Fábula – A LEITEIRA E OS SONHOS

Recontada por LuDiasBH

aleioso

A jovem mulher ganhou do fazendeiro uma vasilha com leite e rumou para a cidade vizinha, a fim de vendê-lo. Na cabeça transitavam céleres as ideias sobre o que compraria com o dinheiro: cinco dúzias de ovos, que lhe dariam uma bela ninhada de pintos; com os frangos crescidos compraria uma leitoa e um leitãozinho; deles venderia as crias e compraria uma novilha e um bezerro… Assim entretida, seguia a jovem em seus devaneios estrada afora.

A vendedora de leite já havia feito grande parte do percurso até à cidade, quando tropeçou numa pedra, deixando escapulir seu tesouro. A vasilha de barro espatifou-se no chão. E com seu leite mergulharam na terra os ovos, os frangos, a leitoa e suas crias, a vaca e o bezerro, e tudo mais que viria. Que pena!

Reflexão
Não há quem não se pegue em devaneios. Sonhar faz parte da vida. Nos sonhos construímos castelos e botamos o mundo do jeitinho que queremos. Nada há que fuja ao nosso desejo. Basta trocar a via do pensamento e tudo se mostra perfeito, pois ali mandamos nós, sem nem um tiquinho de receio. Vagamos de um sonho a outro, gastando um mínimo de energia.

As fantasias só se tornam perigosas quando se misturam à realidade. O sonhar fica tão ardente e sem controle que o sujeito passa a viver em dois mundos. Com o tempo, ele perde contato com a realidade, e passa a habitar somente o mundo dos sonhos. As pessoas dizem, então, que ele vive “no mundo da lua”.  Quando isso acontece torna-se necessário buscar tratamento.

A jovem da fábula sonhava, enquanto conduzia seu leite, embora não fosse dessa vez que iria botar seus planos em ação. Muitas descobertas e mudanças nascem dos devaneios. Não há passe de mágica para isso, apenas perseverança e trabalho. Fora disso, todo devaneio não passa de castelos de areia, que se desmancham num piscar de olhos.

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