Arquivos da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Ticiano – O SEPULTAMENTO DE CRISTO

Autoria de LuDiasBH

Renunciando à intoxicação dos sentidos de seus primeiros trabalhos, o artista explora uma altíssima e remota região do espírito, nesta obra. (Dvorák)

 A composição religiosa denominada O Sepultamento de Cristo é uma obra do pintor renascentista italiano Ticiano Vecellio, que usou tal temática em diversas ocasiões, mas ilustrando diferentes momentos da narrativa cristã. Umas obras retratam o movimento do corpo de Cristo, e outras mostram a sua colocação no túmulo. A primeira delas encontra-se no Museu do Louvre, em Paris.

A obra em destaque foi encomendada por Filipe II, rei da Espanha. A cena apresenta a deposição do corpo exangue de Cristo num túmulo de mármore, de estilo clássico, decorado com baixos-relevos. Um dos lados traz a representação de “Caim e Abel”, e o outro mostra o  “Sacrifício de Isaque”.  Segundo a fé cristã, tais temas prediziam a morte de Cristo. Parte da mortalha branca de Jesus escorrega-se para o lado, quase tocando o chão.

A Virgem Maria, envolta por um manto azul, segura um dos braços inertes do Filho, enquanto o outro resvala para baixo. Nicodemos, a figura forte e barbuda, sustenta o corpo pelos ombros e José de Arimateia segura-o pelas pernas. Maria Madalena, vestida de branco, abre os braços em profundo desespero. São João Evangelista encontra-se entre ela e a Virgem, na parte central. As personagens são distribuídas em forma de leque, e repassam um sentimento de extremo sofrimento.

A cor é, sem dúvida, o elemento principal desta pintura, pois controla e unifica todos os elementos da obra. Ela dá vida às figuras individualmente, reduzindo e contraindo o espaço, como se ali o observador não pudesse entrar. O túmulo decorado e a mortalha branca são os únicos adornos desta tocante cena. A figura de Nicodemos, segundo alguns, é um autorretrato do artista.

Ficha técnica
Ano: 1559

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 136 x 175 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Entombment_(Titian,_1559)

Goya – AS FLORISTAS

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada As Floristas, e também conhecida por A Primavera, é uma obra do pintor e gravador espanhol Francisco José de Goya y Lucientes. Este é um dos desenhos para tapeçarias destinadas que foi destinado à sala de jantar do Príncipe das Astúrias, no Palácio de El Pardo. Trata-se de uma cena do cotidiano e pode estar representando a estação primaveril.

A pintura apresenta quatro personagens, sendo duas jovens mulheres, um homem e uma criança, num dia primaveril. A atmosfera é brilhante e o céu mostra-se ensolarado. Um grande monte ergue-se atrás do grupo, e, em meio às árvores, vê-se uma edificação. Os personagens encontram-se no campo, próximos ao que parece ser um lago, tendo ao fundo uma cidade.

A mulher, que segura uma garotinha pela mão, recebe uma rosa das mãos de outra, que se encontra ajoelhada no chão. Ela traz flores em seu avental dobrado. A criança também traz flores na cintura e na mão direita. Seus olhinhos vívidos estão voltados para cima. A jovem, que se encontra ajoelhada, além de trazer flores nas mãos, também as tem no chão, próximas a seu corpo. O homem, por sua vez, segura uma lebre na mão direita, enquanto leva a esquerda à boca, como se pedisse silêncio. Ele tenta surpreender a mulher, à sua frente, com o animal.

Ficha técnica
Ano: 1786

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 277,5 x 219,3 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-flower-girls-or-

Goya – A NEVADA

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada A Nevada, ou A Nevasca, é uma obra do pintor e gravador espanhol Francisco José de Goya y Lucientes. Este desenho foi feito para uma das tapeçarias destinadas à ornamentação da sala de jantar do Príncipe das Astúrias, no Palácio de El Pardo, na Espanha. Trata-se de uma cena do cotidiano e pode estar representando a estação invernal.

