Arquivos da categoria: Saúde Mental

Fórum para debate sobre problemas de saúde mental, com textos alusivos ao tema.

CAMINHOS PARA VENCER A DEPRESSÃO

Autoria de LuDiasBH

A depressão é um sintoma de falta de conexão consigo mesmo. A pessoa se perdeu e precisa se reencontrar, localizar o propósito de sua vida. E, para tanto, precisa se conhecer. (Júlia Bárány)

O passo principal para a cura da depressão é dado quando o indivíduo aceita que está doente e que necessita de ajuda. Nem sempre isso é fácil, como explica a psicanalista Cristiane Vilaça: “A depressão é um processo muito íntimo, no qual a pessoa rejeita qualquer coisa que venha de fora do seu mundo interno”. A também psicanalista Beatriz Breves mostra o porquê dessa interiorização: “Isso acontece porque a pessoa deprimida, geralmente, não consegue encontrar força nela para solicitar ajuda”. É aí que devem entrar os familiares (ou amigos), porque, como explica a psicanalista Cristiane Vilaça: “A pessoa com depressão só irá entender que está em uma situação que necessita de ajuda quando a dor emocional já se tornou insustentável”.

Além do tratamento psiquiátrico, existem diversos recursos, como a psicoterapia, que agem como coadjuvantes no tratamento ao transtorno depressivo. Segundo o psicanalista Paulo Paiva, “A terapia auxilia a pessoa a explorar a raiz de sua depressão e, com isso, compreender as razões responsáveis por acarretar a doença e então buscar os caminhos para uma vida saudável”. Contudo, é preciso saber qual o recurso a ser buscado, pois são muitas as técnicas usadas. O psiquiatra poderá encaminhar o paciente para aquela que julgar melhor.

A família possui uma grande responsabilidade na recuperação do paciente. Jamais deve negar ou justificar a presença da doença, mas ampará-lo, dando-lhe suporte emocional, como explica a psicanalista Beatriz Breves: “É importante que a pessoa seja compreendida, não se deixando levar pela impotência que às vezes essa situação impõe”. O psicanalista Paulo Paiva complementa: “Os familiares devem procurar informação e conhecimento sobre a doença, saber os benefícios do tratamento e os riscos de não realizá-lo”. Quando a família se omite, o estrago é grande, podendo muitas vezes ser fatal.

A maneira como o paciente encara seu tratamento é muito importante, daí dependendo seu sucesso ou fracasso. Ele precisa acreditar no tratamento e levá-lo adiante, jamais se automedicando ou paralisando-o por conta própria, o que torna as crises ainda mais severas. Como dizemos aqui no site, a pessoa precisa ser POP (paciente, otimista e persistente). É também uma boa oportunidade para reavaliar sua vida, repensar seus valores pessoais, buscar o autoconhecimento, modificar escolhas, ou seja, caminhar em busca de qualidade de vida.

Outra dica importante é buscar viver apenas um dia de cada vez, concentrando todas as atenções no hoje. O passado já se foi, serve agora apenas como experiência. Nada o fará voltar. O futuro ainda está por vir. Quando se vive bem o hoje, consequentemente o futuro já está sendo preparado. Assim, não há porque carregar nos ombros o peso de dois tempos abstratos, tendo a ilusão de que pode modificá-los ao neles concentrar as preocupações. Portanto, é preciso viver intensamente o presente, valorizando as pequeninas coisas boas, aprendendo que a felicidade é feita de pequenos momentos.

Outras técnicas alternativas também ajudam muito. Uma delas é a meditação. Segundo a terapeuta Nara Louzada “Quando oxigenamos as células nervosas, há uma alteração no humor que nos faz sair do estado de inércia para uma maior produtividade. A meditação atua na parte frontal do cérebro, onde se situam a atenção e o foco, além de trabalhar o sistema límbico, responsável pelas questões emocionais”. Ela ensina a substituir sentimentos opostos (exemplo: inspirar entusiasmo e expirar desânimo; inspirar alegria e expirar tristeza; inspirar paz e expirar desassossego; inspirar calma e expirar ansiedade, etc.). O Reiki é outra terapia importante.

