Arquivos da categoria: Saúde Mental

Fórum para debate sobre problemas de saúde mental, com textos alusivos ao tema.

ANSIEDADE X CAMINHO DO MEIO

Autoria de LuDiasBH

De uma forma geral, a ansiedade é um sentimento incômodo e projetado para o futuro. A pessoa aflitiva vive num estado de alerta constante por causa de uma situação que ainda pode acontecer e causar-lhe sofrimento. (Flávia Maria Scigliano)
 
Cada vez mais pessoas estão chegando aos consultórios médicos queixando-se de uma aflição que não passa, de uma perturbação que anuvia sua mente e de uma grande incerteza quanto ao futuro. Elas pedem ajuda porque não sabem lidar com essas emoções que acabam transformando a vida num labirinto sem saída, retirando-lhes a alegria de viver. Embora a ansiedade esteja presente no cotidiano de todo ser humano, o que a difere de algo mais grave é a intensidade com que se abate sobre a pessoa.

Muitos de nós desconhecemos o quão sábio é o próprio corpo. Ele pode aguentar um determinado estresse por um tempo, mas não por todo o tempo. No caso da ansiedade – quando o medo, as incertezas e a expectativa extravasam seus limites – o corpo humano sofre uma alteração emocional – reação natural que corresponde a um pedido de ajuda. O seu grito de dor é uma forma de alerta, sem o qual correria o risco de somente buscar socorro quando já se encontrasse em frangalhos. Ele dá o sinal, como se dissesse: “Depois não venha dizer que não avisei!”.

O organismo humano reage à sensação de aflição, ao receio ou à agonia que acomete a pessoa, quando não diz respeito a um tempo determinado, mas que se prolonga indefinidamente. A inquietação, a impaciência e o descontrole sem causa aparente nada mais são que um sinal para que se tome cuidado, pois algo está desandando, fugindo ao controle da mente. É preciso compreender a linguagem de nosso corpo, levar em conta seus mecanismos de defesa e buscar ajuda, antes que a ansiedade possa se transformar num severo distúrbio (Transtorno da Ansiedade Generalizada – TAG), impedindo o indivíduo de exercer até mesmo suas atividades rotineiras.

Conhecer as diferenças entre a ansiedade tida como normal e aquela que é considerada uma patologia da mente é muito importante para buscar ajuda quando necessária. A primeira aparece quando a pessoa encontra-se prestes a passar por uma situação de desconforto (entrevistas, concursos, mudanças, etc). A segunda caracteriza-se por uma preocupação fora dos limites ou por uma expectativa com grande apreensão que foge ao controle e que perdura por no mínimo seis meses, vindo acompanhada de irritabilidade, inquietação, fadiga, tensão muscular, dificuldade de concentração e perturbação do sono. Neste último caso, quanto mais cedo buscar ajuda médica menor será o sofrimento.

Nota: obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa
Guia minha Saúde/ Editora On Line

ANSIEDADE X TECNOLOGIA

Autoria de LuDiasBH

Não há por que contestar que a tecnologia vem tornando a vida humana bem mais fácil. São inúmeros os benefícios prestados em todos os campos. Contudo, ela também apresenta uma face perversa – quando não usada com equilíbrio –, fortalecendo o provérbio que diz que “quem nunca comeu melado, quando come, acaba se lambuzando”. É exatamente isto que vem acontecendo. Nós temos perdido o equilíbrio no que tange ao uso, sobretudo, das redes sociais, ávidos que estamos pelos celulares – cada vez mais modernos – que nos conectam com o mundo, mas que nos desconectam com aqueles que vivem em torno de nós.

Nunca se falou tão pouco nas salas de espera de consultórios e hospitais, dentro dos ônibus e metrôs, nos recreios de escolas e festas, nas ruas e até mesmo nos pequenos intervalos de descanso oferecidos pelas empresas. E tudo isso sem querer penetrar na intimidade dos lares, onde o contato com as redes sociais toma assento até mesmo à mesa, quando a família se reúne para comer. Entre uma garfada e outra os olhos voltam-se para o aparelhinho retangular postado à esquerda do ansioso membro que checa continuamente as mensagens recebidas. Tudo parece ser de urgência urgentíssima. E o diálogo com as pessoas próximas? O que é mesmo isso? Quem passa mesmo a comer de concha nessa parada é a ansiedade – vilã da sociedade moderna.

O fato é que ainda não nos encontramos preparados para o número alarmante de informações – dos mais diferentes vieses – que chegam até nós diariamente, ainda mais quando a modernidade de nossos tempos exige que sejamos multitarefeiros.  A questão é tão complexa que novos termos estão surgindo para definir a ansiedade gerada pelos novos meios de comunicação, como ringxiety (sensação de que o celular toca ininterruptamente) e technologyrelated (aflição gerada pelo travamento do computador). No bojo de tudo isso está a ansiedade – angústia ou perturbação – ocasionada pelo medo de encontrar-se desconectado da internet, desconhecendo o que acontece no país e no mundo. O resultado de tudo isso é que estamos nos transformando em pessoas ansiosas que sofrem por antecipação e, consequentemente, perdemos qualidade de vida.

O psicanalista e escritor Augusto Cury adverte-nos: “Pensar é bom, pensar com consciência crítica é ótimo, mas raciocinar excessivamente e sem gerenciamento é uma bomba para a saúde psíquica e para o desenvolvimento de uma mente livre e criativa”. O que vem acontecendo é que a consciência crítica é cada vez mais fugaz, pois a maioria de nós funciona no autômato. O pensamento acelerado rouba a emoção, põe de escanteio a qualidade e a profundidade de nosso raciocínio, apegados que estamos a um número impactante de estímulos que despenca sobre nós – número esse que acaba por nos presentear com a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) – a moléstia de nosso século, segundo o escritor, que é bem mais prejudicial que a depressão.

O estado de ansiedade crônica é causado pela rapidez e pelo excesso de pensamentos, resultando num coquetel explosivo para a nossa saúde emocional – de acordo com Cury. Ele também explica que ao violarmos o ritmo de formação de nossos pensamentos – o que é antinatural – estamos sobrecarregando nosso cérebro, gerando consequências gravíssimas para nós mesmos. Sempre soubemos que o nosso corpo está adaptado para trabalhar em equilíbrio e que todo excesso prejudica o seu funcionamento – até mesmo a velocidade com que raciocinamos. Fica, portanto, o alerta: não podemos ir com muita sede à fonte, pois ainda não sabemos como lidar com muitas dessas situações que chegam até nós. Portanto, o equilíbrio – também conhecido pelo Budismo como Caminho do Meio – deve nortear nossos impulsos e comportamentos de modo que não venhamos a tornar-nos vítimas do excesso que é um campo fértil para a ansiedade.

ANSIEDADE X AJUDA MÉDICA

Autoria de LuDiasBH

Se não tratada no início, a ansiedade pode se tornar uma doença séria, como sintomas não só psíquicos, mas também físicos.

Várias causas impedem a busca pelo tratamento médico dos transtornos mentais no Brasil. As mais comuns são o desconhecimento sobre as patologias, desconhecimento esse gerado pela falta de políticas públicas; o preconceito contra as doenças mentais; os preços exorbitantes das consultas e dos antidepressivos; e a dificuldade de atendimento nas redes públicas. Tudo isso somado a um tratamento em longo prazo, exigindo muitas vezes licença do trabalho – estando as empresas despreparadas para lidar com tais casos – tem sido exasperante principalmente para as pessoas de baixa renda – faixa em que se insere a maioria dos brasileiros. O mais cruel é saber que, quando não tratada assim que se manifesta, a ansiedade excessiva deixa de apresentar apenas os sintomas psíquicos e passa a incluir os físicos – transformando-se numa doença gravíssima.

O fato de o transtorno de ansiedade apresentar diferentes sintomas torna a sua identificação ainda mais difícil. De maneira geral os sintomas mais comuns são: tensões e medos exagerados; preocupações excessivas; sensação de que algo ruim está prestes a acontecer; incapacidade de controlar os próprios pensamentos, etc. Além disso, algumas pessoas podem sentir sintomas físicos, como: dores de cabeça e sensação de cansaço; dores no peito e falta de ar; dores nas costas; palpitações e contrações musculares; mudanças na temperatura do corpo; palpitações e suor excessivo, etc.  De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito pela Associação Americana de Psiquiatria, existem dez subtipos da doença, cada um deles podendo apresentar sintomas diferenciados. Vejamos:

