ESSA TAL DONA METEOROLOGIA

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Autoria de LuDiasBH

 meteo 

Eu nunca me dei bem com essa tal dona meteorologia, a começar pelo nome que está sempre enroscando a minha língua. Todas as vezes em que a segui, dei com os burros n`água, isso quando dizia que iria fazer sol, ou me cosi dentro de agasalhos quentes, quando proclamava que iria fazer frio. Agora, quando viajo, faço ouvidos moucos. Prefiro seguir o meu calo, que dói quando o tempo vai esfriar. Confiável mesmo, como diz meu palpiteiro primo Nel, é a belezura das moças que apresentam os humores do tempo, que não tremilicam nem à vista das piores tempestades, conservando sempre as canjicas de fora, quer chova, faça sol, haja tremores, tufões, maremotos ou nevascas.

Para chancelar a minha falta de crença na ciência que esmiuça os fenômenos atmosféricos, pelo menos nas bandas de cá, margeadas pelo senhor Atlântico, peço o beneplácito dos leitores para agermanar um espiche aqui e outro espicharétur acolá, de modo a recontar uma história que me chegou às aurículas, vinda de uma fonte tão legitimadada quanto aquela que prevê as reações emocionais do coronel tempo. Assim sendo, ficamos todos em casa. Puxem a cadeira e assentem-se. Mas vamos aos fatos, pois blábláblá nunca deu camisa a ninguém.

Aproximava-se o inverno num vasto país de nome Brasil. As pessoas estavam receosas de que viessem a ser vítimas dos mesmos rigores vistos na Europa e países da América do Norte. Mas havia um lugar, em que o medo estava ultrapassando as fronteiras da normalidade: aldeia dos Maxapirós, que tudo acompanhara pela televisão, naquele primeiro ano em que a tribo fora presenteada com a caixinha mágica. Imaginavam suas ocas cobertas por montes e montes de neve, e seu povo carregando quilos de roupas esquisitas. Afuazados e espavoridos, resolveram pedir um abocamento com o Cacique.

– Grande e poderoso morubixaba, já estamos a catar cavaco, mas gostaríamos de saber de nosso chefe, se teremos um inverno penoso neste ano?

O cacutu, que herdara a chefia há menos de um ano, e que vivera a maior parte de sua vida na cidade grande, estava mais por fora do que casca de coco. Nada sabia dos conhecimentos milenares herdados por seu velho pai, sobre as intemperanças do tempo. Mas não poderia demonstrar sua asnice diante dos costumes da tribo. Então, levantou seus olhos para o céu, com ares de grande entendido, cuspiu na ponta do dedo indicador para sentir o rumo do vento e proferiu solenemente:

– Maxapironenses, o inverno que está prestes a entrar por nossas ocas será muito penoso. É bom catar bastante lenha para aquecer nossa taba.

O morubixaba ficou preocupado com o fato de que sua previsão não fosse verdadeira, a ponto de perder a deferência da tribo. Por isso, pegou o seu celular e ligou para o Serviço Nacional de Meteorologia. E do outro lado ouviu a resposta:

– O inverno deste ano será muito frio! É bom já ir pensando nos agasalhos.

Aliviado, o tutumumbuca voltou a advertir sua gente:

– É preciso buscar muita lenha. O inverno será muito rigoroso, principalmente para as crianças e os idosos. Muitos não sobreviverão.

Contudo, a temperatura só fazia aumentar, enquanto o sol pavoneava-se orgulhoso pelo céu azul. E a tribo desdobrando-se em catar lenha, debaixo de um impiedoso calor. Até farinha de aipim estava ficando de lado. A tribo resolveu chamar de novo o jabarandaia para uma cavaqueira, pois estava ficando todo mundo estropiado de tanto carregar lenha. De novo o cacique ligou, às ocultas, para o SNM que respondeu:

– As evidências apontam o inverno deste ano como um dos mais rigorosos dos últimos 50 anos.

E novamente o tutumumbuca alertou a tribo:

– Teremos o pior inverno dos últimos 100 anos, quando nem éramos nascidos. Catem todo pedaço de lenha que  encontrarem. Não deixem para trás um só graveto.

O calor era insuportável. Ninguém mais conseguia sair de casa durante o dia para buscar lenha. As folhas secavam nas árvores. Os bichos só queriam saber de ficar dormindo de barriga para cima. A tribo mostrava-se descontente com o seu chefe. Corria rumores de que seria destituído do cargo por ter mentido para seu povo. Foi aí que o cacique resolveu ir pessoalmente à cidade grande, em busca de um “tête-à-tête” com o chefão da meteorologia. Perguntou-lhe:

– O senhor tem certeza de que teremos um inverno tão rigoroso assim, como estão afirmando há dias?

 Ao que respondeu o cidadão:

– Não temos a menor dúvida sobre isso. Será um frio dos infernos! Muita gente não irá aguentar.

E o cacique, que já conhecia as idas e vindas do homem branco nas palavras, questionou:

– E o que o leva a ter tanta certeza de que fará tanto frio? – questionou o morumbixaba.

Ao que respondeu o sabichão e emperiquitado responsável pelo SNM, dando o xeque-mate:

– Meu amigo, este ano os índios maxapironenses estão catando lenha pra caramba! Esta é a prova maior de que será um inverno muito rigoroso. Não temos do que duvidar.

Nota: Imagem copiada de www.ultraimagens.com

12 comentários sobre “ESSA TAL DONA METEOROLOGIA

  1. Alane

    Oi, não fiquei magoada, mas quando recebemos emails de xingamentos por previsões pq dissemos que iria chover em uma determinada cidade, mas daí não choveu na casa da pessoa, quando enfrentamos descrença pública, várias pessoas que nunca pagaram uma cadeira de meteoro e ainda assim vão na tv fazer previsões de que vai fazer 60°C (sim, acredite, existem esses falsos meteoros falando isso e o crea não faz nada), outro dia um desses que senão me engano é geógrafo e se intitula meteoro (juro por Deus que não sei porque se meteorologia é um ramo da física), nem pós essa criatura tem em meteorologia, mas enfim. esse cidadão falou que iria nevar no Acre e as pessoas acordaram de madrugada pra ver a neve que óbvio não ocorreu, elas xingaram a meteorologia, mas se quer se deram ao trabalho de investigar a procedência desse individuo, algumas pessoas ainda ligaram para a sala em que eu trabalho para me perguntar, me pediram notas técnicas, onde é claro eu desmenti,mas a maioria…
    A gente já trabalha de certa forma numa pressão e descrença, onde qualquer um se mete a profissional e acaba falando besteiras como estas, então chegamos a um estágio onde fica muito difícil separar humor de crítica. Peço desculpas por ter sido rude, sinceramente.

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    1. LuDiasBH

      Alane

      Fico feliz que você não esteja chateada, pois o objetivo deste blog é ser um cantinho prazeroso.
      Você tem toda razão quanto às cobranças que recebemos ao longo da vida, muitas sem delas impossíveis de serem cumpridas, por motivos que estão fora de nossa esfera.
      Trabalhar com o tempo não é uma tarefa fácil.
      É realmente um trabalho árduo, que demanda muita paciência, observação, conhecimento tecnológico, estudos…
      E vejo que você é uma profissional excelente pelo modo como se posicionou em defesa de sua profissão.

      Quanto a certas previsões (o meu objetivo era falar sobre elas), são mesmo catastróficas, além de colocarem os bons profissionais no mesmo rol.
      Aquela que dizia que ia nevar no Acre foi realmente desmoralizante.
      Virou motivo de piada em todo o país.
      Lembro-me que estava no nordeste mineiro, debaixo do maior calor, e as pessoas esperando a temperatura cair a menos de 10º.

      Continue assim, zelosa pelo seu trabalho.
      Mas não se deixe magoar pelas coisas que não dependem de você.
      E, sempre que lhe sobrar um tempinho, venha aqui nos visitar.
      Será prazeroso recebê-la aqui.

      Lu

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  2. Edward Chaddad

    LuDias

    Com toda a certeza o texto é brincalhão e nos mostra que as previsões podem falhar, máxime quanto aos períodos mais longos.
    Lembro-me, quando adolescente, eu e meus amigos gostávamos de sair pela zona rural, para saborear frutos silvestres, pescar, nadar, enfim nos divertir. E havia muitas casas na zona rural, coisa rara hoje em dia, em virtude da mudança drástica da economia agrícola em nosso país e mesmo no mundo.
    Em todas elas, era comum encontrar um “galinho” móvel, colocado na parte superior das casas, que virava ao sabor da direção dos ventos. Este método rudimentar mostrava que a direção deles era um grande indício do avanço de chuvas. Conforme o “galinho” se colocava, o agricultor sabia se haveria chuva ou não. Muitos deles ainda me ensinavam: “Olha, a chuva vem vindo, o galinho mudou de lugar, e o tempo está esquentando demais. Sempre aquece mais antes de chover.”. E a chuva chegava mesmo. Mas era uma evidência a curto prazo, alguns dias. Não tinham condições de prever em períodos de maior prazo, como hoje acontece com o serviço de meteorologia – embora não tenham acerto total, por fatores mais diversos.

    Até hoje guardei essa lição e sei quando o vento indica chuva, o lado que ele vem em minha cidade, a forma com que ele se levanta, mostrando a todos que amanhã, ou em alguns dias, a chuva irá chegar. É claro que os serviços de meteorologia funcionam. São atualmente de excelência, máxime em relação a períodos curtos, mas dependem de milhares de informações e cálculos, de forma que podem, sim, apresentarem falhas, máxime pela mudança brusca que a natureza pode trazer e nem toda a ciência pode explicar. Mas, quando dizem que vai chover nas próximas vinte e quatro horas, consulto o vento, aqui em Dous Corgos ( grafia antiga de minha cidade – fundada por mineiros ) e ele me confirma ou não. Nunca errou, é claro, a curto prazo.
    Agora, com toda a certeza, a meteorologia é importante e deve ser levada a sério, máxime nas previsões de tempestades e furações. Lembro-me de Santa Catarina. A previsão foi importante para o povo de lá.