A prática de esportes é importantíssima na luta contra a depressão. Explica o ortopedista Mauro Olívio Martinelli: “A endorfina é um hormônio produzido pela glândula hipófise e promove no organismo efeito analgésico de bem-estar, melhora de humor e alegria. Por ser liberada após atividades físicas e, por conta dos seus efeitos, ajuda no combate à depressão”. Segundo estudos, atividades físicas como caminhadas, corridas, andar de bicicleta e nadar liberam maiores níveis de endorfina, hormônio responsável pelo nosso bem-estar.

A alimentação também ajuda a prevenir certos sintomas que dizem respeito à depressão. Segundo a nutricionista Fernanda Marques “Certos alimentos são benéficos por suas propriedades calmantes e estabilizadoras do estado de ânimo e humor. O triptofeno, por exemplo, é um aminoácido precursor da serotonina – neurotransmissor que dá a sensação de bem-estar – e está presente em alimentos como banana e grão-de-bico”. Dentre as oleaginosas, a castanha-do-pará é a mais indicada, pois possui selênio (oxidante importante que ajuda no funcionamento do sistema nervoso). Outros bons alimentos são: ovos, aveia, vegetais escuros…

Nota: Mulher com Véu, obra de Henri Matisse.

Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

OS ANTIDEPRESSIVOS VICIAM?

Autoria de LuDiasBH

O conceito de que antidepressivos causam dependência é um mito. Como são tratamentos longos, fica a sensação de que viciam. (Aristides Brito)

Os antidepressivos não são viciantes. Ao contrário da nicotina, álcool e tranquilizantes, os antidepressivos não requerem aumento de dosagem com frequência para manter o efeito e fazer com que o usuário o deseje. (Virgínia Helena Quadrado).

 A depressão figura no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como um dos transtornos mentais mais sérios, necessitando de tratamento, na maioria dos casos, com antidepressivos que vão atuar no sistema nervoso central com a função de elevar os níveis de neurotransmissores e aumentar a excitação cerebral. Contudo, é sempre bom lembrar que somente o psiquiatra, depois de analisar cada caso individualmente, assim como as condições clínicas da pessoa e os medicamentos dos quais ela faz uso, poderá receitá-los. Além disso, o paciente deve manter contato com o profissional principalmente nas semanas iniciais do tratamento em razão dos efeitos adversos que possam surgir, relatando-lhe tudo.

Inúmeros são os grupos de medicamentos antidepressivos presentes hoje no mercado, apresentando diferentes mecanismos de ação. O psiquiatra, ao receitar um antidepressivo, deve levar em conta as características do paciente e identificar o tipo de transtorno que o acomete, optando pelo medicamento que melhor lhe convém. Além dos antidepressivos usados nos transtornos mentais, existem outras substâncias, como o carbonato de lítio, que vêm sendo usadas no combate à depressão. A respeito do grande número de classes de remédios antidepressivos, comenta o psiquiatra Rodrigo Pessanha: “É como se eu tivesse vários tipos de ferramentas que pudessem se adaptar ao problema em questão. São levados em consideração aspectos como a idade, o peso corporal, a existência de uma doença subjacente e a possível utilização de outros medicamentos de uso geral”.

Uma das preocupações mais constantes daqueles que fazem tratamento com antidepressivos é saber se viciam ou não. O neurocientista Aristides Brito considera tal conceito um mito e explica: “Como são tratamentos longos, fica a sensação de que viciam”. Fica, portanto, a explicação de que o uso de antidepressivos não causa dependência, tanto é que o paciente pode interrompê-lo (depois de passar pela orientação médica) sem problema algum. O que acontece é que, na maioria das vezes, a depressão é recidiva, necessitando que a pessoa retome o tratamento, mas isso não se trata de dependência, mas do mau funcionamento do cérebro. A sensação de que os antidepressivos viciam também está ligada ao uso dos ansiolíticos. Esses, sim, são viciantes.

