Fábula – A ÁGUIA E O ESCARAVELHO

Recontada por LuDiasBH

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Certa águia sentia-se a dona dos ares e da terra. Para satisfazer o seu estômago famélico, atirava-se sobre qualquer coisa que se movesse. Em suma, ela era o terror da floresta. De uma feita, o escolhido fora um coelhinho rechonchudo que comia seu capim tranquilamente. Ao sentir uma ventania em seu derredor, ele se pôs a correr desesperadamente. Ao enxergar a toca de um escaravelho (também conhecido como besouro rola-bosta ou vira-bosta), nela se enfiou. Segundos depois lá estava a ave em cima do apavorado coelho. A ela se dirigiu o escaravelho:

 – Minha senhora, comandante dos ares, eu vos peço que preserveis a vida deste animal, que ora goza de minha hospitalidade. Não lhe oferecer proteção será uma vergonha que me acompanhará por toda a vida. Por favor, não o mate!

 A águia não deu ouvidos ao inseto, e subiu aos ares com o coelho em suas afiadas garras afiadas, indo devorá-lo bem longe. O escaravelho, por sua vez, não aceitou a desfeita, prometendo eterna vingança à ave que não respeitara sua toca. E assim, sempre que a impolida águia saía para caçar, ele aniquilava seus ovos. Isso aconteceu durante sucessivas ninhadas, apesar de todo o escarcéu feito pela senhora dos ares.

 A águia foi pedir ajuda a Júpiter, o deus dos deuses, que decidiu que ela deixasse os ovos em seu colo, onde estariam seguros. O inseto, porém, ali deixou cair uma caca, levando o deus a sacudir veemente suas vestes, deixando os ovos tombarem, não ficando um inteiro. Novamente a ave reclama com o deus, que pede o comparecimento do escaravelho, para explicar o porquê de tamanha danação. Ele conta como fora desrespeitado em sua própria casa, e ganha a absolvição do deus. E o sábio Júpiter, para acabar com a quizila, fez com que a época de procriação da águia acontecesse na mesma época em que o escaravelho enfiava-se terra, durante meses, para se esconder do frio.

 Reflexão
A espécie humana, apesar de pensante, tem dificuldades em avaliar as consequências de seus atos. E é por isso que, muitas vezes, suas ações são acompanhadas de severas consequências. Tantas coisas ruins poderiam ser evitadas, se as ações que as antecederam tivessem merecido um mínimo de reflexão. Vemos isso acontecer todo o tempo com sérias reviravoltas.

Em países como o nosso, onde a Justiça é morosa, para não dizer inoperante e falha, a imprudência e o arrojo vão ficando cada vez mais ousados. Se não há leis severas para deter os inconsequentes, pensam eles que também não há necessidade de reflexões éticas.  E assim segue o vicioso ciclo, que sempre acaba trazendo prejuízos, principalmente aos mais pobres.

Ainda que a postura da Justiça, aqui ou lá, seja insensata, seletiva e discriminatória, doando benesses a certos tais, acredito eu que exista, neste caos que comanda o Universo, uma lei indefinível que suplanta a chamada justiça terrena: a lei da causa e efeito ou da ação e reação. Assim sendo, mais cedo ou mais tarde, as consequências virão, boas ou más, dependendo da atuação de cada um de nós neste planeta Terra, bastando apenas esperar… Não por muito tempo. A lei da ação e reação é imutável. Nada há que lesgile sobre ela.

Nota: ilustração copiada de www.avesderapinabrasil.com

4 comentários sobre “Fábula – A ÁGUIA E O ESCARAVELHO

    1. LuDiasBH Autor do post

      Célia

      Que bom que tenha gostado. Eu sempre fui apaixonada por fábulas. Conheça também as outras.

      Abraços,

      Lu

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Mário

      Este provérbio é profundo. Não precisa dizer mais nada… risos. Mas que dá vontade, isso dá!

      Abraços (e também ao Edward),

      Lu

      Responder

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