Fábula – A MANGA E A ABOBÓRA

Recontada por LuDiasBH

moranga

Certo fazendeiro pôs-se a botar defeito em tudo que via na natureza. Nada estava a contento. Ao observar o aboboral, foi logo dizendo aos amigos que o acompanhavam:

– Observem, meus amigos, uma abóbora deste tamanho está segura por uma haste tão frágil assim. Ela deveria estar pendurada numa árvore portentosa como a mangueira. Por sua vez, a manga, que é um décimo de seu tamanho, deveria estar aqui. Não resta dúvida de que Deus equivocou-se no trato com a natureza.

O reclamante sentiu sono e escolheu uma mangueira para debaixo dela tirar um cochilo. Após dez minutos de ronco, eis que despenca sobre sua cabeça uma manga madura. Assustado, friccionando o galo, ele exclama em alta voz:

– Errado estou eu, pois Deus fez tudo certo. Se fosse uma abóbora no lugar da manga, minha cabeça tinha rachado. Bendito seja o Criador e sua sabedoria!

Reflexão
Existem pessoas que possuem o hábito de colocar defeito em tudo. Somente o que fazem está bem feito. São incapazes de um elogio, embora não vivam sem eles. Criticam todos e tudo, sendo quase sempre inconvenientes por meterem o bedelho onde não são chamadas. Como é cansativo trabalhar para ou com gente assim, pois, além disso, são sempre mal-humoradas.

Contagiados pelo hábito de botar imperfeição em tudo, certos indivíduos são muito cansativos, por fazerem do “eu” sua muleta de contato.  Acham que todos devem rezar na sua cartilha, acompanhando seu gosto supostamente apurado. Esquecem-se de que há uma pluralidade de escolhas, o que torna a diversidade uma via contra a mesmice. O melhor mesmo é ignorar gente assim, deixando que suas críticas entrem por um ouvido e saiam por outro. Caso contrário, a vítima do azedume acabará toldando o dia de quem com ela convive.

O fazendeiro da fábula precisou receber o baque de uma manga na cabeça para compreender o quão errado encontrava-se. Humildemente troçou de seu engano, aprendendo que é errado traçar críticas negativas àquilo que foge ao próprio conhecimento.

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