É muito comum, na fase inicial do tratamento, quando acontecem os transtornos adversos em razão do antidepressivo, a indicação de ansiolíticos para ajudar a contê-los, mas esses devem ser retirados em conformidade com o parecer médico, assim que o paciente começa a sentir-se melhor. Sobre eles, explica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano: “Os fármacos dessa classe são empregados apenas pelo tempo necessário, já que eles agem em neurotransmissores diferentes dos antidepressivos e diminuem algumas das atividades dos neurônios”. O neurocientista Aristides Brito complementa: “Os ansiolíticos provocam sensação de prazer e, por isso, acabam viciando. Assim, devem ser retirados de forma gradual para não provocar abstinência e outros problemas”.

Outro ponto importante é saber que os antidepressivos não são mágicos, necessitando de alguns dias para que a pessoa sinta alterações no seu humor, pois o cérebro exige um tempo para adaptar-se à nova substância, como comprovam os efeitos adversos. Quanto à duração do tratamento, isso dependerá do grau do transtorno mental de cada um. Em média, dá-se num prazo de seis meses, mas existem casos severos que exigem um tempo maior ou seu uso contínuo. E ainda aqueles que param (com o parecer médico) e necessitam retomar o tratamento. Qualquer que seja a situação, ela deverá passar sempre pela avaliação médica. Vale ressaltar também que o uso do antidepressivo, quando associado a mudanças de hábitos e de técnicas alternativas, tem seu efeito bom potencializado.

Uma questão que vem se tornando cada vez mais séria é o uso indiscriminado de antidepressivo com a finalidade de emagrecer. O neurologista Carlos André Ramos Lopes adverte para o perigo: “O abuso de antidepressivos utilizados como emagrecedores, principalmente escondidos em fórmulas de manipulação e sem identificação específica de depressão, pode ter efeitos colaterais severos, como taquicardia, irritabilidade e desmaios”.

 Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

DEPRESSÃO E PENSAMENTOS NEGATIVOS

 Autoria de LuDiasBH

O depressivo tem constantemente pensamentos depreciativos e derrotistas que o levam à desesperança e à tristeza. (Aretusa dos Passos Baechtold)

 Os pensamentos negativos são reflexões intrusivas, como se fossem um diálogo de si para si, sempre girando em torno de uma avaliação negativa da situação atual. (Rodrigo Pessanha)

 A pessoa depressiva sempre se culpa e se pune pelo que não deu certo. Ela não tem esperança no futuro, não acredita na superação dos obstáculos. (Paulo Paiva)

 A depressão exerce uma grande influência sobre as emoções e os pensamentos da pessoa por ela acometida, pois a vítima passa a ter uma avaliação negativa sobre si mesma, sobre os outros e sobre o futuro. O neurocientista Aristides Brito mostra o porquê dessa influência: “A doença é uma disfunção do lobo frontal que causa uma dificuldade na interação entre essa região e o sistema límbico”, ou seja, atinge a unidade responsável pelas emoções e, em consequência, afeta o estado emocional de seu portador.

Ainda que o transtorno depressivo se apresente de modo diferente em cada pessoa, é possível observar a mesma linha de pensamentos negativos e pessimistas. Esse batalhão de pensamentos ruins e repetitivos é chamado por alguns especialistas de “ruminações depressivas”. Segundo o psiquiatra Rodrigo Pessanha “São reflexões intrusivas, como se fossem um diálogo de si para si, sempre girando em torno de uma avaliação negativa da situação atual”.  Tudo parece ruim e sem graça. Nada faz sentindo. A psicanalista Cristiane Vilaça afirma que “Nada no universo exterior é atrativo o suficiente para tirar a pessoa depressiva de seu estado, nem seus entes queridos ou as coisas que costumavam lhe dar prazer”. A psicóloga Valéria Lopes Silva acrescenta que “Ocorre a sensação de impotência, de ausência de sentido para a vida, além de (os depressivos) se sentirem injustiçados pelo mundo”.

O fato de as pessoas depressivas terem uma visão de mundo negativa, sempre achando que a vida não tem sentido, portando um vazio interior e tédio, contribui ainda mais para o seu pessimismo, gerando uma corrente interminável de pensamentos negativos, num círculo vicioso. Os problemas que para uma pessoa não afetada por tal transtorno são considerados normais, assumem uma grande proporção para as depressivas. Segundo o psicanalista Paulo Paiva “A pessoa passa a sentir pequenos problemas de uma forma intensa e os acontecimentos tomam proporções significativas”. Tudo é visto por ela através de uma lente de aumento, como se não existissem alternativas, pois o depressivo bloqueia todos os caminhos.

