Arquivos da categoria: Saúde Mental

Fórum para debate sobre problemas de saúde mental, com textos alusivos ao tema.

TRANSTORNO DO PÂNICO E TOC

Autoria de LuDiasBH

Durante muito tempo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) colocou o transtorno do pânico (TP) e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) no mesmo espectro dos transtornos mentais, considerando a similaridade de sintomas que afetavam o paciente, mas, atualmente, eles são vistos como distintos, sendo o TOC transferido para o grupo dos transtornos de controle de impulsos, o que vem gerando algumas polêmicas. Controvérsias à parte, o fato é que esses dois transtornos vem aumentando consideravelmente em todo o mundo.

A mudança de classificação objetiva estabelecer critérios para o diagnóstico de uma doença e outra, de modo a escolher o tratamento adequado para cada uma delas. Contudo, embora apresentem quadros distintos, acontece de as pessoas com TOC também apresentarem crises de pânico, o que, muitas vezes, acaba dificultando o diagnóstico dos dois transtornos em questão, o que impede o médico de administrar ao paciente a melhor terapêutica, conforme explica o Dr. Friedman: “Às vezes, o medicamento que trata um problema poderá também amenizar o outro. Entretanto, as doses de remédios serotoninérgicos, que servem para ambos os casos, costumam ser distintas, podendo ser intoleráveis por um ou ineficazes pelo outro, com o pânico sendo mais sensível e o TOC necessitando usualmente de doses mais elevadas”.

A pessoa vítima da síndrome do TOC normalmente vê-se tomada por obsessões (distúrbio emocional em que o pensamento se fixa e se repete persistentemente), muitas vezes associados a gestos e atos compulsivos que acabam perturbando o seu dia a dia. O psiquiatra Quirino Cordeiro explica: “Os sintomas são conhecidos popularmente como ‘manias’ e causam bastante sofrimento por serem incontroláveis. Eles variam de intensidade: podem ser leves ou incapacitantes. A doença, geralmente, é crônica e raramente melhora espontaneamente, sem alguma forma de tratamento”.

O portador de TOC não possui nenhum controle sobre esses pensamentos indesejáveis e intrusivos, causadores de medo ou desconforto e ansiedade. Eles podem aparecer das mais diferentes maneiras (números, palavras, músicas, etc.). Em consequência da obsessão vem a compulsão, ou seja, a pessoa passa a ter comportamentos repetitivos e excessivos, tendo que realizar a mesma ação várias vezes, como verificar se portas e janelas estão fechadas, lavar as mãos com medo de contaminar-se com germes, etc.

Os pensamentos intrometidos induzem a vítima de TOC a executar esta ou aquela ação sob o impulso do medo. Ela acredita que, se não agir em conformidade com o seu pensamento, algo ruim irá acontecer. Portanto, precisa atender à mensagem que eles passam, evitando, assim, qualquer risco. Algumas vítimas do transtorno, para fugir de tais ameaças, passam a adotar certos tipos de comportamento, como não tocar em certos objetos. Quando isso foge à sua vontade, ela poderá entrar em desespero, o que lhe ocasionará um ataque de pânico.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) encontra-se entre as dez patologias psiquiátricas mais comuns em todo o mundo.

Nota: A Refeição do Cego, obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial

TRANST. DO PÂNICO E VIDA SOCIAL

Autoria de LuDiasBH

Todo portador do Transtorno do Pânico sabe que não é fácil lidar com esta doença que interfere profundamente na vida familiar, profissional e social, podendo surgir a qualquer momento, principalmente quando sem tratamento. Também não é fácil para aqueles que se encontram próximos, assistirem às crises, principalmente quando não têm nenhum conhecimento sobre o transtorno.  É realmente um Deus nos acuda! Por isso, o primeiro passo é o doente buscar ajuda médica e inteirar-se sobre a própria doença e, posteriormente, conversar com as pessoas mais próximas sobre o assunto, para que essas possam ajudá-lo quando se encontrar em meio a uma crise. Os familiares deverão se inteirar do problema, aprendendo a lidar com a pessoa.

É comum ouvir que “somente quem passou por uma crise de pânico pode ter ciência do terror vivenciado”, o que é uma verdade inconteste. Afirma o psiquiatra Daniel G. Suzuki Borges que “Ao entender mais sobre a própria condição, o paciente será capaz de explicar detalhes sobre o que sente para amigos e familiares, o que irá ajudá-los a lhe dar apoio. Segurar a mão em um momento de crise costuma ser muito terapêutico”. Quanto mais acolhido e compreendido se sentir o doente, mais seguro ele ficará.

