Fábula – A MULHER MÁ E AS DUAS CRIADAS

Recontada por LuDiasBH

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Duas pobres moças tiveram a infeliz sorte de trabalhar para uma mulher de mau coração. Como na época não havia leis que protegessem os trabalhadores, as duas coitadas não tinham horário definido para começar ou findar o serviço, ficando a bel-prazer da malvada. A elas cabia todo o trabalho da casa. Depois de terminarem a cansativa faina, tinham as duas que complementar o serviço com a fiação na roca. E mal se deitavam as serviçais, já eram chamadas para o duro labor, com o novo dia ainda escuro.

As duas moças descobriram que o relógio da exploradora senhora era um galo. Assim que a ave botava a boca no mundo, anunciando o raiar do dia, a mulher ia até o quartinho, onde as coitadas dormiam, carregando um lume nas mãos, e punha-as de pé. Tramaram então para matar o pobre animal que nada tinha a ver com a história. E assim o fizeram. Mas a patroa, na falta da ave para despertá-la, passou a levantar-se mais cedo ainda.

Reflexão
Pessoas há que imaginam que soluções simples erradicam grandes males. E assim, sem um mínimo de discernimento, acabam trazendo para si males ainda maiores. Nem sempre aquilo, que tomamos como a causa de um determinado problema, o é. Por isso, faz-se necessário agir com cautela e discernimento, para não dar com os burros n’água.

Ao que parece, as gentes de hoje vêm perdendo a capacidade de refletir, em vista do imediatismo que vem transformando o mundo num caldeirão de atitudes impensadas. A análise, a reflexão e a prudência estão desaparecendo. O que tem importado são os fins, pouco importando os meios usados para atingi-los. E isso tem levado a humanidade a buscar caminhos que lhe trazem grandes sofrimentos.

Na fábula, a pobre ave não era a responsável pela conduta desumana da mulher, mas tão somente a maldade enfronhada nas profundezas de seu ser. Ela apenas tomara o galo como referência para levantar-se. O que a preocupava era o fato de que as moças trabalhassem a seu contento. Assim, na ausência do galo, sem nada que lhe servisse de alerta quanto ao horário, passou a levantar-se antes da hora, para desalento das duas criadas.

Nota: Velha e um Menino com Velas, obra de Peter Paul Rubens

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