    1. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) – trata-se do tipo mais comum e mais frequente. O doente é acometido de uma grande ansiedade e de uma preocupação excessiva, o que lhe traz um intenso sofrimento que interfere em sua saúde física, na vida social e profissional. São sintomas desse subtipo: cansaço, falta de concentração, irritabilidade, inquietação, tensão muscular,  insônia, etc.
    2. Mutismo Seletivo – diz respeito à dificuldade de interação do ansioso com outras pessoas. O doente não gosta de conversar – jamais iniciando uma conversa – e responde com o mínimo de palavras o que lhe é perguntado, isso quando não ignora a pergunta. Embora o mutismo seletivo – muitas vezes associado à timidez – seja mais comum em crianças, ele pode acontecer com pessoas adultas.
    3. Transtorno de Ansiedade de Separação – é mais comum em crianças, porém, adultos também podem ser acometidos por esse problema. A pessoa vivencia um medo exasperador em relação à separação que pode ser de uma pessoa, de um animal, de um objeto ou até mesmo de um lugar (medo de mudar de casa, por exemplo). Se a separação do motivo do apego acontecer, o indivíduo pode apresentar apatia, tristeza, terrores imaginários, dificuldade de concentração ou até mesmo dificuldades de relacionamento
    4. Transtorno de Pânico – a pessoa é acometida por ataques recorrentes de pânico. Tais surtos de medo surgem muitas vezes sem nenhum tipo de gatilho – o que leva a pessoa ter medo de sair de casa –, ocasionando um grande sofrimento ao portador que acha estar tendo um ataque cardíaco, indo muitas vezes parar no hospital. Esses ataques podem durar entre cinco e 30 minutos. Dentre os sintomas estão: sudorese, taquicardia, falta de ar, tremores, sensação de asfixia, dores no peito, tontura, náuseas, calafrios, sensações de formigamento, desrealização (sensação de irrealidade), medo de enlouquecer, de perder o controle e fazer algo que possa colocar sua vida em risco e, sobretudo, medo de morrer. Se não tratados, os ataques de pânico tendem a ser cada vez mais frequentes.
    5.  Fobias Específicas – trata-se do medo de enfrentar situações específicas, como entrar num elevador, ficar em lugares altos, encontrar uma barata, entrar numa piscina, tomar injeção, etc. Sempre que é obrigada a enfrentar uma situação dessas, a pessoa entra em crise, demonstrando um medo sem limites e acaba sendo acometida por um ataque de pânico.
    6.  Fobia Social – refere-se ao medo sem limites de ser exposto à avaliação de terceiros quando em situações sociais. O portador de tal fobia não gosta de falar em público e nem mesmo de ser observado em ações rotineiras.
    7.  Agorafobia (àgora + fobia) – medo doentio de estar em/ou atravessar grandes espaços abertos ou lugares públicos, pois neles não se sente seguro, necessitando da companhia de outras pessoas.
    8.  Transtorno de Ansiedade Induzido pelo Uso de Substâncias – origina do uso abusivo de substâncias ilícitas (maconha, cocaína, ecstasy, etc), excesso de cafeína, álcool, medicamentos como opióides e anfetaminas.
    9.  Transtorno de Ansiedade Devido a Outra Condição Médica – dá-se em razão da condição médica da pessoa, muitas vezes ocasionada por doenças e alterações físicas.
    10.  Especifica e não especificado – refere-se aos casos que não se inserem nos subtipos acima, ou seja, fora dos critérios descritos, embora tragam ao paciente um grande sofrimento.

Fontes de pesquisa
Guia minha saúde/ Editora On line
https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/12/13/ansiedade-nao-e-tudo-igual-conheca-9-subtipos-que-precisam-de-tratamento.htm

Nota: Cinzas, obra de Edvard Much.

A USUAL DEPRESSÃO DE FINAL DE ANO

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Chegou mais um final de ano e, junto com ele, vêm as avaliações do ano que passou. Passam pela nossa cabeça os arrependimentos, as conquistas, as perdas, os ganhos, etc. Enfim, é uma fase de avaliar o que se fez e o que deixamos de fazer. Neste período, justamente devido a estas avaliações, a tristeza vem afligir uma parte da população. Neste texto, vamos diferenciar quem está triste somente ou deprimido e precisa de um tratamento especializado.

Ficar triste nesta época é algo natural, em especial devido às reflexões que são feitas. Algumas pessoas podem ter também lembranças da morte de um parente ou alguma perda no ano que passou, como uma separação, um emprego, uma reprovação escolar, etc. São sentimentos que, acumulados no decorrer do ano, podem se misturar e causar mais melancolia e tristeza.

