ENGOLINDO PALAVRAS

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Autoria de LuDiasBH

cadela12

Devido ao meu gênio renitente,
eu comecei a engolir palavras,
coitada, ainda em tenra idade.
E foram muitas as danadas!

Algumas foram sorvidas a seco,
outras, com muitas gotas junto.
Se eu estava perdida por pouco,
melhor seria “perdida por muito”.

Para cada palavra rechaçada, aiai,
lá vinha aquela ordem implicante:
– Mocinha, engula o que você falou,
ou vai levar uma palmada.

Teimosa de queimar a cachola,
desculpava-me da boca pra fora,
enquanto da boca pra dentro, eu
repetia mil vezes a desforra.

Sem mencionar as muitas vezes,
em que de pirraça, me emudecia,
e os bons tabefes dados na boca,
logo meus lábios intumesciam.

Eis o efeito de minha obstinação:

os meus beiços inchados, inflaram,
e as tantas e tantas palavras sorvidas,
jorram, hoje, em versos e em prosa,
bem manumissas e aos borbotões.

2 comentários sobre “ENGOLINDO PALAVRAS

    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      Meus pais nunca aceitaram palavrões ou respostas malcriadas.
      Mas há um imenso exagero na poesia… risos… coisa de poeta… risos.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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