O que deve ficar bem claro para as pessoas que convivem com portadores do Transtorno do Pânico é que se trata realmente de uma doença mental, ocasionada pelo desequilíbrio químico que acontece no cérebro, originado por várias causas, muitas delas ainda desconhecidas. Ao contrário do que alguns imaginam, o medo que acompanha os surtos não é uma invencionice ou um fingimento planejado para obter atenção, mas algo real que traz grande sofrimento ao seu portador. A melhor maneira de ajudá-lo é também buscar informações sobre a doença, amparando-o durante as crises. Se a pessoa ainda não buscou ajuda médica, deverá incentivá-la a fazê-lo.

Quando nós, agindo com paciência e tolerância, desarmados de qualquer tipo de preconceito, amparamos pessoas que sofrem com transtornos mentais, estamos ajudando a acabar com o estigma que até mesmo os doentes carregam, achando que tais doenças são vergonhosas e que, por isso, devem ser escondidas, o que se trata de um grande erro no tratamento das doenças mentais.  Segundo o psiquiatra Daniel G. Suzuki Borges “Várias personalidades e figuras públicas têm se exposto para discutir sua depressão, pânico, ansiedade e bipolaridade, com o intuito de normalizar e encorajar outros pacientes a procurar ajuda”.

O psicólogo Breno Rosotolato explica que o apoio ao portador de transtorno do pânico deve ser dado durante as crises e também no decorrer do tratamento. Ele fornecesse algumas dicas que ajudarão o acompanhante a lidar com a situação:

  • Não exija explicações do paciente. Deixe que ele fale sobre sua doença quando quiser. O mais importante é demonstrar que o apoia e irá ouvi-lo, quando quiser falar.
  • Incentive-o a sair, conhecer coisas e pessoas novas, mas sem obrigá-lo. Ao agir positivamente estará encorajando-o a lidar com o medo.
  • Ao presenciar uma crise, aja com respeito e compreensão, não minimizando o fato. Ao mostrar que se importa com a pessoa e encontra-se ao seu lado, estará impedindo que ela se isole.
  • Tenha cuidado com as frases proferidas. Nunca deboche de seu medo. Jamais diga que é fricote ou coisas desse tipo, acarretando ainda mais sofrimento ao doente.

Nota: obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial

BONS FILMES QUE FALAM SOBRE TRANST. MENTAIS

Autoria de LuDiasBH

Visitando o YouTube tive a felicidade de encontrar um canal fantástico, denominado Refúgio Cult, produzido pelo jornalista goiano Lucas Maia, uma espécie de Roger Ebert brasileiro. Quem ama a sétima arte encontrará nesse canal um tesouro inestimável. Ali ele debate, com clareza e sensibilidade, filmes das mais diferentes épocas e nacionalidades, sem deixar de lado os independentes que, por contarem com uma verba muito pequena, acabam sendo desconhecidos para o grande público. Também analisa séries, o grande boom de nossos dias. Em suma, o Refúgio Cult é voltado para o Cinema e séries de TV. E para temperar ainda mais este menu excepcional, Lucas Maia ainda nos traz curiosidades sobre os bastidores dos filmes e seriados ou fatos relativos à vida de artistas do meio.

O mais inteligente na abordagem que o Refúgio Cult faz sobre filmes e séries é sempre deixar ao espectador a decisão de assistir a eles ou não. Ele analisa as produções, dá o seu ponto de vista pessoal – sempre deixando claro que não fala pelos outros e que opiniões podem divergir – enumerando bons elementos para vê-los ou não. Algo que me chamou muito a atenção no trabalho do Lucas é o refinamento de sua linguagem (quando as palavras de baixo calão vêm se tornando comum no mundo dos youtubers) e o leque de conhecimento que ele tem. Jamais imaginaria encontrar em seu canal uma preocupação com os transtornos mentais. Portanto, qual não foi a minha surpresa ao encontrar no Refúgio Cult filmes especificamente sobre depressão e a bipolaridade (listados abaixo).