Em razão dessa avaliação que o depressivo faz de sua presença no mundo, como se estivesse preso num labirinto sem saída, onde o sofrimento é a tônica, resvala muitas vezes para o pensamento suicida, como, se morrer, fosse a sua única saída para acabar com a sua dor e angústia. Somente quando busca ajuda médica é que ela vê que existem outras possibilidades. Faz-se necessário, portanto, que a família ponha-se de prontidão diante de certos comportamentos desse ou daquele seu membro depressivo. A psicóloga Aretusa dos Passos Baechtold chama a atenção para “Comportamentos de despedida – como doar coisas importantes, fazer testamentos, visitar parentes que há tempos não vê – podem ser indícios significativos”. Diante disso, a ajuda médica deve ser buscada com o máximo de urgência.

Pesquisas demonstram que as mulheres têm o dobro de chances de desenvolver a depressão em relação aos homens e constituem a maior população de depressivos. Muitos fatores contribuem para se chegar a tal visão. Além do fato de encararem a doença com mais naturalidade e buscarem ajuda médica (o que facilita as estatísticas sobre a doença) há também o seu complicado envolvimento social. Segundo a psicanalista Beatriz Breves “As mulheres ainda ocupam uma posição aquém dos homens no mundo. Em uma sociedade machista, a igualdade de direitos continua longe de ser conquistada, e isso prejudica a autoestima”. Mesmo fazendo parte do mercado de trabalho, as mulheres ainda estão associadas aos trabalhos domésticos, o que também interfere no seu convívio social, gerando conflitos. Segundo o psicanalista Paulo Paiva, as características hormonais também interferem: “Puberdades, ciclos menstruais, gravidez, parto e menopausa… Por isso elas ficam mais vulneráveis à depressão”.

Pesquisas também apontam que o conhecimento da depressão em suas diferentes fases e o porquê de suas manifestações ajudam muito na superação da doença, sobretudo em relação ao aparecimento dos pensamentos negativos. Recomendam também o uso de terapias alternativas como a mentalização (o que veremos mais à frente).

Nota: O Grito, obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

COMO A DEPRESSÃO ACONTECE

Autoria de LuDiasBH

A depressão (além da genética) consiste na convergência de uma ou mais das seguintes situações: a maneira de entender e lidar com a vida; algum(s) acontecimento(s) doloroso(s) ou mais intenso(s); dor crônica; uso continuo de certo tipo de medicamentos e doenças como hipotireoidismo. (Bayard Galvão)

 O transtorno de depressão, visto por uma questão neurológica e neuropsicológica, pode ser definido como um desequilíbrio de alguns neurotransmissores e de outras partes que compõem o sistema nervoso central. (Fábio Roesler)

A depressão, ao contrário do que os ignorantes no assunto imaginam, não se trata de “chilique” ou “frescura”, pois ela é tão complexa quanto tudo que diz respeito à área da mente e do cérebro, terreno ainda pouco conhecido pela Ciência. As causas de tal transtorno ainda não foram definidas, mas já existe um consenso entre os estudiosos do assunto de que a predisposição genética pode ser uma delas. As demais estão ligadas a outros possíveis fatores. O que leva ao entendimento de que a depressão tanto pode resultar de único fator assim como da convergência de muitos outros.

Segundo a psicanalista Cristiane Vilaça “Pessoas que passam por situações de estresse prolongado ou que estão sujeitas a situações de tensão constante e violência são as mais propensas a enfrentar este transtorno”. E o psicólogo Bayard Galvão acrescenta que a depressão também pode estar ligada ao excesso de acontecimentos negativos, como demissão, desemprego, falta de dinheiro, solidão e relações afetivas ruins, etc. Ele exemplifica: “Imaginemos que cada pessoa tem uma mochila que carrega todos os dias e que os problemas da vida não resolvidos são tijolos que vão sendo colocados dentro dela. Uns aguentarão 10 tijolos, outros 50, mas todos têm seus limites. Aí, um dia, ao colocar mais um tijolo, a pessoa cai exausta, dizendo: ‘foi pesado o último tijolo’, quando na realidade, foi apenas a gota d’água’.”.

