Fábula – AS POMBAS E OS ABUTRES

Recontada por LuDiasBH

abut.

Houve uma época em que as aves de rapina resolveram entrar em guerra, e só Deus sabe o porquê de tal contenda. Dividiram-se as várias famílias de águias, gaviões, falcões, corujas e urubus, em torno de duas facções, tendo um líder de cada lado, determinado a exterminar a outra parte, objetivo comum a todos os conflitos.

Toda a floresta tremia horrorizada sob o combate suicida de tais seres. Munidos de seus bicos curvos e afiados, com suas garras fortes e penetrantes, donos de uma visão e audição incomparáveis, eles aterrorizavam até mesmo os bichos que nada tinham a ver com a peleja. Aqueles que se atreviam a aventurar num prognóstico, diziam que, após a encarniçada batalha, restariam apenas 10% do lado vencedor, sendo todo o restante dizimado. Outros, mais pessimistas, prediziam não restar um guerreiro para contar a história.

Rios de sangue já escorriam pela floresta, enquanto penas esvoaçavam por entre as árvores e amontoavam-se no solo, com corpos espatifando aqui e acolá, sem que nenhum outro bicho pudesse se locomover pelas cercanias da batalha, quando um grupo de pombas, condoídas com tanta mortandade, resolveu intervir. Como embaixadoras da paz, depois de muitos esforços, elas conseguiram botar um fim naquela guerra insana, vindo a ser selada a paz.

As pombas ainda estavam a contar para os outros animais quais foram as estratégias usadas, quando se viram alçadas aos ares, pelos mesmos grupos beligerantes, que elas levaram à paz. Com as coitadinhas e abnegadas presas nas garras, lá foram eles se congratular, num mesmo espaço, a lauta refeição.

Reflexão
Quando o inimigo encontra-se dividido, o perigo que se corre é bem menor. Se as duas partes praticam o mal, fazem-no entre si, sem danos para terceiros, de tão envolvidos que estão em exterminarem-se mutuamente. Uma facção está sempre de olhos naquilo que faz a outra, pois ambas são sempre farinha do mesmo saco. Mas assim, pelo menos, dão um tempo de paz aos mais fracos. Como quem entra em briga de touros acaba levando chifradas, o melhor que se têm a fazer é se manter o mais longe possível, para não pegar nenhuma rebarba.

O mundo da política é tal e qual a guerra dos abutres. Os partidos políticos digladiam entre si, proferem os maiores impropérios contra os desafetos, para depois se unirem em prol de interesses maiores, ou seja, os deles mesmos. Tudo com o objetivo de abraçar o poder. E, como os abutres, acabam dando o dito por não dito ou o feito por não feito. Ajuntam-se na mesma maracutaia, sem pensar no povo e no país. O dever maior que possuem é beneficiar aqueles que os ajudaram com ricas somas: empreiteiras, construtoras e afins…

Tolo é aquele que se mete no meio de brigas de gigantes. Uma vez unidos, a ameaça torna-se muito maior para os pequeninos. A compaixão para com os ávidos pelo poder, sequiosos por mostrar a própria força, como no caso dos abutres, é perda de tempo. O mais triste é quando vemos o povo digladiando por quem não lhes acrescenta um côvado. Os tolos perdem grandes amigos, enquanto eles, os políticos, unem-se, mal passada a eleição, comendo na mesma gamela, bebendo no mesmo cocho.

Nota: imagem copiada de pt.clipartlogo.com

2 comentários sobre “Fábula – AS POMBAS E OS ABUTRES

  1. Pedro Rui

    É verdade! Tanto tratam mal uns aos outros,mas depois que passa a tormenta da guerra, vão todos comer no mesmo restaurante; para eles está tudo bem, pois já têm o poder, fica o dito por não dito. Os abutres logo se esquecem do povo e esses ficam cheios de impostos para pagar,enfim. Os abutres “políticos” exterminam o povo através da corrupção e do mau trato, pois só trabalham para os senhores do dinheiro.

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Pedro Rui

      Minha avó tinha uma expressão engraçada para isso. Dizia que “todos eram farinha do mesmo saco”. E na verdade são. O melhor é procurarmos ser felizes, apesar dessa gente. Ou então, mudemos para a Dinamarca ou a Noruega… risos.

      Abraços,

      Lu

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