Oito Filmes para Entender Melhor os Transtornos Mentais 

  • As Virgens Suicidas (1999) – Diretora: Sofia Coppola
  • As Horas (2002) – Diretor: Stephen Daldry
  • As Faces de Helen (2009) – Diretora: Sandra Nettelblack
  • Direito de Amar (2009) – Diretor: Tom Ford
  • Irmãos Desastre (2014) – Diretor: Craig Johnson
  • Ela (2014) – Diretor: Spike Jonze
  • Anomalisa (2015) – Diretores: Charlie Kaufman e Duke Johnson
  • Toc Toc (2017) – Diretor: Vicente Villanueva

Fonte de pesquisa
Refúgio Cult / YouTube

SÍNDROME DO PÂNICO – COMO EVITAR

Autoria de LuDiasBH

A especialista em psicossomática, Dra. Cristiane L. S. Vaz, ensina 25 dicas para evitar a Síndrome do Pânico:

  1. Cobre-se menos; 2. Aceite suas dificuldades; 3. Seja menos perfeccionista; 4. Aceite: errar é humano; 5. Entre em contato com os seus sentimentos. 6. Crie menos expectativa com relação ao outro; 7. Exercite a tolerância; 8. Viva para o presente; 9. Perdoe-se; 10. Aprenda a dizer não; 11. Aceite mudanças; 12. Faça terapia; 13. Dedique um tempo para você; 14. Trabalhe com algo que lhe faça sentido; 15. Exercite padrões de pensamento positivo; 16. Pratique algum exercício físico. 17. Identifique seus limites; 18. Participe de um trabalho voluntário; 19. Quando possível, fuja da rotina; 20. Afaste-se de pessoas pessimistas; 21. Não se perca na sua história; 22. Corra atrás dos seus sonhos; 23. Não se condicione; 24. Seja livre; 25. Seja responsável.

A mesma especialista também ensina uma técnica simples, envolvendo corpo e mente,  que leva ao relaxamento. Vejamos:

  1. Fique numa posição confortável.
  2. Respire profundamente para relaxar.
  3. Repita cinco vezes: Eu estou tranquilo!
  4. Sinta os braços e as pernas pesados.
  5. Repita cinco vezes: Meus braços e minhas pernas irradiam calor/ Minha respiração está tranquila e regular/ Meu coração pulsa regularmente.
  6. Imagine a radiação do calor que sai da sua barriga ou ventre.
  7. Repita para si mesmo: Minha cabeça está livre e tranquila.
  8. Feche os punhos e estique os braços.
  9. Respire profundamente e abra os olhos. Espere que sua energia retorne para levantar-se.

Segundo o Dr. Ivan Morão “A alimentação é uma das ações coadjuvantes para o tratamento do transtorno do pânico”. Por sua vez, o psiquiatra Daniel Suzuki Borges afirma que “No transtorno do pânico, a ansiedade pode estimular a pessoa a comer mais ou quase nada. Por conta da alteração no apetite, algumas acabam ganhando peso ou emagrecendo muito. É preciso ficar atento”.

Como vimos, a alimentação correta é de grande importância no tratamento do transtorno do pânico. Segundo a nutricionista funcional Priscila Di Ciero, “A síndrome do pânico pode estar associada a uma disbiose intestinal, que é um desequilíbrio da flora intestinal. Restabelecendo esta flora, parte da fabricação de serotonina volta a ser feita corretamente”. Vejamos a importância de alguns alimentos para os portadores da síndrome e outros que devem ser evitados.

  1. Alimentos que são fontes de triptofano (serão convertidos em serotonina): grão-de-bico, lentilha, abacate, amendoim, banana, leite de cabra e abacaxi.
  2. Alimentos que amenizam a ansiedade: farinhas integrais e arroz integral, morangos, frutas vermelhas, vegetais escuros e vegetais verdes. Deve-se também fazer uso de ômega 3, encontrado em peixes de água fria e em algumas sementes, como linhaça e chia.
  3. Chás que acalmam: camomila, maracujá, ginko biloba, valeriana e hortelã-pimenta.
  4. Alimentos que ajudam no sono: banana, semente de gergelim, aveia, couve, ovo, arroz integral, linhaça, salmão, maracujá.
  5. Alimentos a serem evitados em quadros de ansiedade: aqueles à base de cafeína (guaraná em pó, café, refrigerantes à base de cola e chás estimulantes).

