TELERGIPE, TELECEARÁ, TELEPARÁ, TELPA, TELPE, TELERN, TELMA, TELERON, TELEAMAPÁ TELAMAZON, TELEPISA, TELEACRE, TELAIMA, TELEBRASÍLIA, TELASA. A lista não se encerra aqui. Foi apenas uma amostragem.

Houve muito mais alienações, inclusive em bens de Estados federados. Quase venderam a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. E retornam agora para completar a sua tarefa, encomendada pela nossa burguesia e por governos do exterior, interessados nas nossas riquezas, autorizando ativos da Petrobrás e terras brasileiras a preço de banana. Inclusive, há até quem diga que eles irão alienar até o Aquífero Guarani. Lembro que os israelenses adquiriram a maior quantidade de terras possível dos palestinos e, de uma hora para a outra, declararam que o território era deles, e lá constitui o Estado de Israel. Ah, o que acontecerá com a nossa a Amazônia…

Nunca defendi o regime militar, pois encontrei grandes barreiras na liberdade, principalmente de expressão. Fui e sempre serei contra regime ditatorial, seja lá qual for, pois o preço a ser pago é a liberdade e até a morte, como aconteceu. Ademais, sou democrata e sempre defenderei a democracia. Porém, não posso deixar de lado que, durante o Regime Militar, as leis trabalhistas (com raras modificações, como a estabilidade que virou FGTS) e a Previdência não foram afetadas. Inclusive, os militares fizeram modificações para beneficiar a aposentadoria dos professores. É bom lembrar isto. Depois, como os militares não quiseram vender os ativos soberanos de nosso País, como minério, petróleo, terras, etc., foram retirados do Poder, com o apoio da Cia. Após o fim da ditadura militar, veio a galope o neoliberalismo, quando os neoliberais começaram a vender nossos ativos soberanos, provando-se que o motivo da queda militar foi este.

A partir da vitória das forças de centro-esquerda em nosso País, este movimento de venda de bens soberanos parou. E agora o novo governo neoliberal, não escolhido pelo povo, objetiva, entre muitas outras coisas, a alienação de nossos bens soberanos, principalmente a Petrobrás, que hoje tem o Pré-Sal, um dos maiores reservatórios de petróleo de primeira qualidade no mundo todo. E o neoliberalismo, hoje em seu extremismo , ou seja, com o ultraliberalismo a todo vapor, veio com a finalidade de vender de vez todo o resto das riquezas do Brasil.

Pode-se constatar pela venda planejada de todos os ativos soberanos de nosso país, que a grande maioria de nossos políticos não é nacionalista, pois estão garantindo a alienação total dos bens que representam nossa soberania. As ditaduras, tanto de Vargas como a Militar, defenderam a soberania do Brasil, inclusive os direitos trabalhistas e previdenciários, estes criados ao tempo de Vargas, ainda que desprezassem a liberdade do povo. No momento em que grupos estrangeiros e mesmo brasileiros tomam nossos bens soberanos, o governo não governa. O povo não governa, pois perde a sua soberania.

Hoje sei que os militares foram derrubados do poder, porque não aceitaram que nossos bens soberanos fossem alienados. Falou mais alto o sentimento patriótico e não concordaram. Daí terem sido derrubados. Finalizando, penso que as Forças Armadas brasileiras devem e podem tomar posição diante da iminente destruição de nossa soberania e atuem, patrioticamente, no sentido de sua defesa, máxime no rigor da nossa lei constitucional, renita-se, como se pode observar, no seu artigo l42, que atribui às forças armadas uma grande missão: a defesa de nossa pátria, protegendo os princípios fundamentais da nossa soberania.

 

A FUNÇÃO DE UMA BOA ESCOLA

Autoria do Prof. Rodolpho Caniato

A fala do professor geralmente é a “fonte” que reproduz as coisas que estão escritas no livro didático. Isso agrava a carência na habilidade de ler dos nossos alunos. Essa carência é tão grave que se estende aos níveis mais altos de escolaridade, até mesmo à pós-graduação, com reflexos no desempenho dos indivíduos e no desenvolvimento do país. Nosso ensino é feito quase que exclusivamente pelo discurso do professor. Quase nada fica do “quase tudo” que pensamos ter ensinado, quando se usa o “método” apenas discursivo ou de copiar. A ausência na escola de qualquer atividade inteligente que envolva também as mãos é uma das deformidades de nossa cultura. Essa deformação se propaga e constitui um dos problemas das elites intelectuais nos países “sub” desenvolvidos.

