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Artigos excêntricos de diferentes partes do mundo

SOMÁLIA – MODELO SOMALI FALA SOBRE SUA MUTILAÇÃO GENITAL

Autoria de Amanda Campos*

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Fechei meus olhos e rezei para que fosse rápido. E foi, já que desmaiei de tanta dor e só acordei quando já havia acabado. Foi horrível. Senti como se tivesse perdido um braço. (Waris Dirie)

Grande parte da população somali é analfabeta. Claro que acreditam em várias tradições. As mulheres não têm status social e são abusadas em todo a sua vida. Essa realidade precisa mudar. (Waris Dirie).

Waris Dirie tinha 5 anos quando foi circuncidada com navalha. O som rítmico dos tambores ainda ecoa nas suas lembranças, cada vez que ela ouve falar sobre mutilação genital feminina. Ela foi acordada pela mãe no meio da noite e levada a um local ermo. Quando viu uma mulher seguir em sua direção com uma lâmina de barbear quebrada, não teve dúvida: seria mutilada.

Depois do procedimento, Waris passou duas semanas recuperando-se com hemorragia e febre alta. Para acelerar a cicatrização, a criança teve pernas e tornozelos atados com tiras de pano por quase um mês. “Mesmo sendo apenas uma garotinha, sabia que aquilo era errado. Deus me fez perfeita. Não precisavam ter tirado uma parte de mim”, diz ela.

Apesar do sofrimento, Waris jamais se rebelou contra os pais. Pelo menos até os 13 anos de idade, quando a família avisou que ela teria que se casar com um homem bem mais velho. Na noite que antecedeu o matrimônio, a jovem fugiu de casa e buscou abrigo junto a um tio que trabalhava em uma embaixada. Levada por ele para Londres, na Inglaterra, ela se tornou empregada doméstica na casa do embaixador da Somália, mas fugiu depois de meses sem qualquer remuneração. Instalada em um albergue, a jovem conseguiu emprego em um restaurante do McDonal’s, onde acabou sendo descoberta pelo fotógrafo Terence Donovan e iniciou seu trabalho como modelo.

“Foi um choque para uma garota muçulmana que não conhecia nada do mundo como eu”, brinca Waris. “Depois disso, dei início à minha carreira. Foram muitos desfiles e trabalhos publicitários. Mas jamais esqueci da mutilação genital.” Para ajudar outras meninas que se submeteram à mutilação genital e evitar que milhares de outras sofressem a mesma dor, a ex-top model tornou-se ativista social e escreveu o livro “Flor do Deserto”, que posteriormente tornou-se filme com título homólogo e que teve a somali como co-produtora. Depois de anos como modelo, Waris passou a dedicar-se exclusivamente à “Desert Flower Foundation”, ONG que apoia mulheres afetadas pela mutilação genital e tenta proteger possíveis vítimas. Hoje, Waris mora em Viena com os filhos Aleeke e Leon.

*Nota: trecho retirado do Jornal Último Segundo.
Leiam a reportagem na íntegra acessando: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-04-23/desmaiei-de-dor-lembra-top-model-da-somalia-sobre-mutilacao-genital.html

Imagem copiada de http://www.polyvore.com/waris_dirie_hero_survivor_warrior
/set?id=36859387

ÁFRICA – A ABLAÇÃO DA GENITÁLIA FEMININA

Autoria de LuDiasBH

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 Na Somália, assim como em alguns outros países africanos e do Oriente Médio, as meninas são “purificadas” mediante uma prática considerada abominável no mundo civilizado: a ablação da genitália. Tal procedimento normalmente ocorre quando a garota completa quatro a cinco anos de idade. O clitóris e os pequenos lábios são cortados ou extraídos e toda a região é costurada, formando um cinto de castidade, mas de carne. Apenas um pequeno orifício permite a saída da urina. Ao se casar, tal costura é rasgada brutalmente para o coito, muitas vezes é cortada à faca pelo esposo.