A cena apresenta cinco camponeses, um cão e um burro carregando um porco. O grupo atravessa um vale durante uma nevasca. Os homens estão encolhidos, deixando apenas o rosto de fora, em razão do excessivo frio. Também parecem famintos e cansados. O que segue à frente carrega uma espingarda. O cãozinho, com o rabo entre as pernas, visivelmente cansado, deixa as marcas de seus pés pelo caminho, e também parece faminto.

O burro é o único que parece não se sentir atingido pelo mau tempo, mas, sim, pelo peso excessivo do barrão, que faz vergar suas pernas traseiras. Está sendo puxado, através de uma corda, pelo camponês que se encontra num plano inferior. O vento, que sopra da esquerda para a direita, faz vergar uma árvore desfolhada à esquerda e outras menores à direita. O céu está tingido de cinza e a neve cai ao fundo,  espalhando-se por todo lado.

Ficha técnica
Ano: 1786

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 275 x 293,5 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-snowstorm-or-

Rafael – A MADONA DO PEIXE

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada A Madona do Peixe, também conhecida como Madona com o Peixe, é uma obra do pintor renascentista Rafael Sanzio, reconhecido pela perfeição e suavidade de seus trabalhos. Imagina-se que esta pintura tenha sido criada em agradecimento pela cura de um olho enfermo, como sugere a presença de Tobias, sendo apresentado à Virgem pelo arcanjo Rafael, e a de São Jerônimo. Há, contudo, quem acredite que a criação esta se deveu à comemoração da introdução do “Livro de Tobias” entre os livros canônicos da Igreja Católica Romana, sendo que a presença de São Jerônimo, ao lado da Virgem Maria, deve-se ao fato de ele ter traduzido o livro em latim.

A Virgem encontra-se em seu trono de madeira, posicionado no centro da tela, na frente de uma imensa cortina verde. Ela traz de pé, sobre sua coxa esquerda, o Menino Jesus, que tem apenas um pano em torno de sua cintura. Ambos trazem o olhar voltado para a esquerda. São Jerônimo, com um enorme livro de capa azul, aberto nas mãos, está ajoelhado no trono, à direita. O braço esquerdo do Menino descansa sobre o livro, enquanto o direito direciona-se para o arcanjo Gabriel.  À esquerda de Maria encontram-se o arcanjo, com suas longas asas e olhar cheio de ternura, apresentando à Mãe de Deus o pequeno Tobias, que traz pendurado na mão direita um peixe brilhante, razão do título da obra.

A Virgem olha seriamente para o garoto, visivelmente encabulado por encontrar-se em sua presença. São Jerônimo, com seus cabelos e barba brancos e sua túnica vermelha, levanta seus olhos do livro, como se meditasse. É possível que o livro que traz às mãos seja uma referência ao “Livro de Tobias”. A seus pés, próximo ao trono, encontra-se deitado o leão, seu principal atributo. A presença de Tobias está relacionada ao fato de que, ao fazer um unguento do fel de um peixe, foi capaz de curar a cegueira de seu pai, segundo o Antigo Testamento. À direita vê-se parte de uma paisagem em tons de azul.

Esta pintura não é considerada totalmente original, pois encontra-se em bom estado de conservação. Acredita-se, também, que ela foi realizada por assistentes da oficina de Rafael, dentre os quais se incluem Francesco Penni e Giulio Romano. Napoleão, em 1813, levou esta obra para a França, onde foi transferida de seu painel de madeira original para a tela.

Ficha técnica
Ano: c. 1512/14

Técnica: óleo sobre tela transferido de painel de madeira
Dimensões: 215 x 158 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/r/raphael/5roma/2/02fish.html

Ticiano – VÊNUS E O ORGANISTA

Autoria de LuDiasBH

A composição mitológica denominada Vênus e o Organista, também conhecida por Vênus com um Organista e Cão, é uma obra do pintor renascentista italiano Ticiano Vecellio, que usou tal temática para criar outras obras. No Museu do Prado existe outra versão desta mesma obra, com pequenas diferenças. A modificação mais significante é a substituição do cãozinho por um Cupido que abraça a deusa por trás.

