Arquivos da categoria: Mestres da Pintura

Estudo dos grandes mestres mundiais da pintura, assim como de algumas obras dos mesmos.

Giovanni Bellini – A VIRGEM COM O MENINO…

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Giovanni Bellini (c.1430 – 1516) nasceu em Veneza numa família de artistas. Era também conhecido pelo apelido de Giambellino. Seu irmão mais velho, Gentile Bellini, era também pintor.  Teve o pai – o respeitado pintor Jacopo Bellini, responsável por levar o Renascimento a Veneza – como primeiro mestre, que se dedicou intensamente a transformar seus dois filhos em importantes pintores. Giovanni tornou-se depois aluno de Andrea Mantegna, seu cunhado, que influenciaria grandemente sua arte. O foco de seu trabalho foi Veneza, onde teve sua própria oficina, sendo nomeado pintor oficial da cidade. Teve como aluno Ticiano, Giorgione, Lorenzo Lotto, entre outros grandes nomes da pintura.

A composição A Virgem com o Menino de Pé Abraçando a Mãe e também conhecida como A Madona e o Menino Jesus é uma obra do artista. Ela se encontra em solo brasileiro, sendo um dos quadros mais importantes do MASP. É também conhecida como “Madona Willys” em razão do nome de seu penúltimo dono (John N. Willys). Foi doada ao MASP por Walther Moreira Salles em 1957. Esta obra já recebeu inúmeras interpretações e dela foram feitas muitas cópias.

A Virgem, ocupando a parte central da tela, é mostrada em meio corpo, em posição frontal, vestida com uma túnica vermelha e, sobre ela, um manto azul com debruns  dourados que lhe cobre todo o corpo. Seus grandes olhos estão voltados para baixo, olhando à sua direita, como se estivesse em profunda reflexão ou observando algo. Um fino véu branco desce-lhe da cabeça em direção ao peito. Em seus braços está seu Menino. Sua mão direita envolve-o debaixo do braço e a esquerda segura seus pezinhos. Mãe e Filho formam uma pirâmide.

O Menino Jesus, nu, encontra-se de pé sobre um parapeito de madeira que separa a cena do observador. Traz o pescoço caído um pouco para trás e envolve o pescoço da mãe com um abraço, como se quisesse voltar seu rosto para ele. Sua barriguinha é protuberante e seus cabelos ralos.  Dois singelos halos circundam a cabeça de mãe e filho.

Uma cortina verde (ou painel) que parece descer do céu, encontra-se atrás da Virgem e do Menino, cobrindo parte de uma delicada paisagem em tons de verde e azul-claro. Um grande céu azul com nuvens brancas, que formam uma linha horizontal, toma grande parte da composição. No parapeito está a inscrição “JOANNES BELLINVS”, nome do artista. Embora muito simples, a obra é delicada e comovente, com ricas vibrações de claro-escuro e pastosa luminosidade, já prenunciando os próximos rumos em direção ao tonalismo de Giorgione.

Ficha técnica
Ano: c.1488
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 75 x 59 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Toulouse-Lautrec – CONDESSA DE…

Autoria de LuDiasBH

Henri-Mari-Raimond de Toulouse-Lautrec (1864-1901) foi o primeiro filho do conde Alphonse de Toulouse-Lautrec e da condessa Adèle Tapié de Celeyran, primos em primeiro grau, família abastada e ilustre, nascido na cidade de Albi, no sudoeste francês. Henri cresceu num ambiente requintado. Desde pequeno gostava de desenhar, trazendo os primeiros indícios do que se tornaria no futuro. Quando tinha nove anos de idade, sua família mudou-se para Paris, onde foi matriculado numa das mais importantes instituições europeias.

Esta primorosa composição, intitulada Condessa de Toulouse-Lautrec, é uma das obras do artista que fazem parte do acervo do MASP desde 1952. O artista retrata sua mãe Adèle Zoë Marie Marquette Tapié de Céleyran, mulher de alta posição social, que nutria grande amor pelo filho torturado pela deformidade em razão de “osteogenesis imperfecta”.

A condessa encontra-se na intimidade de seu jardim, sentada na ponta de um banco de madeira, com ferro na base, pintado de azul. Ela está virada para a direita, como se observasse algo. Traz os cabelos presos em forma de coque. Veste uma comprida blusa branca e uma saia escura. Nas mãos carrega algo não identificável. Atrás dela há uma densa vegetação com flores brancas.

Ficha técnica
Ano: 1880/1882
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 46 x 55 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Mantegna – SÃO JERÔNIMO NO DESERTO

Autoria de LuDiasBH

O pintor e gravador Andrea Mantegna (1431 – 1506), filho do carpinteiro Biagio, é tido como um dos artistas mais importantes do Pré-Renascimento no norte da Itália. A sua aprendizagem teve início quando estava com 10 anos de idade, sob a tutela de Francesco Squariciona que o levou a conhecer a arte da antiguidade clássica. Squariciona tinha uma turma enorme de alunos, mas Mantegna era o seu predileto, contudo, inconformado por não receber comissões nas obras das quais participava, seu aluno deixou-o quando tinha 17 anos.

A composição denominada São Jerônimo no Deserto, painel sobre madeira, é obra do artista. Encontra-se em solo brasileiro, sendo um dos quadros mais importantes do MASP, tendo sido incorporado à sua coleção em maio de 1952. O painel é constituído de uma única prancha de choupo. São Jerônimo é normalmente representado na arte como asceta ou como um estudioso dos textos sagrados. Em seu trabalho, Mantegna funde as duas apresentações, ou seja, mostra-o como asceta e também estudioso.

O quadro apresenta São Jerônimo em meditação, sentado diante de sua caverna no deserto, com a cabeça voltada para a direita, mas tendo os olhos em direção ao chão. Detém um rosário na mão direita, debulhando suas contas, enquanto com a esquerda segura um livro encadernado, apoiado verticalmente em sua coxa esquerda. Dois outros livros encadernados estão sobre uma pedra em formato de mesa, onde também descansa um tinteiro com uma pena dentro. Atrás dos livros vê-se um rolo de pergaminho para sua escrita. Na parede direita da gruta são vistos dependurados: um crucifixo, uma lamparina e uma viga com dois martelos descansando nela, possivelmente numa referência à Paixão de Cristo.

A figura alongada do santo veste uma túnica de tênue azul-violeta, trazendo a cintura cingida por uma fina corda. Ele se encontra descalço, com o pé esquerdo transpondo o direito. No mesmo patamar, onde se encontram seus pés, está um de seus tamancos, encontrando-se o outro num plano mais abaixo. Seu chapéu cardinalício de cor vermelha jaz no chão, à sua direita, e o leão deitado, do qual é vista apenas a parte dianteira, encontra-se à esquerda. Ambos fazem parte da simbologia do santo. Um halo sobre sua cabeça indica a sua santidade.

A rocha que toma grande parte da tela apresenta uma abertura ao fundo, sendo possível divisar, além do deserto, uma paisagem aberta, com algumas árvores e uma estrada sinuosa que se perde no horizonte. À direita, para além da árvore com o tronco desfolhado, outras árvores são vistas, assim como um rio, rochedos, montanhas cobertas de neve e plantas. Um céu mais claro embaixo funde-se com um mais escuro, acima.

Na parte abaixo da gruta, por entre as rochas, vê-se água a correr. Ali se encontra um papagaio vermelho, cuja imagem mostra-se espelhada na água. Empoleirada sobre o rochedo, logo acima da entrada da gruta está uma coruja, ave tradicionalmente ligada à magia e à superstição, coisas contra as quais o santo lutava. Duas garças brancas são vistas à esquerda, como dois pequenos pontos. A luz da manhã apresenta uma claridade levemente azulada. Algumas nuvens são vistas no céu.

 Ficha técnica
Ano: c.1449/1450
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 48 x 36 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.unicamp.br/chaa/rhaa/downloads/Revista%2015%20-%20artigo%209.pdf

Toulouse-Lautrec – MONSIEUR FOURCARDE

Autoria de LuDiasBH

Henri-Mari-Raimond de Toulouse-Lautrec (1864 – 1901) foi o primeiro filho do conde Alphonse de Toulouse-Lautrec e da condessa Adèle Tapié de Celeyran, primos em primeiro grau, família abastada e ilustre, nascido na cidade de Albi, no sudoeste francês. Henri cresceu num ambiente requintado. Desde pequeno gostava de desenhar, trazendo os primeiros indícios do que se tornaria no futuro. Quando tinha nove anos de idade, sua família mudou-se para Paris, onde foi matriculado numa das mais importantes instituições europeias.

Esta composição intitulada Monsieur Fourcarde é uma das obras do artista pós-impressionista que fazem parte do acervo do MASP desde 1952. Toulouse-Lautrec era um excelente desenhista, capaz de retratar com traços rápidos as figuras que encontrava pelos teatros, bailes, circos, bares e bordéis. Nesta obra, ele retrata um grupo de quatro prostitutas sentadas em poltronas de veludo escarlate, de encosto alto, de um luxuoso bordel parisiense, enquanto aguardam seus clientes. Uma delas, à esquerda, joga cartas.

O quadro apresenta o banqueiro Henri Fourcade, um rico burguês e grande amigo do artista, como demonstra a dedicatória no alto, à direita: “A mon bom ami Fourcade, 89. H. T. Lautrece” (Ao meu bom amigo Fourcade, 89, H. T. Lautrec). Trata-se de uma cena noturna, comum à vida parisiense.

O retratado ocupa o centro da composição, em primeiro plano, demonstrando grande naturalidade e vivacidade, tendo atrás de si um grupo de máscaras apenas esboçadas ao fundo. Fourcade encontra-se no baile da Ópera, em Paris. Atrás do bem vestido banqueiro com as mãos nos bolsos está um grupo de cinco pessoas, sendo que as pinceladas rápidas e soltas do artista faz com que algumas delas apareçam como meras sombras. O homem com cartola é Gabriel Tapié de Céleyran, primo de Lautrec.

Ficha técnica
Ano: 1889
Técnica: óleo sobre cartão
Dimensões: 77 x 62 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.wga.hu/html_m/t/toulouse/2/1misc09.html

Picasso – TOALETE

Autoria de LuDiasBH

Não procuro, encontro. (Pablo Picasso)

 Não existe arte abstrata, é necessário começar sempre por alguma coisa: mas, em seguida, pode-se retirar toda a aparência da realidade, porque a ideia do objeto deixou uma marca indelével. (Pablo Picasso)

O espanhol Pablo Ruiz Picasso (1881 – 1973) nasceu em Málaga, na Espanha. Era filho de José Ruiz Basco e Maria Picasso y Lopez. Começou a desenhar aos sete anos de idade sob a supervisão de seu pai, professor de desenho. A seguir, sua família mudou-se para La Coruña. Aos 14 anos, ele foi para Barcelona com a família, vindo a estudar na Escola de Belas Artes, firmando-se como pintor.

A composição intitulada Toalete é um estudo preparatório para o quadro que se encontra na Albright Art Galery de Buffalo (EUA). Este estudo encontra-se no acervo do MASP desde 1953.

No quadro estão duas mulheres. A primeira, usando vestes azul e vermelha, segura o espelho na altura no peito para que a outra se olhe. A segunda, completamente nua, arruma os cabelos. O pintor fez outros trabalhos com este mesmo tema.

Ficha técnica
Ano: 1906
Técnica: óleo sobre tela sobre papelão
Dimensões: 53 x 31 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Piero de Cosimo – MADONA COM MENINO JESUS…

Autoria de LuDiasH

O pintor italiano Piero di Cosimo (1462 – 1521), cujo nome original era Piero di Lorenzo, nasceu e morreu na cidade de Florença. Ali estudou com Cosimo Rosseli, tendo inclusive trabalhado com seu mestre nos afrescos da Capela Sistina, em Roma, onde pintou O Sermão de Cristo (imagem acima), que se tornou a sua primeira obra conhecida. Foi em homenagem ao seu mestre que adotou o sobrenome Cosimo.

A composição Madona com Menino Jesus e São João também conhecida como Virgem com Menino, São João Batista Criança e um Anjo é obra do artista. Encontra-se em solo brasileiro, sendo um dos quadros mais importantes do MASP, tendo sido incorporado à sua coleção em maio de 1951. Em razão do estado de deterioração em que se encontrava, esta obra retornou à Itália, onde passou por uma restauração. À época, um mecenas brasileiro de apenas 25 anos pagou 55 mil dólares, arcando com o transporte e o seguro do tondo, ao tomar conhecimento, numa aula de história da arte, sobre seu lamentável estado de danificação.

A composição é pintada com cores muito suaves e cheia de movimentos. Apresenta a Virgem ainda adolescente, carregando no braço esquerdo o seu Menino, enquanto acaricia o pequenino e gorducho João Batista que caminha à sua direita.

O Menino Jesus, nu, descansa seu braço esquerdo no livro de orações e faz o gesto de abençoar com o direito levantado. O pequeno João carrega na mão a Cruz, um de seus atributos, tendo o olhar de Maria voltado para ele.  As personagens encontram-se diante de um grupo de pedras, num terreno onde grassam flores e cogumelos.

À direita, o anjo, agachado, tem nas mãos lírios brancos, símbolo da pureza da Virgem. Seus olhos estão fixos no Menino Jesus. À esquerda, um melro (o mesmo que graúna) traz a cabeça voltada para uma enorme lagarta. Entre ele e o grupo posiciona-se uma árvore com o tronco cortado, enquanto um pequeno galho ganha vida, o que é também uma simbologia da Paixão de Cristo, pois mesmo morto Ele renascerá. Ao fundo, desenrola-se uma bela paisagem verde com água e construções. Mais distante vê-se uma paisagem azulada com montanhas e planícies.

Segundo estudiosos de arte trata-se da única representação da Virgem onde aparece uma lagarta que, segundo a visão de um entomólogo da URFG “é mais precisamente uma mariposa-caveira”. Ele mesmo questiona qual seria a intenção do artista “ao pintar uma lagarta, cujo adulto exibe o símbolo da morte, numa cena religiosa como esta”. Teria por finalidade enfatizar o destino trágico do Menino Jesus? – questiona ele.

Ficha técnica
Ano: c.1500/1510
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 129 cm de diâmetro
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/10/1690571-obra-renascentista-retorna-ao-masp-e-sera-exposta-em-dezembro.shtml