Fábula – A RAPOSA, O BURRO E O BUSTO

Recontada por LuDiasBH

rabubu

Um burro andava pela estrada, quando passou perto de um castelo. Na entrada viu uma figura enorme e imponente. Pôs-se o pobre a correr, amedrontado. Ao encontrar-se com uma raposa, contou-lhe, assombrado, que vira na porta do castelo, um ser grandalhão e arrogante, sendo melhor que dali passasse ela bem distante.

 A raposa chegou diante do palácio, e pôs-se a admirar a figura descrita, bem diante da porta de entrada. Olhou-a com calma e cautela, observando-a de todos os ângulos possíveis. Achando que já era hora de dar prosseguimento à sua caminhada, murmurou:

 – Até que sua cabeça é mesmo interessante, mas coitada, falta-lhe cérebro!

 Reflexão
O burro, coitado, na fábula representa os tolos, que se deixam impressionar pelo que ouvem ou veem, sem jamais questionarem. Sentem-se inferiores aos maiorais. Servis aos poderosos, nem ao menos percebem que eles usam, não raro, máscaras teatrais. No fundo, a maioria  não passa de finórios marginais, que abusam da ingenuidade do povo mais humilde.

A raposa, por sua vez, representa as pessoas observadoras e analíticas. Não engolem a primeira explicação que recebem, ou tampouco se guiam pela aparência do que veem, mas observam, ponderam e comparam, para depois emitirem um juízo de valor.  Não veem os os tais caciques como superiores, ou lhes lambem as botas.

O busto é uma característica do poder. Quanto mais insignificante for a obra deixada pelo mandachuva, mais estátuas e nomes de rua, aeroportos, praças, viadutos, hospitais e prédios públicos, em geral, trazem o seu nome ou o de sua família, para que ele jamais seja esquecido. Ação própria dos ególatras. Contudo, o tempo joga-lhe diversos sacos de cimento no ego. Pó!

 Nota: busto do imperador romano Adriano.

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