Arquivos da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Watteau – COMEDIANTES ITALIANOS

Autoria de LuDiasBH

A composição Comediantes Italianos é uma obra do pintor e desenhista francês Jean-Antoine Watteau, que foi o primeiro e possivelmente o mais famoso dos pintores rococós. Os temas teatrais encontram-se presentes em muitos de seus trabalhos, pois o artista era muito interessado pelas obras literárias. Foi pintor de cenários de uma companhia de atores italianos em Paris. E esta é uma das telas mais famosas do criativo artista, pintada pouco antes de sua morte aos trinta e sete anos.

A trupe de quinze atores italianos é formada por homens, mulheres e crianças, organizados em dois degraus, possivelmente do teatro onde atuavam. Todos os personagens vestem trajes típicos do teatro de comédia. A presença de Pierrot, de pé, no centro da tela, a cortina vermelha puxada à esquerda e a postura de um dos atores com a mão direita apontando para o personagem originário da comédia italiana, leva o observador a pensar que o espetáculo esteja se iniciando ou sendo finalizado. As flores no chão  podem significar o agrado do público.

O Pierrot, o palhaço sentimental e ingênuo do teatro, sempre recusado pela heroína, é a figura principal na tela, destacando-se do grupo, principalmente pela cor branca cintilante de sua fantasia de cetim, que se contrapõe às dos demais. Traz os braços para baixo, presos juntos ao corpo. Sua fisionomia encerra certa tristeza. A mulher de pé a seu lado é possivelmente seu par nas histórias de amor. Outros atores do teatro cômico também se encontram na composição.

Ficha técnica
Ano: c.1720

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 64 x 76 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.32687.html

Piero della Francesca – DÍPTICO TRIUNFAL

Autoria de LuDiasBH  diptri

A composição Díptico Triunfal, também conhecida como Díptico do Duque de Urbino ou Battista Sforza e Federico da Montefeltro, é obra do pintor italiano Piero Della Francesca (c. 1416 – 1492), tido como um dos mais renomados pintores do início do Renascimento e um percussor da arte da perspectiva.  Ele foi redescoberto, no século XIX, por artistas, historiadores, críticos e colecionadores, como aconteceu com Sandro Boticelli e Jan Vermeer, tornando-se hoje um dos artistas mais conhecidos e admirados do Renascimento italiano. O uso que fez da cor, luz, perspectiva e precisão matemática, para obter clareza, calma e qualidade monumental continuam extasiando aqueles que têm acesso às suas obras, que impressionam pela serenidade, grandeza e exatidão matemática.

O díptico mostra o casal ducal, governante de Urbino, O Duque Federico II e sua esposa Battista Sforsa, ambos de perfil, um voltado para o outro. No reverso, as duas figuras estão pintadas em carros triunfais, estando ele acompanhado pelas virtudes cardinais e coroado pela vitória; e ela guardada pelas virtudes teologais e outras figuras alegóricas, representando a chegada dos dois à cidade de Urbino. Trata-se de uma pintura comemorativa, em que a composição assemelha-se à tradição do medalhão. É um dos primeiros retratos do Renascimento.

A duquesa apresenta-se à esquerda e o duque à direita, pois nesta posição não se nota a ausência do olho direito do mandatário. Ambos estão eretos e imóveis. A duquesa usa um vestido escuro, cuja austeridade é quebrada apenas pela manga de brocado dourado, onde se encontram, estilizadas, pinhas e romãs, simbolizando a fertilidade e a imortalidade. Um luxuoso colar de pérolas, com três voltas, do qual pende um enorme medalhão avermelhado, ornamenta seu pescoço. Atrás do colar de pérolas também está um grosso colar feito de pedras e ouro. Sua testa está raspada de acordo com a moda da época, e seu cabelo ornamentado num belo penteado composto por tranças, fitas e joias. O conde usa um chapéu cilíndrico e um manto vermelho, e mostra ombros agigantados. Seu nariz adunco e verrugas são mostrados realisticamente.

Alguns estudiosos presumem que o retrato da duquesa foi pintado quando ela já se encontrava morta, cerca de sete anos depois. Ela morreu ainda muito jovem, aos 26 anos de idade. O pintor pode ter se baseado em sua máscara mortuária para fazer o retrato.

Os tons mais fortes e quentes apresentam-se em primeiro plano, mas vão esvaecendo à medida que se distanciam, trazendo a sensação de profundidade. As duas paisagens ao fundo, embora idealizadas, aludem às terras do ducado, e encontram-se em perfeita simetria. Esta paisagem em retratos é uma inovação na pintura italiana, mas de influência flamenga.

