CECIL, JOÃO BATISTA E O VALOR DA VIDA

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Autoria de Celina Telma Hohmann

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A morte do leão abre um vasto leque de indagações, indignações e, bom, dá-nos a chance de perceber o quanto o homem inverte a ordem natural de tudo. É o retrocesso humano mais uma vez mostrando os dentes, expondo sua fúria como se num alerta diário de que o homem, dentre todas as criaturas, foi e continua sendo, a mais horrenda, traiçoeira e malfazeja de todas.

Para alguns, nada tão prejudicial, afinal, é um esporte! Para outros – e por sorte, a maioria – um sinal de que a desenfreada necessidade do poder, do mostrar-se, da não valorização da vida, ainda é a tônica num mundo, onde existe a urgência do voltar-se ao bem, buscar soluções, chorar o choro dolorido pela maldade que o mundo nos oferta diariamente. Não sofremos “só” pela morte do Cecil, afinal, era “só” um leão. Sofremos, porque, mais uma vez houve a morte pelo prazer de matar! Isso por si, mata!

Não concebo a ideia de que um homem, tenha ele a condição social, formação intelectual ou estrutura familiar que tiver, estaria numa posição melhor ou pior para justificar um ato cruel. Não, não acredito numa justificativa, seja ela qual for, exceto o distúrbio mental. Aqui, afasto-me da possível vontade divina. Afasto-me da crença crua de que é assim porque é assim! Não, não aceito! E volto, novamente, em minha afirmação de que somente uma mente conturbada terá prazer em matar.

Vem-me à lembrança, a morte de João Batista, se buscar justificativa baseada em crença. João Batista foi morto pela ganância, pelo poder manipulador de uma mulher, mas ele era um dos Profetas de Deus, então, como justificar? E o mataram, porque Herodes, mesmo com pesar – seria isso? – viu-se obrigado a presentear Salomé, para, como homem poderoso, não passar vexame, voltar atrás na promessa tola e fútil que fizera após, embebecido por um rodopiar de quadris, prometer tudo, inclusive o reino – ou metade dele – para a fulaninha E note-se aqui, que a “fulaninha” nem levaria vantagens, pois isso era o que desejava sua mãe. Nessa morte – a de João Batista – o não matar significava passar por não cumpridor das promessas feitas mediante testemunhas, e isso era feio. Matar não, não era feio! Hoje, tal qual à época de Herodes, antes dele ou depois dele, matar é comum, algo sem valor. O que é a vida? Nada, para muitos! Eis o homem!

Mais uma vez, fica o mundo, ou parte dele, entre o aceito e até natural, gestos corriqueiros, e o terrível, apavorante, desolador conhecimento de que estamos num planeta, onde o que impera é a maldade. Não foi esporte! Foi morte! Morte. Fim. Sacrifício de um ser vivo que não fere, se não for ferido. Não mata, se não for provocado, considerando que não tem capacidade mental para discernir o que é correto, ou não! Vítima de mentes doentias. E aqui entendo o que Otto Fenichel tanto tentava fazer aceito, quando citava que a sublimação, uma das características da neurose, justificava-se como “a defesa bem sucedida”.

A mim, o dentista, ou os que ganharam para subjugar o leão (ou poderia ser o lince, o rinoceronte, o elefante, não importa, qualquer animal de grande porte) têm em si, escondido em alguma parte do cérebro, unicamente um emaranhado de “desencapados fios”, uma avassaladora e desenfreada compulsão em satisfazer um desejo, seja financeiro – no caso dos que o ajudaram – ou uma excessiva energia negativa, onde somente o matar consegue trazer tranquilidade, satisfação. E para isso, os que não pensam, ou seja, os animais irracionais viram as vítimas. Poderiam, tranquilamente, ser familiares, pois quem mata um animal indefeso, pode fazê-lo, com o mesmo prazer, ato semelhante com algum dos seus. Aí haveria o susto! De resto, quando é com algo “inútil” – ainda veem a natureza assim – tudo bem!

O homem e suas capacidades! Todas, ou quase todas, voltadas ao mal. Uma pena! Disso não precisamos mais. O que faz falta e faria bem é a convivência pacífica entre todos os seres, respeitados seus limites e condições! Tristeza! Acho que o sentimento mais correto para exprimir o que penso. Tristeza pela impotência de cooperar para que o Espírito da Paz habite em todos os corações! Quantos, tal qual Cecil, precisarão nos mostrar a inutilidade de imaginar a humanidade caminhando para o bem?

Acordemos! Não fomos nós, mas de alguma forma cooperamos! Se não nos dispusermos a valorizar a vida, em todas as suas formas, nós a exterminaremos com a velocidade não programada pelo Ser que tudo criou. Triste pelo Cecil – ou João, Antônio, enfim… Triste por fazer parte de uma civilização que não evoluiu. E assim continuamos… E ainda opinamos! Ao menos, mostramos que nosso lado “pensante”, está funcionando. Ao menos isso!

Notas: Salomé com a Cabeça de São João Batista – Bernardino Luini

8 comentários sobre “CECIL, JOÃO BATISTA E O VALOR DA VIDA

    1. Celina Telma Hohmann

      Menina, quando nos deparamos com algumas situações, diante do ruim, até a inspiração vem. Não há muito a ser feito depois da morte daquele leão, mas sentir que ainda estamos em meio aos mesmos atos cruéis, ainda assusta e eu, quando assustada,não fico paralisada. Aí entra o lado que não pode calar, e escrever é uma forma de expressão que alivia e o bom, fica ali, guardadinha.

      Bom que você também concorda que não podemos só saber, ver. Temos que expor nossa indignação e tentar, quem sabe, mudar isso, não? Abração, daqueles que gostamos de receber, e visite sempre o site. Viu quanta coisa gostosa há para ler, de deliciar?

      Mais um beijão e até a próxima!

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  1. Tahia Sarapo Autor do post

    Celina

    Sou dentista, sempre tentei salvar dentes e pessoas, funcionando como psicóloga muitas vezes, em meu consultório. Vendo esse homem, psicopata (há uma mulher também que matou uma girafa), não sei qualificar esse pessoal como seres humanos. Só o são porque estão no alto da cadeia alimentar, de resto não saíram da época dos pterodáctilos dinossauros.

    Sem alma,simples assim, só que ele se ferrou, fechou o consultório.

    Beijos

    Tahia

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    1. Celina Telma Hohmann

      Tahia, quando convivemos com pessoas e suas dores, físicas ou emocionais, percebemos que quando buscam auxílio é por darem-se conta de que necessitam dele. Imagino por quantas vezes você tenha sido a psicóloga, além da dentista. Por vezes, confiamos mais em nossos médicos, dentistas, professores e amigos que em nós mesmos, ou em quem está diariamente junto a nós. Nem sempre nos compreendem.. Mas você tem o prazer de viver com pessoas e essas, mesmo em sua complexidade, não têm a maldade que, sabemos, ainda impera em alguns.

      Estamos juntas – e oxalá muitos outros se unam nesse pensamento – de que somente a psicopatia se aplique à pessoas que agem assim, desfrutando do prazer macabro. Não, não há como tê-los somente como iguais. Simplista e humilhante colocá-los na condição de humanos. Concordo: ainda estão na era jurássica! Dominam, mas algo maior os extinguirá!

      Abraço gostoso em seu coração!

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  2. Celina Telma Hohmann

    Lu, linda! Quando fiz minha paradinha para escrever, acho que por mais uma vez o fiz motivada pela tristeza! Não gosto das maldades sejam elas quais forem,são sempre atos e palavras maldosos, e todo o mal entristece. Ver pela mídia a figura do leão ainda vivo, posteriormente, morto, foi muito doloroso! Ali,via-se um ser que somente vivia a vida que lhe foi dada por um Ser que tem o Poder! Deveria, então, ser o único a saber a hora de que essa vida, criada por Ele, acabasse. Ocorreu o que não se quer: mataram-no! Isso não se justifica!

    A alusão à João Batista foi tão instantânea que seria desperdiçar a chance de perceber que não adianta, mesmo que haja fé, ter no homem a esperança de que a fé o tire das possibilidades do pecado, dos atos que não têm
    justificativas. Obviamente, Herodes e o Poder não se baseavam em atos dignos do ser humano, mesmo àquela época.
    João Batista foi um comparativo da nojenta capacidade humana do fazer por fazer, mesmo que esse fazer seja mau. E sempre há a justificativa ao que se faz ou manda fazer. Herodes, simbolicamente, representou o dentista e todos os demais adeptos de esportes, onde a morte é o troféu! Troféu onde não brilha o ouro, não representa o esforço de anos de dedicação ao melhor movimento, ao melhor ângulo do corpo ou do membro necessário para chegar-se à perfeição. Como outrora, na história da humanidade, que como citei, retrocede, o sangue ainda é o troféu! O opinar, foi um lavar da alma, após uma tristeza tão profunda, que necessário se fez, tentar, jogando na escrita o que a boca não conseguia exprimir, mas que o coração sentiu.

    Não, não foi só o Cecil! Foram as vítimas, todas! E permaneço acreditando que, de alguma forma, pelo parar, mas parar realmente, refletir, acreditar no bem e praticá-lo, mesmo que em parcelas, cooperamos para que tais fatos não mais acontecem. Se todos nos uníssemos, senão fisicamente, mas em uma corrente energética positiva, reflexiva, onde o fechar os olhos e parar, respirando lentamente e buscando dentro de nós a essência do bem que, sabemos, existe, criaríamos um campo magnético tão forte, que transformaríamos o nosso planeta no lugar mais brilhante, tranquilo e lindo para que a vida fosse fácil, linda e valorizada.

    Mas há mais que essa necessidade. Há que se curar os “defeitos da mente”, pois, consideremos, nem todo maldoso o é só por ser. Vejo aqui a possibilidade, aliás, a única que justificaria algo tão ruim, da mente doentia. E alguns não a compreendem, escondendo-se dela na pseudocerteza de que estão acima dos demais. Julgam a força, o poder, e por vezes a condição financeira favorecida, para, de alguma forma, extravasar o que a mente detém. Uns pobres diabos, mas que não não merecem dó ou piedade, antes, tratamento se doente o forem, já que para a maldade nua e crua não existe remédio algum.

    Sigamos, e façamos a nossa parte. Mas que haja movimentação, rumbar de tambores, gritos de alerta, qualquer coisa, menos o cruzar dos braços e achar que é normal. Não, não é! E machuca, fere nossa sensibilidade e nos assusta.Vamos fugir do susto e isso é possível, mesmo que difícil. Sempre haverão Herodes, Calígulas, (bota militar, daí o apelido) “de menor”, e os que se deixam levar pelo prazer que tem um preço que não paga nem um centésimo do valor do que foi perdido. Enfim, que sejamos, ao menos, os que não se conformam com isso. E façamos, nós, nossa parte em não matar, tentar não ferir, tampouco magoar. Não fomos nós! Mas de alguma forma cooperamos! Então, sejamos nós a refrear, se é que isso é possível!

    Um beijo em seu coração! E que aos poucos, todos os que não valorizam os demais, sejam tocados pela doce chuva da compreensão!

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  3. LuDiasBH Autor do post

    Celina

    A morte do leão Cecil continua consternando os homens de boa vontade, cujo coração pulsa no mesmo ritmo que a mãe Terra, a senhora de tudo. Não resta dúvida, de que, dentre todas as criaturas, o ser humano é a única que tem capacidade para tramar, mancomunar, pactuar, maquinar e operar o mal.

    Achei sensível a comparação que você faz entre a morte de João Batista, vitimado pelo poder e luxúria de Herodes, num tempo em que a palavra não podia voltar atrás, para não desonrar seu dono, e a fragilidade que possui a vida nos dias de hoje, quando “matar” passou a ser algo corriqueiro e sem importância. Mata-se por muito pouco e até mesmo por nada. E cada matança anunciada torna-nos ainda mais pobres, pois rompe-se com violência um elo da vida.

    O mundo não está triste apenas pela morte de Cecil, mas pela maldade com que se extingue a vida de tantos outros animais, incluindo a do próprio homem, sem que para isso haja a menor justificativa, senão a vaidade e a exibição da prepotência vis.

    Você fecha com uma convocação necessária:

    “Acordemos! Não fomos nós, mas de alguma forma cooperamos! Se não nos dispusermos a valorizar a vida, em todas as suas formas, nós a exterminaremos com a velocidade não programada pelo Ser que tudo criou. Triste pelo Cecil – ou João, Antônio, enfim… Triste por fazer parte de uma civilização que não evoluiu. E assim continuamos… E ainda opinamos! Ao menos, mostramos que nosso lado “pensante”, está funcionando. Ao menos isso!”

    Eu também me sinto imensamente triste. E quero fazer parte dos que não querem cooperar com esta impiedade. Conte comigo na luta.

    Abraços,

    Lu

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Celina

      Sua resposta a meu comentário deixa bem clara a visão de Albert Einstein que disse:

      “O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os olham e não fazem nada.”

      Um grande abraço,

      Lu

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      1. Celina Telma Hohmann

        Einsten e sua capacidade! Além da genialidade para a química, suas eternas anotações e sua enorme contribuição para o que hoje conhecemos, tinha ainda, a sensibilidade dos bons. Foi um poeta sem demonstrá-lo. Resta provado, que quem observa com a paciência dos calmos, chega a conclusões sempre acertadas. Temos que concordar; ele, mais uma vez, acertou!

        Responder

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