Fábula – A MOÇA E O CASAMENTO

Recontada por LuDiasBH

amoeca

Certa moça, bela e grã-fina, ao ver-se na idade de casar, foi logo dizendo aos pais que só queria por marido um homem que fosse bem-nascido, elegante, fino, bonito e carinhoso. Fora disso, não deveriam tomar-lhe o tempo. E assim, bons partidos faziam fila na sala dos aposentos da família, cada um almejando ser o escolhido. Mas a moça em cada qual via um defeito. Repelia-os por isso ou aquilo, para desespero dos pais, que via os bons partidos relegados. Depois vieram os homens comuns, os quais ela nem olhava.

A mulher desdenhosa nem reparou que o tempo passava… E sua beleza, antes tão vistosa, fenecia. Os pretendentes não mais surgiam, e ela continuava só. Desiludida, não mais falava em casamento. Mas um dia, um sujeito tolo, pobre, grosseiro e feio pediu sua mão em casamento. Antes que os pais dispensassem-no, ela gritou que era por ele que esperara a vida inteira.

Reflexão
Existem pessoas extremamente exigentes com os outros, não possuindo um laivo de tolerância.  Elas são indesejáveis como amigos ou chefes. Mas, quando se trata de si, exigem que sejam sempre desculpadas, lançando mão de mil artifícios, pois pensam encerrar todas as boas qualidades possíveis. Julgam a si mesmas com condescendência, diferentemente do julgamento que fazem dos outros.

Aqueles que possuem um alto grau de insatisfação pessoal são os indivíduos mais caprichosos e implicantes com os que vivem ao seu redor. Veem defeito em tudo e em todos, e nada lhes agrada. Estão sempre a apontar os defeitos de terceiros, enquanto não aceitam que os seus próprios sejam alegados. Em suma, estressam todos aqueles que vivem ao seu derredor.

Na fábula, a grã-fina julgava-se a tal, mas, como quem muito escolhe, acaba sempre pegando o pior, conforme apregoa um velho ditado, ela se deu mal. Para não ficar sozinha, acabou pegando, como marido, alguém que era o oposto de tudo aquilo que almejara. E assim, o tiro saiu pela culatra, como sempre acontece.

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