Ficha técnica
Ano: c. 1465

Técnica: têmpera e óleo sobre madeira
Dimensões: 47 x 33 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador

1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2014/03/analise-da-obraduplo-retrato-
https://es.wikipedia.org/wiki/Díptico_del_duque_de_Urbino

Giovanni Bellini – O BANQUETE DOS DEUSES

Autoria de LuDiasBH

A tela intitulada O Banquete dos Deuses é uma das poucas obras mitológicas do pintor renascentista italiano Giovanni Bellini. É tida como o seu último grande trabalho, uma vez que o artista já tinha mais de 80 anos quando a executou, dois anos antes de morrer. Esta pintura tinha por objetivo adornar um dos aposentos de alabastro do castelo do duque Alfonso d’Este, em Ferrara. O duque em questão, anos mais tarde, recomendou duas mudanças nesta pintura.

A primeira foi feita pelo pintor italiano Dosso Dossi, responsável por uma alteração na paisagem, à esquerda, pela introdução de um faisão sobre o galho de uma árvore e a folhagem verde e cor de ouro, acima da ave, à direita. Ticiano, que fora aluno de Bellini, foi responsável pela segunda modificação. Refez a paisagem de Dosso, como agora a vemos, contudo, deixou o faisão (que também pode ter sido pintado pelo próprio duque) intacto. É possível que tenha feito tais mudanças para que a obra ficasse harmônica com sua pintura “Bacanal”, uma vez que ambas adornavam o mesmo ambiente.

Nem Dosso nem Ticiano mexeram nas figuras e nos elementos da obra de Belleni, permanecendo tais como foram pintadas pelo já idoso artista. Em razão do desbotamento, causado pelo tempo, foram restauradas as tonalidades originais e a intensidade das cores, o que deu à obra maior sensação de amplitude e profundidade.

A cena retratada, retirada de “Fastos” do poeta Ovídio, apresenta um grupo de deuses numa comemoração feita pelo deus Baco, ajoelhado sobre uma perna, próximo a um barril, enchendo uma jarra com vinho. Dentre eles estão Apolo (sentado à esquerda, bebendo vinho), Netuno (atrás da fruteira, abaixo de Pan, usando um manto vermelho), Mercúrio (com um elmo na cabeça e seu caduceu na mão) e Júpiter (com uma coroa de louros e um cálice sendo levado à boca) com a participação de ninfas e sátiros que os servem. O grupo encontra-se comendo e bebendo num ambiente pastoral, debaixo de densas árvores, num alegre festejo.

Na parte direita da composição está Príapo, deus grego da fertilidade, filho de Dionísio e Afrodite, tentando levantar a saia da ninfa Lotis. Mas, segundo a história de Ovídio, ele se viu frustrado em seu intento, pois a ninfa, que dormia sob o efeito do álcool, e por quem ele se apaixonara, acordou com o barulho feito pelo asno de Sileno (vestido de vermelho e com a mão sobre o animal), para o divertimento dos presentes. Como castigo, o pobre asno foi sacrificado ao deus do Helesponto. E Lotis, ao fugir, foi transformada num arbusto.

Chama a atenção a figura de uma ninfa, no centro da composição, com uma tigela de cerâmica branca e azul na mão. Trata-se da primeira descrição, até então conhecida, de porcelana chinesa na pintura europeia.

Ficha técnica
Ano: c.1514/1529

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 170 x 188 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.1138.html

Veronese – JUNO DESPEJA SEUS PRESENTES…

Autoria de LuDiasBH

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A composição Juno Despeja seus Presentes sobre Veneza é uma obra do pintor maneirista italiano Paolo Veronese. Faz parte da decoração do majestoso Palácio Ducal. Fica sobre o teto da Sala do Conselho dos Dez. Ao artista cabia, com sua obra laudativa, simbolizar a pujança da cidade de Veneza. Como mostra a pintura em questão, o pintor aparece, que à época tinha apenas 21 anos, sobretudo, como um exímio colorista, encantando os venezianos.

Na pintura, a deusa romana Juno, esposa de Júpiter e rainha dos deuses do Olimpo, conhecida na mitologia grega como Hera, personifica a cidade de Veneza. Ela se encontra numa nuvem dourada, de onde arremessa, tirando de dentro do chapéu do doge (magistrado supremo da antiga república de Veneza), coroas de ouro e pedras preciosas, joias e moedas de ouro, sobre a cidade de Veneza. Uma coroa de louros simboliza a paz, enquanto as joias dizem respeito ao poder real, glória e riqueza.

Abaixo da deusa Juno encontra-se uma jovem loira, bela e rica, que é a alegoria de Veneza, sentada sobre um leão, que por sua vez é o símbolo tradicional de São Marcos.