Nota: A Sopa, obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Autoria de LuDiasBH

 A mulher costuma sentir-se muito ansiosa, principalmente a respeito do bem-estar do bebê, se ele está se alimentando bem, e ela pode parecer cheia de culpa e de autocrítica, além de constantemente irritada. (Dr. Kwame Mckenzie)

Algumas leitoras deste espaço já se apresentaram como tendo depressão pós-parto. O mais preocupante é que muitas mulheres vivenciam isso sem saberem que se trata de uma doença depressiva, uma vez que uma dúzia de causas é atribuída ao seu abatimento e esmorecimento após o nascimento do bebê. A mais comum é atribuir seu estado depressivo às noites maldormidas e às preocupações com a criança que ainda está se adaptando a um mundo novo, necessitando de mamadas constantes e de trocas de fraldas.

Há muitos fatores que contribuem para a depressão pós-parto. Um deles é o fato de que uma mulher que já teve esse tipo de depressão terá 50% de chances de repeti-lo em outras gestações. Também podem ser listados como causas: problemas acontecidos durante o parto ou relativos à saúde do bebê, situação econômica ruim da família, etc. Contudo, o motivo mais frequente tem sido os hormônios sexuais que, ao agirem sobre o sistema nervoso central da nova mamãe, acabam alterando seus neurotransmissores, substâncias responsáveis por estabelecerem a ligação entre os neurônios.

Por que os hormônios sexuais mexem tanto com a mulher? O professor e escritor canadense Kwame Mckenzie explica: “Naturalmente as mulheres apresentam uma alta dosagem de estrogênio e progesterona, mas durante a gravidez os níveis dessas substâncias permanecem ainda mais elevados, caindo drasticamente em algumas horas depois do nascimento do bebê. Essa súbita alteração, muitas vezes, pode ser um gatilho para o surgimento da depressão”. Para maiores esclarecimentos, o estrogênio é a designação genérica dos hormônios femininos que criam as condições necessárias à fertilização do embrião e determinam os caracteres femininos secundários, enquanto a progesterona é um hormônio feminino responsável por preparar o útero para a implantação e fertilização do óvulo.

Os especialistas em depressão pós-parto afirmam que os tipos mais severos dessa doença ocorrem logo depois do parto, sendo esses mais incomuns. Os mais triviais, porém, acontecem entre duas semanas e até mesmo um ano após o nascimento do bebê. São também os mais ignorados, pois muitas mães sentem-se constrangidas, ou até mesmo envergonhadas para dizerem que não estão se sentindo bem com a maternidade. A cobrança da sociedade que sempre apregoou que a mãe, mesmo quando padece o faz no “paraíso”, amplia ainda mais a sensação de culpa e de incapacidade de cuidar de sua cria por parte da mulher, o que só faz aumentar o sofrimento da mãe depressiva, impedindo-a de procurar ajuda médica, achando que deve resolver o problema sozinha.

A atenção da família deve ficar voltada para a recém-mãe após o parto para que possa ajudá-la, caso pressinta mudanças em seu comportamento. O companheiro, principalmente, deve ficar atento às mudanças, em vez de se afastar. A psicóloga Marília Campos afirma que “É preciso que o marido acompanhe sua mulher em um curso pré-natal para que ele possa perceber que tudo vai mudar para ela. O cônjuge precisa compreender a sensação de vazio de sua esposa, além das mudanças no corpo e que sua aceitação demorará um tempo para acontecer”.

A medicina aponta três tipos de sintomas possíveis de aparecer no período da maternidade e orienta que nem todos eles podem ser vistos como depressão. São eles:

  • Baby blues – surge imediatamente após o parto. Pode ser oriundo, por exemplo, do fato de o bebê não ser como o esperado. O quadro pode durar duas semanas, necessitando apenas do apoio da família para o restabelecimento da estabilidade emocional da mulher.
  • 2- Depressão pós-parto leve e moderada – não tem data para aparecer, podendo durar meses ou anos. Os sintomas podem ser: choro, sensação de culpa, cansaço, perda da libido, isolamento, etc. Há necessidade de buscar ajuda médica.
  • Depressão pós-parto grave e psicose – a mãe pode apresentar sintomas como: delírios, alucinações, esgotamento físico, raiva, comportamento agressivo contra si mesma e contra o bebê, etc. Há necessidade de urgência na busca por ajuda médica, sendo que a mãe necessita ser internada e afastada do bebê.

