Fábula – AS RÃS QUE QUERIAM UM REI

Recontada por LuDiasBH

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Reuniram-se as rãs, numa manhã ensolarada, para dizerem que estavam cansadas da democracia. A soberania popular já as incomodava. Quantas vezes estavam tranquilas na água morna de alguma lagoa, quando eram chamadas a votar, para decidirem sobre isso ou aquilo. Melhor seria que um governante decidisse tudo por elas, sobrando-lhes bastante tempo para curtir a vida, sem nenhuma forma de preocupação. Como seria bom, se tivessem um rei! Foram ouvidas pelo grande Júpiter, também conhecido pelos gregos como Zeus, que imediatamente atendeu seus rogos.

Estavam ainda as tolas a tagarelar, quando um balofo monarca despencou sobre elas, causando um grande barulho e espalhando lama por todos os lados, além de machucar algumas. Amedrontadas, cada uma tomou um rumo diferente, procurando um lugar onde pudessem se esconder daquilo que caíra dos céus. Mas, aos poucos, curiosas, foram se acercando de tão inerte criatura, ainda tonta, escarrapachada em meio ao lamaçal, depois de concluírem, pela coroa, que se tratava do tão ansiado rei.

Donas de si por terem seus desejos atendidos, e já se sentido senhoras do pedaço, as rãs começaram a rodear o rei, passando a saltitar em suas avolumadas costas. E o monarca ali, imóvel, ainda estatelado na lama, tentando recobrar os sentidos. Uma delas exclamou em alto e bom som:

– Que rei mais babaca, que não mexe e nem fala! Peçamos outro aos céus.

Enervado, Júpiter enviou-lhes, como rei, um gigantesco gavião-real, uma das maiores aves de rapina do mundo, trazendo sobre a cabeça uma avantajada coroa de ouro. Antes de tocar o solo, o poderoso monarca enfiou suas unhas gigantescas em uma dúzia delas, destroçando-as, enquanto as outras, apavoradas, pediam socorro a Júpiter que, por sua vez, fazia ouvidos moucos a seus pedidos.

Reflexão
Há pessoas que, como as rãs, nunca estão contentes com nada. Querem tudo nas mãos, sem gastar uma gota de suor. E pior, não possuem senso crítico e, portanto, muitas vezes acabam dando com os burros n’água. Não sabem que é a união de todos ,em prol de benefícios comuns, que mantém a máquina social funcionando. Se assim não pensam, o arrependimento acaba vindo tarde demais.

Qualquer escolha, ainda que pareça insignificante, deve ser pautada por uma análise mais profunda, uma avaliação dos pros e contras, com o pensamento sempre voltado para o bem comum. Assim, corremos o risco de ter menos aborrecimentos. Os indivíduos afoitos, que se acham donos da verdade, e pensam  tudo poderem fazer, sem avaliar os possíveis resultados, metendo os pés pelas mãos, acabam sempre em maus lençóis. Daí a necessidade da prudência, sempre.

Na nossa fábula, as rãs queriam vida mansa, sem nenhum compromisso, sem responsabilidade alguma. Almejavam que outrem decidisse por elas, de modo a deixar-lhes mais tempo livre. A história da humanidade está cheia de exemplos que mostram que, quando um povo entrega os destinos de sua nação a um único homem, ele não tarda em se transformar num tirano, como fez o gavião-real.

Nota: imagem copiada de www.ebooksbrasil.org

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