A mutilação dos órgãos genitais da criança é anterior ao Islã, de modo que não são todos os muçulmanos que adotam tal procedimento. Assim como existem povos que o adotam, mas não são islâmicos. Na Somália, tal prática é muito usada, de modo que quase todas as meninas são submetidas à clitorectomia. A cultura do país usa o Islã como desculpa, mas, mesmo assim, os imames não desencorajavam tal prática ou a proíbem.

As garotas incircuncisas (que não foram infibuladas) são discriminadas e tidas como prostituas, possuídas pelo diabo. A maioria dos homens não se casa com garotas que não foram circuncidadas. Grande parte das moças solteiras que se engravidam, acabam se suicidando, por não aguentarem a humilhação e os castigos. Muitas se queimam vivas, antes que sejam mortas por pais ou irmãos. Uma criança, filha de mãe solteira, é tratada como pária. Sofre toda sorte de abusos e maus-tratos. É grande o número de crianças que morrem de dor e infecção, durante ou após a operação de clitorectomia. Outras complicações dolorosas acompanham as futuras mulheres pelo resto da vida, depois de serem expurgadas.

A clitorectomia é feita por pessoas comuns, sem nenhum conhecimento de medicina, tais como açougueiros, parteiras e avós. Não é usado nenhum tipo de anestésico ou antisséptico, e as crianças são instadas a não chorar, para não mancharem a honra da mãe. Até o sofrimento ali está ligado à maldita honra. Após a sutura das partes sangrando, a garota tem as pernas amarradas para facilitar a cicatrização, impedindo-a de andar. Urinar passa a ser outra tortura. As pernas são desamarradas e amarradas de novo, até que os pontos sejam tirados com a mesma brutalidade, muitas vezes com o tecido ainda inchado ou cheio de pus.

O objetivo da clitorectomia é impedir que as mulheres sintam desejos sexuais e se “transformem” em prostituas. Mas segundo informações de mulheres que já passaram por isso, e vivem agora no Ocidente, tal procedimento bestial e perverso não elimina o apetite sexual e nem a capacidade de ter prazer, como pensa a família da garota. Ou seja, não possui nenhuma outra eficácia que não seja a de mutilar fisicamente o corpo da mulher e levá-la a um sofrimento atroz, que a acompanha até a morte.

O que vemos na Somália é uma mentalidade feudal, alavancada por conceitos tribais de honra e vergonha, onde as mulheres são literalmente mutiladas, em nome da moral. Mesmo homens somalis, moradores em países liberais, voltam para a Somália para buscarem uma esposa sob a alegação de que as somalis de fora do país de origem são muito ocidentalizadas (vestem de modo indecente, desobedecem aos maridos e se misturam livremente com homens, em suma, não são baarris).

O mais triste é constatar que mesmo em países ocidentais, como na Holanda, França e o Reino Unido, as famílias de países em que se pratica a clitorectomia, ao se exilarem, levam consigo o mesmo costume perverso, praticando em solo estrangeiro a ablação da genitália feminina. Tais famílias precisam ser denunciadas e punidas severamente, de modo a proteger, principalmente, as crianças que não podem se rebelar contra a autoridade abusiva de seus pais. Nem mesmo as mães podem protegê-las contra a ignorância de uma cultura perversa, onde a “honra” justifica qualquer tipo de abuso cometido contra as mulheres, ainda que elas seja criancinhas inocentes e desamparadas, num mundo cão. Vejam também o artigo:

ÁFRICA – AS MULHERES NA CULTURA SOMALI

Nota: imagens copiadas de forum.outerspace.terra.com.br320 × 217  e
janeentrelinhas.blogspot.com

Fontes de Pesquisa:
Reconciliação (Benezir Bhuto)
Infiel (Ayaan Hirsi Ali)
Nove Partes do Desejo (Geraldine Brooks)

ÍNDIA – CARTA DEIXADA PELO INDIANO ROHIT VEMULA

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cartrohve I  cartrohve II  cartrohve III

Meu filho morreu por causa do abuso de poder e conspiração por algumas pessoas poderosas. Pelo menos, agora eles devem revogar a suspensão de quatro outros meninos. (mãe de Rohit Vemula)

Eis o texto completo da carta de suicídio do dalit indiano Rohit Vemula:

“Bom Dia,
Eu não estarei por perto quando você ler esta carta. Não fique com raiva de mim. Sei que alguns de vocês realmente se importavam comigo, amaram-me e trataram-me muito bem. Eu não tenho queixas sobre ninguém. Foi sempre comigo mesmo que tinha problemas. Eu me sinto um fosso crescente entre a minha alma e o meu corpo. E eu me tornei um monstro. Eu sempre quis ser um escritor. Um escritor da ciência, como Carl Sagan. Enfim, esta é a única carta que eu estou começando a escrever.

Eu amava a ciência, as estrelas, a natureza, eu amava as pessoas sem saber que há muito tempo elas se divorciaram da natureza. Nossos sentimentos são de segunda mão. Nosso amor é construído. Nossas crenças coloridas. Nossa originalidade é válida através da arte artificial. Tornou-se verdadeiramente difícil amar sem se machucar.

O valor de um homem foi reduzido à sua identidade imediata e à sua possibilidade mais próxima [de ser]. Para um voto. Para um número. Para uma coisa. Nunca fui um homem tratado como um espírito. Como uma coisa gloriosa composta de poeira de estrela. No próprio campo, nos estudos, nas ruas, na política, e em morrer e viver.

Estou escrevendo este tipo de carta pela primeira vez. Minha primeira vez de uma carta final. Perdoe-me se eu deixar de fazer sentido. Talvez eu estivesse errado o tempo todo na compreensão de mundo. Em compreender o amor, a dor, a vida, a morte. Não havia urgência. Mas eu sempre corria. Desesperado para começar uma vida. Para algumas pessoas a própria vida é uma maldição. Meu nascimento é meu acidente fatal. Eu nunca pude me recuperar de minha solidão na infância. A criança desvalorizada do meu passado. Eu não estou magoado neste momento. Eu não estou triste. Eu estou apenas vazio. Sem se preocupar comigo mesmo. Isso é patético. É por isso que eu estou fazendo isso.

As pessoas podem ver-me como um covarde. E egoísta ou estúpido, uma vez que eu me for. Não estou preocupado com o que eu sou chamado. Eu não acredito nas histórias do pós-morte, fantasmas, ou espíritos. Se houver alguma coisa em que eu acredite, eu acredito que eu possa viajar para as estrelas. E saber sobre os outros mundos.

Se você, que está lendo esta carta pode fazer algo por mim, eu tenho a receber 7 meses de minha pensão, um lakh e setenta e cinco mil rúpias. Por favor, veja se a minha família recebe isso. Eu tenho que dar cerca 40 mil para Ramji. Ele nunca os pediu de volta. Mas por favor, pague isso a ele.

Deixe que meu funeral seja silencioso e suave. Comporte-se como se eu só apareci e desapareci. Não derrame lágrimas por mim. Sei que estou mais feliz morto do que se estivesse vivo. “A partir de sombras para as estrelas.”

Anna, desculpe-me por usar o seu espaço para esta coisa. Para a família ASA, desculpe por desapontar todos vocês. Vocês me amavam muito. Desejo tudo de melhor para o futuro.

Pela última vez,
Jai Bheem

Eu me esqueci de escrever as formalidades. Ninguém é responsável por este meu ato de matar-me. Ninguém me instigou, seja por seus atos ou por suas palavras. Esta é a minha decisão e eu sou o único responsável por isso. Não quero problemas para meus amigos e inimigos depois que eu me for.”.

