DO TEMPO DO ONÇA

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Autoria de LuDiasBH

                  fone     vitrola

Dias atrás, eu fui com uma amiga tomar um chá na casa de sua avó. Era aniversário da falante senhora, com seus olhinhos vivos e brilhantes. Aos 96 anos de idade, ela ainda é bastante lúcida e ativa. Contou-me casos de sua mocidade e da paixão que nutriu por Getúlio Vargas, seu ídolo, assim como Kirk Douglas e John Wayne. Depois, levou-me até o sótão da casa, onde baús, malas e caixas jazem esquecidos pelo tempo. Começou a abrir os mais importantes e a me contar casos referentes aos objetos que neles se encontravam. Foi uma viagem fantástica ao tempo do onça, pois ali estavam objetos pertencentes a três gerações: dela, da mãe e da avó.

Como é bom conversar com pessoas que viveram numa época desconhecida da nossa e, que, por sua vez, sabem de histórias anteriores ao tempo em que viveram sua mocidade. Há momentos em que temos a impressão de que se trata de outro planeta, tamanhas são as mudanças, se comparadas, principalmente, às invenções tecnológicas dos dias de hoje. Lembro-me de meu avô, que sempre começava seus casos referindo-se ao tempo do onça. Ele morreu, quando eu ainda era criança, mesmo assim as lembranças são fortes. Naqueles tempos, em minha cabecinha ingênua, imaginava que ele falava de uma época em que havia muitas onças espalhadas pelas ruas, cidades e matas.

A expressão “do tempo do onça”, segundo contam, tem suas raízes em Luís Vahia Monteiro, governador e capitão-geral da Capitania do Rio de Janeiro. O homem era um velho militar com pecha de honesto, mas muito autoritário e ranheta. Reclamava de tudo e de todos nas cartas que escrevia ao rei português. O fato é que seu temperamento indócil acabou lhe trazendo o apelido de “Onça”. Ao ser tirado de seu cargo, o capitão-geral passou a ser usado como sinônimo de coisa antiga, ultrapassada, em desuso. E foi aí que nasceu a expressão “do tempo do Onça

Declaração feita pelo capitão-geral em carta ao rei de Portugal:
Nesta terra todos roubam; só eu não roubo.

Segundo o meu amigo Alfredo Domingos, a expressão “do tempo do Onça” tem significado semelhante, ao menos, a duas outras expressões conhecidas por ele: “do tempo do ronca” e “do tempo de vovó mocinha”.

Nota:  Imagens copiadas de blogdavelhinha.blogspot.com e brunohoffmann.blogspot.com

8 comentários sobre “DO TEMPO DO ONÇA

  1. Alfredo Domingos

    Lu, seu texto está excelente, trazendo tema em desuso. As histórias que passam por gerações são sempre interessantes, mas o problema é as pessoas dispensarem tempo para ouvi-las. De modo geral, está todo mundo correndo, sempre. A expressão “do tempo do Onça” tem significado semelhante, ao menos, a duas outras expressões que conheço: “do tempo do ronca” e “do tempo de vovó mocinha”. O que vale mesmo, trazido por você, é o contato com quem tem história e experiência a contar. Recomendo!
    Abraço,
    Alfredo Domingos

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  2. Patricia

    Ei Lu!

    Acho que nós é que estamos vivendo em outro planeta. Onde tudo é descartado inclusive as pessoas.
    Tenho saudades do tempo da onça. Apesar das dificuldades serem maiores as pessoas e a vida eram intensa.

    Bjos.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Pat

      E com que facilidade as pessoas são descartadas nos dias de hoje.
      Dá uma tristeza danada no coração da gente.
      Vivemos um tempo de valores medíocres.

      Beijos,

      Lu

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  3. JOSE LUIZ GOMES

    Lu, você é ótima! De qualquer asneira você faz uma peça interessante!
    Acho isso uma douçura de escritora, que de qualquer coisa “dá aquela palha”
    faz uma versão romanceada que nos eleva para o local, como se estivéssemos voltando ao passado.
    Parabéns Lu, continue assim, revivendo fatos que poucos conhecem.

    Seu amigo Jose Luiz

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      José Luiz

      Quem é ótimo é você, que sempre que pode vem me dar um incetivo.
      Gosto de fazer uma introdução, antes de contar o significado da expressão… risos.
      O mineiro é mesmo chegado em gastar palavras.

      Pode deixar, vou trazer muita coisa antiga.

      Grande abraço,

      Lu

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    1. LuDiasBH Autor do post

      TT

      Há pessoas que possuem os armários cheios de coisas do tempo do onça, mas é incapaz de doar, tamanho é o apego que possui pelas coisas materiais.

      Estava com saudades suas.

      Beijos,

      Lu

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