Fatores que podem contribuir para o aparecimento da depressão pós-parto: problemas de fertilidade; histórico de doenças psiquiátricas; problemas financeiros; ser mãe solteira; ser mãe ainda muito jovem; parto difícil; bebê prematuro; isolamento social; falta de apoio do companheiro; preocupação com a volta ao trabalho, etc.

Assim como os outros tipos de depressão, a pós-parto precisa de ajuda especializada. Além da família, o ginecologista é uma das pessoas mais indicadas para saber se tudo está indo bem com a nova mãe. Ao perceber qualquer anormalidade, ele deve ajudar a mulher a buscar ajuda médica e também conversar com a família.

Nota: Entardecer, obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa
Guia 301: Dicas para não ter depressão / Editora Online

TRANST. DO PÂNICO – TRATAMENTO E ABANDONO

Autoria de LuDiasBH

Aceitar o diagnóstico é o passo mais importante para o tratamento de qualquer transtorno mental. O segundo – não menos importante – é seguir as prescrições médicas, pois quanto maior for a demora em fazer uso do medicamento e da terapia (quando indicada), mais severas tornam-se as crises, sendo os espaçamentos entre elas cada vez menores. Os psiquiatras, por entenderem que a Síndrome do Pânico acontece em razão de falha química no funcionamento do cérebro, prescrevem o uso de medicamento na fase inicial do tratamento. Segundo eles, é necessário controlar os sintomas e crises até mesmo para que a pessoa possa fazer uso da psicoterapia. Existem três formas terapêuticas para tratar a SP: psicofarmacológica (uso de remédios), psicoterapêutica (trabalha o pensamento e emprega técnicas de relaxamento) e as duas terapias juntas.

Uma das perguntas mais frequentes em relação ao tratamento é saber quanto tempo durará. Não se tem uma resposta exata, pois irá variar de uma pessoa para outra. Os especialistas respondem que esse tempo é de no mínimo seis meses a um ano, preferencialmente. Quem abandona o tratamento sem o parecer médico, após obter uma melhora, estará incorrendo num grande erro, pois além de as crises voltarem num curto espaço de tempo, elas tendem a ser ainda mais severas, trazendo dificuldades para a adaptação do organismo ao antidepressivo, ainda que seja o mesmo tomado anteriormente. Contudo, nem todos os pacientes abandonam o tratamento por vontade própria.

É sabido que todo antidepressivo traz em seu bojo efeitos adversos que passam depois de um determinado tempo de uso, à medida que o organismo vai se adaptando à nova substância. Infelizmente muitos profissionais não falam sobre isto com os seus pacientes. Ao surgirem os primeiros efeitos colaterais, a pessoa entra literalmente em pânico. Ela não entende como um remédio que está sendo usado para ajudá-la possa deixá-la pior do que antes de dar início ao tratamento. Sem orientação alguma, acaba abandonando abruptamente o medicamento, o que resultará em crises ainda mais agudas, pois em hipótese alguma o tratamento pode ser abandonado por conta própria. Somente o especialista poderá fazer mudanças, quando essas forem necessárias.

Outro problema relativo ao abandono do tratamento dos transtornos mentais é o preço exorbitante dos medicamentos. É sabido que muita gente não pode comprá-los. Sem falar que o retorno contínuo ao psiquiatra para pegar receitas é outro fator de oneração. Há especialistas que dão receitas apenas para dois meses, obrigando o cliente a voltar sempre ao consultório para uma nova consulta que, na maioria das vezes, consiste apenas na entrega de uma nova receita. Por isso, muitos pacientes recorrem ao clínico geral dos postos de saúde, levando a receita velha e pedindo uma nova. Mais do que justo, principalmente nos dias atuais, quando uma grande parcela dos brasileiros encontra-se sem emprego.

Os usuários de antidepressivos devem saber que esses também podem ser manipulados, ficando o preço bem mais em conta, principalmente quando se trata de uma quantidade maior, saindo, muitas vezes, pela metade do valor de uma caixa com 30 comprimidos. Há também farmácias que costumam fazer promoções, vendendo duas caixas e dando a terceira de graça. De qualquer forma é preciso pesquisar muito, optando sempre pelo medicamento com o melhor preço, sem se preocupar com o seu nome fantasia ou laboratório. Uma vez que o remédio encontra-se no mercado, ele já passou pela fiscalização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), devendo, portanto, ter a sua eficácia comprovada.

Nota: A Habitação Azul, obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial