Fábula – O ASTRÓLOGO E O POÇO

Recontada por LuDiasBH

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A notícia espalhou-se pela cidade. Ali chegara um astrólogo que a tudo previa. Nada havia entre céu e terra que não fosse conhecido por sua sabedoria. Por isso, não é de admirar-se que todos os moradores deixassem seus ofícios para o futuro conhecer. As consultas eram dadas à noite, com o céu estrelado, quando o mago dizia encontrar as respostas nos astros. Durante o dia, ele dormia o sono dos engabeladores.

Certa noite, quando o número de consulentes era grande, para mostrar seus conhecimentos, o homem andava olhando para o céu, dando às estrelas certos nomes. Mas… Tibungo! Caiu a divina sapiência dentro de um poço profundo. Indignados, todos lhe deram as costas, pois, se o dito não era capaz de prever o que aconteceria consigo na terra, muito menos teria conhecimento do que ocorreria aos outros, olhando para o céu. E escabreados voltaram todos para casa, enquanto o ajudante do astrólogo tentava tirá-lo do buraco aguacento em que se metera com sua velhacaria.

Reflexão
Esta fábula é bem propícia ao século em que vivemos, quando profetas e magos, dos mais diferentes naipes, ainda pululam por aí, até mesmo nos mais distantes rincões, fazendo profecias e predizendo o futuro, quando, na verdade, é a burra que querem encher, para lhes propiciar conforto, vida mole e mãos sem calos.

Chega a ser risível acreditar em alguém que diz saber ler no “livro do destino”. Se assim fosse, a “Mega-Sena” só descansaria em certos bolsos, e todas as igrejas estariam como  Salomão em seu opulento reino. Nunca o acaso ou a sorte tiveram suas páginas desvendadas. O melhor é que assim seja, para que cada um tenha como providência os frutos de suas boas ações.  Caso contrário… Resta-lhes o fundo do poço.

Não se pode negar que os tais profetas, sibilas, adivinhos e magos leem, não no “livro do destino”, mas na testa dos ingênuos, tolos, simplórios, manés, trouxas e crédulos que perambulam por aí, aos montes, tirando do pouco que têm, para sustentar malandros. Dias desses, até deixei que uma cigana “lesse” minha mão. Dei-lhe cinco reais, não para ela, mas para o filhinho magricela e faminto em seus braços. Ela me disse que “se eu fizer o bem, meus caminhos continuarão abertos”.  Não é que a cigana acertou!

4 comentários sobre “Fábula – O ASTRÓLOGO E O POÇO

  1. Rui

    Lu

    Gostei muito do texto, você me pos a rir, pois é sortuda. Não é que encontrou uma cigana que adivinhou o seu futuro, risos. Realmente os preguiçosos, que não querem exercitar a mente, têm na testa “engana-me que eu gosto”. Porque as pessoas são trouxas, muitos enriquecem à custa delas. Até fico mais sossegado, sabendo que a minha amiga continuará com os seu caminhos abertos.

    Um abraço amiga!

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Rui
      HÁHAHÁ… Você leu o que a cigana disse. Tenho que andar por caminhos certos.

      Amiguinho, o problema é que os gananciosos e prepotentes imaginam que vão viver 150 anos, e, portanto, precisam acumular muita riqueza, para, como os antigos egípcios, levá-la para o outro mundo. E pior, esses pilantras ainda encontram o povo ingênuo para segui-lo. Que os Céus tenham piedade de nós!

      Abraços,

      Lu

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  2. Adevaldo Souza

    Lu,

    Parabéns pelo texto. Existem engana-trouxas por todos os lados. Conheço alguns, nos tempos atuais, que foram enganados, e agora estão perdidos.

    Abraço,

    Devas

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Devas

      O mal é que as pessoas, com preguiça de refletir, deixam-se enganar. E acabam recebendo a coroa de “trouxa”.

      Abraços,

      Lu

      Responder

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