COMO O AS NUVENS E O VENTO
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Autoria de LuDiasBH vento

 O vento vai pintando o sete na tarde azul:
esvoaçando o topete cinza das montanhas,
levantando a cabeleira verde dos coqueirais,
chocando-se contra o castanho das encostas,
brincando de esconde-esconde nos capinzais,
revolvendo em aspirais a fumaça das chaminés,
velejando com as nuvens pelo espaço sideral,
correndo contente e brejeiro, num vem e vai.

As nuvens cândidas velejam com o vento:
algumas chocam-se nas montanhas azuis e
outras ficam pênseis nos brancos algodoais,
ou desabam em translúcidas  chuvas tropicais.
As mais sagazes voam para o horizonte azulado,
caindo bem além de onde a vista pode alcançar:
quiçá nos desertos de Atacama, Gobi ou Kalahari.
Estas meninas flutuantes são traquinas e prosas,
sempre andando pelo mundo ao deus-dará.

A minha vida é volúvel como as nuvens e o vento,
mas sem a leveza que levam entranhada em si.
Ora prefiro as encostas rochosas às planícies,
ou as areias finas das praias às montanhas,
ou voar pra longe no horizonte azulego,
ou descer em inesperados temporais,
ou imergir na última gota de chuva,
ou sumir, embebida pela areia, e
não voltar pra Terra jamais,
ou nela viver eternamente.

2 comentários sobre “COMO O AS NUVENS E O VENTO

  1. Edward Chaddad

    No vento e nas nuvens,
    vejo a vida humana.
    Parece incrível,
    mas as nuvens são
    exatamente como a gente.

    Têm formas diferenciadas,
    individualizadas,
    modificam-se com desenhos,
    formatos diversos,
    nunca iguais.

    Temos nossa individualidade,
    a digital em nossos dedos,
    o perfil de cada um de nós,
    sempre diferentes,
    mesmo que, por vezes, parecidos,
    não somos iguais a ninguém.
    É a matéria de que somos feitos.

    O vento, como as nuvens,
    também como nós.
    Nunca é igual,
    Venha do norte ou do sul
    pode ser calmo e doce,
    violento e rude.
    Ele é o espírito,
    o mesmo que em nós habita,
    e que faz viver a matéria.

    Sem o vento, as nuvem não existiriam.
    Sem o espírito,
    também não existiríamos.
    Podemos ser pacíficos ou violentos,
    calmos ou nervosos,
    amigos ou inimigos,
    termos o ódio ou o amor.

    Tudo depende do vento,
    que nos habita o interior,
    o espírito que nos anima.

    Podemos ser produtos do vento bom,
    que nos chegou bem forte ao coração
    e tomou conta dele,
    como o vento toma conta das nuvens.

    Não existiríamos, como somos hoje,
    sem aquela lufada, repleta
    de fé e amor, em nossas raízes!

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