Sabemos fazer discursos sobre “soluções”, mas sabemos fazer muito pouco de fato. Este não é um problema só do ensino fundamental e médio. Grande parte das instituições de ensino superior é de uma enorme pobreza na capacidade de realizar qualquer coisa que não seja “aula teórica”. Quando se trata de ensino de alguma área das chamadas ciências da Natureza ou simplesmente Ciência, isso produz uma grande e grave deformação. Aprende-se a “falar” sobre as coisas, mas se sabe “fazer” muito pouco com elas. Ao longo de décadas de meu trabalho com professores de Ciências e de Física ficou para mim evidente que muitos de nossos cursos são parecidos a cursos de natação feitos por correspondência: aprendemos a falar sobre a importância da natação, mas não nos atrevemos a entrar na água.

O constante exercício de uma postura passiva, de só se sentar e ouvir, acaba por atrofiar a iniciativa dos jovens, formando muito mais “sentistas” que cientistas. A iniciativa é um dos ingredientes indispensáveis ao progresso do indivíduo e das nações. Nossa escola, pela postura passiva que estimula a imobilidade como “bom comportamento”, exercita a passividade e atrofia a iniciativa. A dificuldade de exprimir-se com clareza ao falar denota a grande falta de oportunidade de exercitar-se essa habilidade, pois:

1. É a ESCOLA o lugar em que se deve exercitar a verbalização de argumentos.

2. É também a ESCOLA o lugar em que, nas DISCUSSÕES, o jovem deve aprender a exercitar a oportunidade em que se deve calar para ouvir os argumentos dos outros. Democracia se aprende exercitando suas regras desde cedo: na ESCOLA, principalmente.

3. É também na ESCOLA que devemos exercitar o convívio com as diferenças de todos os tipos: raça, credo religioso, orientação política ou de gênero, deficiências físicas e outras.

A ESCOLA pode e deve ser tolerante com as diferenças, mas intransigente com a burla e a fraude. Mais importante que discursos sobre ÉTICA é o exercício do respeito a pessoas e instituições em todas as atividades, dentro e fora das classes. Portanto, o papel da ESCOLA e do PROFESSOR deve e pode ser uma espécie de “rampa” para a “decolagem” definitiva e independente do indivíduo rumo a um “voo” com autonomia para continuar a crescer em conhecimento, pelos seus próprios meios. A ESCOLA e o PROFESSOR devem, e podem, ser as coisas de que nos recordaremos por toda a vida com admiração, gratidão e respeito pelo “balizamento” que nos guiaram e com as boas  lembranças das pessoas que nos proporcionaram a “pista” para uma boa “decolagem” com nossos “motores” em nosso “voo” pela vida e pelo Mundo.

Nota: texto extraído do livro “Nossa Escola Quase Inútil”, 2006, inédito
Imagem: A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, obra de Rembrandt

CARTA ABERTA AO GENERAL VILLAS-BÔAS

Autoria de LuDiasBH                     

    

Desacreditados nos chamados “Três Poderes” (Executivo, Legislativo e Judiciário) de nossa República, nós, brasileiros, voltamos nossa esperança agonizante para o senhor, General Villas-Bôas, comandante do Exército Brasileiro. Contudo, gostaria de confessar-lhe, meu simpático general, ainda que meio constrangida, que a imensa maioria de nosso povo mostra-se desencantada com a postura do comando do Exército nacional, pois, assim como os três macacos místicos japoneses, parece “nada ver”, “nada ouvir” e “nada falar” em tempos de tanta desesperança e penúria, quando a pátria brasileira sucumbe, dia após dia, num mar de lama desmedido, sob a bandeira fatídica da corrupção desenfreada e sem limites.