Vênus, deusa do amor, está próxima a uma grande janela aberta, de parapeito baixo, que dá vista para uma magnífica paisagem. Ela se encontra sobre uma colcha de veludo amarronzada, estendida sobre lençóis brancos e reclinada sobre almofadas da mesma cor. Encontra-se nua, sob um cortinado vermelho, com o cotovelo esquerdo apoiado em uma almofada, enquanto acaricia um cãozinho que lhe faz festa. Seus cabelos dourados encontram-se presos atrás. Joias enfeitam suas orelhas, pescoço, mãos e antebraços.

Aos pés da deusa e sentado em sua cama, um elegante nobre encontra-se diante de um órgão, vestido com roupas do século XVI, trazendo uma espada na cintura. Ele interrompe seu concerto, mas sem tirar a mão esquerda do teclado, virando a cabeça para observar Vênus, mas sem fitar seu rosto. A representação do instrumento musical foi criticada por estudiosos do mesmo, sob a alegação de que os tubos encontram-se muito agachados.

Em segundo plano, olhando além da balaustrada de mármore, avista-se uma bela paisagem. Um casal enamorado caminha ternamente abraçado sob o sol poente, acompanhados por um cão. Na fonte, ornada com a escultura de um garoto segurando um pote de água, descansa um pavão e, ao lado, um burro pasta, acompanhado de outro animal. Um cervo descansa à direita. Outro cão é visto caminhando em direção ao casal. Ao fundo erguem-se a cidade e montanhas azuis, sob um céu dourado.

Esta pintura não apresenta nenhuma iconografia que leve a Vênus, sendo a única versão em que Cupido, seu principal atributo, não aparece. Aqui ela usa um anel de casamento na mão direita, e as figuras vistas no jardim podem ser uma metáfora a um enlace feliz, sendo que o cão é uma alusão à fidelidade, o burro ao amor eterno e o pavão à fecundidade. Imagina-se, portanto, que esta pintura tem por finalidade celebrar um casamento.

São várias as interpretações dadas às pinturas de Vênus que aludem à música. Alguns estudiosos de arte alegam que tais obras são meramente eróticas e decorativas, sem nenhum outro significado mais profundo. Contudo, alguns críticos consideram que essas possuem, sim, um conteúdo simbólico importante, pois dizem respeito às alegorias dos sentidos.

Ficha técnica
Ano: c. 1550

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 136 x 220 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://en.wikipedia.org/wiki/Venus_and_Musician
https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/venus-and-

Turner – ENTRONCAMENTO DO RIO TÂMISA…

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada Entroncamento do Rio Tâmisa com o Medway é uma obra do pintor e romântico inglês Joseph Mallord William Turner, que é visto por alguns críticos de arte como um dos precursores da modernidade na pintura, em razão de seus estudos sobre cor e luz. Existe também uma versão menor desta obra. O rio Tâmisa e as tempestades eram dois dos temas prediletos do artista.

A cena dramática, cuja narrativa apresenta homens e elementos da natureza, não importa ao artista, pois seus interesses são essencialmente formais.  A parte central da composição não é a luta dos personagens em meio à tempestade, mas, sim, os elementos essencialmente formais. Portanto, o objetivo da criação do artista é a feitura da própria obra em si, que apresenta horizontais quebradas e uma sinistra cor escura, que contrasta com a luminosidade que se vê mais distante, numa costa tranquila, e que reflete clarões alaranjados nas velas dos barcos pesqueiros, mais próximos ao grupo, no barco, que enfrenta as ondas revoltas.

Como o título indica, o artista retrata o encontro do rio Tâmisa, situado no sul da Inglaterra, com o rio Madway, onde são vistas inúmeras embarcações, dentre elas um pequeno barco pesqueiro com quatro pescadores, visivelmente amedrontados, lutando para não afundarem. Um barril é jogado de um lado pelo outro, nas águas. Atrás deles, à direita, três homens lidam com as velas de uma embarcação. O mesmo acontece com outra embarcação à esquerda, onde são vistos dois homens. O céu, com nuvens escuras e pesadas, parece prestes a despencar. Duas gaivotas brancas fogem da tormenta.  Mais ao longe, fora do raio da tempestade, e já em águas calmas, azuis e serenas, debaixo de um céu azulado, cujas nuvens são atravessadas pela luz dourada do sol, grandes embarcações navegam calmamente.

Ficha técnica
Ano: 1805

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 109 x 142 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador