DOÍDAS RECORDAÇÕES DE AMOR

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Autoria de LuDiasBH

munch

Nesta saliência da montanha, revejo
meus longínquos anos passados aqui.
Inda ouço a voz dela, ecoando no som
do vento e no farfalhar do capim.

O rosto continua belo e ainda vívido,
clareando o ontem de minha memória.
Sinto o gosto de seus beijos abrasados,
e o olor de canela da pele de cetim.

Os olhos tinham a cor do mel de jataí.
Nos lábios carnudos, poço de delírios,
aí eu saciava o meu famélico frenesi.
Seus cabelos cheiravam a jasmim.

Acho-me no mesmo lugar de outrora.
Trago bolsas cheias debaixo dos olhos,
depósito de lágrimas não derramadas.
O arrependimento inda mora em mim.

Arrasto uma culpa cheia de vergonha,
submersa na areia do meu sofrimento,
e asas recolhidas de um pássaro ferido,
sem poder voar ou dar à vida um fim.

Nosso vilarejo húmile e acanhado jazia
no ventre maternal desta nua encosta.
Éramos nós gente simples, acomodada,
achávamos que o mundo fosse assim.

Já rapaz feito eu resolvi partir pra longe,
à procura de uma existência diferente.
Nada achei, mas enchi o peito de ilusão,
com a curiosidade de um guaxinim.

O campo-santo está caiado de branco,
e numa cruz rude  jaz cravado seu nome.
Partiu a amada durante minha ausência,
levando consigo o melhor de mim.

 Nota: Madona de Munch

2 comentários sobre “DOÍDAS RECORDAÇÕES DE AMOR

  1. Pedro Rui

    Só nos arrependemos daquilo que não fazemos; procuramos uma existência diferente e nada encontramos, pois procuramos no além aquilo que já temos e de lá nada vem. Ficamos com lágrimas que ainda não choramos,o tempo não perdoa e nós não perdoamos os anos. Lindo poema, que nos deixa ficar na lembrança.
    Abraços

    Rui Sofia

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui

      Realmente, o maior arrependimento vem daquilo que devíamos ter feito e não fizemos.
      O tempo não perdoa ninguém, é verdade. Ninguém está imune a ele.
      Devemos procurar ser felizes com o que temos.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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