O contexto em que se encontra nosso país, General Villas-Bôas, envergonha-nos diante de outras nações. Quem de nós, que por terras estrangeiras ande nos dias de hoje, busca esconder sua identificação pátria, pois a corrupção, erva-daninha que por aqui lastreia sem pudor ou temor, tolda a autoestima de toda a gente honesta brasileira, por mais humilde que seja, pois também é parte desta pátria aviltada e dilacerada. E dentro do Brasil tornamo-nos órfãos, destituídos de orgulho, grandeza e esperança no futuro. Pobre país, nocauteado pela ambição descabida de arrogantes mandachuvas, desprovidos de qualquer laivo de patriotismo.

Não mais temos orgulho de ser brasileiros, General Villas-Bôas, ou, tampouco, abraçamos um objetivo em comum – o engrandecimento de nossa pátria mãe. Ao contrário, temos agido como cães e gatos, sem qualquer irmandade ou vestígio de identidade com nosso país. Não conseguimos vislumbrar uma réstia de luz em meio a tanta putrefação. Nas trevas em que nos encontramos, passamos a acreditar que todos os gatos são pardos, e que não há mais quem zele por nossa pátria, ainda que umas poucas vozes tentem pregar em meio ao deserto da indiferença, do descaso e do desamor pelo nosso país.

General Villas-Bôas, mais do que nunca o pensamento de Rui Barbosa ganha vida no Brasil de nossos tempos: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”. Para dar mais realismo às palavras do jurista, substituamos “homem” por “brasileiros”, e teremos um retrato cru e deprimente de nossa constrangedora realidade. Junto com os desmandos, maus-caratismos e pilhagens vem, sobretudo, o assassinato dos mais humildes, reféns da falta de hospitais e medicamentos, empregos, segurança e educação de qualidade, vitimados por uma infraestrutura inexistente ou deteriorada, que impede o desenvolvimento da nação.

É inacreditável, General Villas-Bôas, que a “Justiça” ainda penalize os menos favorecidos neste país, superlotando as cadeias, muitas vezes por ínfimos furtos, quando a estrutura (jurídica e política) que o governa encontra-se quase toda apodrecida, exalando mau cheiro. Dizer que nossas instituições estão funcionando a contento é menosprezar a inteligência do povo brasileiro, é lavar as mãos como o fez Pilatos, é não zelar pela nação. Nestes tempos de desencanto é impossível não trazer à baila o pensamento do teólogo e filósofo alemão Albert Schweitzer: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.”. Logo, o mau exemplo é o outro lado da moeda que precisa ser lixado.

O saque que se faz de nosso país, General Villas-Bôas, seria considerado imoral e inaceitável, se fôssemos uma nação decente, detentora de governantes e judiciário honrados, comprometidos com o povo, em nome de quem exercem suas funções. O balcão de negócios escusos em que foi transformado o Brasil e o desrespeito à nossa Constituição corroem todos os nossos valores morais. Os delitos pecuniários não se limitam apenas às cifras impronunciáveis e estratosféricas, nestes tempos em que as unidades dos milhões e dos bilhões tornaram-se corriqueiras na mídia, como se se falasse de bagatelas, quando a imensa maioria do povo brasileiro só tem acesso aos quatro dígitos, vivendo em visível penúria. Tais cifras subtraídas do bem comum tornam os larápios imorais e aviltantes.

É lamentável, General Villas-Bôas, que muitos dos que deveriam primar pelo amor à nação brasileira e pelo bom exemplo são os mesmos que a roubam no intuito de obter riqueza e, consequentemente, poder. É como se tais “faraós” não tivessem noção da brevidade da vida. Dilapidam o Brasil, imaginando viver mil anos. São avaros e tolos. Destroem as relações sociais e econômicas do país, porque não carregam consigo um laivo de patriotismo e humanidade. E, se assim agem, é porque têm certeza da impunidade, pois a nossa sectária “Justiça”, em sua paixão, perturba o julgamento e oblitera a razão, colocando alguns poucos privilegiados acima da lei. Sua cegueira clama aos céus e judia do povo brasileiro.