Não podemos confundir depressão com tristeza. Ficar simplesmente triste não caracteriza, necessariamente, uma depressão, que é um quadro patológico. A pessoa depressiva apresenta vários sintomas emocionais e físicos que podem incluir sentimentos de culpa sem uma razão aparente, tendência ao isolamento, perda ou ganho de peso, distúrbios do sono, raciocínio lento, melancolia, perda de apetite, dores pelo corpo, etc. Quem fica efetivamente deprimido no final do ano é porque já vem carregando sintomas prévios da doença.

É normal a pessoa confundir, ainda hoje, depressão com tristeza, “baixo astral”, fossa, ou atribuir os sentimentos a uma “fase ruim” ou à “crise do país”. A tristeza é um sentimento que acontece com qualquer pessoa, mas é passageiro, não altera o funcionamento do indivíduo. A pessoa continua a “tocar a vida”, ou seja, entristecer não é ficar deprimido. Todos nós temos momentos de tristeza, isso faz parte da vida que é feita de alegrias e desilusões.

O dia de Natal, por ser considerado cultural e socialmente um período familiar de união, toca, e por ser carregado de religiosidade, é uma data em que muitas pessoas se entristecem, pois as lembranças podem ser dolorosas, algumas feridas ainda não cicatrizadas podem voltar à tona e a percepção da realidade pode não agradar. Se você faz parte deste grupo que fica mais triste nesta época do ano, aí vão algumas dicas:

  • Planejar seu final de ano é de suma importância. As coisas feitas em cima da hora geram mais estresse.
  • Evitar conflitos familiares e não falar em coisas desagradáveis é de bom tom. Há sempre aquele familiar que chega com temas desagradáveis (esta pessoa deve ser evitada a qualquer custo).
  • Priorizar os exercícios físicos e se expor mais ao sol, pois sabidamente a não exposição solar está ligada a quadros depressivos e melancólicos.
  • Não assumir compromissos acima da sua capacidade neste período. Faça aquilo que você planejou e mais nada.
  • Já os casos com sintomas depressivos devem procurar ajuda médica e ou psicológica.

O ano de 2019 está chegando. Novos erros serão cometidos, entretanto, não cometa os mesmos erros de 2018. Errar duas vezes pelo mesmo motivo é sinal de pouca inteligência e isso pode gerar tristezas e depressão.

TRANSTORNO DO PÂNICO E TOC

Autoria de LuDiasBH

Durante muito tempo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) colocou o transtorno do pânico (TP) e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) no mesmo espectro dos transtornos mentais, considerando a similaridade de sintomas que afetavam o paciente, mas, atualmente, eles são vistos como distintos, sendo o TOC transferido para o grupo dos transtornos de controle de impulsos, o que vem gerando algumas polêmicas. Controvérsias à parte, o fato é que esses dois transtornos vem aumentando consideravelmente em todo o mundo.

A mudança de classificação objetiva estabelecer critérios para o diagnóstico de uma doença e outra, de modo a escolher o tratamento adequado para cada uma delas. Contudo, embora apresentem quadros distintos, acontece de as pessoas com TOC também apresentarem crises de pânico, o que, muitas vezes, acaba dificultando o diagnóstico dos dois transtornos em questão, o que impede o médico de administrar ao paciente a melhor terapêutica, conforme explica o Dr. Friedman: “Às vezes, o medicamento que trata um problema poderá também amenizar o outro. Entretanto, as doses de remédios serotoninérgicos, que servem para ambos os casos, costumam ser distintas, podendo ser intoleráveis por um ou ineficazes pelo outro, com o pânico sendo mais sensível e o TOC necessitando usualmente de doses mais elevadas”.

A pessoa vítima da síndrome do TOC normalmente vê-se tomada por obsessões (distúrbio emocional em que o pensamento se fixa e se repete persistentemente), muitas vezes associados a gestos e atos compulsivos que acabam perturbando o seu dia a dia. O psiquiatra Quirino Cordeiro explica: “Os sintomas são conhecidos popularmente como ‘manias’ e causam bastante sofrimento por serem incontroláveis. Eles variam de intensidade: podem ser leves ou incapacitantes. A doença, geralmente, é crônica e raramente melhora espontaneamente, sem alguma forma de tratamento”.

O portador de TOC não possui nenhum controle sobre esses pensamentos indesejáveis e intrusivos, causadores de medo ou desconforto e ansiedade. Eles podem aparecer das mais diferentes maneiras (números, palavras, músicas, etc.). Em consequência da obsessão vem a compulsão, ou seja, a pessoa passa a ter comportamentos repetitivos e excessivos, tendo que realizar a mesma ação várias vezes, como verificar se portas e janelas estão fechadas, lavar as mãos com medo de contaminar-se com germes, etc.

