CHEIROS DA ROÇA E DA CIDADE

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Autoria de LuDiasBH

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Na roça há muitos cheiros:
de bichos mansos  no quintal,
de bananas maduras no cacho,
de mato verdejante e cheiroso,
de leite quente, branco e fresco,
de gengibre, mostarda e sálvia
de cocô novo e mole de animal.

Na cidade há muitos olores,
onde tudo se mistura no plural:
papéis, carros e pães quentes,
especiarias, doces e salgados,
incensos, folhas, flores e frutas
combustíveis, pós e madeiras,
maquinarias, tintas e metais.

Na roça, eu inspiro o perfume
da itapiúna no fogão crepitando,
dos tachos de goiabada ferventes,
das manhãs frescas e orvalhadas,
de café novo fumegando na chapa,
das matas verdejantes e molhadas,
da vida nos campos nascendo.

Na cidade, espalha-se  o cheiro da
atividade febril e fabril dos homens,
junto ao suor que escorre do corpo,
enquanto a faina segue girando.

No campo, sinto o cheiro bom
de capim-cidreira, alho e jasmim,
de laranjeira e manacá-da-serra,
de dama-da-noite e jacarandá,
de pau-de-cheiro, anis e mirra,
de mangueira, cravo e canela,
de pessegueiro, ipê e alecrim.

Na cidade existe o aroma gostoso
dos cafés, lanchonetes e  padarias,
das feiras, quiosques e floriculturas,
das ruas, praças, parques e bairros,
das igrejas, mesquitas e templos,
dos hospitais e campos santos,
dos shoppings e perfumarias.

Na roça há perfume brotando.
Na cidade há aroma surgindo.
Que cheiro gostoso de vida!
Que cheiro bom de mundo!

Nota: Mês de Junho – Paul Limburg

4 comentários sobre “CHEIROS DA ROÇA E DA CIDADE

  1. Pedro Rui

    Parabéns por este poema Lu. Eu também adoro os aromas naturais. Amo o cheiro do pinheiro e do mar, são cheiros da minha infância. Tu me surpreendes sempre com os teus poemas.
    Um grande abraço.
    Rui Sofia

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui

      O cheiro do mar é uma delícia, assim como o do pinheiro.
      Eu adoro cheiro de canela.
      Coloco essência de canela em minha casa.

      Abraços,

      Lu

      Responder
  2. Beto

    Lu,

    A minha infância no interior de São Paulo era inundada por cheiros e aromas. Dentre todos os que ainda moram nas minhas lembranças estão os das matas ao longo de um ribeirão de águas ligeiras e cristalinas e dos eucaliptos banhados pelo sol da manhã.

    Pesquisas recentes indicam que, também entre nós humanos, as relações duradoras tem forte relação com os cheiros e aromas! O grande Jorge sabia das coisas: Gabriela, Cravo e Canela!

    Bela poesia!

    Beto

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Beto

      Eu amo o cheiro natural das coisas.
      E na roça, onde o ar é mais limpo, os odores são mais intensos.
      Mas não gosto de perfumes fortes.

      É verdade, nas relações humanas os cheiros perduram para sempre.
      Basta pensar na pessoa e lá vem aquele aroma ansiado.
      Como a nossa mente é poderosa!

      Cravo e canela formam uma dupla muito aromática… Jorge Amado sabia das coisas.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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