Não desejamos que use da força para subjugar o Brasil, General Villas-Bôas, pois amamos a democracia. Queremos, sim, que não apenas “veja” e “ouça”, mas também “fale”, em alto e bom tom, que as Forças Armadas estão atentas aos desmandos dos dirigentes da nação brasileira, que elas não concordam com a dilapidação do país e com a entrega de suas riquezas a outros, que não afiançam as quadrilhas “supostamente legalizadas”, que condenam a não subserviência dos poderosos às leis, que reprovam a não culpabilização dos corruptos, que censuram a promiscuidade da Justiça e o esmagamento da classe trabalhadora a mando do capital. E que exigem, sobretudo, o respeito à Constituição do país.

Caro General Villas-Bôas, é sabido que os “grandes” e “poderosos”, que assaltam o país em todos os âmbitos, temem os clarins das Forças Armadas. Mas também é fato que ora acham que essas FORÇAS encontram-se apáticas, indolentes, entorpecidas e insensíveis ao clamor popular, portanto, nada havendo a temer.  Ainda assim, resta a nós, o povo, como último ato de esperança, ouvir o timbre claro desses clarins, para que possamos retomar o orgulho de sermos brasileiros. Fora disso, resta-nos seguir o exemplo das toupeiras.

Um abraço carinhoso,

Lu Dias (virusdaarte.net)

VIVER SEM ÉTICA É MORRER DUAS VEZES

Autoria de LuDiasBH

Heitor 78

A ética consiste em pôr nossa liberdade a serviço da camaradagem vital que nos aparenta como semelhantes em desespero e alegria. […] A morte pode apagar o que somos, porém não o fato de que fomos e ainda estamos sendo. […] Afirmar alegremente a vida é dá-la por boa, embora isso não equivalha a considerar bom cada um dos episódios e fatores que incidentalmente participem dela. (Fernando Savater)

Ainda em tenra idade, a criança trava relacionamento com a morte. Mas essa ainda se mostra tão irreal e ficcionista como se fosse parte de suas histórias infantis, onde todos os personagens “maus”, seres humanos ou animais, morrem em razão de suas maldades. Como ela julga a si mesma, sua família e coleguinhas são pessoas do “bem”, portanto, a morte nunca irá rondá-los. É fato que vez ou outra a criança quer que alguém morra, mas apenas no sentido de “desaparecer” de perto de si e de deixá-la em paz durante algum tempo. Entretanto, o ser humano adulto vê a morte como uma realidade cada vez mais próxima, em cada ente familiar, colega, amigo ou conhecido que vai embora para sempre.

Ninguém tem a compreensão real do que é morrer, ainda que as religiões apregoem isso ou aquilo. Todo indivíduo sabe que vai morrer, contudo, nada conhece sobre a morte. E é esse paradoxo que envolve todos nós, acostumados que estamos com a Ciência que vem desvendando as mais complexas indagações. Excetuando a morte. Nossa caminhada ao encontro dela é inexorável. O caminhar diário em direção a ela, ciente de que nada interromperá esse destino, joga as pessoas numa desesperança latente. Algumas delas não aceitam a finitude como regra geral. Querem se conservar a todo custo, viver eternamente, criar exceções como sempre o fizeram ao longo da vida, ávidas por riqueza e poder, sem jamais se importar com os que estão nos degraus inferiores da pirâmide social.

Os indivíduos ganciosos pensam que encontram no acúmulo de bens um escudo contra a transitoriedade da vida. E passam a querer sempre mais, de modo que a “santa muerte” passe longe deles. Pensam que haverão de amedrontá-la. Negam para si que a aniquilação final não diz respeito a eles e aos seus. Ledo engano! O fim é o mesmo para todos: pó. Sempre o pó! Eles não sabem que não há nada como a ética para assegurar a nossa “imortalidade”, pois ela impede que nos transformemos em prisioneiros da morte, mas “semelhantes em desespero e alegria”, como argumenta o filósofo Fernando Savater.

Quanto mais prepotentes, avaras e torpes forem as pessoas, mais dificuldades terão em aceitar a morte, porque sempre se julgaram invulneráveisa tudo. Morrer sem desfrutar de tanta fortuna acumulada é uma injustiça – pensam elas. E esbravejam como se a morte fosse um de seus asseclas, partidários ou sequazes. A única maneira de contrapor a esta certeza latente de que se vai morrer um dia é viver da melhor maneira possível, a cada dia, apesar de todos os contratempos que possamos encontrar pelo caminho.

Viver mal é morrer duas vezes. Ainda que sejamos perseguidos pela nossa finitude, devemos procurar viver com satisfação, valorizando a nossa passagem por este planeta chamado Terra. Somente assim somos capazes de aliviar a nossa condição humana de seres finitos. Enquanto estamos vivos temos mais é que celebrar a vida, mas com a maior dignidade possível.

Nota: A Família Enferma, obra de Lasar Segall

Sugestão de leitura:
Desperta e Lê/ Fernando Savater

GLOBALIZAÇÃO E TERCEIRIZAÇÃO

Autoria de LuDiasBH

Muito se tem falado sobre a globalização, mas uma indagação permanece no ar:  Como tem sido a vida do trabalhador neste novo mundo globalizado? Quem está ganhando e quem está perdendo? Ou o placar encontra-se empatado?

Não resta a menor dúvida de que a globalização trouxe mais riqueza para quem já tinha e deu oportunidades de crescimento para muitos outros. No entanto, um grande contingente de indivíduos despreparados para a nova era ficou fora da locomotiva do progresso. Enquanto muitas pessoas estão vivendo melhor do que antes, outras tantas vivem cada vez pior, subsistindo com dois dólares diários ou menos. Concluímos, portanto, que a globalização ampliou a defasagem entre ricos e pobres.

Dentre os mais variados problemas criados para os trabalhadores dos países desenvolvidos, nada tem sido pior do que a chamada terceirização. Tais países estão transferindo suas fábricas para as nações em desenvolvimento, não porque as querem ajudar, mas para usufruírem das benesses que tais nações lhes oferecem. De modo que perdem os trabalhadores dos países desenvolvidos e são explorados os trabalhadores dos países em desenvolvimento, assim como os próprios países onde as fábricas são instaladas, pois as nações ricas passam a fazer uso de suas riquezas em troca de migalhas. China e Índia estão no topo da lista dos países transformados numa gigantesca oficina de “made in …”.

Como dizia meu pai: “Quando a esmola é muito grande o santo desconfia”. E é este sentimento de desconfiança na “generosidade” das grandes nações é que vem turvando a esperança dos pequenos na cantada e decantada globalização. Onde o capitalismo impera, nada vem de graça. O que leva uma grande potência a transferir suas fábricas para os países em desenvolvimento? Vejamos:

  • Mão de obra extremamente barata.
  • Os benefícios dispensados aos novos funcionários são pouquíssimos.
  • Não precisa se preocupar com greves e sindicatos.
  • O gasto com padrões de segurança é mínimo.
  • A proteção ambiental (quando existe) é muito menos obrigatória.
  • Toda a poluição das fábricas é transferida para os novos países.
  • São as riquezas naturais desses novos países a serem usadas.
  • Os lucros são extremamente altos para os empresários.

Enquanto os trabalhadores dos países em desenvolvimento estão contentes e cheios de esperança numa vida melhor, mesmo com os salários escravos pagos pelos novos patrões, pois antes viviam desempregados, as classes trabalhadoras do mundo desenvolvido são uma espécie em extinção. O que nos leva a deduzir que, de uma forma ou de outra, os trabalhadores continuam sendo explorados, num lugar ou em outro. Eles enriquecem os patrões e mal ganham para sustentar suas famílias. Embora as classes trabalhadoras sejam as responsáveis para que a engrenagem de um país funcione, são também as que mais sofrem com os reveses da economia.

Em vão pensam os poderosos que a globalização pode ter futuro, ignorando a pobreza que se alastra, convivendo com uma distribuição de renda mesquinha, em que 10% das pessoas possuem 90% das riquezas da Terra, numa matemática cruel. Eles se esquecem de que para cada criança que nasce no mundo dos aquinhoados, nascem nove no dos desafortunados. Ou seja, enquanto a população dos países ricos diminui, a dos miseráveis aumenta. O que acontecerá com o nosso planeta lá pelo ano de 2050, se esta matemática não for equilibrada? Ninguém pensa nela, mas trata-se de uma questão gravíssima.

Nota: Imagem copiada de http://www.geograficamentecorreto.com