Fábula – O BURRO E O CÃOZINHO

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Recontada por LuDiasBH

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Um pobre burro trabalhava de sol a sol na lavoura, sem jamais receber um afago de seu dono. Enquanto isso, um cãozinho, que nada fazia, era o xodó da casa. Depois de muito matutar, o pobre animal chegou à conclusão de que, se assim era tratado, era porque não dispensava ao seu dono o mesmo tratamento dado pelo cão, sempre a fazer-lhe festa, estender a pata, pular no seu colo e roçar-lhe o rosto. E achou o inocente que, mudando seu comportamento, receberia tratamento igual. Coitado, não sabia o que lhe proporcionariam tais pensamentos.

Quando o dono chegou da cidade, feliz e disposto com as novidades compradas, o cãozinho foi logo pulando no seu colo e o lambuzando de carícias. O burro aguardou um momento propício para fazer o mesmo. Assim que o cão atendeu os chamados da dona, ele entrou porta adentro e dirigiu-se ao dono, roçando-lhe o casco no rosto e tentando se sentar em seu colo. Assustado, o homem acabou machucando o queixo e quebrando um dente. Enraivecido, enxotou o animal a chicotadas, achando que ele havia enlouquecido.

Reflexão
Em muitas partes do mundo, os que mais trabalham recebem chicotadas, e os que nada fazem são tratados a pão de ló. Haja vista a situação dos trabalhadores em vários países, a quem são relegados aumentos irrisórios, que os mantém numa condição não somente de subalternos, mas também de escravos. Eles puxam as carroças do progresso do país, mas são justamente aqueles que nada fazem, que recebem as benesses do lucro que os operários produzem. Não tem sido fácil a situação dos trabalhadores em certas partes do globo, principalmente  onde os governantes não são comprometidos com o social, dando toda ênfase ao capital interno e estrangeiro.

Os trabalhadores enriquecem seus patrões, mas continuam vivendo à míngua, como se o trabalho cativo não passasse de obrigação. E a senhora dona Justiça não questiona as disparidades do sistema, ou o enriquecimento rápido de certos tais, porque ela também usufrui das benesses repassadas pelos poderosos. Numa simbiose entre endinheirados e sinecura, os burros, para sobreviverem, são obrigados a carregar o fardo do descaso e da indiferença. Mas eles possuem uma saída!

Aos trabalhadores não adianta se assentarem no colo de seus empregadores, como fez o burro, pois o resultado é sempre o mesmo. Eles fingem que não veem, ou não escutam. O que resta a fazer é educar seus filhos para que se tornem pessoas pensantes, cientes de seus direitos e deveres, pois somente a educação pode tornar os homens iguais. Portanto, a maior riqueza que um pai pode deixar para seus filhos é contribuir para o  crescimento intelectual e moral desses, advindo do estudo. O que  torna todos os homens iguais na lutas por seus direitos.

Nota: imagem copiada de metaforas.com.br

6 comentários sobre “Fábula – O BURRO E O CÃOZINHO

  1. Edward Chaddad

    LuDias

    Lembro aqui o pensamento de Karl Marx:
    “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele a adora.”
    A busca do lucro, sem limites, é a grande diferença entre um Estado que busca o equilíbrio social e aquele, diminuto, que apenas garante os direitos de quem os possui.
    Abraços

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Ed

      Que genética desgraçada é a humana, capaz de transformar nossa espécie em adoradora do dinheiro e do poder! Será esse o preço de nossa decantada “racionalidade”? Veja o exemplo da China que ora destrói os valores de uma civilização milenar, para dar curso à riqueza material, sem nenhum espaço para o equilíbrio…

      Abraços,

      Lu

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  2. Luiz Cruz

    Lu,
    Em pleno período pós-eleitoral esta parábola cai perfeitamente.
    A Educação é a única saída para a construção uma Nação livre, democrática e acima de tudo justa para todos os cidadãos que a constitui.
    Abraço,

    Luiz Cruz

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Luiz

      Não resta dúvida de que a Educação é o único caminho para tornar uma nação livre e rica.
      Assim fez o Japão, após a Segunda Guerra Mundial.
      Estou com saudades de seus artigos…

      Abraços,

      Lu

      Responder

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