CONVERSANDO COM O CORAÇÃO

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 Autoria de Celina Telma Hohmann

O essencial é invisível aos olhos, e só se vê bem com o coração. (Exupéry)

Cada um com seu motivo e com seu tamanho de dor, mas cada um sabendo onde e como dói. E comigo não é diferente, por isso, quando estou triste, eu solto o meu menininho do coração. Vou lhes contar, minhas amigas e meus amigos, como eu criei esta abençoada criatura.

Certo dia, eu estava muito triste. Perdida, desolada, meio que com raiva e aí comecei a conversar com o meu coração – como faço até hoje. Nós dois estávamos conversando… Mas eis que me dou conta de que havia dentro dele um menininho. Pequeno, com roupinha meio diferente, mas muito bonitinho.

Ah, minha gente, abri sua portinha e chamei o menininho para fora. Vocês creditam que ele veio? Não só veio como começou a dançar à minha frente e a sorrir. Adorei aquele sorriso! Lembrei-me de que em algum lugar ou em algum livro havia uma menção à possibilidade de criar uma espécie de Círculo Mágico ou Protetor – não sei com exatidão, nem sei se ouvi ou li. Isso não importa!

O meu menininho veio.  Isso foi lá em 1991, não sei exatamente em qual mês, mas como aquele era um ano terrível para mim, pode ter sido em qualquer mês, não fazia diferença alguma. Após abrir a portinha do coração, eu aproveitei que o menininho já tinha saído e dei a ele uma lanterninha. A lanterninha do meu menininho é verde. A do seu menininho ou de sua menininha pode ser da cor que você quiser.

Quando estou triste, eu abro com o maior carinho a portinha do coração e chamo o meu menininho para conversarmos. Hoje já nem preciso chamar, pois ficamos tão amigos que ele está sempre a postos. E é tão fofinho! Sabe aquela criatura que ninguém pode ver, só a gente? O meu menininho é só meu! E como ele me ajuda! Ele dança, ele me cerca e me protege. Com ele por perto eu me sinto confiante. Por vezes, mesmo com um pouco de vergonha, eu tento abraçá-lo. Nunca consigo. Ele pula, salta, vai para o alto e não me deixa tocá-lo, mas não sai de perto de onde estou. É a figura mais presente nas minhas horas de tristeza e solidão.

Contei sobre este meu serzinho a uma menininha triste, quando ela se encontrava de mal com a vida, achando o mundo cinzento e sem saída. Hoje, nos nossos aniversários, sempre comentamos sobre os nossos menininhos. Talvez os dois tenham ficado amigos, mas nunca falaram sobre isso nem a mim e nem a ela.

O Pequeno Príncipe cita que ele amava os arrebóis. Conversando com o aviador, ele diz que toda vez que se encontrava triste, gostava de ver o pôr do sol e que num dia de tanta tristeza, ele o viu quarenta vezes. Imaginem, então, o tamanho de sua tristeza! Acho que a gente já viu tanto pôr do sol que já chegou a esse número tranquilamente. Mas são imagens criadas, obviamente, que nos põem num caminho de paz, alegria e amor.

Se cada um de vocês, amigos, criar um ninho ou uma casinha no próprio coração, colocando ali algum personagem, sempre que abrir a portinha terá o seu amigo ou amiga pulando à sua frente, fazendo-o sorrir. E terá a certeza de que só vocês dois conseguem entender o que aos outros pareceria uma bobagem.

Eu acredito que sempre há solução, portanto, garanto ao leitor que em nosso coração sempre temos o amigo perfeito para as horas boas e não tão boas. Depois me conte se o seu amiguinho é menininho, ou é um pássaro – pequeno, lindo e cheio de ternura – ou uma deliciosa nuvem que tem uma cor diferente, mas que é tão amiga, mas tão amiga, que quando a busca, ela vem grandona e abraça você com o abraço dos que amam só porque amam e pronto!

Desejo que o personagem criado por cada um de vocês habite o seu coração agora, já! É uma ordem, ainda que muito amável! Vocês todos vão adorar e nunca mais se sentirão sozinhos.

Obs.: O Pequeno Príncipe é um personagem retirado do livro do mesmo nome, cujo autor é Antoine de Saint-Exupéry

2 pensou em “CONVERSANDO COM O CORAÇÃO

  1. Celina Telma Hohmann

    Lu (linda),
    realmente o interesse foi mostrar que dentro de nós sempre há o apoio. Demos a ele o nome que melhor nos aprouver, a cor que desejarmos e que na hora do aperto, seja qual for, nos vier à mente. Transformar em real algo que só nós temos, que está presente em nós, ajuda, protege, dá a sensação de um conforto que nada do que é visível pode dar. Tenho o meu menininho há bastante tempo e, por Deus, não havia me dado conta de que pode servir como um bom caminho para todos criar o amigo perfeito. Ele é só nosso, não nos abandona e, como você citou, ele não interfere e nos respeita. É a nossa magia perfeita, sábia e tão dentro de nós, que remédio algum fará melhor que esse amigo que está em algum lugar em nossa essência!

    Beijão!

    Responder
  2. LuDiasBH Autor do post

    Miss Celi

    Achei de suma importância levar às outras pessoas este texto terno e profundo sobre o “menininho” que todos carregamos dentro de nós. Foi uma maneira – ainda que simbólica – de você nos ensinar que toda a força encontra-se em nós mesmos. Ainda que tenhamos toda a ajuda externa, se não fizermos uma viagem pelo nosso interior em busca de nossa essência, nada do que encontrarmos externamente permanecerá por muito tempo, uma vez que toda e qualquer transformação tem que acontecer primeiro em nosso íntimo, no contato com o nosso âmago, ou melhor, com o nosso “menininho” que ali se encontra sempre “a postos” para nos ajudar. Podemos vê-lo como um anjo ou como um velho sábio sempre à espera de um pedido de ajuda. O curioso é que ele respeita nossas decisões, não interferindo em nossas escolhas, a menos que lhe peçamos ajuda. E tolos, como costumamos ser, levamos um bom tempo para descobrir que toda a magia de nossa vida reside dentro de nós mesmos. Aceitando a sabedoria do menininho podemos olhar e sentir o mundo com mais leveza ou – ao nosso modo – carregar seu peso em nossas frágeis costas.

    Parabéns, amiga, por compartilhar conosco a descoberta do seu (e também do nosso) “menininho”.

    Abraços,

    Lu

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