Ficha técnica
Ano: 1553

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 365 x 147 cm
Localização: Sala do Conselho Dos Dez, Palácio Ducal, Veneza, Itália

Fontes de pesquisa
Veronese/ Abril Cultural

1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Rafael – A LIBERTAÇÃO DE SÃO PEDRO

Autoria de LuDiasBH

[…] o horror da prisão, ao ver o ancião preso a correntes de ferro entre dois homens com armaduras; o profundo sono dos guardas; e o esplendor brilhante do anjo nas escuras sombras da noite, ilumina com destaque todos os detalhes da prisão e faz a armadura brilhar tão intensamente, tornando o reflexo mais polido do que se fosse real […]. E pelo fato de ter pintado a noite tão perfeitamente como nunca fora feito, este é o mais divino e considerado por todos como o mais excepcional. (Giorgio Vasari)

O afresco intitulado A Libertação de São Pedro é uma belíssima obra-prima do pintor renascentista italiano Rafael Sanzio e de seu assistente Giulio Romano. Foi executado com o objetivo de decorar os quartos do Palácio Apostólico, no Vaticano, em Roma, sendo hoje conhecidos como Stanze di Raffaello.

A cena dramática representa uma passagem bíblica retirada dos Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, que conta como São Pedro foi libertado por um anjo, quando se encontrava preso, com sentença de morte, a mando do rei Herodes. Para impedir sua fuga, foi acorrentado a dois guardas, e vigiado por outros, fora da cela. Um gigantesco anjo com suas asas abertas e vestes revoltas passa a impressão que ali acabara de chegar, movido por um intenso vento. Seu corpo recurvado direciona-se para o de São Pedro. A composição está dividida em três cenas, dispostas em perfeito equilíbrio simétrico:

  • cena central – o anjo, envolto numa forte luz dourada circular, toca São Pedro, que se encontra dormindo, sentado no chão, acorrentado nos braços e nas pernas junto a dois guardas que continuam a dormir;
  • cena à esquerda – um dos guardas presentes na escadaria, ao notar a luz dourada advinda da cela, em razão da presença do anjo, acorda um companheiro, e aponta para o aposento do condenado, iluminado com a presença do mensageiro divino;
  • cena à direita – o anjo, envolto por uma intensa luz oval, conduz São Pedro pela mão e guia-o para a liberdade, passando em meio aos guardas que dormem.

Lá fora é noite. A lua caminha em meio a nuvens escuras. Sua luz reflete na armadura de dois dos soldados à esquerda, incumbidos de vigiar o preso, principalmente na do que se encontra de pé, de costas para o observador, com uma tocha na mão, alumiando em volta.

Rafael faz uso, pela primeira vez, de um “efeito noturno”, ao empregar a luz da lua, a da tocha acesa e a que vem do anjo, dando uma sensação de mistério à composição. E o efeito obtido pelo artista, ao postar a cena central atrás de grades escuras, é magistral, pois encobre parte do que está acontecendo, como se fora um sonho, e acaba por prender a atenção do observador.

Ficha técnica
Ano: 1514

Técnica: afresco
Dimensões: 660 cm de base
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirado

http://www.wga.hu/html_m/r/raphael/4stanze/2eliodor/3libera.html
http://www.cuf.org/2013/09/15205/

Giotto – MADONA E O MENINO

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada Madona e o Menino é uma obra-prima do pintor italiano Giotto, pintada durante a última fase de sua carreira. Fazia parte de um políptico que tinha cinco seções, e do qual era o centro.

O artista apresenta a Virgem Mãe, em posição de meio-corpo, voltada para sua esquerda, com o seu Menino nos braços. Ela está delimitada por traços elegantes e sinuosos, numa composição simplificada e de intensa luminosidade. Um manto verde drapeado envolve seu corpo. O fundo da pintura, feito em folha de ouro, é em estilo bizantino, e simboliza o Reino do Céu. A rosa braca, que a Virgem segura na mão direita, é o símbolo tradicional de sua pureza. É também uma alusão à inocência perdida pela humanidade, em razão do pecado original.

O rechonchudo Menino Jesus, amparado pelo braço esquerdo da Virgem, toca com a mão direita o galho com a rosa e, com a esquerda, segura o dedo indicador de Maria. Aqui ele não é visto em sua postura convencional de bênção, mas na posição típica de uma criança que agarra a mão de sua mãe. Não há troca de olhar entre ambos. Duas magníficas auréolas cingem a cabeça de mãe e filho.

Ficha técnica:
Ano: c.1320/1330

Técnica: painel
Dimensões: 43,5 x 46 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

1000 obras-primas da pintura ocidental/ Könemann