Nota: leia também:
ÍNDIA – JOVEM PESQUISADOR DALIT SUICIDA

ÍNDIA – JOVEM PESQUISADOR DALIT SUICIDA

Autoria de Luiz A. Gómez/ Calcutá

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Índia: Suicídio de jovem pesquisador dalit gera onda de protestos contra discriminação por castas. Sem terra, escola ou respeito, ‘os intocáveis’ são discriminados de todas as formas e, na maior parte das vezes, impedidos de buscar qualquer ascensão.

Nem a melhoria da situação econômica ou o diploma de curso universitário são capazes de acabar com o estigma de ter nascido “dalit” (intocável) na Índia. Isto é o que nos prova o suicídio do jovem Rohit Vemula, em razão do rigoroso sistema de castas indiano, num país cheio de deuses e endeusado por muitos, como o centro da espiritualidade no planeta. E este caso é apenas  mais um dos muitos suicídios e assassinatos de estudantes dalits. Abaixo a transcrição do texto de Luiz A. Gómez, no site Opera Mundi:

Na centenária cidade de Hyderabad, antiga capital de reinos muçulmanos e hoje núcleo da indústria da tecnologia na Índia, na noite do dia 17 de janeiro do presente ano, Rohith Vemula decidiu escrever suas últimas palavras. “Amava a ciência, as estrelas, a natureza, e depois amava as pessoas sem saber que elas se divorciaram faz muito tempo da natureza”, escreveu o jovem doutorando da Universidade de Hyderabad. “O valor de um homem foi reduzido à sua identidade imediata, à sua mais próxima possibilidade [de ser]”. Rohith organizou suas coisas, despediu-se pedindo não perturbar seus amigos e inimigos e enforcou-se no pequeno quarto da residência estudantil, onde um amigo estava lhe dando alojamento.

Aos 26 anos, pobre e com seus direitos como estudante suspensos, inclusive a bolsa com a qual sustentava e apoiava sua mãe e seu irmão mais novo, Rohith não apenas queria escrever sobre Ciência. “Como Carl Sagan”, queria mudar o mundo, começando pelo seu entorno: membro do que desde muitos milênios atrás se conhece na Índia como as castas mais baixas, os intocáveis, o jovem era um conhecido ativista pelos direitos daqueles que, como ele, são discriminados diariamente em todos os âmbitos da vida pública do país. E sua morte começou a sacudir esse país imenso, dividido e cheio de deuses e de religiões.

Os dalits (ou “gente maltrapilha”, como seria sua tradução direta do hindu) são, na verdade, um conglomerado de grupos sociais, tradições e ofícios milenares que, segundo a religião hindu, são formados pelas pessoas que estão mais baixo na escala social, religiosa e econômica, sem direito a nada: nem terra, nem escola, nem respeito. Ainda assim, nessa rigidez hierárquica, o mais famoso entre eles, o Dr. B. D. Ambedkar, foi o principal redator da Constituição indiana e um severo crítico de Gandhi, com quem polemizou durante muitos anos. Para sua gente, é um herói quase mítico. Por isso, a grande maioria das organizações dalit na Índia têm Ambedkar em algum lugar, no nome ou no logotipo. Como a Associação de Estudantes Ambedkar (ou ASA), da Universidade de Hyderabad, que Rohith Vemula liderou com entusiasmo durante um tempo para ajudar estudantes como ele.

A vida de um estudante de uma casta baixa nessa universidade nunca foi fácil. Pulyla Raju, que se suicidou em 2013, ao não poder avançar em seus estudos (perseguido por companheiros e professores), ou Sunitha, que se suicidou grávida, em 2007, quando o jovem de uma casta privilegiada, que a seduzia, se negou a casar-se com ela por ser de outra casta, e zombou dela até depois da morte, sabiam bem disso. Assim como os 10 estudantes dalits que, nos anos 1980, foram suspensos por “contaminar” as aulas e nunca mais puderam voltar a estudar.

Da mesma forma que acontece em Délhi e Mumbai, os estudantes dalits são discriminados sistematicamente na Universidade de Hyderabad. Negam-lhes comer nos refeitórios das universidades (para não “contaminar” os pratos e os copos), batem em seus companheiros de outras castas, e os professores, com boas maneiras, humilham-nos nas aulas explicando que o conhecimento não está ao alcance deles, como revelou uma pesquisa do doutor Narayan Sukumar, acadêmico da Universidade Jawaharlal Nehru, em Délhi, que fez seu mestrado em Hyderabad.

É comum inscreverem contra eles insultos nas paredes e no Facebook, como fez há alguns meses Susheel Kumar, dirigente estudantil de uma casta alta e sobrinho de um conhecido político do partido Bharatiya Janata, o partido do primeiro-ministro Narendra Modi. Os insultos de Kumar não passaram despercebidos para Rohith Vemula e os membros da ASA, que o confrontaram com um protesto. O covarde aceitou eliminar seus posts e tudo pareceu voltar à aparente normalidade na Universidade de Hyderabad. Mas, no dia 4 de agosto, Susheel Kumar decidiu acusar os membros da ASA de agredi-lo e feri-lo. A denúncia teve uma resposta imediata das autoridades universitárias, em particular do vice-reitor Appa Rao. Os cinco estudantes dalits ativistas foram suspensos em agosto de 2015 e a sua “vítima” seguiu sua rotina, mas Rohith e o seu grupo protestaram até que a universidade formou uma comissão para investigar o caso.

Nada. A comissão universitária não encontrou prova alguma da suposta agressão contra Susheel Kumar. Mas isso não importou: alguns meses depois, os estudantes da ASA continuavam suspensos na Universidade de Hyderabad sem razão provada (bom, por fazer o que um estudante faz: protestar). Rohith deixou de receber sua bolsa (e de mandar dinheiro para casa). Os dalits tiveram de sair da residência estudantil e instalaram-se em uma barraca na entrada do recinto. Um retrato de Ambedkar, mantas para se cobrir e alguns livros e papéis era tudo o que possuíam. Oprimido pela rejeição, sem dinheiro nem casa, Rohith tirou a própria vida. Mas não agiu sozinho, como demonstrariam nos dias seguintes as cartas de um parlamentar, uma ministra do governo nacional e, sem dúvida, os protestos dos milhares e milhares de cidadãos em todos os cantos da Índia.

Nos dias posteriores ao suicídio de Rohith Vemula, muitos estudantes universitários começaram a protestar em Mumbai, Délhi, Calcutá, Madras e outras cidades. O destacado poeta Ashok Vajpeyi, estudante em sua juventude da Universidade de Hyderabad, devolveu seu título universitário. Centenas de acadêmicos de todo o mundo enviaram cartas de protesto e os meios de comunicação durante uma longa semana se ocuparam do jovem estudante que morreu se sentindo vazio, desejando “viajar para as estrelas… conhecer outros mundos”.

Começaram a aparecer os documentos que provam que essa discriminação não apenas é comum, mas sistemática. Como na carta do parlamentar Bandaru Dattatreya (de 17 de agosto), que chama os estudantes da ASA de “extremistas” e pede que as autoridades façam algo contra eles. Dattatreya é o ministro do Trabalho e Emprego da Índia. Ou a correspondência assinada por altos funcionários do ministério de Recursos Humanos e Desenvolvimento e o vice-reitor Rao, tendo como “assunto” as atividades “antinacionais” na Universidade de Hyderabad e o “ataque” ao jovem dirigente Susheel Kumar, e exigiram, em novembro de 2015, que a autoridade universitária resolvesse pessoalmente o problema. Ainda depois de ter sido provada a inocência dos cinco membros da ASA. A ministra de Recursos Humanos e Desenvolvimento, Smriti Irani, alguns dias depois do suicídio, disse que não se tratava de um conflito entre dalits e não dalits. “Houve uma tentativa maliciosa de projetar o problema como uma batalha de castas. A verdade é que não é”, disse Irani no dia 19 de janeiro, anunciado a criação de uma equipe de investigação para esclarecer o assunto.

O corpo de Rohith Vemula foi cremado de forma quase clandestina. Sua mãe recebeu as mensalidades da bolsa depois de uns dias. E ainda que ninguém tenha sido acusado de nada (e o primeiro-ministro Narendra Modi tenha falado “da dor de uma mãe que perdeu seu filho”), o vice-reitor Appa Rao deixou seu posto de maneira indefinida e os quatro estudantes da ASA foram readmitidos na Universidade de Hyderabad. Mas os protestos continuam, em Hyderabad e em Délhi, entre os estudantes e os milhões de dalits que habitam a Índia. Os quatro companheiros de Rohith Vemula pediram que Appa Rao entregue-se à polícia e que seja feita uma investigação criminal. Porque há dois fatos nesse drama que a Índia hoje discute: o sistema de castas continua vigente, discriminando cidadãos em todos os âmbitos, e Rohith, que estava “desesperado para começar uma vida”, está morto porque era um dalit.”

Leiam mais sobre:
ÍNDIA – CARTA DEIXADA PELO INDIANO ROHIT VEMULA
ÍNDIA – DOUTOR AMBEDKAR X GANDHI
INDIA – MINHA CASTA É O MEU DESTINO
ÍNDIA – ORIGEM DAS CASTAS E DALITS
ÍNDIA – O QUE É UM DALIT?
ÍNDIA – A FILOSOFIA HINDUÍSTA

Nota: Luis A. Gómez | Calcutá – 06/02/2016 – 08h00
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/43136/india+suicidio+de+jovem+pesquisador+dalit+gera+onda+de+protestos+contra+discriminacao+por+castas.shtml

 

CHINA – A POLÍTICA DO FILHO ÚNICO

Autoria de LuDiasBH

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Anos após a revolução de Mao Tsé-Tung, a população chinesa havia praticamente duplicado, caindo na cifra de um bilhão, em 1980. Perigo que alertou os dirigentes chineses para o caos que adviria de um contingente humano tão gigantesco, que redundaria na escassez de produtos agrícolas e exerceria pressão na produção industrial. Em razão disso, um programa de educação foi criado, tendo como objetivo frear o crescimento populacional. O slogan passou a ser “Um é pouco, dois é bom e três é demais”. Mas após a morte de Mao, os dirigentes do PC chegaram à conclusão de que era preciso endurecer mais ainda essa política, limitando um filho por casal.

Os chineses, grandes amantes de crianças, pois consideram que os filhos simbolizavam riqueza e felicidade, recusaram-se a submeter a tal política, que passou a ser usada com extremo rigor. O uso do DIU, assim como abortos e esterilizações passaram a ser empregados. E, para que ninguém ousasse desrespeitar tal política, o governo chinês passou a trabalhar com prêmios e castigos. Vejamos:

• O casal que possui apenas um único filho recebe um certificado especial, passaporte que lhe dá direito a um grande número de benefícios ofertados pelo Estado.

• Marido e esposa que possui mais de um filho, por sua vez, pagam multas, têm descontos nos salários e, caso sejam funcionários públicos ou de empresas do governo, poderão perder o emprego. Além disso, as famílias são vigiadas pelos próprios vizinhos, quanto ao cumprimento das leis que regem a concepção.

• Na zona rural, em razão da escassa mão de obra masculina e do infanticídio de meninas, pois na China, os bebês do sexo masculino são também mais desejados, assim como na Índia, o PC foi obrigado a flexibilizar sua política. Passou então a permitir que o casal que tivesse apenas uma filha, pudesse ter mais um filho.

• Nos últimos anos, com o aumento do número de ricos no país, essa política vem gerando conflitos, pois esses podem pagar as multas impostas e terem quantos filhos quiserem, fugindo da obrigatoriedade do filho único, enquanto os pobres precisam se ater às leis.

• Os ricaços também usam a inseminação artificial como estratagema, com o objetivo de terem filhos gêmeos. Enquanto os pobres têm seus animais arrestados, quando não têm dinheiro para pagar a multa.

• O refreamento da concepção no país vem trazendo outro problema: crianças extremamente mimadas, egoístas, alienadas e voluntariosas, apelidadas de “pequenos imperadores”, pois recebem atenção extremada dos pais, avós e tios. Como nasceram na fase áurea do país, formam uma geração totalmente diferenciada das anteriores. Vivem conectadas aos aparelhos eletrônicos e são extremamente consumistas.

• A nova geração de chineses é muito competitiva, e sabe que o estudo é o caminho para alcançar o sucesso. Por isso, os jovens só podem namorar após terminar o Ensino Médio. Precisam se dedicar febrilmente aos estudos para alcançarem o maior objetivo de um estudante: entrar para a universidade.

O maior problema gerado pela política do filho único vem sendo a discrepância entre o número de mulheres e homens, que é cada vez mais acentuada.

Fontes de pesquisa:
China, o Despertar do Dragão/ Luís Giffoni
Os Chineses/ Cláudia Trevisan

ÍNDIA – INDIANOS VIRTUAIS JURAM AMOR ETERNO

Autoria de Ellys Regina dos Santos*

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Não sei como uma mulher pode acreditar em um homem, seja ele indiano, brasileiro, paquistanês, afegão, egípcio ou de qualquer outra nacionalidade, com quem conversou durante poucos dias através de “whatsapp” ou de qualquer rede social, e ele simplesmente se declara apaixonado por ela, morrendo de amores, e logo propõe casamento. Acorde, amiga, por favor! Pare de iludir-se, acreditando nesse “instantâneo amor eterno”. Os fatos normalmente acontecem assim:

1- O sujeito “conhece” a mulher há poucos dias e já diz que ama! WTF! Que amor é esse que se desenvolveu tão enlouquecidamente através de conversinhas muitas vezes mal traduzidas, via tela de celular/computador? “Ah, foi amor à primeira vista!”, algumas românticas responderão, com direito a um olhar em forma de coraçõezinho. Tudo bem, vamos engolir essa a seco e deixar passar. Mas sempre nos lembrando que esse tipo de sentimento vem do olho no olho, do toque na pele, do beijo na boca. Não vem de insensíveis telas de computadores e celulares.

2- É tanto amor e respeito que ele tem por mim! – suspira ela. “Oi gata/amor/princesa/jaan! Eu te amo! Mostre os peitos. Não vivo sem você. Mande foto sem calcinha. Vou casar com você. Vamos tremer a webcam fazendo um “sex hot” via internet? Beijo do seu sempre apaixonado!”. Não vou nem comentar o tipo de amor que se desenvolve em poucos dias, e que tem conversas que caminham para esse tipo de assunto. Ainda mais quando nós brasileiras temos fama de gostar de uma safadeza. Ligue-se, mulher, não fique mandando “nuds” para qualquer “apaixonado” que aparece, para não chorar depois na delegacia, porque vazaram fotos íntimas.

3- Ele, vira e mexe, fala de dinheiro. Ou porque é rico, ou porque não teve muitas oportunidades na vida, coitadinho. “Queria tanto uma camisa da seleção brasileira, me dê uma de presente?”. Ah, nem é tão cara assim, – pensa ela – e mostra que ele gosta do Brasil. “Queria muito saber as horas aí no Brasil e pensar em você, me dê um relógio de ouro?” Ai que fofo, vai pensar em mim toda hora! “Eu te amo muito, me manda 10 mil dólares até o final da semana, minha linda gata/amor/princesa/jaan. Como eu sou louco por você, eu aceito euros também. Kisses”. De um modo geral, ninguém pede coisas/dinheiro para alguém por quem se está apaixonado. Ainda mais se não tiver um relacionamento de verdade. Ninguém, que quer um caso sério, tem coragem de pedir dinheiro ou qualquer outra coisa em tão pouco tempo de “relacionamento”. Principalmente homens! Eles se sentem envergonhados em pedir dinheiro a uma mulher, e se mal a conhecem então, piorou. A não ser que sejam espertos e aproveitam-se do “instantâneo amor eterno” para conseguirem uma graninha.

4- Adicionou o ser vivente há 15 dias, ele já a pediu em casamento, diz que não vive sem ela e blábláblá. E a enfeitiçada já está escolhendo e até convidando as madrinhas. “Estamos apaixonados e namorando firme, ele contou tudo de sua vida, já vi fotos da família dele e nós já conversamos por um mês inteirinho!”. Oh, pessoa, volte para a Terra! Você gostar de conversar com alguém? Ok. Achar alguém muito bonito, legal e pensar muito nessa pessoa? Ok. Fazer planos com alguém do outro lado do mundo? Está ok, também. O único grande problema é que você mal conhece o dito cujo, e o fato de ver fotos da família dele e falar 24 horas por dia com ele não significa que o conhece. Isso não é amor! É carência, desejo, atração. Mas não é amor. Ninguém começa amar em duas semanas. Ponto. Se ele diz o contrário é mentira. E se ele mente que a ama e não vive sem você, o que mais poderá estar mentido? E se você acredita que o ama, por favor, caia na real? Saia desse mundinho cor de rosa e ligue-se, pois isso é mera empolgação. “Ah, mas a fulana conheceu um gringo pela internet e está casada e feliz até hoje!”. Ninguém nunca disse que não existem finais felizes. Estamos alertando para não acreditar em todo cara que jura amor eterno, em poucos dias, principalmente quando é de outro país bem conhecido pelos golpes aplicados em suas vítimas.

Mulher, se o sujeito tem se mostrado sério, sincero e não surtou numa de casamento relâmpago, vale levar numa boa, sem pressa, com atenção a qualquer ponta solta ou contradição que notar, sem querer correr para o país dele, principalmente quando tem uma cultura totalmente diferente da sua. Pesquisar sobre o país, crenças e cultura de modo geral é ótimo para saber onde está se metendo, e peça que ele faça o mesmo em relação a seu país. Como não vai dar para usar o Google Tradutor para sempre, que tal aprender se comunicar no mesmo idioma dele, antes de correr e mandar fazer o vestido de noiva?

Faça também com que ele conheça sua família e costumes pessoalmente (ele vem para cá, primeiro). E depois faça o mesmo. Ele vem para o Brasil? Ele tem emprego em vista? Como vai se sustentar? Você não vai querer sustentar seu “príncipe encantado”, não é? Põe o bonito para trabalhar. E principalmente converse com ele sobre isso, não tenha vergonha, aliás, ele é o amor da sua vida, então não precisa ter medo de falar sobre esse tipo de assunto. Se ficar bravinho, fizer drama ou der uma de ofendido, não se faça de múmia e abra o olho. Vai se mudar para a Índia? Como quer largar tudo aqui e ir para um lugar longe da sua casa, família, amigos, um lugar pobre e com um idioma, comidas e cultura completamente diferentes sem nem ter visitado o país antes? Vai morar com sua sogra (Oh!) e um monte de parentes? Boa sorte, pois será sempre vista como uma “firanghi”.

Leiam também: ÍNDIA – MULHER ESTRANGEIRA X INDIANO
ÍNDIA – GOLPE DA UNIÃO COM ESTRANGEIRAS

*Comentário feito pela leitora Ellys Regina dos Santos, neste blog.

Nota: imagem copiada de revistadonna.clicrbs.com.br