Cérebro e Depressão

O sistema nervoso é o responsável por governar todas as atividades de nosso corpo, funcionando como uma central de comando, logo, não causa estranheza a sua relação com o transtorno depressivo. A microestrutura do cérebro é formada pelos neurônios. Os estudiosos do assunto, portanto, alegam que certos fatores neurológicos são responsáveis por fazer com que esta central entre em pane e a depressão ganhe vida.

O modo como os neurônios funcionam tem tudo a ver com o desenvolvimento do transtorno depressivo. Segundo a neurologista Vanessa Muller: “Estima-se que existam mais de 200 bilhões dessas células somente em um cérebro, utilizadas para processar todas as informações, sejam elas motoras, sensitivas, cognitivas ou psíquicas, portanto, para vermos, cheirarmos, sentirmos, tocarmos, andarmos, tomarmos decisão, memorizarmos, ficarmos tristes, felizes, com fome, com sede, com sono, enfim, precisamos das informações compartilhadas entre esses neurônios através de sinapses. Quando ela é química, dá-se através de neurotransmissores como dopamina, serotonina, norepinefrina, acetilcolina, d?entre outros”.

O sistema nervoso age com uma central que comanda todas as atividades corporais, portanto, está intimamente relacionado com a depressão. Além dos fatores genéticos e situações de perda, violência e grandes decepções, certos fatores neurológicos contribuem para que a depressão se instale.

Segundo o neurocientista Aristides Brito “A serotonina facilita as ligações neuronais e é ela que, por exemplo, deixa a pessoa saudável para reagir diante das situações adversas, o que ajuda ? e muito ? a evitar a depressão”. Ainda segundo Brito “A depressão é muito mais de que as mudanças químicas no cérebro já que se relaciona com as emoções ? e essas são afetadas pelo meio ambiente, principalmente nos dias de hoje, com tanta pressão na vida moderna”.

A revista especializada “Scientific American” divulgou um estudo feito por meio de imagens extraídas por eletroencefalografia e ressonância magnética das atividades cerebrais de um grupo de pessoas depressivas. O resultado foi comparado ao de outro grupo não portador do transtorno. O que se detectou é que, nos depressivos, as regiões cerebrais ligadas a pensamentos, humor e atenção possuíam uma enormidade de estímulos trocados (superconectados). Essa pane no nosso sistema cerebral é resultante de uma falha na neurotransmissão. Assim, o desequilíbrio bioquímico nesses neurotransmissores pode desencadear inúmeras consequências, como irritabilidade, impulsividade, baixa energia e… depressão.

Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

O QUE É A DEPRESSÃO

Autoria de LuDiasBH

No fundo, todas as depressões comunicam que o sujeito experimenta uma ausência de sentido para aquele momento da vida e uma dificuldade de sustentar seu desejo. (Valéria Lopes da Silva)

As pessoas ao redor de um deprimido precisam se sensibilizar e procurar tirá-lo desse poço. Uma atitude afetuosa simples tem um bom efeito num ser humano. (Juliana Bárany)

Ainda hoje é possível encontrar pessoas desinformadas que negam que a depressão seja uma doença. Isto porque veem cérebro como uma parte alheia ao corpo, pelo fato de este estar correlacionado com a mente. Tais indivíduos acreditam que: a insuficiência renal está ligada ao mau funcionamento dos rins, a cirrose hepática destrói o fígado,  as arritmias têm a ver com alterações no batimento do coração, o glaucoma é uma doença da visão, etc., mas não aceitam que os transtornos mentais tenham a ver com o mau funcionamento do cérebro, como se este fosse uma unidade isolada, um poderoso órgão que jamais adoece. Ledo engano! O mais ridículo é quando dizem que é falta de fé em Deus, como se o depressivo estivesse sendo castigado. A fé (seja ela qual for) é importante no tratamento de toda e qualquer doença, inclusive em relação às mentais.

