Arquivos da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Turner – O SOL ERGUENDO-SE ATRAVÉS DA NÉVOA

 Autoria de LuDiasBH

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A composição O Sol Erguendo-se através da Névoa é uma obra do pintor inglês Joseph Mallord William Turner, tido como um brilhante paisagista e o criador da pintura romântica de paisagens. Em seu trabalho paisagístico, o artista trabalhava principalmente com o uso da luz que absorvia as formas e transformava-as em vibrações cromáticas. Muitas vezes, a visão topográfica de suas paisagens não passavam de uma claridade intensa de espaço e luz.

Esta é uma pintura da fase inicial de sua carreira, em que ele une a terra e o mar num único elemento luminoso, a refletir reflexos que banham as figuras humanas. Ao fundo, em segundo plano, são vistas as silhuetas escuras das grandes embarcações. Na praia, inúmeras pessoas, homens e mulheres, trabalham limpando peixes, enquanto outras pessoas estão a vendê-los ou a comprá-los.

Ficha técnica

Ano: 1807
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 134,5 x 179 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa

Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Michelangelo – A BARCA DE CARONTE

Autoria de LuDiasBH

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A composição denominada A Barca de Caronte é um pormenor da pintura Juízo Final, obra do pintor italiano Michelangelo Buonarroti.

Na pintura, o barqueiro Caronte, enfurecido e ajudado por seres diabólicos, expulsa as almas não capacitadas para a travessia, com o seu remo. Elas são jogadas à porta do mundo infernal, onde se encontra Minos, o Juiz dos Mortos, responsável por ouvir suas confissões. Ele traz uma serpente enrolada ao corpo. É possível observar o horror estampado no rosto das  almas.

Segundo a mitologia grega, Caronte, filho de Nix, a Noite, era o barqueiro de Hades (Plutão), deus do mundo inferior e dos mortos, cujo reino situava-se nas profundezas da Terra, sendo também conhecido por Hades.

Tal tarefa nada lisonjeira de levar as almas dos que morriam em seu barco para atravessar o rio Estige e o Aqueronte, responsáveis por separar o mundo dos vivos do mundo dos mortos, coube ao barqueiro, em razão de um castigo que lhe foi aplicado por Zeus, quando ele tentou afanar a Caixa de Pandora.

Apesar de velho e macilento, Caronte possuía uma energia inimaginável. Sua barca estava sempre cheia, com ele sozinho ao remo, conduzindo as almas. Carregava desde mortais comuns a heróis. Era também quem determinava os que deveriam embarcar ou não. As escolhidas eram as almas que passaram pelos ritos fúnebres. E aos infelizes, que não tinham como pagar sua passagem, ou cujos corpos não foram enterrados (mortos em tempestades, por exemplo), cabia a triste sina de perambular, durante cem anos, pelas margens de tais rios. Havia uma tradição na Grécia antiga que era a de colocar na boca do morto uma moeda, para pagar ao barqueiro a travessia.

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

Albrecht Dürer – NASCIMENTO DE CRISTO

 Autoria de LuDiasBH

            

A pintura Nascimento de Cristo é uma obra do pintor alemão Albrecht Dürer. Trata-se do painel central do Retábulo de Paumgartener (ver imagem menor), em cujas abas encontram-se São Jorge (com o dragão aos pés) e Santo Eustáquio, usando suas armaduras, cada um empunhando uma bandeira. Este painel ficava na nave lateral da igreja de Santa Catarina, em Nuremberg, cidade natal do pintor, tendo sido encomendado por Stephan, Lukas, Maria e Bárbara, filhos de Martin Paumgartner (nobre da cidade), em sua honra e memória. Posteriormente passou às mãos do Duque Maximiliano I.

O artista fez uma bela composição em que se agregam figuras tradicionais, arquitetura e paisagens. Neste trabalho chama a atenção o modo como ele estruturou a composição de sua obra, grande inovação à época,  destacando-se a construção da perspectiva. É interessante observar que Dürer, neste painel, ainda faz uso de certas tradições da pintura, existentes à sua época.

