Fábula – A ÁGUIA, A JAVALINA E A GATA

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Recontada por LuDiasBH

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Eram tempos difíceis aqueles. Todos os dias, os homens vinham com motosserras e pesadas carretas, abatendo as árvores da já diminuta floresta. A natureza parecia impotente diante da maldade humana. Os animais estavam sendo obrigados a dividir as poucas árvores que ainda existiam. Desse modo foram morar num mesmo vegetal lenhoso a águia, a javalina e a gata, cada uma delas com seus filhotes.

Na parte mais alta e copada da árvore passou a morar a águia e suas crias; no meio, dentro de um oco, ficava a gata e seus filhotes e, na parte mais baixa residia a javalina com seus dois rebentos. Tudo caminhava na mais perfeita paz até que certo dia a gata achou que o espaço era muito pequeno para seus gatinhos irem e virem. Precisava arrumar uma maneira de ficar sozinha com a árvore só para ela. Estava a águia a alimentar seus filhotes, quando a gata pediu-lhe um dedo de prosa, oportunidade em que destilou seu veneno:

– Vizinha, além do terror que nos trazem os homens com suas máquinas, agora temos outro, provocado pela nossa vizinha de baixo, que está a roer com voracidade as raízes de nossa morada. É questão de dias para que esta nossa árvore caia e ela e seus filhotes comam nossas belas crias.

Nem é preciso dizer que a águia ficou amedrontadíssima, e pôs-se a vigiar sua prole dia e noite. Mas não satisfeita com a intriga, a gata foi até a javalina destilar sua malignidade, pois era preciso trabalhar a perfídia dos dois lados:

– Minha querida vizinha, nossa vida é mesmo sofrer. Além desses malvados humanos a derrubar nossa floresta, a águia ainda fica à espreita de nossos lindos filhotes, esperando o momento certo para devorá-los, juntamente com suas crias. Temos que ficar atentas. Ontem mesmo, eu a vi de olho em um dos seus, mas como eu estava por perto, ela não teve coragem de pegá-lo.

Ao ouvir tal informação, a javalina tremeu da cabeça aos pés. Só lhe restava ficar próxima de seus rebentos para protegê-los. E assim, a águia e a javalina não mais dormiam e nem saíam de perto da prole. Tanto enfraqueciam elas quanto seus filhotes, até que acabaram morrendo por inanição. E a gata futriqueira e espertalhona tomou conta da árvore, pois assim agem os egoistas.

Reflexão
Aquele, que regra sua vida de acordo com o que os outros dizem, acaba se transformando num escravo das palavras. O intrigante tem sempre um objetivo em mente, ao tentar minar a nossa autoestima, que é o de deixar-nos fragilizados, como aconteceu com a águia e a javalina. Enfraquecida e amedrontada, nossa mente trata de avolumar o problema, levando-nos à exaustão física e mental, enquanto o entriguista bate palmas, satisfeito com o objetivo alcançado.

Grandes amizades são desmanchadas, sofrimento é acarretado por conta apenas de mentiras. Mais uma vez é preciso checar a fonte, para ver se ela é digna de crédito, coisa que quase nunca fazemos. Nada desconcerta mais o mentiroso e intrigante do que sentir que a suposta vítima fez ouvidos de mercador, não lhe dando o menor crédito. Ele se totalmente desmoralizado.

O fato é que a vida é bela demais para perdermos tempo com fofocas e intrigas, que sempre têm como base a inveja. Nosso objetivo é evoluirmos como seres humanos. Nossa evolução espiritual só pode ser trabalhada individualmente. O primeiro caminho é desinflar o nosso ego, que muitas vezes compra briga por coisa à toa, e seguir em frente, sem dar atenção aos mesquinhos.

Nota: imagem copiada de nuhtaradahab.wordpress.com

2 comentários sobre “Fábula – A ÁGUIA, A JAVALINA E A GATA

    1. LuDiasBH Autor do post

      Marcos

      As fábulas trazem-nos sempre profundas lições de vida.
      Estava sentindo a sua falta.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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