A depressão é um sério transtorno mental que necessita de ajuda especializada, ao contrário do que muitos imaginam. O nosso país ainda necessita veicular na mídia maiores informações sobre esta doença que aumenta dia a dia, para que se possa compreender melhor o real risco que traz ao doente. A desinformação é ainda tamanha que um documento do Ministério da Saúde (2009) mostra que a depressão é vista por muitas pessoas como: fraqueza de caráter (frescura, fricote, bobagem, chilique); consequência do envelhecimento; sua cura encontra-se apenas na força de vontade; o estresse e a depressão são a mesma coisa, etc. Ainda assim, as informações continuam insuficientes, retardando o diagnóstico e o tratamento.

Caracteriza-se este transtorno por um quadro psicopatológico em que há a presença de humor triste, vazio e que afeta significativamente a capacidade funcional do indivíduo. Segundo a professora de psicologia Valéria Lopes da Silva “Encontra-se nos quadros depressivos uma dificuldade de atribuir sentido à vida ou de dar novos significados às experiências”, ou seja, a pessoa depressiva sente dificuldades para se conectar com a vida nos seus mais diferentes aspectos, como se não fizesse parte do mundo em que vive. Quando em sua fase aguda, esta doença simplesmente coloca o indivíduo de escanteio, como se fosse um mero espectador dos acontecimentos (mas sem demonstrar interesse algum por eles) em vez de sujeito de sua própria existência no mundo. E tudo isso com um elevado grau de sofrimento, pois ele se recusa a sentir-se assim, além dos problemas físicos que o acometem.

Um alerta em todo o mundo tem sido feito aos profissionais da saúde ao lidar com os sintomas depressivos. Esses não podem ser vistos como algo passageiro ou sem crédito. Devem ser olhados com seriedade, pois a depressão precisa de tratamento. Segundo os estudos feitos até agora, o melhor tratamento para este transtorno é a combinação de psicoterapia com medicação. No que tange às psicoterapias é bom que o psiquiatra oriente o seu paciente para a linha que ele deve buscar, pois, além de existirem muitas, as diferenças são significativas.

A depressão pode trazer em seu bojo outros transtornos. Os tipos mais comuns são: transtorno bipolar, distimia, depressão pós parto, depressão psicótica e depressão sazonal.

No transtorno bipolar, a pessoa passa por estágios de depressão e mania, diferentemente do que alguns  julgam ser uma acentuada alternância entre alegria e tristeza. No estágio da mania, ela apresenta momentos de extrema euforia, falta de concentração e possibilidades de alucinação, enquanto na fase depressiva mostra falta de esperança, isolamento e perda da vitalidade, sem nenhum apreço pela vida.

A distimia é uma depressão mais branda. A pessoa, embora trabalhe, saia com os amigos e aparente uma vida normal, sente-se triste e vazia, com certa indiferença pelos acontecimentos em derredor e pessimista em relação à vida.

A depressão pós-parto é um mistura de sentimentos que a mulher, após ganhar seu bebê, passa a enfrentar: baixa autoestima, angústia, medo e frustração.

A depressão psicótica envolve sintomas psicóticos, descritos pela psicanalista Beatriz Breves como “alucinações”: escuta de vozes ameaçadoras, delírios e a interpretação incoerente da realidade, como por exemplo: achar que está sendo perseguida por alguém. Entre outros sintomas, a pessoa apresenta disfunção cognitiva, incapacidade de sentir prazer e perda do interesse pelas coisas.

A depressão sazonal (ou depressão de inverno) é bem mais comum em países com invernos rigorosos. Com a chegada de tal estação, a pessoa sente-se triste, passa a comer e a dormir mais do que o comum, perde a motivação, apresenta um quadro de irritabilidade, cansaço e acaba se isolando das pessoas.