As figuras humanas, por exemplo, obedecem a uma ordem de tamanhos. Maria, mãe do Salvador, é a mais importante e, por isso, possui uma escala maior, seguida de seu esposo José, um pouco menor, até pela posição em que se encontra, preste a ajoelhar-se. Os doadores com seus brasões, à esquerda da Virgem, são mostrados numa escala menor do que a dos santos e anjos. É claro que a figura do Menino Jesus é a de maior importância na cena, contudo, seria esquisito se ele fosse mostrado como um bebê gigantesco. O pintor, em outros trabalhos seus, acabou por adotar um novo estilo de representação, unificando o tamanho dos personagens.

A Virgem Mãe e São José, um de frente para o outro, estão ajoelhados diante do Menino que se encontra cercado por cinco pequenos anjos que estão a levantá-lo, tendo a barra do manto da Virgem como suporte. Dois pastores (um homem idoso e outro mais jovem) adentram no pátio para visitar o pequenino Jesus. À direita, às costas de Maria, aparecem as cabeças de um boi e de um burro, enquanto à esquerda, são vistas as cabeças de dois pastores que assistem à cena que ocorre debaixo de uma cobertura de madeira, tendo, mais atrás, um imenso arco. Plantas vicejam no topo do muro. A cena acontece debaixo das ruínas de uma construção palaciana.

Um anjo esvoaça no céu azul, tocando uma corneta, anunciando aos pastores a vinda do Salvador. Uma ave voa, enquanto duas outras estão na madeira apoiada no muro. Ao fundo, são vistos uma casa, duas árvores, uma delas curvada pelo vento e, mais acima, no morro, pastores cuidando do rebanho. Embora, tradicionalmente seja esta uma passagem noturna,  uma bola dourada no céu, na parte superior esquerda da tela, ilumina a cena.

Nota:
Segundo alguns estudiosos, São Jorge seria um retrato de Stephan Paumgartner e Santo Eustáquio o de Lukas Paumgartner, estando as duas filhas do doador presentes no painel central, ao lado da mãe, esposa de Martin Paumgartner, porém, alguns estudiosos negam isso. Outros supõem que as figuras à esquerda, por trás de São José, sejam os membros masculinos da família: Martin Paumgartner, seguido por seus dois filhos Lukas e Stephan, uma figura idosa de barba, que pode ser Hans Schönbach, segundo marido de Barbara Paumgartner. E na extrema direita estaria Barbara Paumgartner (née Volckamer) com suas filhas Maria e Barbara. Presume-se que o painel central tenha sido pintado depois das duas abas, em cerca de 1502.

Ficha técnica
Ano: 1498 (ou em c. 1502)
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 155 x 126 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

 Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html_m/d/durer/1/03/3paumg.html

Hans Baldung – O NASCIMENTO DE CRISTO

Autoria de LuDiasBH

A composição O Nascimento de Cristo, também conhecido como A Natividade, é uma obra do pintor alemão Hans Baldung Grien. Em sua pintura, ele representa o tradicional episódio sobre o nascimento de Jesus, em que a cena concentra-se na parte exterior do estábulo. A Família Sagrada ocupa o extremo direito da tela, deixando metade igual para o estábulo, onde se encontram o boi e o burrinho, em maior escala, à esquerda, vistos num local mais alto. A coluna escura, centrada no meio da tela, serve de divisão para os dois cenários, postados um de frente para o outro.

A Virgem Mãe, com suas vestes azuis, encontra-se em postura de adoração, com o rosto voltado para o corpinho iluminado do Menino Jesus que está sendo suspenso num lençol por dois pequeninos anjos que compõem o grupo de cinco. O carpinteiro José, com sua túnica vermelha e pano marrom na cabeça e ombros, está sentado de costas para os animais, com seu cajado na mão esquerda, trazendo os olhos voltados para o filho adotivo. Uma luz miraculosa, que se expande através do corpo de Jesus, ilumina o ambiente, trazendo um clima de indizível beleza na Noite Santa.

A arquitetura do local em que se encontra a Sagrada Família está em visível degradação, com as paredes ruindo. As figuras apresentam-se pequenas em relação à altura da edificação. Através da porta, situada atrás de um baixo muro danificado e situada entre Maria e José, vê-se a paisagem lá fora. Como se fosse um reflexo do brilho que emana de Jesus, a lua brilha no céu escuro, na parte superior esquerda da pintura, formando um contraponto. Através da porta tem-se a visão do anjo que surge em meio a uma bola luminosa, alumiando o pastor, sentado num monte abaixo, e suas ovelhas. A fulgurância é tamanha que esse coloca a mão esquerda diante dos olhos, para diminuir sua intensidade e enxergar melhor.