    Diverti-me com seu texto, que foi, é claro, seu objetivo maior.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      Imagine se a gente fosse ficar com raiva sobre o que escrevem sobre nossas profissões.
      Sobre advogados então, há tanta piada e coisa e tal.

      Como você sabe, eu sou chegada ao humor.
      E quando se faz um texto humorístico, a gente precisa ampliar as coisas, ou seja, exagerar.

      Acho aqueles “galinhos” bem interessantes.
      Ainda é possível encontrar alguns por aí.

      No interior mineiro as pessoas falam sobre o calo que dói, quando vai chover.
      Acho tudo muito interessante.

      Seu comentário está excelente. Parabéns!

      Grande abraço,

      Lu

      Responder
  3. LuDiasBH Autor do post

    Alane

    Em primeiro lugar gostaria de pedir-lhe desculpas se a magoei.
    Não era essa minha intenção.
    O texto tem apenas a intenção de brincar com o leitor, e trata-se de um texto humorístico.

    Que tal ciência está evoluindo, não resta a menor dúvida, mas dizer que continua imprevisível, apesar dos 6 a 8 anos de estudo, não resta a menor dúvida.
    Prova disso são os terremotos, tsunamis, vendavais, turbulências… que pegam as pessoas desprevenidas, muitas vezes, etc.

    Sim, todos os profissionais erram. Todos, sem exceção. Afinal, somos humanos!
    Ainda bem, caso contrário não aguentaríamos a arrogância de uns e outros.
    O erro é um exercício importantíssimo para a humanidade, pois nos ensina a ser humildes.
    Você nem imagina quantos erros cometo aqui neste blog, embora seja uma profissional da área de comunicação.

    Trabalhei muitos anos com a Defesa Civil de minha cidade, assim como com a Cruz Vermelha. Sou voluntária, juntamente com minha família. Já enfrentei enchentes e secas, inclusive, já ajudei na retirada de pessoas dos morros e das regiões de perigo, já viajei por todo o interior mineiro. É um dos trabalhos do qual tenho muito orgulho. E, ao trabalhar com a Defesa Civil, sei como a meteorologia era importante, embora falhasse muitas vezes.

    Penso eu, minha cara Alane, que o homem jamais conseguirá domar o tempo, porque são muitas as variáveis, assim como ainda não consegue prever os terremotos, etc.

    Aline, não leve a vida tão a ferro e fogo, para que não venha a sofrer muito.
    Seu trabalho é maravilhoso, não resta a menor dúvida. Parabéns!
    Mas, procure brincar um pouco com a vida.

    Obrigada por visitar o blog.
    Deixe sempre seu comentário, pois, ele será recebido com muito carinho e respeito.

    Grande abraço,

    Lu

    Responder
  4. Alane

    Aí a gente estuda no mínimo entre 6 e 8 anos pra ser mestre ou doutor em meteorologia, estudamos todas as físicas e matemáticas possíveis, pra ler tamanho desrespeito. Tal ciência no Brasil está evoluindo e o percentual de acertos já chega a ser superior a 80%, somos PREVISORES e não acertadores do tempo. Erramos algumas previsões, cometemos erros como quaisquer meros profissionais mortais que somos. Será que um médico nunca fez um diagnóstico errado ou nunca perdeu um paciente? todos estamos sujeitos a erros, mas é sempre assim: quando acertamos é chute e quando erramos é porque não sabemos de nada. Seu artigo é simplesmente deplorável! sabe quantas pessoas já salvamos de inundações? Quantos agricultores já foram alertados de secas ou enchentes que acarretariam em danos ás suas produções? Sabe quantas queimadas ajudamos a controlar na região amazônica e quantas frentes prevemos no sul do Brasil? quantos alertas emitimos a defesa civil pra retirada de pessoas de encostas por prevermos chuvas severas? pelo visto não, acho que você julga toda uma ciência por dois pingos d’água que levou na rua por um PREVISÃO errónea.

    Responder
  5. LuDiasBH

    Pat

    E por falar em previsão, fico todo dia esperando que chova no sertão.
    Dá dó ver o sofrimento daquela gente.

    Beijos,

    Lu

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  6. Patricia

    Ei Lu!

    Muito bom. A verdade é que ninguém sabe nada rsrsr. Entretanto gosto de escutar a previsão meteorológica mesmo que não a siga. As vezes penso foi ou não correta ? rsrsrs
    Deve ser loucura mesmo rsrsr.
    Bjos

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  7. Terezinha

    Oi, Lu
    Adorei!
    O final, então…. Morri de rir.
    quando era criança, eu não concordava que meteorologia estava relacionado ao tempo. Tinha que ser a meteoros…
    Beijo,
    TT

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      TT

      Você era uma criança muito esperta.
      Tem tudo a ver.
      Acho que tais serviços continuam fazendo a leitura dos meteoros, pelos resultados vistos.

      Beijos,

      Lu

      Responder

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