É errôneo imaginar que a depressão apresenta apenas sintomas psicológicos. Embora a sensação contínua de tristeza seja sua principal manifestação, os problemas físicos também fazem parte do pacote. Eles se encontram interligados, afetando o organismo como um todo. Entre os problemas de saúde que tal síndrome pode desencadear estão:

  • profunda tristeza;
  • baixa autoestima;
  • isolamento social;
  • perda de vigor físico e mental;
  • distúrbios do sono (insônia ou sono excessivo);
  • apetite alterado (falta ou excesso);
  • sistema imunológico fragilizado;
  • dores pelo corpo (como as de cabeça, lombar e muscular);
  • pensamentos suicidas (segunda Organização Mundial de Saúde, a cada 100 pessoas com depressão 15 tentam suicídio);
  • desconfortos intestinais (90% da serotonina do corpo é produzida na região gastrointestinal, sua queda tem efeito direto no funcionamento do órgão e pode levar à síndrome do intestino irritável), etc.

Obs.: Ver a “Escala de Zung para autoavaliar a depressão”:
https://pastormarcelosantos.files.wordpress.com/2014/03/depressao-questionariodiagnostico.

Nota: A Noite Estrelada, obra de Vincent van Gogh

Fonte de pesquisa
Revista Segredos da Mente, Cérebro e Meditação – nº 1

DESABAFO E SAÚDE MENTAL

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Ah, o desabafo! Como é importante em nosso dia a dia e para a nossa saúde física e mental poder dar uma bela desabafada. O desabafo é a exteriorização de pensamentos ou sentimentos muito íntimos que ocorrem de formas distintas em cada um de nós. É uma expressão espontânea e franca de uma ideia ou de alguma emoção. Enfim, é um desafogo para a alma e para o espírito.

Dor, angústia, alegria, satisfação, grito, uma crise de choro. São várias as formas como podemos nos expressar para dar vazão ao nosso desabafo, que pode ser exteriorizado desde uma conversa com alguém de confiança, passando por um terapeuta ou até mesmo num grito de choro. Desabafar é aliviar-se, abrindo o coração para alguém. As tensões fazem parte da vida e, portanto, devem ser aliviadas. Quando desabafamos, estamos invariavelmente buscando o equilíbrio físico e mental, tratando de alinhar as tensões.

Os episódios de estresse desencadeiam uma reação de descargas adrenérgicas por todo o corpo, provocando taquicardia, elevação da pressão arterial, etc. Ou seja, toda a gama de sintomas da chamada “reação de fuga ou luta” é ativada. Durante o desabafo ocorre justamente o contrário, com reações que irão levar a pessoa ao relaxamento. Depois de um longo e intenso período de estresse, é saudável e útil desabafar. Sempre será uma forma de manter a saúde mental e emocional. Desabafar de forma correta pode trazer muito alívio para cada um de nós. É sabido que quem “guarda tudo pra si” sofre mais, tem mais angústia e quadros de depressão.

Como dito, existem várias outras formas para desabafar:

  • A escrita é a primeira delas. Quando uma pessoa escreve, uma importante área do cérebro, o córtex pré-frontal, é ativada. Isto, por consequência, reduz os níveis de estresse. Uma pesquisa realizada pelo International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), com mil pessoas nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, investigou como elas lidavam com situações importantes e buscou compreender que atividades eram negativas ou positivas nesse contexto. Vinte e três por cento dos entrevistados afirmaram que o ato de escrever era um aspecto positivo e que ajudava a aliviar o estresse e as tensões. Quer desabafar? Pegue uma caneta e um papel e deixe as emoções fluírem. É simples assim!
  • Cantar, por exemplo, faz muito bem para o espírito e para a saúde. Cante ao tomar banho e ao ouvir o rádio do seu carro.
  • Outros exemplos úteis para o desabafo incluem pintura, teatro, bordado ou qualquer outra forma de expressão de arte. Já falamos sobre a importância de se ter um hobby. Portanto, seu hobby pode ser, em última instância, sua forma de desabafar.

Anne Frank, menina judia que durante a Segunda Guerra Mundial teve que se esconder dos nazistas por longos dois anos em um sótão, literalmente escreveu sobre o tema: “Tenho vontade de escrever e necessidade ainda maior de desabafar tudo que está preso no meu peito. O papel tem mais paciência que as pessoas”.

Nota: obra do pintor brasileiro Di Cavalcanti