Ficha técnica
Ano: 1520
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 106 x 71 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html_m/b/baldung/2/08nativi.html

Antonello da Messina – VIRGEM DA ANUNCIAÇÃO

 Autoria de LuDiasBH

                

A pintura denominada Virgem da Anunciação é uma obra do pintor italiano Antonello da Messina. Esta composição vem encantando as pessoas através dos tempos, sobretudo, pelo fato de o pintor usar uma reduzida paleta, formas bem simples e gestos comedidos e ainda assim transpor para sua obra um grande envolvimento emocional. Antonello estudou as obras de Piero della Francesca, o que fica aparente nesta composição, em relação à severidade da geometria empregada.

A Virgem usa um vestido azul-escuro, que pode ser visto através da gola e de seu braço esquerdo. Um manto azul cobre-lhe a cabeça, descendo pelos ombros, sendo que suas dobras convergem para suas mãos e para a dobra do livro. Abaixo do manto, ela usa uma touca fina que cobre seus cabelos. Seu olhar está direcionado para a esquerda, onde se encontra o Anjo da Anunciação. É esse o motivo de ter abandonado a leitura de seu livro de orações.

Um parapeito inclinado, forrado com uma faixa de damasco (tecido de seda encorpada de uma só cor com fundo fosco e desenhos acetinados) ampara o livro aberto, à direita, assim como um volume com capa vermelha, à esquerda, que repousa sobre o mármore amarelo. É possível que esta obra seja a metade de um díptico, sendo que o outro painel representava o Anjo da Anunciação. É uma pena que a superfície do quadro tenha perdido o esmalte, encontrando-se meio danificada.

Poucos anos depois desta obra, Antonello da Messina pintou a famosa “Virgem da Anunciação” (figura à direita), tida como uma das mais famosas pinturas da Sicília, Itália. Encontra-se na Galleria Regionale della Sicília, em Palermo, na Itália.

Ficha técnica
Ano: 1473
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 43 x 32 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Van Dyck – MARQUESA ELENA GRIMALDI

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada Marquesa Elena Grimaldi Cattaneo é uma obra-prima do pintor flamengo Anthony van Dyck, o mais talentoso discípulo e ajudante do pintor francês Peter Paul Rubens, de quem herdou o talento na representação da textura e superfície das figuras. Ele também veio a transformar-se num dos pintores retratistas mais procurados da Europa. Esta obra é um dos muitos retratos da nobreza genovesa, pintados pelo artista, quando esse se encontrava na Itália, que chama a atenção, sobretudo, pela elegância.

A sofisticada marquesa encontra-se no terraço de seu palácio, protegida por um guarda-sol, sob um céu de nuvens densas. Seu rosto está voltado para o observador, encarando-o com certo orgulho. Nota-se que ela é extremamente alta. A sua estatura desproporcional também tem por objetivo mostrar a sua importância e sofisticação. Ela se encontra luxuosamente vestida. Usa um suntuoso e longo vestido preto, enfeitado com uma gola de rufos, botões dourados e punhos vermelhos que diminuem a austeridade de sua vestimenta, além de destacar suas finas mãos. A marquesa traz na mão direita um raminho de flores de laranjeira, numa alusão à sua castidade. Tem os cabelos presos com enfeites dourados no coque.

Um pajem negro de olhar triste e semblante fechado segura o pomposo guarda-sol vermelho brilhante, postado num ângulo oblíquo que, além de amplificar o tamanho da marquesa, formando uma espécie de auréola sobre sua cabeça, também serve para equilibrar a falta de massa da composição, em sua parte superior, e também para suavizar as verticais, presentes na colunata dourada, às costas dos dois personagens. O servo negro é também uma alusão ao tráfico de escravos que ainda existia na Itália, devendo o artista ter se inspirado nas obras de Ticiano, a quem muito admirava, e que retratou negros em suas telas.

Uma paisagem desenrola-se ao fundo, onde são vistas as montanhas e resto de edificações sob um céu nublado.

Ficha técnica
Ano: c.1460
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 37 x 27 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.1231.html