Os pensamentos intrometidos induzem a vítima de TOC a executar esta ou aquela ação sob o impulso do medo. Ela acredita que, se não agir em conformidade com o seu pensamento, algo ruim irá acontecer. Portanto, precisa atender à mensagem que eles passam, evitando, assim, qualquer risco. Algumas vítimas do transtorno, para fugir de tais ameaças, passam a adotar certos tipos de comportamento, como não tocar em certos objetos. Quando isso foge à sua vontade, ela poderá entrar em desespero, o que lhe ocasionará um ataque de pânico.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) encontra-se entre as dez patologias psiquiátricas mais comuns em todo o mundo.

Nota: A Refeição do Cego, obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial

TRANST. DO PÂNICO E VIDA SOCIAL

Autoria de LuDiasBH

Todo portador do Transtorno do Pânico sabe que não é fácil lidar com esta doença que interfere profundamente na vida familiar, profissional e social, podendo surgir a qualquer momento, principalmente quando sem tratamento. Também não é fácil para aqueles que se encontram próximos, assistirem às crises, principalmente quando não têm nenhum conhecimento sobre o transtorno.  É realmente um Deus nos acuda! Por isso, o primeiro passo é o doente buscar ajuda médica e inteirar-se sobre a própria doença e, posteriormente, conversar com as pessoas mais próximas sobre o assunto, para que essas possam ajudá-lo quando se encontrar em meio a uma crise. Os familiares deverão se inteirar do problema, aprendendo a lidar com a pessoa.

É comum ouvir que “somente quem passou por uma crise de pânico pode ter ciência do terror vivenciado”, o que é uma verdade inconteste. Afirma o psiquiatra Daniel G. Suzuki Borges que “Ao entender mais sobre a própria condição, o paciente será capaz de explicar detalhes sobre o que sente para amigos e familiares, o que irá ajudá-los a lhe dar apoio. Segurar a mão em um momento de crise costuma ser muito terapêutico”. Quanto mais acolhido e compreendido se sentir o doente, mais seguro ele ficará.

O que deve ficar bem claro para as pessoas que convivem com portadores do Transtorno do Pânico é que se trata realmente de uma doença mental, ocasionada pelo desequilíbrio químico que acontece no cérebro, originado por várias causas, muitas delas ainda desconhecidas. Ao contrário do que alguns imaginam, o medo que acompanha os surtos não é uma invencionice ou um fingimento planejado para obter atenção, mas algo real que traz grande sofrimento ao seu portador. A melhor maneira de ajudá-lo é também buscar informações sobre a doença, amparando-o durante as crises. Se a pessoa ainda não buscou ajuda médica, deverá incentivá-la a fazê-lo.

Quando nós, agindo com paciência e tolerância, desarmados de qualquer tipo de preconceito, amparamos pessoas que sofrem com transtornos mentais, estamos ajudando a acabar com o estigma que até mesmo os doentes carregam, achando que tais doenças são vergonhosas e que, por isso, devem ser escondidas, o que se trata de um grande erro no tratamento das doenças mentais.  Segundo o psiquiatra Daniel G. Suzuki Borges “Várias personalidades e figuras públicas têm se exposto para discutir sua depressão, pânico, ansiedade e bipolaridade, com o intuito de normalizar e encorajar outros pacientes a procurar ajuda”.

O psicólogo Breno Rosotolato explica que o apoio ao portador de transtorno do pânico deve ser dado durante as crises e também no decorrer do tratamento. Ele fornecesse algumas dicas que ajudarão o acompanhante a lidar com a situação:

  • Não exija explicações do paciente. Deixe que ele fale sobre sua doença quando quiser. O mais importante é demonstrar que o apoia e irá ouvi-lo, quando quiser falar.
  • Incentive-o a sair, conhecer coisas e pessoas novas, mas sem obrigá-lo. Ao agir positivamente estará encorajando-o a lidar com o medo.
  • Ao presenciar uma crise, aja com respeito e compreensão, não minimizando o fato. Ao mostrar que se importa com a pessoa e encontra-se ao seu lado, estará impedindo que ela se isole.
  • Tenha cuidado com as frases proferidas. Nunca deboche de seu medo. Jamais diga que é fricote ou coisas desse tipo, acarretando ainda mais sofrimento ao doente.

Nota: obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial